Todos me conhecem por Spidey. Estou há uns 11 anos entre Disqus, Discord e outros cantos da internet comentando sobre heróis, filmes, séries e teologia.
Hoje gostaria de partilhar esse texto porque, sendo meu aniversário, sempre me pego pensativo. A nova idade traz consigo expectativas, cobranças e aquela inevitável pergunta sobre o futuro. Como homem de fé, tento conciliar as ansiedades da alma com a esperança de Cristo. Entretanto, como um bom Aranha, muitas vezes me balanço nas teias da incerteza e vejo meu coração inclinar-se aos próprios anseios.
Talvez seja por isso que a figura da máscara sempre tenha me fascinado.
Todos nós usamos máscaras. Algumas escondem quem somos. Outras, curiosamente, revelam justamente aquilo que não conseguimos expressar sem elas. Foi assim que passei a adotar o alter ego do escalador de teias e amigão da vizinhança. A máscara do Homem-Aranha é identificável porque seus dilemas também são. E esse sentimento não é apenas meu; muitos outros o compartilham.
No mês passado, consegui fugir do trabalho e fui com meu querido Ozy assistir Um Novo Dia. Era pré-estreia, e eu estava mais ansioso do que deveria admitir. Talvez por estar voltando ao cinema. Talvez por morar no interior e ter poucas oportunidades assim. Talvez apenas pela satisfação de escapar da rotina e ter um dia de lazer.
Seja qual for o motivo, posso dizer com toda certeza que foi uma experiência inesquecível.
O filme gira em torno de uma pergunta muito simples: qual o peso da máscara que vestimos?
Desde os acontecimentos de Sem Volta Para Casa, Peter Parker vive uma realidade cruel. Todos esqueceram quem ele é. Seus amigos esqueceram. O mundo esqueceu. Em certo sentido, até sua própria vida foi apagada. Resta apenas o Homem-Aranha.
E é justamente aí que o longa encontra sua força.
Ao longo da trama, vemos um herói que lentamente deixa de existir como Peter Parker para se tornar apenas a máscara que usa. O combate ao crime continua. A cidade o admira. O dever permanece. Mas sua identidade parece se dissolver cada vez mais.
Talvez tenha sido isso que me atingiu tão profundamente.
Não porque eu seja um super-herói, mas porque também conheço a sensação de ser consumido pelos papéis que desempenhamos na vida. Afinal, existe o profissional, existe o servo na igreja, existe o amigo, existe o filho e ainda existe a pessoa que os outros esperam que eu seja.
E, por vezes, no meio de tantas responsabilidades, surge a pergunta: onde termina a máscara e onde começa a pessoa?
A direção de Destin Daniel Cretton trabalha muito bem esses elementos ligados à pressão, propósito e identidade. O elenco funciona de maneira orgânica, trazendo de volta personagens já conhecidos e acrescentando novas peças que enriquecem a narrativa.
A MJ da Zendaya está em seu melhor momento na franquia. O Ned continua exercendo sua função como alívio cômico, ainda que seu humor não seja exatamente o meu favorito. O Justiceiro faz uma estreia surpreendentemente eficaz, criando uma parceria que funciona tanto na ação quanto nos momentos mais emocionais. Já o Hulk assume um papel importante ao complementar o lado científico do Aranha e participar de algumas das melhores sequências do filme.
Além disso, o MCU começa a abrir suas portas para o futuro ao introduzir os mistérios do Gene X. Nesse contexto, Jean Grey, interpretada por Sadie Sink, surge como uma personagem intensa, carismática e fundamental para os conflitos da trama.
Como filme, considero Um Novo Dia espetacular. Para mim, é um sólido 9, com algumas pequenas ressalvas que mudaria aqui e ali.
Mas, curiosamente, o que mais ficou comigo não foram as incríveis cenas de ação, mas a poderosa reflexão que o longa produz.
Ao centralizar sua história naquilo que define o verdadeiro heroísmo, o filme acaba ecoando verdades muito antigas. Verdades que me lembraram do peso do sacrifício, da importância da entrega e da necessidade de não construirmos nossa identidade apenas sobre aquilo que fazemos.
O evangelho nos recorda constantemente que nossa identidade não está em nossos títulos, funções ou conquistas, mas em Cristo. Essa é uma verdade fácil de afirmar e difícil de viver.
Porque todos nós, em algum momento, corremos o risco de nos tornar apenas nossas máscaras.
Por isso, talvez uma das maiores lições do filme seja justamente a importância daqueles que caminham ao nosso lado. Amigos. Irmãos. Pessoas que nos ajudam a lembrar quem somos quando começamos a esquecer.
E aqui entra a melhor parte do dia.
Mais do que o filme, a experiência recebeu nota dez.
Partilhar a mesa com um irmão é sempre bom. Consolidar amizades é sempre bom. Ter um momento para respirar, conversar e simplesmente ser o Amigão da Vizinhança é sempre bom.
Talvez esse seja um dos presentes da nova idade que completo hoje: a oportunidade de refletir sobre quem estou me tornando, sem esquecer quem sou.
Já estava devendo esse texto desde o dia em que assisti ao filme. Recebi cobranças quase diárias no WhatsApp para escrevê-lo.
Pois bem. Ele saiu, finalmente. KkkK.
Um ótimo dia do seu Amigão do Disqus.













