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sábado, 21 de setembro de 2019

setembro 21, 2019

Crítica: Project Blue Book



PROJECT BLUE BOOK
por Joba Tridente
publicada originalmente no Claque ou Claquete*
Quando era jovem e vivia no Planalto Central do Brasil, sempre que possível, saía cerrado afora em busca de Discos Voadores ou UFOs ou OVNIs. De noite e ou de dia, eu e outros malucos ficávamos à espreita de luzes estranhas e ou de formas estranhas no horizonte seco, sob um céu esplendoroso e sem igual (?) no mais belo bioma do planeta. Quando a viagem de exploração e observação dava em nada, para não perder o tempo, a turma se reunia em torno de uma mesa e tentava se comunicar com os ETs através do copo corrido. Maluquice total! Tinha gente (e ainda tem) que dizia incorporar algum alienígena e começava a psicografar e ou a falar as mesmas mensagens pacificadoras e apocalípticas que rezam até hoje, pedindo que todos os humanos (seus irmãos terrestres) se preparassem para o fim dos tempos que estava próximo etc. Nem sei quantas vezes o mundo já acabou e quantas teorias da conspiração já foram desveladas desde então. Com o tempo fui deixando de lado a diversão paranormal-ufológica, que ia muito além de cair na estrada e ou ficar de mãos dadas ao redor de uma mesa redonda falando com um copo vazio emborcado, e passei a cuidar de outras coisas, mas nunca desdenhando da ficção científica literária e ou cinematográfica, que amo de paixão. Ainda criança, ao que me lembro, o primeiro filme que assisti no cinema foi de ficção científica. Também na infância era fã das séries de televisão Os Invasores, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, entre outros. Adulto, me apaixonei pela clássica Arquivo X, com o intrépido Fox Mulder (David Duchovny) ciente de que a “Verdade Está Lá Fora” dos gabinetes governamentais...

Bem, esse prólogo simplificado está aí só porque assisti e gostaria de comentar que no burocrático e frouxo seriado Project Blue Book o que não falta é clichê e caricatura, numa tentativa inútil de emular o saudoso Arquivo X..., deixando óbvio que a distância qualitativa entre os dois é estratosférica. Arquivo X (1993/2002) era uma série de ficção científica especulando fatos ufológicos, teorias conspiratórias e atividades paranormais, numa bem dosada mistura de suspense, terror, ação, humor, intrigas, ceticismo, fé. Já Project Blue Book (Projeto Livro Azul, 2019) é uma série dramática de não-ficção científica fictícia (se é que me entende!) especulando fatos ufológicos norte-americanos e equilibrando os dados genéricos do seu livreto de anotações “verídicas” secretas num “thriller” repleto de lugares comuns e muito borbulhantes. Ploft! Ploft! Ploft! Não importa a cena, você (por mais leigo que seja) já sabe exatamente o que vai acontecer. É capaz até mesmo de antecipar os diálogos ridículos, principalmente os femininos.


O alerta inicial diz que a série é baseada em eventos reais..., estudados pelo Capitão Michael Quinn (Michael Malarkey), personagem inspirado no Capitão da USAF Edward J. Ruppelt, e o astrônomo Dr. J. Allen Hynek (Aidan Gillen) que, na série, além de especialista em ufologia, tendo criado a sigla OVNI, para se referir a Objetos Voadores Não Identificados, também tem conhecimentos práticos de medicina, antropologia, paleontologia, mitologia, misticismo, hipnotismo, farmacologia etc. Um gênio que, até ser convocado pelo governo norte-americano para decifrar e desqualificar eventos ufológicos, era professor de astronomia na Northwestern University.

Já a sua mulher Mimi (Laura Mennel) é vista como uma imbecil e mãe negligente. Em plena Guerra Fria (EUA versus União Soviética), enquanto o marido caça OVNIs, ela, que parece conhecer ninguém na vida, além do ocupado marido e do superativo filho Joel (Nicholas Holmes), torna-se amiga de uma serigaita (loira fatal), Susie Miller (Ksenia Solo), numa loja de departamento, e imediatamente sente a língua coçando para compartilhar Segredos de Estado (“que ela não pode falar”) do importante Dr. Hyneck (é assim que ele se apresenta para as pessoas simples que veem coisas que não devem ver no céu e ou na terra)..., como se o título de Dr. lhe desse autoridade sobre qualquer assunto. É preciso dizer quem e ou o quê faz a tal loira, que apareceu “do nada”? Quais são as suas reais intenções nesse quibrocó do pesquisador doido e roteirista sem noção e ou imaginação escorregando no quiabo com maionese?


Criado por David O'Leary e produzido por Robert Zemeckis (De Volta Para o Futuro) para o canal History, o enredo é uma bagunça fantasiosa que seria cômica não fosse dramática. É difícil saber qual é o objetivo da pretenciosa série situada nos anos 1950: farsa ou paródia ufológica em meio à paranoia da Guerra Fria? Como se não bastasse a indefinição, não há uma personagem sequer que desperte um mínimo simpatia. Quem não é arrogante ou prepotente é idiota ou tratado como ignorante. Ainda que a reconstituição de época e dos avistamentos seja muito boa, as histórias “reais” dos OVNIs (cada capítulo uma “ameaça” nova) e dos alienígenas não empolgam, principalmente por causa das descartáveis “histórias” paralelas tapa-fotograma que a todo instante interrompem a trama.

A série se leva tão a sério que até declina do contato imediato com o humor de qualquer grau. Enquanto a narrativa se arrasta, a relação absurda das duas mulheres, que mal se conhecem e já são amigas desde criancinhas, se torna tão chata e os seus diálogos tão estúpidos que você há de querer correr (no controle remoto) as sequências em que elas aparecem..., ou ainda desejar que sejam sequestradas por algum extraterrestre alucinado. Ah, e certamente você vai perguntar muito em qual buraco da minhoca, não catalogado pelo projeto, se esconde o menino Joel quando não está (?) em casa.


Enfim, com seu suspense forçado na trilha sonora enfadonha, a série deve interessar mais ao espectador (pouco exigente) que aprecia a temática Discos Voadores e gostaria de “saber” algo sobre o Projeto Livro Azul (1952 a 1970) da Força Aérea dos Estados Unidos, que buscava descobrir (ou encobrir) a periculosidade (ou a origem) dos OVNIs, do que ao espectador com mais vivência no assunto e que se lembra de outras séries explorando o mesmo tema, como a Project U.F.O (1978/1979), também baseada em arquivos do Project Blue Book.

Dos dez capítulos, o penúltimo me pareceu o pior. Embora o foco abdução seja curioso, ele tem absolutamente nada a ver com os episódios anteriores, já que a reação dos dois caçadores oficiais de OVNIs, diante de um fato realmente novo e instigante, é totalmente contraditória (para não dizer improvável!) com os esforços que vinham fazendo para certificar os eventos... Se bem que o último capítulo da primeira temporada é muito mais estranho no contexto mal encaixotado do espaço sideral. Bom, isso se você não relevar o ET na Proveta do Von Braun, os soturnos e “invisíveis” Homens de Preto e outros penduricalhos que é melhor que descubra e julgue por conta própria. Arrisque no piloto! Se não gostar, desista da viagem! Se gostar, aperte o cinto e caia na estrada ou pegue carona num caça e desfrute, porque, segundo as mensagens, “o fim está próximo”!

Nota: O material ufológico recolhido pelo governo norte-americano é farto. Porém, dos mais de 12.000 eventos, apenas uns 700 não teriam explicação lógica. Quem tiver paciência pode pesquisar na web sobre os casos mais famosos do Project Blue Book e inclusive fazer download.


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeos-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

* No Claque ou Claquete você pode encontrar outras críticas (sem spoiler) do seu interesse! 

setembro 21, 2019

Fotos Novas Do Filme Do Coringa




Inomináveis Saudações a todos vós, realistas leitores!

No início desta semana, a Warner liberou novas fotos do filme do Coringa. Posto as mesmas aqui, junto com algumas que ela já havia liberado.

APRECIEM SEM MODERAÇÃO!!!














Faltam apenas doze dias para a estréia do filme nos cinemas. Ansiosos, senhoras e senhores?

Saudações Inomináveis a todos vós, realistas leitores!



_________



Inomináveis Saudações, leitoras & leitores virtuais! 
Se este escrito vos agradou, lhes convido para conhecerem meus outros inomináveis universos:




sexta-feira, 20 de setembro de 2019

setembro 20, 2019

RAPADURA AÇUCARADA



Foi derrubado ontem, após 16 anos no ar, o blog Rapadura Açucarada, comandando por Eudes Honorato. Eudes alegava já há algumas semanas sofrer perseguições políticas por seus posts de extrema esquerda, e de fato, estava, visto que primeiro derrubaram sistematicamente suas contas de upload em vários servidores, e por fim, seu blog. Acho necessário comentar isso, saber “separar as coisas”.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

setembro 19, 2019

A Ideologia Constantine - Nada Admirável Mundo Estranho (Versão Revista E Ampliada)

Arte de Glenn Fabry


Publicado originalmente em:


Saio sem fazer barulho, como se fosse para não acordá-la… Contente por ter lhe dado alguma paz. Lá fora, a vida no Inferno continua. Só que, agora, o material isolante foi arrancado e o vento faminto da mortalidade arranha os ossos de todos. E eu gosto dessa sensação. O mundo ainda é um lugar feio e feroz, cheio de almas tristes enfrentando uma tempestade de merda para sobreviver…  Mas, estou em contato com isso outra vez. Estou bêbado feito um adolescente, com uma paixão fervorosa por justiça humana… Bêbado de amor...

— Puta merda! É verdade...

Eu me importo com esses malditos imbecis de novo. Até me importo comigo mesmo.

John Constantine
in: A Horrorista, Parte 2, pag. 48


setembro 19, 2019

10 motivos pelos quais Mulher-Gato é o MELHOR filme de super-heroína!



<Texto da Tag “Escritor Convidado”, escrito por: A Doutora>

 Já faz um tempo que eu não escrevo uma lista contendo 10 motivos pelos quais... Então, resolvi publicar hoje essa, que eu já venho pensando nela há algum tempo. A sugestão partiu do nosso moderador, Riptor!

Embora muitas pessoas achem que filmes estrelados por heroínas só começaram a vingar recentemente, com sucessos como Mulher-Maravilha e Capitã Marvel, a verdade é que esse caminho começou a ser trilhado lá em 2004, com o lançamento de um filme que se tornou um marco. Sim, estou falando de Mulher-Gato, estrelado pela talentosíssima Halle Berry. Estão prontos para revisitarem esse clássico do início dos anos 2000? Então, vem comigo!
setembro 19, 2019

JÁ IMAGINOU “O CORINGA” TIRANDO O OSCAR DO ROBERT DOWNEY JR DUAS VEZES?



Ontem, pensando aqui com meus botões, me dei conta de uma grande ironia da história do cinema, com nosso ganancioso preferido do MCU...

O ano era 2009, após todos aqueles “problemas” que se tornaram lugar comum na mídia sobre Robert Downey Jr, ele estava dando a volta por cima, apesar ainda de grande descrédito. Estava, claro, naquela tão saudosa fase que os atores passam, em quererem se provar excepcionais, e não baterem um texto em algum personagem que lhe cai como uma luva. Após certos êxitos de filmes como “Beijos e Tiros” (alguém ainda lembra dessa bomba do Shane Black?), e ser o Homem de Ferro, o ator tinha sua segunda chance de ganhar o Oscar, agora como coadjuvante, na comédia “Trovão Tropical” (e negão, quem diria! Onde estava a patrulha do politicamente correto naqueles dias?). Antes disso, o ator tinha tido sua chance em 1992, interpretando Charlie Chaplin, sendo derrotado por Ao Pacino, até então, o maior ponto da sua carreira antes da armadura tecnológica.
setembro 19, 2019

O Que Vem por Aí: Marvel traz ANIQUILAÇÃO FLAGELO em dezembro!!

Confirmando meus avisos sobre o perigo eminente a nossos 'cofrinhos', a Marvel anuncia "ANIQUILAÇÃO FLAGELO" para dezembro. Sim, nossos cofrinhos serão 'aniquilados'....

Sim, dezembro esta com uma série de lançamentos que realmente acabam com nossa economia pessoal. E claro, precisamos estar preparados por que a DC vai dar 'o troco' a Marvel e levar nossos 'trocados' (chega de trocadilhos, prometo!)...

Então vamos lá, o que a Marvel preparou para nós? 

ANIQUILAÇÃO FLAGELO - NOVA #1

Vocês não vão acreditar! O Universo está em perigo!! Isto nunca aconteceu antes...Enfim, sem dar espaço a diferenças passadas, Nova é obrigado a se aliar a um de seus piores inimigos: Annihilus ou, como o chamamos: Aniquilador!! 

Mas, será que ele poderá confiar no governante da Zona Negativa, ou a batalha terá dois fronts??? Bem, saberemos a partir de dezembro. Por enquanto ficamos com a capa e suas variantes...



ANIQUILAÇÃO FLAGELO - SURFISTA PRATEADO #1

O Flagelo está se aproximando e causando estragos em toda a galáxia...O Surfista Prateado voltou bem a tempo de testemunhar suas atrocidades. Porém, seu atual 'status quo' (??) o impede de intervir!!!

Será que o Surfista encontrará uma maneira de salvar os inocentes atingidos pelo Flagelo, ou será obrigado a assistir e apenas anunciar uma nova era de mortes?

Respostas a partir de dezembro, por enquanto a capa


ANIQUILAÇÃO FLAGELO -  BILL RAIO BETA #1

O Flagelo chegou! Toda a população local fica infectada. Agora, cabe a Bill Raio Beta resolver ou enfrentar a situação.

Será que Bill conseguirá lutar contra a Horda e salvar os inocentes, ou eles já estão perdidos? Poderá o próprio Bill se tornar vitima da aniquilação???

Teremos de esperar as respostas, porém já temos a capa e sua variante...



ANIQUILAÇÃO FLAGELO - QUARTETO FANTÁSTICO #1

Alertados sobre um distúrbio na dimensão, o Quarteto Fantástico parte para investigar, porém o que eles encontram é bem pior do que esperavam! 

Será o Quarteto capaz de deter o Flagelo? Ou finalmente, a Zona Negativa cederá?

Agora, a capa e sua variante: 




Bem, só nos resta aguardar dezembro e com ansiedade! Nós: para lermos as histórias e confirmarmos se são boas. Nossos 'cofrinhos': com terror em seus 'corações'...



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

setembro 18, 2019

O Que Vem por Aí: "RAISING DION" - drama familiar e super poderes na Netflix

Em sua corrida para ficar em primeiro lugar nos canais 'streamings', a Netflix nos traz: RAISING DION...

A série é anunciada como um drama familiar, com um 'tempero' à mais: poderes mágicos ou superpoderes...

Vejam o trailer abaixo, infelizmente ainda sem legendas: 


O que a Netflix esta usando como atrativo para a série, é ela ser estrelada por Michael B. Jordan, que atua em "Pantera Negra" e "Creed"..


Mas, talvez a trama da série em si seja mais interessante. Na história uma jovem chamada Nicole Reese, tem de cuidar sozinha do filho Dion, após a morte de seu marido Mark...

Claro que teremos aqueles dramas normais de series familiares, e com uma mãe sozinha, mas a coisa se complica quando Dion começa a demonstrar certas habilidades, como vimos no trailer... 


Como sempre, o governo esta catalogando e estudando seres humanos que demonstram habilidades especiais. Agora Nicole terá de fazer de tudo para esconder os poderes cada vez maiores do filho e mantê-lo longe das mãos das autoridades...

Ela conta com a ajuda do melhor amigo de Mark. Mas, é claro que as autoridades descobrirão de alguma forma e Nicole terá de, além de proteger seu filho, descobrir as origens de suas habilidades...

"Raising Dion" tem como base um curta metragem e também histórias em quadrinhos do diretor Dennis Liu...


"Raising Dion" terá sua primeira temporada exibida à partir de 04 de outubro...Agora é só esperar...






setembro 18, 2019

A BALADA DO BLACK TOM



<Texto da Tag “Escritor Convidado”, escrito por: Saitama>

Uma história que dá segmento ao universo de Lovecraft e que não releva o racismo contido do autor??
QUERO!!

Eu não sei se vocês já repararam no meu nick, mas é do H.P. Lovecraft. Quando vi na Amazon essa obra que buscava uma dita reflexão sobre o racismo, xenofobia e homofobia, no ato coloquei na minha lista. E livro lido, vocês sabem, é livro criticado aqui no Família Marvel. Então, sem mais delongas, bora pra essa resenha curta de uma obra curta.
setembro 18, 2019

A luxúria dos Sátiros



No quarto escuro a vastidão e a secura da atmosfera te beijam. Quase não podes respirar. Teus pensamentos não te deixam descansar em paz. Descansar em paz também é hino de morte. São teus pensamentos que figuram vida. D'onde vem esse fenômeno? O Sonho. Sonhar é deixar-se nu ao que te apetece. Gozar sem recordações. Mas há sempre uma mensagem para o agora. O que não fizestes? Por quê não? Regras te consomem, devoram e te despedaçam em salas e locais de trabalho? Deixai o relógio na mesa, ao menos hoje. Vá gozar! E goze da sua forma! Grite ou silencie. Coloque-se como um Oliver a aproveitar o plano astral. Pois há sempre uma mensagem para o agora. E não a direi.


terça-feira, 17 de setembro de 2019

setembro 17, 2019

E Se o Menino Chegar Para o Pai e Pedir uma Barbie?


Madrugada na TV é mesmo o reino dos charlatões e dos picaretas.
Ontem, que já era hoje, por volta das três da matina, o sono cansou-se de mim e lá estavam todos eles na telinha : os pastores evangélicos, os padres-cantores carismáticos, os vendedores de inutilidades domésticas, de semijoias, de sêmen bovino e, a corroborar a minha afirmação inicial, uma psicopedagoga, uma orientadora educacional. E feminista das brabas. Antes um poltergeist emergir da tela que esse povo.
setembro 17, 2019

Crítica: Heróis Modestos



HERÓIS MODESTOS
por Joba Tridente 
publicada originalmente em Claque ou Claquete*

Parece que, após o sucesso da adorável animação em longa-metragem Mary e a Flor da Bruxa (2017), o novo estúdio japonês Ponoc, criado por Yoshiaki Nishimura para produzir desenhos animados infantis que agradem a espectadores de todas as idades, não vai ter muito empecilho para se estabelecer num mercado global tão concorrido. Ao menos é o que indica o volume um do seu festival de curtas-metragens intitulado Heróis Modestos (Chiisana Eiyuu: Kani to Tamago to Toumei Ningen, 2018), que estreou recentemente na Netflix, trazendo três fascinantes animações: Kanini & Kanino, de Hiromasa Yonebayashi; A Vida Não Se Perderá, de Yoshiyuki Momose; Invisível, de Akihiko Yamashita. Assim como Nishimura, os três diretores são “crias” do famoso Studio Ghibli, do mestre Hayao Miyazaki. Os temas tratados nos três curtas são originais e não subestimam a inteligência da criançada e muito menos de qualquer jovem ou adulto que ame desenho animado e uma história de excelência..., ao falar de relacionamento familiar, alergia e invisibilidade social.


Kanini & Kanino, dirigido por Hiromasa Yonebayashi (As Memórias de Marnie; O Mundo Secreto de Arrietty; Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar; Mary e a Flor da Bruxa) conta a história de dois pequeninos irmãos anfíbios que vivem e aprendem a caçar com o pai em um córrego, onde estão sujeitos a vários perigos, já que podem ser levados por uma correnteza mais forte e ou abocanhado por animais maiores, inclusive peixes. Quando um incidente os afasta do pai, as duas crianças partem à sua procura... Embora tenha uma pitadinha de suspense, a natureza exuberante deste mundo fantástico e o tom bucólico, com o ruído da água entre as pedras, é até relaxante. Praticamente sem diálogo, com algumas boas pontuações da trilha e o gestual dos personagens graciosos, em um traçado limpo (clássico!), o curta Kanini & Kanino, com seu roteiro redondinho, encanta (qualquer público) do princípio ao fim! É pura magia!


A Vida Não Se Perderá, do diretor Yoshiyuki Momose, é uma das mais originais histórias animadas que já vi. Nunca imaginei que um tema como alergia a certos alimentos pudesse gerar uma animação tão instigante. Essa narrativa singela, baseada em fatos, acompanha o dia a dia do pequeno e apaixonante Shun, um garoto vigoroso que, desde cedo, aprendeu a lidar com a sua alergia. Porém, por mais atentos que a mãe superprotetora e ele estejam, um vacilo na leitura de um rótulo alimentar pode fazer a diferença entre a vida e a morte. A Vida Não Se Perderá é um filme que traz a bela luz da primavera e do verão num traçado simples e deliciosamente colorido. O roteiro tem todos os elementos para escorregar na pieguice...; porém, a direção sóbria jamais tangencia o dramalhão. A sequência final impressiona e arrepia pela intensidade. Mas, a cena em que Shun acredita que se conseguir acabar com o alimento que lhe causa alergia os seus problemas estarão resolvidos é um achado precioso. Enfim, uma pérola que, com certeza vai emocionar crianças e adultos! Lindo demais!


Invisível, com direção de Akihiko Yamashita, é uma brilhante metáfora sobre a invisibilidade social. Nele acompanhamos um dia na vida de um homem que, por mais capacitado e gentil que seja, é totalmente invisível aos olhos dos colegas de trabalho, dos comerciantes, dos pedestres, dos motoristas ao seu redor. Seu corpo e sua alma são tão leves, que ele precisa carregar algum objeto pesado para conseguir se movimentar entre as pessoas..., para se sentir um humano entre humanos. Mas não é fácil quando se vive em um mundo de aparências e em que cada um só enxerga aquilo que lhe interessa (principalmente o próprio umbigo). Toda via da ignorância visual, no entanto, quando a vida lhe parece não ter mais sentido algum, a compreensão e a cumplicidade podem vir do olhar de alguém que ele menos espera... Magnífico! Ainda que melancólico, Invisível é de uma beleza perturbadora, no traçado ágil (e bota agilidade nisso!) e no roteiro inteligente que nos convida a refletir profundamente sobre a solidão individual e coletiva também nas redes sociais, onde cada carinha (anônima ou não) fica à espera de uma curtida e ou um cutucão que talvez jamais receba. Provavelmente muitas carinhas do mesmo livro passarão umas pelas outras (nas ruas, calçadas, praças) sem se reconhecerem e ou sequer se cumprimentarem...

Sugiro que, após se deleitar com esta excelente seleção de curtas japoneses, que distingue três modestas formas de heroísmo, você assista também à entrevista de Yoshiaki Nishimura, que fala da produtora Ponoc, dos três diretores convidados e do processo de criação das animações!


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

* No Claque ou Claquete você encontra outras críticas de cinema e muito mais.


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

setembro 16, 2019

A Arte De Kentaro Miura Em Berserk



Inomináveis Saudações a todos vós, realistas leitores!

Recentemente, Kentaro Miura anunciou que o fim de Berserk está a caminho. É o meu mangá predileto que, graças à má distribuição da Panini aqui no Brasil, deixei de colecionar há um tempo. No entanto, cultivo um amor especial pelo mesmo, tanto pelo seu roteiro quanto por sua arte. Até o momento, em meu blog O Mundo Inominável, tenho vinte resenhas escritas sobre o universo do mesmo. Uma obra-prima, na minha inominável opinião de leitor e de apreciador da Arte Dos Mangás.