Confiram também:
Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 5 - Era Pós Crise/Anos 90)
Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 6 - Anos 2000)
Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 7 - Novos 52)
Para muitos fãs da DC,
o período do Renascimento foi uma das melhores épocas da DC Comics, quando a
editora, visto o fracasso dos Novos 52, decidiu criar histórias mais próximas
do clima da cronologia pré-novos 52, além de resgatar elementos que tinham sido
alterados com Flashpoint. Foi nessa fase que tivemos histórias memoráveis como
o Superman e a Lois criando o Jon Kent ou o retorno do Wally West e dos Titãs
originais.
Mas, ironicamente,
Batman não teve a mesma sorte consistente, pois suas revistas principais eram
completos reflexos uma das outras.
Sua hq solo era escrita
pelo Tom King e, apesar ter tido um início aceitável, acabou aos poucos se
tornando uma das fases mais frustrantes do personagem para muitos fãs, devido
ao seu dialogo bizarro, caracterizações erradas sobre personagens, tramas
prolongadas e com conclusões insatisfatórias, com o maior exemplo sendo o
infame casamento do Batman com a Mulher Gato.
Já a Detective Comics,
escrita por James Tynon, teve uma abordagem bem mais interessante, com Batman
criando sua própria equipe de vigilantes, composta por personagens que não
recebiam destaque a um bom tempo, como Batwoman (Kate Kane) Red Robin (Tim
Drake), Spoiler (Stephanie Brown) Orfã (Cassandra Cain), um redimido Cara de
Barro (Basil Karlo) e outros. Apesar de não ser o centro de atenção, as
histórias eram boas formas de explorar a relação do Batman com seus aliados
mais subestimados (no contexto da época).
Nesse capitulo da
retrospectiva, irei citar algumas dessas histórias que, na minha opinião, foram
as melhores nessa época divisória do personagem.
Ascensão
dos Batmen
Leitura:
Detective Comics nº934 a 940
Para o Batman dividir
espaço em uma história com um grupo de vigilantes, a ameaça que eles
enfrentarem tem que ser grande o bastante pra justificar a presença de tantos
heróis.
Por sorte, Tynion
estabelece a direção de suas histórias em seu primeiro arco, onde Batman e sua
equipe investigam uns assassinatos cometidos pela Colônia, uma organização com
tecnologia e arsenal militar, que buscam eliminar indivíduos que possam vir a
ser ameaças a Gotham no futuro.
Para complicar as coisas,
não só Batman acaba sendo capturado pelos vilões, como é revelado que o líder
deles é Coronel Jacob Kane, pai da Kate Kane e, consequentemente, tio do Bruce,
o que torna as coisas bem mais pessoais para os heróis, principalmente a
Batwoman, que, na ausência do Bruce, tem que assumir a liderança desse grupo de
indivíduos ainda com inexperiência em trabalhar juntos.
É uma introdução bem
básica para o grupo, que aos poucos vão evoluindo como companheiros e
desenvolvendo suas relações, com o roteiro sabendo quando dedicar o destaque
para cada um deles.
O Batman ser tirado da
jogada pode incomodar alguns leitores, mas sua presença não é apagada, visto
sua ausência faz o grupo ter que se virar sem a supervisão do homem morcego.
Quando ele volta a ativa, a história tem uma conclusão bem trágica, que ensina
uma dura lição tanto para o quanto para o Batman, que tem que encarar as
consequência por ter trazido essas pessoas para uma vida tão perigosa.
O
sindicato das vítimas
Leitura:
Detective Comics nº943 a 947
Continuando do final
trágico que Ascensão dos Batmen deixou os leitores, o segundo arco de Tynion
coloca Batman enfrentando um novo grupo de inimigos, o Sindicato das vitimas.
Embora sejam dedicados a eliminar Batman, esses rivais se revelam sendo pessoas
que foram afetadas, de formas distintas pelos danos colaterais, das lutas do
Batman contra o crime.
Seu conflito acaba
trazendo duvidas em alguns membros da equipe do Batman, questionando sua eficácia como heróis e se devem seguir o
Batman, quando a missão do próprio parece prejudicar tantas pessoas, ao invés
de ajuda-las.
Um dos mais afetados
pelos argumentos do Sindicato das Vitimas acaba sendo o Cara de Barro, visto
que uma das integrantes do grupo, Cara de Lama, já foi uma fã dele, até que
Karlo, quando se tornou Cara de Barro pela primeira vez, a deformou com
produtos químicos. As interações entre os dois demonstra a dificuldade da busca
do Karlo por redenção, que ele ainda machucou muitas pessoas no passados, com
algumas não estando prontas para perdoa-lo (se é que irão).
Liga
das sombras
Leitura:
Detective Comics nº950 a 956
Depois do Basil Karlo,
minha integrante favorita dessa equipe do Batman é a Cassandra Cain. Enquanto
seu primeiro encontro com a bat-familia foi alterado de sua versão do pré-flashpoint,
sua personalidade e origem permanece a mesma, com ela sendo filha do assassino
David Cain, mas escolheu se rebelar contra seu pai.
Enquanto ela teve
momentos de destaque em arcos anteriores, principalmente no desenvolvimento de
sua amizade com o Cara de Barro, Cassandra viria a ser protagonista do terceiro
arco de Tynon “Liga das Sombras”.
Como o título sugere, a
história tem o Batman e sua equipe confrontando a Liga das Sombras, cuja ameaça
vinha sendo construída desde o início da fase.
Apesar de seus esforços, o grupo demonstra grande dificuldade contra as
táticas de seus inimigos, que são liderados pela Lady Shiva, mãe de Cassandra.
Enquanto a história tem
sub-tramas como a relação tensa entre Kate e seu pai ou o Batman tendo que,
temporariamente, se aliar ao Ra’s Al Ghul para libertar sua equipe, é confronto
de mãe e filha entre Cass e Shiva que dá a história um drama pessoal sobre
identidade, família e aceitação.
Barro
Leitura:
Detective Comics vol.3 Annual 1
Infelizmente pra quem
curtiu a origem do Cara de Barro nos Novos 52, o Renascimento fez reboot nessa
história. Felizmente, a nova origem era tão boa quanto as anteriores, se não
até melhor.
Por meio de flashback, é revelado que Karlo era filho do ator Vincent Karlo (baseado no ator Vincent Price), que usava um produto para alterar suas feições.
Seguindo os passos do pai, Karlo, na maturidade, se tornou um ator de sucesso, com ambição de estrear num filme de terror. Infelizmente, ele acaba sofrendo um acidente de carro, que deixa seu rosto deformado.
Se recusando a abrir
mão de seu sonho, Karlo usa formula de seu pai para restaurar seu rosto. Tudo
ia bem quando seu estoque de suprimento começa a se esgotar. Como a empresa que
fabricava o produto teve suas vendas cortadas, Karlo decide invadir o
laboratório e roubar deles. Isso acaba chamando a atenção do Batman, que o
captura, expondo o vício de Karlo e acabando com sua carreira.
Embora Batman tente
convence Karlo a testemunha contra a companhia, ele tenta invadir a sala de
provas e roubar mais do produto. Sendo pego por policiais corruptos, Karlo é,
acidentalmente, exposto ao produto, que o transforma no Cara de Barro, e escapa
para o estúdio, buscando vingança contra os produtores que o “abandonaram”.
Comparado as outras
origens e versões do Cara de Barro, essa edição é uma verdadeira carta de amor
a história do personagem nos quadrinhos, usando vários elementos de versões,
desde a origem da Era de Ouro (ex: o filme que Karlo deseja estrear) a da série
animada dos anos 90 (ex: a formula do Karlo ser produzida pelas industrias
Dagget).
Mas não se trata apenas
de ester eggs e referências. A revista também possui uma tragédia pessoal de um
ator sendo consumido por vaidade, fama e ambição, e seu desespero para se
manter nessa vida luxo o levam a se transformar em um monstro que ele escondia
dentro de si.
Com o Cara de Barro
estando preste a ter um filme no DCU, eu espero que essa história seja uma das
bases de inspiração.
Superamigos
Leitura:
Batman vol.3 n°36 a 37
Dizer que a fase do Tom
King foi terrível seria um exagero de minha parte. Maioria de suas histórias
não eram boas, mas tinham umas poucas razoáveis.
A melhor, na minha
opinião, foi “Superamigos”, uma história dupla que envolve a reação do Superman
ao saber que o Batman estava noivo da Mulher Gato. Embora ambos demonstrem
dificuldade de conversa, eles acabam sendo convencidos pela Lois e a Selina a
saírem num encontro duplo.
Isso leve a uma edição
divertida, mostrando os dois casais curtindo um parque de diversões e se
conectando, criando situações bem relacionáveis para essas figuras que vemos,
várias vezes em aventuras de outro mundo.
É legal ver Batman, que
é conhecido por sua dedicação obsessiva por seu trabalho, finalmente tirando um
tempo para passar com seus amigos, demonstrando como sua relação com a Selina
traz a tona um lado mais humano do personagem.
Meu
pior inimigo
Leitura:
All Star Batman nº01 a 05
Além de seu titulo solo
e Detective Comics, Batman também foi protagonista do All Star Batman, uma
terceira revista publicada durante a época do Renascimento.
Escrita por Scott
Snyder, em parceira com o icônico John Romita Jr, esse primeiro arco é
basicamente um road trip, estilo Mad Max, envolvendo Batman e o Duas Caras,
após o herói descobrir a localização de uma possível cura para velho amigo.
Durante a viagem,
Batman não só tem que encarar a imprevisibilidade do Duas Caras, como também
sobreviver a vários mercenários e vilões que estão caçando os dois. Isso
resulta em várias cenas de ação, todas bem ilustradas pela arte dinâmica e
angular do John Romita Jr.
Mas, por trás das
perseguições e pancadarias, temos uma história bem mais intima entre Batman e o
Duas Caras, onde vemos os limites que o Batman irá por Harvey, mesmo quando o
vilão não acredita que tenha ou mereça salvação.








