Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 5 - Era Pós Crise/Anos 90)

 


Confiram também:




Os anos 90 foi a época em que o Batman conquistou a cultura pop em várias mídias. O filme de 1989 tinha sido um sucesso. O personagem estava sendo adaptado na série animada do Bruce Timm, uma das maiores séries animadas de todos os tempo, e a DC/Warner estava lucrando com venda de produtos baseados no personagem. Esse foi o fenômeno conhecido como Batmania.








Os quadrinhos também não foram excluídos dessa onda de sucesso. Ainda com Dennis O’Neil com editor, as histórias conseguiram manter a qualidade que da década anterior, introduzindo novos personagens e conceitos ao mesmo tempo, desenvolvendo os já estabelecidos. Isso levou a revista do Batman a se expandir em vários títulos spin offs, além do Detective Comics, como a hq do Asa Noturna, Aves de Rapina, Mulher Gato, Robin etc...






Com tantos personagens do núcleo do herói recebendo foco em suas próprias revistas, claro que a DC viu isso como uma mina de ouro, fazendo vários crossovers entre os títulos, durante eventos que viriam a marcar a mitologia do cavaleiro das trevas, como a Queda do Morcego e Terra de ninguém.



Seria um erro dizer que o sucesso dos quadrinhos do Batman foram definidos apenas por crossovers. Também tinham hqs isoladas e arcos que também mostravam algumas aventuras bem interessantes, principalmente com o foco sendo não no Batman, mas também nos seus coadjuvantes e, especialmente, seus vilões, perfeitamente representando como as histórias do Batman não mais giravam apenas em torno de si, mas também do mundo em que ele habita.


 

Com base nisso, sem mais prolongar essa introdução, vamos começar esse novo capítulo da retrospectiva, onde estão listadas as histórias que eu considero terem sido as melhores do Batman durante esse auge da batmania.

 

O olho de quem vê



Leitura: Batman vol.1 Annual 14

Já vou adiantar: O melhor vilão do Batman dos anos 90 foi o Duas Caras. Podem discordar, mas foi nessa época onde foram publicadas várias histórias memoráveis envolvendo o confronto do Batman com o vilão dividido.

A primeira dessas foi “O olho de quem vê”, um annual que recontou a origem do Duas Caras. Usando como base as participações do Harvey Dent em histórias como Ano Um, ele foi reestabelecido como um promotor público aliado próximo do Batman no início de sua carreira (junto com o Jim Gordon).



No entanto, o roteiro logo vai mostrando que Harvey possui um segredo: Ele sofre de distúrbio de personalidade, algo criado devido aos abusos que sofreu de seu pai na infância. Quanto mais ele se envolve nessa guerra contra o crime de Gotham, mais vão acontecendo incidentes onde ele manifesta uma personalidade agressiva e assustadora.

O estopim de sua queda vem acontecer no julgamento do mafioso Sal Maroni, que, assim como na hq clássica, desfigura o rosto de Harvey com ácido, levando-o a se tornar um vilão esquizofrênico e vingativo.



Isso representou uma grande mudança para o Duas Caras, que  foi de um rejeitado pela sociedade por sua deformidade para um homem em um conflito com seus demônios internos, criando histórias bem mais complexas e um drama psicológico.



Essa história também faz um trabalho bem melhor na representação da parceria do Batman com o Harvey, que vai de um fato que era falado nas hqs anteriores, para se tornar parte fundamental da mitologia do Batman, com herói demonstrando certa hesitação ao confrontar seu velho amigo.

 

 

Longo dia das Bruxas



Leitura: Batman: The Long Halloween nº01 a 13

Se estamos falando das melhores histórias do Batman, é impossível não citar Longo dia das Bruxas.

Acontecendo pouco tempo depois de ano um, essa série mostra Batman formando uma aliança com o Comissário Gordon e o promotor Harvey Dent para derrubar o mafioso Carmine “O Romano” Falcone. 



Enquanto o trio começa a interferir nos negócios do bandido, surge um atirador que começa a matar os membros da família Falcone durante as datas comemorativas, o que lhe deu o apelido de “Feriado”. 

Os ataques desse criminoso não só criam um mistério para Batman e a polícia desvendarem, mas tem um efeito dominó no submundo de Gotham, com a máfia aos poucos sendo substituída pela vasta galeria de vilões fantasiados.



Essa crise chega ao seu auge quando Harvey Dent, durante o julgamento do mafioso Sal Maroni, tem metade de seu rosto desfigurado com ácido. 


Enlouquecido pela experiência, Harvey, agora se chamando Duas Caras, lidera os vilões do Arkham para um ataque ao Falcone e, mesmo com os esforços do Batman em tentar impedi-lo, executa o mafioso.



 Não é a toa que muitos fãs consideram esse arco sendo uma sequência ao Ano Um, visto que Longo dia das bruxas continua muitas tramas estabelecida nessa última história (ex: o confronto de Batman com Falcone), mostrando como a luta do Batman e seus aliados contra o crime resulta na queda dos mafioso e ascensão da galeria de vilões insanos.



Como cereja no bolo, temos o a transformação do Harvey Dent em Duas Caras, que  ganha muito mais importância, representando não a tragédia de um coitado sendo consumido por seu confronto de personalidades, mas também Gotham perdendo o homem que era visto como um símbolo de justiça para todos.


 

 

Vitória Sombria



Leitura: Batman: Dark Victory nº 01 a 13

Com seu sucesso, Longo Dias das Bruxas acabou ganhando uma sequência, “Batman: Vitória Sombria”

Se passando 1 ano após a morte de Carmine Falcone, a trama mostra as consequências da história anterior, com os mafiosos tendo perdido e os vilões fantasiados tendo escapado do Arkham e se unido ao Duas-Caras. 



Se esses problemas já não eram o bastante, surge um novo assassino em Gotham, o Enforcador, que opera de forma semelhante ao Feriado, tendo como alvo os membros da polícia de Gotham.



Devido à queda Harvey, a parceira de Batman e Gordon fica bastante fragilizada, com o homem morcego se recusando a aceitar a ajuda do comissário e de qualquer um. Isso resulta nele cometendo vários erros, tanto como Batman quanto Bruce Wayne, que o levam a ficar cada vez mais isolado.

Quando parecia que as coisas iriam apenas piorar, Bruce acaba testemunhando um jovem acrobata, Dick Grayson, perder seus pais para um incidente provocado por um mafioso. 


Ao adotar o garoto e ajudá-lo a capturar o responsável pela morte de sua família, Batman consegue não só um pupilo, mas redescobre sua esperança e conexão com as pessoas.



Vitória Sombria pode não ser melhor que Longo dia das bruxas em termos de qualidade, porém consegue se destaca pela jornada emocional do Bruce e como ele vai de um vigilante solitário e recluso para um mentor e figura paterna.

 

Faces II



Leitura: Batman: Legends of the Dark Knight nº28 a 30

Nem todas histórias do Duas Caras envolvem esquema de controle sob o crime organizado. Esse arco, escrito pelo talentoso Matt Wagner, explora um aspecto do Harvey que, as vezes, é esquecido por alguns: Ele ser uma pessoa deformada.

A história envolve Batman investigando a morte de um cirurgião plástico, causada pelo Duas Caras, enquanto esse tenta obter posse de uma ilha particular para pessoas com deformidades físicas.



Os objetivos de Harvey podem parecer nobres, porém não se pode dizer o mesmo de suas ações. Tanto Batman quanto o roteiro de Wagner deixa claro o quão desiludida é a visão de Harvey, mostrando que, embora ele traga alguns pontos válidos sobre ter pessoas na sociedade que priorizam a beleza física ao invés do indivíduo, ele está errado em acusar a deformidade como motivo dele não conseguir encontrar aceitação, visto como muitos dos seus “seguidores” estavam satisfeitos com a vida que tinham e foram ameaçados pelo Duas Caras a se unir a ele.  Toda a ideologia  do Harvey era apenas uma mentira para não confrontar a verdade: Ele é um monstro não por ser deformado, mas sim por ter escolhido ser cruel com os outros.

 

Duas Caras ataca duas vezes





Leitura: Batman Two Face strike twice nº 1.1, 2.1, 1.2 e 2.2

De uma história do Duas Caras pra outra temos a apropriadamente intitulada “ Duas Caras ataca duas vezes”

Tendo sido recomendada pelo Olavo, essa breve minissérie gira em torno do conflito do Batman contra o Duas Caras em duas épocas diferentes.

A primeira acontece no passado onde Batman e Robin (Dick Grayson) tentam resgatar Janus, o atual noivo de Gilda, ex-noiva de Harvey. É uma aventura bem divertida, com um estilo que homenageia as história pulp da Era de Ouro.



Já a segunda luta acontece no presente (leia-se anos 90) com Batman e Robin (Tim Drake) caçando pelo Duas Caras, depois desse ter sequestrado os filhos gêmeos de Gilda. Em contraste com a aventura do passado, essa tem uma arte e um tom bem mais sombrio e próximo das histórias modernas do homem morcego.



Mas, o fator que conecta ambas aventuras é a relação de Harvey com Gilda, após esse ter se tornado um criminoso, mostrando como a obsessão dele por sua ex-noiva o faz provocar tanto tormento a coitada. Ambas situações servem pra lembrar os leitores como não só os heróis e vilões que são afetados por suas lutas, tendo também pessoas como Gilda que são na maioria das vezes pegas no fogo cruzado.




Estufa 



Leitura: Batman: Legends of the Dark Knight nº42 a 43

Uma vilã do Batman a começar se destacar nos anos 90 foi a Hera Venenosa. Embora tenha sido criada nos anos 60, a personagem era uma vilã bem genérica e um estereótipo de personagem feminina da época. Mas, na pós-crise, a personagem se tornou uma vilã bem mais complexa, com suas histórias envolvendo temas tanto ambientais (desmatamento) quanto psicológicos (como relações abusivas e manipulação).

Dessas histórias, uma das primeiras a se destacar foi “Estufa”, um clássico mistério onde Batman investiga o suposto suicídio de um regente de uma universidade. Tendo visto Pamela no local do crime, Batman imediatamente suspeita dela.  Ao confronta-la, Pamela revela para o morcego que se reabilitou, mas tem sido forçada pelo regente a secretamente produzir uma droga para um mafioso, que ela acredita ter sido responsável pela morte.



Batman decide prender o mafioso, porém, aos poucos, ele vai descobrindo que está desenvolvendo uma estranha obsessão por Pamela.

Numa reviravolta, Batman percebe que tinha sido vítima dos feromônios de Pam e que ela o estava manipulando para poder assumir controle da produção da droga. Isso leva a um clímax bem surreal onde Batman tem que enfrentar a influência da Hera e as ilusões que ela provoca em sua mente.



Além de um mistério cheio de reviravoltas, esse arco tem um dos melhores usos da Hera Venenosa como uma genuína femme fatale. Ao invés der mostrada como uma controlada de plantas, o quadrinho opta por uma abordagem mais pé no chão, com Pamela sendo mostrada como uma mulher de aparência comum, mas com conhecimento de plantas e suas substâncias que ela usa para criar a ilusão de ser essa deusa sensual que os fãs conhecem. Ela também recebe uma motivação bem mais interessante, sendo uma vítima de abuso que decide usar suas habilidades para se tornar uma controladora.

 

Cavaleiro das trevas, cidade das trevas



Leitura: Batman vol.1 nº452 a 454

Dizem que as melhores do Batman costumam ter um de dois estilos: mistérios urbanos ou terror gótico. “Cavaleiro das trevas, cidade das trevas” é uma combinação de ambos.

Mais uma vez, Batman tem que lidar com uma série de crimes cometidas pelo Charada. Porém dessa vez tem algo estranho com o mestre dos enigmas: Seus crimes são muito mais macabros, envolvendo enforcar policial, soltar cachorros em inocentes e engasgar um bebê com uma bola de golfe. O próprio Nygma demonstra ter uma atitude bem mais sádica e diabólica, o que é um comportamento estranho para um ladrão narcisista que só queria atenção do público. Teria o Charada enlouquecido de vez?



Acontece que Nygma está possuído por Barbatos, um demônio que foi selado em Gotham City desde sua fundação, e seus crimes são parte de um ritual para poder libertar esse monstro, com o último passo envolvendo sacrificar Batman.



Embora o personagem viria a ser resgatado por Scott Snyder anos depois como um vilão do multiverso, eu prefiro essa abordagem, com ele sendo tratado como um espirito sobrenatural, conectado ao passado de Gotham, dando a cidade do Batman uma mitologia bem mais rica.

 

Crise de identidade



Leitura: Batman vol.1 nº455 a 457

Uma diferença de Tim Drake para os outros Robins é que ele não era órfão. Apenas um garoto que escolheu se tornar parceiro do Batman, pois achava que o herói necessitava de uma influência positiva.

Entretanto, nem mesmo o garoto pode escapar desse destino. Durante uma viagem, seus pais acabaram sendo sequestrados. Apesar dos esforços de Batman para salva-los, a mãe de Tim foi morta, enquanto seu pai ficou paraplégico. Esse evento deixou Tim bastante traumatizado e cheio de ansiedade quanto assumir o manto do Robin, sabendo que, em seu estado emocional, ele corre o risco de falhar não só com Batman, mas também o legado que carrega.





Mas, quando Batman e Vicky Vale são capturados pelo Espantalho, Tim tem que confrontar seu medo e abraçar oficialmente o manto do garoto prodígio.



“Crise de identidade” representa o teste final do arco do Tim Drake que vinha sendo construído desde “um lugar solitário para morrer”, com ele confrontando suas inseguranças e criando sua identidade própria como Robin. É um dos melhores desenvolvimentos que um sucessor recebeu nos quadrinhos.


Monstros da noite



Leitura: Batman vol.1 nº458

Dos aliados que o Batman, um que é raras vezes citado nas hqs modernas é Harold. Ele era um corcunda mudo com um grande conhecimento de mecânica e engenharia. Apesar de ter sido introduzido como um capanga do Pinguim, Harold era mostrado não tendo mal em seu coração e, após descobrir as intenções do vilão para com suas invenções, ajudou Batman a captura-lo.



Em “Monstros da noite” Harold faz seu retorno, tendo se mudado para um prédio abandonado, onde passa a ser conhecido pelas crianças da região como Mr.Fix, devido ao seu hábito de consertar brinquedos em troca de comida.

No entanto, quando uma menina foge de casa para pedir que ele conserte sua boneca, o pai dela, assumindo que Harold a sequestrou, reúne uma multidão para “resgata-la” e eliminar o mecânico.



Graças a intervenção de Batman, os homens percebem seu erro e deixam Harold em paz. Para poder ajudar o pobre coitado, Batman, reconhecendo o talento de Harold, o deixa morar na bat-caverna, tornando-o seu mecânico e inventor (obs: essa história acontece anos antes do Lucius Fox assumir essa função).

 

O Último Arkham



Leitura: Batman: The shadow of the bat nº01 a 04

Era simplesmente impossível fazer uma retrospectiva do Batman sem falar, cedo ou tarde, do Asilo Arkham, o icônico hospício onde são mantidos os maiores inimigos do cavaleiro das trevas. Em suas primeiras aparições, o asilo era apenas uma instituição comum. No entanto, a partir dos anos 80, o lugar começou ganhar uma identidade visual mais forte, assim como uma história fascinante, envolvendo seus fundadores, os Arkham, e uma trágica histórias deles se tornando insanos.

Com isso em mente, Alan Grant e Norm Breyfogle, quando assumiram a nova revista do Batman, Shadow of the Bat, dedicaram o primeiro arco explorando essa backstory dos Arkham.

Como diz o título, “o último Arkham” introduz o doutor Jeremiah Arkham, sobrinho neto de Amadeus Arkham (fundador do Asilo). Tendo herdado o legado de sua família, ele realiza uma reforma na instituição, criando segurança mais rígida e adotando métodos bem mais ortodoxos nos pacientes, buscando exorcizar a insanidade deles.

Enquanto isso, uma série de assassinatos começa acontecer em Gotham. O principal suspeito é Victor Zsasz, um serial killer demente, que tem o hábito de riscar a pele para cada vítima que ele mata. 



Por estar Zsasz estar sendo mantido no Asilo Arkham e sem provas de que ele pode ter encontrado uma forma de escapar, Batman arma uma situação para que ele próprio seja internado e possa investigar o Asilo, no processo tendo que confrontar doutor Arkham e seus métodos.



Ainda que tenham outras histórias envolvendo Batman entrando no Asilo Arkham, “O Último Arkham” é o melhor graças ao arco que Grant cria com o Jeremiah Arkham, estabelecendo-o como um homem tão obcecado em escapar do destino de seu avô, que ele se torna vítima da mesma insanidade que assombra sua família.


Vale citar que a forma como Jeremiah trata os pacientes pode ser vista como uma crítica de Grant a instituições mentais e sistemas presidiários, que optam por punir os pacientes ao invés de incentiva-los a querer se redimir. É uma ilustração de como os problemas de Gotham não se limitam apenas aos vilões fantasiados, mas também as instituições que contribuem para a miséria e injustiça na cidade.





O Aranha Negra



Leitura:  Batman: The shadow of the bat nº05

DC pode até não ter um herói com poderes aracnídeos como o Homem Aranha da Marvel, mas eles tem um super vilão baseado no personagem: O Aranha Negra.

Tendo sido introduzido na década de 70, Eric Needham era um ex-viciado que se tornou um vigilante contra aqueles que ele julgava estarem envolvido com tráfico de drogas. Por causa de seus métodos violentos, Eric acabou entrando em confronto com Batman e eventualmente foi capturado.

No entanto a vida do personagem seguiria por uma direção bem sombria quando descobriu que sua esposa virou viciada em heroína. Preocupado com seu filho, Eric voltou para sua familia e tentou ajudar sua esposa a sair desse hábito.



Quando o Aranha Negra matou o homem que vendeu o suprimento para ela, o chefe do tráfego respondeu matando a esposa e o filho dele. Enfurecido, Eric decidiu realizar um grande ataque ao esconderijo dos bandidos. Apesar de Batman tentar impedi-lo, no final, o Aranha, mesmo baleado pelos criminosos, ativou explosivos que tinha amarrado em si mesmo, destruindo todo o local e os responsáveis pela morte de sua família.




É uma edição bem melancólica, exemplificando como nem todas histórias do Batman terminam com finais felizes, ainda mais nessa era.

 

O ninguém



Leitura: Batman: The shadow of the bat nº13

A identidade secreta do Batman é algo que Batman busca manter guardado dos outros com máxima precaução. Poucos foram as pessoas quem ele revelou seu segredo, tal como aqueles que descobriram por conta própria.

Em relação a esse último grupo, uma dessas pessoas a descobrir o rosto por trás da máscara do morcego foi um bêbado que, um dia, testemunhou o herói numa luta onde ele, acidentalmente, teve sua máscara rasgada. Reconhecendo o rosto de Bruce Wayne, o bêbado acabou entregando o segredo para o chefe criminoso Doc Creasy. Quando este tentou mata-lo, o bêbado percebeu seu erro e, mesmo tendo sido gravemente ferido, conseguiu chegar até o prédio da Fundação Wayne e alertar Bruce do que aconteceu, antes de morrer diante o milionário.

No final, Batman consegue enganar Doc e impedir seu esquema de leiloar sua identidade secreta para outros criminosos. No entanto, as últimas palavras do bêbado, questionando o motivo de um homem rico e famoso como Bruce lutar, deixam uma marca profunda no cavaleiro das trevas. A página final, onde Batman expressa o motivo dele lutar é um dos melhores monólogos escritos por Alan Grant, comprovando como ele entende o personagem do Batman e suas motivações.

 

Réquiem para um assassino



Leitura: Batman vol.1 nº471

O crocodilo é um personagem cuja personalidade varia dependendo do roteirista. Algumas histórias mostram ele sendo um vilão astuto e inteligente enquanto outros mostram sendo um bruto selvagem. Mas tem exemplos onde Croc não é mostrado como um monstro irredimível, e sim um incompreendido buscando um lugar para viver em paz.

Dentre esses exemplos, o melhor de todos é “Réquiem para um assassino”. Nessa história, o Crocodilo encontra um abrigo com um grupo de mendigos, que moram nos esgotos de Gotham. Apesar de seu temperamento, eles o aceitam como um deles, se tornando a família que Croc tanto procurou. 



Porém a felicidade do réptil dura pouco pois, enquanto procurava por ele, Batman descobre que uma empresa vai abrir um túnel d’água, o que inundaria o local onde os mendigos estão vivendo. Essa revelação leva Batman e Croc a deixarem suas diferenças de lado e se unirem para salvar os moradores, com Croc no final, fazendo um grande sacrifício pelo bem de seus amigos.



Essa é, sem dúvida, a melhor história do Crocodilo, descontruindo a imagem dele como um monstro selvagem e mostrando como ele tem o potencial para ser um dos vilões mais humanizados de todos do Batman.



 

O retorno de Scarface



Leitura: Batman vol.1 nº475, Detective Comics nº642, Batman vol.1 nº476

Se acharam que a introdução do Ventriloquo e Scarface já era uma boa história de Alan Grant e Norm Breyfogle, o retorno deles é muito melhor.

Tendo sido liberados da prisão, Arnold Wesker e seu boneco já estavam planejando reconstruir seu império criminoso. No entanto, logo descobre quem o território deles foi tomados pelos Demônios das Ruas. Quando protestou, Scarface foi destruído a tiros pelos motoqueiros.



Por um momento, Arnold viu a “morte” de seu “chefe” como uma chance de finalmente se aposentar e viver livre dos abusos de Scarface. No entanto, ainda ouvindo a voz de Scarface, dizendo quão perdido o ventríloquo é sem ele, Arnold cede e reconstrói o boneco.  Uma vez consertado, Scarface começa investida contra os Demônios, com Batman e a polícia no meio tentando proteger inocentes dessa explosiva guerra de gangues.



Ler esse arco é como assistir um clássico filme noir de gangster, com várias reviravoltas, traições e manipulações combinadas com muita ação e suspense. Arnold e Scarface podem continuar tendo seu charme cômico de sua última aparição, o roteiro nesse quadrinho foca no lado estratégico deles, lembrando o leitor que eles continuam sendo mafiosos astutos e que não devem ser subestimados.

Tem também a sub-trama do Arnold tentando se aproveitar da destruição do Scarface para poder escapar de sua vida de crime, apenas para voltar rapidamente para ela quando não consegue encontrar satisfação em sua liberdade, o que é sintoma realista em vítimas de relações abusivas, expondo como seus abusadores as fazem se sentir dependentes deles, quebrando auto-estima, e dificultando seu desejo de fugir da relação (algo que será tema numa história mais abaixo nessa lista).



Outro destaque da história é o Comissário Gordon e os policiais de Gotham, como o Sarah-Essen Gordon, Harvey Bullock e a Renne Montaya (essa última tendo feito sua estreia nesse arco), que participam da ação junto com o Batman, mostrando que eles não são figurantes inúteis e incapazes sem o Batman por perto. 



 

Pinguim: Triunfante



Leitura: Penguin Triunphant

Enquanto muitos vilões clássicos do Batman, como Coringa, Mulher Gato e Duas-Caras, tiveram um destaque imediato na pós-crise, o Pinguim foi um dos que demorou a receber esse tratamento. Foi apenas em 1995, quando foi reinventado por Chuck Dixon como um gangster e dono do Bar Icerberg, que o Pinguim encontrou seu lugar nas histórias atuais do homem morcego. Mas, a parte engraçada, é que a ideia do Pinguim ser mais esse manipulador oportunista, não só já era algo presente em períodos passados, mas meio que já estava em construção muito antes de Dixon oficializada.

A primeira execução desse conceito nessa época aconteceu no Batman: Pinguim Triunfante”, uma revista que fora publicada como forma de promover o filme Batman o Retorno, que iria estrear no mesmo ano com Pinguim como um dos vilões principais.

Nessa história, Oswald, ao ouvir uma reportagem criticando como ele desperdiça seus talentos em seus confrontos com Batman, decide assumir negócios legítimos. Declarando o fim de sua carreira criminosa para o público, ele começa a aproveitar os luxos como um aristocrata, após fazer negócios com uns conhecidos de sua juventude. 



No entanto, as coisas não são o que se parecem: Pinguim continua corrupto, com sua fortuna tendo sido obtida através de manipulações do mercado de ações. Isso atrai a atenção tanto Batman quanto de seus traiçoeiros associados, buscando saber como Oswald realizou essas manipulações.



Dá pra notar como essa história foi uma influência para futuras versões do Pinguim, demonstrando como ele é realmente um gênio do crime, sempre com esquema na manga para seu benefício. Mas, o ponto onde essa hq se difere da versão principal é na complexidade que dá a Oswald. Ela estabelece que ele sempre pode ter uma vida como um mafioso ou homem de negócios corrupto, mas, diferente do que aconteceria nas hqs seguintes, o Pinguim, nessa versão, não sente prazer nisso. Similar a vilões como o Charada, os crimes do Pinguim nunca se trataram de obter dinheiro, mas sim eram uma arte e seu jeito de provar sua intelecto superior aqueles que o menosprezaram.


Questões multiplicam o mistério



Leitura: Detective Comics annual 08

Os vilões do Batman são conhecidos por causa de suas motivações complexas. Até mesmo monstros irredimíveis como Coringa conseguem fazer leitores entenderem a perspectiva por trás de suas ações.

No entanto, um personagem que é visto como o mais fraco em termos de motivação é o Charada. Por maior que seja sua fama como um vilão que desafia o lado detetive do Batman, as motivações dele costumam serem bem fracas, com Charada sendo tratado mais como um criminoso narcisista, movido por orgulho.

Porém, na 8ª annual de Detective Comics, o roteirista Chuck Dixon revela que tinha mais no Charada, do que ser apenas um gênio arrogante. Nessa história, narrada próprio Edward Nygma, ele revela sobre sua infância, quando ele era um garoto solitário, ignorado pelas pessoas. 



Foi apenas após solucionar um quebra cabeças que um professor lhe passou, que Eddie conseguiu atrair a atenção da turma. Foi desse evento que ele ficou obcecado em obter mais atenção a partir de seu intelecto, a ser o homem com todas as respostas. 



Esse desejo levou Edward a se tornar um criminoso e aos seus conflitos com Batman, com o objetivo do vilão não sendo obter dinheiro ou joias, e sim manter a atenção do público em si.



No entanto, quando ele termina sua narração, é revelado que o Charada está preso no Arkham. Na hora que os médicos encerram a sessão, ele tem um surto, exigindo que lhe deixem continuar sua narração.



“Questões multiplicam o mistério” é uma desconstrução bem escrita do Charada, dando a ele uma personalidade bem mais relacionável, que expõe como alguns criminosos não são movidos por fatores como desejo por fortuna ou vingança, mas por simples atenção.

 

Uma bala para Bullock



Leitura: Detetive Comics nº651

Um dos meus personagens de apoio favorito do Batman (e de hqs em geral) é o detetive Harvey Bullock. Conhecido por sua personalidade fanfarrona, Bullock é um dos membros principais da policia de Gotham, agindo como braço direito de Gordon, embora não compartilhe do respeito que o comissário tem pelo Batman.

No entanto, após sobreviver a um atentado contra sua vida, Bullock não tem escolha exceto pedir ajuda ao homem morcego para descobrir quem está tentando mata-lo.



Essa revista é um clássico mistério noir, tanto em roteiro quanto em atmosfera ilustrada pelo subestimado Graham Nolan. Mas, a história é também muito divertida, com vários momentos de humor providenciados por Bullock e sua dinâmica com Batman. 



É uma infelicidade que um personagem como Bullock não receba atenção nas adaptações modernas, tornando esse quadrinho um dos mais subestimados do Batman.

 

A queda do morcego



Leitura: Batman vol.1 nº 491 a 497 e Detective Comics nº659 a 663

O maior teste de um herói não se encontra em sua reação diante suas vitorias, mas sim na superação de suas derrotas.

Baseando-se nessa frase, Dennis O’Neil e sua equipe de roteiristas (incluindo nomes como Alan Grant, Chuck Dixon e Doug Moench) e artistas (como Jim Aparo e Jim Balent) criaram um dos maiores arcos do Batman da década de 90 que mostraria o herói sendo quebrado e tendo que reconstruir de suas cinzas.

A primeira parte desse arco “A queda de morcego” focou em mostrar a derrota do homem morcego quando ele atraiu a atenção de Bane, um fugitivo de Santa Prisca, que deseja tomar controle de Gotham. Sabendo que não poderia derrota-lo em confronto direto, Bane provoca uma fuga do Asilo Arkham, deixando que Batman passe os dias seguintes caçando seus vilões.



Quando o vigilante já está exausto, tanto fisicamente quanto mentalmente, Bane, já tendo deduzido sua identidade secreta, invade a mansão Wayne e espanca o Batman, finalizando-o com um golpe que quebra sua coluna.



Esse momento é um dos pontos mais icônicos da mitologia do Batman. Porém não é só por ele que eu recomendo essa história. Enquanto a trama principal é a construção para a derrota do Batman pelas mãos de Bane, tem várias edições que mostram os confrontos do herói com os vilões que escaparam do Arkham, resultando em histórias bem interessante, como a reinvenção do Vagalume no incendiário alado que os fãs conhecem, o confronto tenso do Batman com o Victor Zsasz em um hospital, a busca do Ventriloquo pelo Scarface (resultando nele criando outras personalidades representadas por seus bonecos). É um belo exemplo de como, as vezes não é só o destino que conta, mas também a jornada a ele.

 







O fim do cavaleiro



Leitura: Batman vol.1 nº509 e 510, Batman: Shadow of the bat nº29 e 30, Detective comics 676 e 677,  Batman: Legends of the Dark Knight nº 62 e 63, Robin vol.2 nº08 e Catwoman vol.2 nº08

Assim como muitos eventos da década de 90, a Queda do Morcego era prativamente uma tentativa da DC substituir o Batman tradicional por uma versão mais condizente com o clima extremamente sombrio e violento da época. Nesse caso eles tiveram Bruce Wayne, por ainda está paraplégico devido a sua luta com Bane, passando seu manto para Jean Paul Valley, o vigilante Azarel. Embora ele comece tentando seguir as orientações e os ideais de Bruce, sua instabilidade mental logo o corrompe, fazendo Azarel se torna um Batman mais radical e inescrupuloso.



Por sorte, aquela altura do campeonato Bruce, após uma aventura no exterior, consegue recuperar sua mobilidade e retorna a Gotham. Porém, seu retorno ativa se prova um caminho bem mais complicado do que parece, visto que Bruce não recuperou suas habilidades de combate.

Então, como um arco de anime, o grande foco desse capitulo é Bruce passando por um duro treinamento, pelas mãos da Lady Shiva, que coloca seu corpo, inteligência e valores a teste, deixando preparado para seu eventual confronto com Azarel.



Quando os dois homens morcegos se encontram, temos um dos melhores momentos do Batman nas hqs, que relembra como o grande poder do Batman não é sua força física, mas sim sua inteligência e compaixão.

 

Coração Ardente



Leitura: Detective Comics 689 e 690

Apesar de ser conhecido como piromaníaco, o Vagalume está longe de não ter uns momentos e histórias que o tornam relacionável e humano.

No caso dessa história de duas partes, o incendiário alado é contratado pelo Máscara Negra para ajudá-lo em algumas de suas operações ilícitas. 



Quando não está trabalhando, Garfield Lynns, sob uma identidade falsa, começa a ter um romance com sua vizinhança, criando um drama que logo se cruza com sua outra identidade.



Se já são familiarizados com as histórias do Batman, é provável já consigam prever que essa relação do Vagalume irá terminar de forma melancólica. No entanto, como diz o ditato, o importante não é o destino e sim a jornada.  Durante o decorrer da narrativa, o autor Chuck Dixon aplica uma abordagem psicológica, explorando a fundo a obsessão de Garfield com as chamas, que ele enxerga como “anjos flamejantes” (algo que o quadrinho astutamente cria um certo mistério, não deixando claro se esses anjos são fantasia do Vagalume ou seres sobrenaturais). 

É esse detalhe, em contraste com o drama romântico do Garfield, que o torna um dos vilões mais relacionáveis do Batman, mas também um de seus mais perturbadores.



 

Duas Caras: Crime e castigo



Leitura: Two Face: Crime and punishment

Confirao link da review completa

 

Coisas do Pântano



Leitura: Batman vol.1 nº521 e 522

Um personagem que, para alguns, deve ser estranho ver interagindo com o Batman é o Monstro do Pântano. Um dos motivos disso se deve aos diferentes tons gerais de suas histórias. Enquanto Batman é um vigilante das ruas, que enfrenta criminosos fantasiados, o Monstro do Pântano é um avatar do Verde (a representação das formas de vida vegetais), lidando com qualquer ameaça ao equilíbrio ecológico.

Porém, Coisas do Pântano mostra como esses dois personagens podem ter interações bem filosóficas, pois a trama envolve o Batman vindo a Flória, a caça do Crocodilo, que tinha escapado do Arkham, sendo influenciado por um estranho fungo. 



Ao encontrar o fugitivo, Batman é confrontado pelo Monstro do Pântano, que se recusa a deixa-lo pertubar o Crocodilo, dizendo que seu lugar é nos pântanos, onde ele pode viver livre da civilização que o persegue e oprime. Porém, Batman aponta que Crocodilo é um ser humano e deve ser julgado por seus crimes como qualquer um.



Essa posição dos dois cria um debate interessante sobre a forma como eles enxergam o Crocodilo e qual justiça é mais apropriada: Enquanto Batman busca fazer as coisas pela lei e trata Croc como um homem qualquer, o Monstro do Pântano reconhece que Crocodilo está se tornando cada vez mais animal, buscando não puni-lo, mas sim liberta-lo. Ao final da história, a decisão que Batman toma o faz perceber o quão complexo a justiça realmente é.

 

 

O retorno do Pinguim



Leitura: Batman vol.1 nº548 e 549

Conforme expliquei acima, na década de 90, o personagem do Pinguim tinha sido reinventado como um chefe do crime; Embora essa mudança tenha dado um novo status para Oswald, criando a versão mais conhecida do personagem, ela limitou seu papel mais ativo como um super-vilão. Era raro ver o Pinguim usando seus guarda-chuvas e saindo na briga contra o Batman

Sabendo disso, o autor Doeg Moench criou essa pequena história de duas partes, onde Oswald começa a se sentir entediado de ficar sentado no Bar Iceberg. 



Sentindo-se nostálgico pelos seus dias roubando e desafiando o Batman e a polícia, o Pinguim decide voltar a cometer crimes, usando sua fachada como dono do Clube Icerbeg para protege-lo da lei.



Visto a popularidade do Pinguim mafioso, é de se pensar que a DC iria intervir com a ideia de Moench de restaura-lo a uma ideia que tinha sido rejeitada pelo publico. Por sorte, o autor deixa claro que essa mudança do personagem é apenas nessas duas edições, criando para o Pinguim uma história emocionante de um criminoso vivendo seus dias de glória, mesmo que por um curto período. 



Ao final da história, é difícil não sentir uma satisfação pelo Pinguim, que, apesar de não ter conseguido derrotar Batman como queria, se recuperou de seu tédio e inatividade, provando como seu prazer na vida não é dinheiro ou joias, mas sim a adrenalina, a emoção de cometer esses crimes e desafiar o Batman para esse duelo de intelectos. É algo que muitas hqs modernas do personagem pouco exploram.

 

Batman: Hera Venenosa



Leitura: Batman: Poison Ivy

Hoje em dia, Hera Venenosa é uma personagem que tem estado afastada da vida de vilã. Na maioria de suas aparições, ela é mais representada como uma anti-heróina ecoterrorista. Essa abordagem divide muitos fãs, com alguns preferindo quando ela era apenas uma femme fatale, sem essa discussões morais. No entanto tem casos em que essa abordagem cria umas aventuras bem interessantes tanto para ela quanto para o Batman.

Um exemplo é essa revista, intitulada apropriadamente “Batman: Hera Venenosa”, onde a vilã ruiva deixa Gotham e passa a ter uma vida tranquila em uma ilha, habitada pelas plantas que ela gerou. 



No entanto, sua paz logo é destruída quando os homens de uma empresa testam um material inflamável, sem se importa com as formas de vida no local. 



Com seu lar destruído, uma enfurecida Hera volta a Gotham, matando, um por um, todos envolvidos nesse projeto.



Os assassinatos de Hera logo chamam a atenção do Batman, dando inicio a um conflito ideológico entre os dois, com o herói tentando garantir que todos os criminosos sejam levados a justiça enquanto Hera busca sua vingança.



Enquanto “Estufa” explora o lado vilanesco da Hera, essa hq  consegue dar mais complexidade, demonstrando não só a crueldade da Hera, como também sua capacidade para ser gentil e até compassiva com algumas, como uma jovem viajante que chega a sua ilha atrás de comida, apenas para ser morta pelos soldados. São momentos como esse que fazem o leitor ter uma compressão melhor quanto a atitude da Hera, mesmo que não concorde com seus métodos.

 

Sem lei e uma nova ordem



Leitura: Batman No Man’s land nº1,  Batman:Shadow of the Bat nº83, Batman vol.1 nº563 e Detective Comics nº730

A segunda metade dos anos 90 não foi nada gentil com Gotham City. A cidade passou por várias catástrofes, desde a fuga dos prisioneiros do Arkham causada pelo Bane a pandemia de um vírus criado pelo Ra’s Al Ghul. A gota que fez o copo transborda veio a ser um terremoto, que destruiu grande parte da cidade. Apesar do apelo de Bruce para ajudar a reconstruir sua cidade, o governo optou por separar Gotham do resto dos EUA.

Isso foi o inicio da Terra de Ninguém, uma mega saga onde a cidade do Batman passa a ser um ambiente isolado e sem lei, com muitos vilões tomando controle de regiões da cidade e os cidadão que não puderam sair tendo que fazer de tudo para sobreviver.



Como um primeiro arco, “Sem lei e uma nova ordem”, estabelece esse status quo, mostrando aliados do Batman, como o Comissário Gordon e a policia, assim como a Barbara (agora sob a identidade de Oráculo) tentando manter a ordem nesse cenário. 



O desenvolvimento deles age em paralelo com Batman, que, ao retornar a sua cidade, vai aos poucos percebendo que sua abordagem anterior não é mais efetiva, com as pessoas estando dependentes dos criminosos para sobreviver. 



Isso o força, assim como seus aliados, a tomar medidas questionáveis, incluindo cooperar com os criminosos, para ajudar os necessitados.

Já de cara, esse arco estabelece a temática desse arco, com personagens tendo que comprometer seus princípios para poder atingir seus objetivos, criando várias momentos de dilemas éticos.

 

Medo da fé



Leitura: Batman : Legends of the Dark Knight nº116, Batman: Shadow of the bat nº84, Batman vol,1 nº564 e Detective Comics nº731

Como a arma principal do Espantalho são suas toxinas do medo, muitos devem achar que ele fica indefeso sem ela.

Uma dessas pessoas foi o padre Chris, proprietário de uma igreja que, durante a Terra de Ninguém servia como um abrigo para imigrantes e necessitados. Para garantir essa atmosfera pacifica, Chris se recusava se unir ou aceitar proteção de qualquer facção, incluindo os policiais, além de deixar seu espaço aberto para qualquer um.


Se aproveitando dessa ingenuidade, o Espantalho consegue ingressar na igreja e, aos poucos, vai se aproveitando da pressão que o padre tinha de ajudar as pessoas, para convence-lo a fazer um acordo com o Pinguim: Em troca de comida e medicamentos, o padre esconderia armas do criminoso na igreja. Sem que ele soubesse, o Espantalho informaria esse segredo aos capangas do Mascara Negra, tornando a igreja o palco para uma guerra entre as facções.





Ver as manipulações do Crane através de meras palavras não só eleva o nível de ameaça como o torna um perfeito contraste ideológico com o Batman, cuja presença nessa história, embora reduzida, tem momentos que demonstram sua compaixão e tentativa de convencer criminosos a se redimirem.  Ele convence as pessoas a confrontarem seus medos, enquanto o Espantalho puxa elas a sucumbirem a esses “demônios internos”



Enquanto a participação do Batman na hq é um pouco reduzida, o destaque de protagonismo vai para a Caçadora, que tem seu próprio arco envolvendo seu conflito entre sua personalidade vingativa e o desejo de fazer a coisa certa, evitando que as pessoas do abrigo cedam a violência, como o Espantalho deseja.



  

Marca de Cain





Leitura:  Batman vol.1 nº 567, Detective Comics nº734

Além de desenvolver vários personagens conhecidos,  “Terra de Ninguém”, também introduziu figuras novas ao universo do Batman. A primeira a se destacar foi Cassandra Cain, uma jovem de 17 anos, que tinha se tornado uma das agentes de Oráculo durante esse período. Ela era mostrada sendo silenciosa, com dificuldade de se comunicar com palavras, mas era também uma jovem simpática, ao mesmo tempo, uma lutadora competente.



O segredo por trás dessas habilidades físicas veio a tona quando ela salvou o Comissário Gordon de uma tentativa de assassinato, realizada por seu pai, David Cain, um mercenário e um ex-mentor de Batman.



Suas ações acabam sendo notadas por Batman e Barbara, que acabam recebendo Cassandra na bat-familia, com ela assumindo a identidade da nova Batgirl, virando uma das integrantes mais cativantes do grupo.

 

Arlequina



Leitura:  Batman: Harley Quinn

Enquanto o lado de aliados do Batman aumentou com a presença de personagens como a Cassandra Cain, o mesmo aconteceu com seus inimigos, com a introdução da icônica Arlequina.

Enquanto a personagem foi originalmente criada por Paul Dini para a série animada do Batman dos anos 90, sua popularidade a fez ter uma versão própria nas hqs e, com isso, sua própria origem.



Nessa história, escrita pelo próprio Dini, Arlequina já é apresentada como uma capanga do Coringa, que ele tentou se livra, prendendo-a num foguete. Quando o projétil atingiu Central Park, Arlequina acabou tendo sua vida salva pela Hera Venenosa e revelou para ela sua origem: Assim como no desenho, ela era a doutora Harlen Quinzel, uma psiquiatra do Arkham que acabou se apaixonando pelo Coringa.



Depois de ajuda-lo em várias de suas fugas, Harlen acabou sendo presa, mas conseguiu escapar quando Gotham foi atingida pelo terremoto. Adotando sua identidade de Arlequina, ela se uniu ao bando do Coringa, buscando conquista-lo, sem noção de que o palhaço não dava a mínima para ela ou seus sentimentos.



Tendo ganhado força e agilidade aprimoradas graças ao tratamento da Hera, Arlequina decide ir atrás do Coringa e se vingar por ele a tê-la descartado. Mas será que ela capaz de aplicar o golpe final no seu “pudinzinho”?

É uma história que introduz perfeitamente a Arlequina aos quadrinhos, sem fazer parecer que sua inclusão foi feita de forma preguiçosa ou por questão de sinergia. Ela é uma versão própria da personagem, mas mantém os elementos que fizeram a personagem ser tão conhecida pelos fãs da série animada.



 

Jurisprudência



Leitura: Batman vol.1 nº572, Detective Comics nº739 e Legends of the Dark Knight nº125

Um dos sub-dramas recorrentes na Terra de Ninguém” era o rompimento entre Batman e Gordon, que se sentiu traído pelo herói ter abandonado Gotham por meses.

Com essa distância entre eles, o Comissário tentou proteger o território da polícia e seus habitantes da forma ética que seguia. Porém, logo ele se viu forçado a fazer um pacto com o Duas Caras, para garantir mais segurança, prometendo fornecer apoio caso o vilão necessita-se. Infelizmente, quando o Duas Caras perdeu seu território para Bane, Gordon não veio ao seu auxilio.

Frustrado e culpando o comissário por sua derrota, Harvey invade a casa de Gordon e o sequestra, assim como a policial Renee Montoya e família dela, forçando-os a participar de um julgamento para decidir o destino do comissário.



A forma como o julgamento é executado é brilhante, com quadros refletindo a discussão entre o interrogador e a pessoa sendo questionada, além da conclusão, sem dar spoiler, ser um dos melhores uso da dualidade do Duas Caras.

Mas, o momento mais importante é o desenvolvimento de Gordon, que, no final, tem sua reconciliação com Batman, com ambos reconhecendo seus erros, mas também expressando as qualidades que admiram um no outro.



 

Batman Guerra ao crime



Leitura: Batman War on crime

Uma das séries de melhor quadrinhos feitas pela DC Comics foi “Os maiores super heróis do mundo”, que consistem em 5 histórias, escritas pelo Paul Dini e com arte reconhecível do Alex Ross, que mostravam os heróis da DC lidando com problemas da realidade, como a fome no mundo (Superman), Xenofobia (Mulher Maravilha) e abuso doméstico (Shazam).

No caso do Batman, sua história (intitulada “Guerra ao Crime) foca no homem morcego protegendo um bairro de Gotham da criminalidade, na esperança de impedir que ele seja demolido e substituído por um complexo industrial.



Sua luta logo se torna complexa quando Batman descobre que um dos membros de uma gangue é Marcus, um garoto da vizinhaça que perdeu seus pais como ele. 



Isso não só leva o Batman a fazer uma reflexão sobre os criminosos do bairro e as circunstâncias que levaram esses jovens a escolher o crime, mas também a um dos maiores clímax das histórias do Batman, onde o herói resolve o problema não com sua força, mas sim sua empatia e compaixão.



Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Batman dos anos 90? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo