Confiram também:
Uma das épocas de maior mudança para os quadrinhos foi a metade dos anos 80. Depois da saga da Crise das Infinitas Terras, a editoria reiniciou seu universo em nova cronologia, com personagens sendo reformulados por novos criadores, como John Byrne nos quadrinhos Superman e o George Perez em sua fase da Mulher Maravilha.
Quando se fala do
Batman desse período, muitos fãs erroneamente costumam dizer que o personagem
foi reformulado pelo Frank Miller. Essa ideia se origina do sucesso que o
personagem obteve após o lançamento do Retorno Cavaleiro das Trevas, uma das
histórias mais influentes do homem morcego como também um marco dos quadrinhos
sombrios da época, em conjunto com Watchmen de Alan Moore.
Embora Miller mereça
crédito tanto pelo sucesso do Cavaleiro das Trevas quanto Ano Um, a história
que apresentou a nova versão da origem do Batman, ele não foi o arquiteto por
trás das mudanças que o Batman passou nesse período após a crise. Essa pessoa
foi o mesmo responsável pelo sucesso do Batman na década passada: Dennis
O’Neil.
Depois de um breve
período na Marvel, Dennis O’Neil voltou a trabalhar na DC, onde se tornou
editor dos quadrinhos do Batman, ficando encarregado da direção que as
histórias iriam seguir. Isso não foi uma tarefa fácil. O’Neil passou um grande
tempo tentando selecionar os roteiristas e artistas ideais para os títulos do
homem morcego, chegando a tomar uma decisões contrárias a alguns deles.
O próprio Frank Miller,
que escreveu Ano Um, queria que essa história fizesse parte da mesma
continuidade que seu Cavaleiro das Trevas, mas Dennis se opôs e tornou canon na continuidade principal, fazendo
Frank Miller se afastar da DC, não escrevendo nada do Batman até anos depois,
quando O’Neil já não estava mais na editora.
Conforme o passar do
tempo, Dennis foi encontrando os roteiristas e artistas que procurava, muitos
que agora são grandes nomes associados Batman, como Alan Moore, Alan Grant e
Norm Breyfolge, Jim Aparo, Marv Wolfman, entre outros.
Com esses indivíduos
por trás das histórias, Dennis O’Neil acabou criando uma das maiores eras do
Batman nos quadrinhos, marcadas por várias de suas histórias mais populares
entre os fãs, assim como momentos importantes de sua carreira. Se perguntar qualquer um qual sua história favorita do Batman, garanto que as chances de que a resposta
será uma história desse período serão grandes.
Por causa da quantidade
de histórias, ao contrário de outras retrospectivas, nesse texto irei focar
apenas nas histórias da década de 80 e como elas marcaram o ponto de partida
para essa época importante do Batman e suas histórias.
Dito isso, vamos
começar...
O
Retorno do Cavaleiro das Trevas
Leitura:
The Dark Knight Returns nº01 a 04
Naturalmente, a
primeira história a ser citada nessa lista seria da obra que contribuiu para o
tom sombrio não só das histórias do Batman, como das hqs, na década de 89: O
Retorno do Cavaleiro das Trevas (ou apenas O Cavaleiro das Trevas).
Para aqueles que não
conhecem essa obra (o que deve ser difícil), essa minissérie tão referenciada
se passa em um futuro distópico, onde Batman se aposentou, após a morte do
Robin (Jason Todd) e a maioria dos super heróis foram banidos pelo governo
(exceto o Superman, que passou a trabalhar para o presidente). Sem seu
protetor, Gotham se torna uma cidade bem mais corrupta e sombria, dominada pela
onda de crimes e violência de gangues de rua, como os Mutantes.
Ver toda essa tragédia e injustiça passar impune vai afetando o velho Bruce Wayne, levando a decidir vestir a capa e o capuz mais uma vez para salvar sua cidade.
Ao contrário de muitos,
eu não considero o Retorno do Cavaleiro das Trevas como essa perfeição que
muitos fãs tratam. Tem uns pontos que eu acho que a história pisa na bola,
principalmente na caracterização do Superman e algumas atitudes do Batman (ex:
ele se referir aos Robins como soldados). Mas, em seu núcleo continua sendo uma
história bem fechada sobre um herói veterano voltando a ativa mais uma vez para
se opor as injustiças do seu mundo.
Batman
Ano Um
Leitura:
Batman vol.1 nº404 a 407
Confirao link da review completa
Xamã
Leitura:
Legends of the Dark Knight nº01 a 05
Acossado
Leitura:
Legends of the Dark Knight nº11 a 15
Conforme eu falei no capítulo
anterior, “Estranhas aparições” foi o arco importante para o Hugo Strange,
tendo resgatado esse vilão obscuro dos anos 40 e o tornando um adversário bem
mais pessoal para o Batman. No entanto, a versão mais popular do personagem
veio de um arco publicado anos depois, Acossado.
Escrito por Doug Moech, essa história se passa no início da carreira do Batman, quando ele ainda era visto como um vigilante, procurado pela polícia. Nela, Hugo Strange foi reintroduzido como um psiquiatra astuto e calculista.
Devido a sua incrível
habilidade de deduzir a mente do Batman, o prefeito anuncia a criação de uma
força-tarefa para caçar o Batman, com Hugo Strange como consultor. No entanto,
sem que ninguém saiba, Hugo Strange possui uma obsessão doentia pelo homem
morcego, nutrindo inveja por ele ser um “espirito livre da noite” e ter
habilidades físicas das quais Hugo é incapaz de ter.
Consumido por seu ódio,
Hugo começa uma campanha para destruir a imagem do Batman, chegando a manipula
o policial que também nutre inveja pelo Batman e faze-lo sequestrar a filha do
prefeito, incriminando o cavaleiro das trevas.
É apenas com a ajuda de
Gordon que Batman consegue armar uma armadilha para Hugo, fazendo-o confessar
seus crimes na frente do prefeito e da policia. Desmascarado, o insano doutor
tenta escapar, porém acaba sendo baleado por policiais e seu corpo cai no rio (uma referência as mortes fake na Era de Ouro).
Tirando umas cenas de fan-service
bem desnecessárias, esse arco é uma excelente modernização dos conflitos do
Batman com o Hugo Strange, com esse ultimo sendo mostrado como um vilão bem
mais demente porém assustador. Embora a história tenha a presença do Flagelo da
Noite para cenas de ação, o duelo mais interessante é entre Batman e Strange,
onde o vencedor é decidido por sua inteligência, ao invés de força bruta.
Veneno
Leitura:
Legends of the Dark Knight nº16 a 20
Uma coisa que eu não
curto em histórias modernas do Batman é quando DC o retrata como esse “deus
infalível, que pode resolver qualquer problema por puro protagonismo”. Isso
apenas tira a tensão da história e qualquer motivo para querer me preocupar com
Batman nas situações que ele acaba se metendo.
Por isso que uma das histórias a citar nessa lista é “Veneno”. É um arco de 5 edições, escrito por Dennis O’Neil, que começa com Batman falhando em salvar uma menina de morrer afogada.
Se culpando por não ter sido forte o bastante para salvar a criança, Batman acaba sendo convencido pelo pai dela a usar umas pílulas de Veneno, uma formula que aumenta a força do herói.
Naturalmente isso foi bom demais para ser
verdade, com Batman ficando viciado as pílulas, algo que o doutor se aproveita
para manipular o cavaleiro das trevas a auxiliar ele e seu chefe em uma
operação para criar super-soldados.
Para escapar dessa armadilha terrível, Batman se tranca na Bat-caverna e passa dias sozinho, até conseguir superar o vício da droga.
Seu teste final é quando ele vai a ilha de
Santa Prisca, confrontar os criminosos e seus capangas (que representam o que
Batman poderia ter se tornado).
O arco do Bruce sendo
corrompido pelo Veneno para tentar escapar desse vício é intenso. Dennis O’Neil
trata o problema de forma bem realista mostrando como essas substâncias afetam
o indivíduo, tanto fisicamente quanto mentalmente, e o dano que isso provoca em
seus relacionamentos, como também os fatores que levam a pessoa a ceder as tais
hábitos.
Por isso ter Batman, um
personagem conhecido por seu senso de justiça, sendo vítima dessa droga
funciona como trama, pois o roteiro permite os leitores entenderem o motivo
dele ter sido manipulado, mostrando um lado vulnerável do protagonista. Mas, em
outro lado, essa queda serve para torna o clímax bem mais inspirador, com
Batman não só superando seu vício mas também vencendo os vilões com sua
inteligência, provando como sua verdadeira não vem de seus músculos, mas sim de
sua inteligência e determinação.
Fé
Leitura:
Legends of the Dark Knight nº21 a 23
Quem assistiu The
Batman (2022) deve se lembrar que o filme introduziu uma ideia da violência do
Batman servir como inspiração para vilões (no caso do filme, foi o Charada e
seus seguidores). O que poucos sabem é
que essa ideia já chegou a ser abordada antes pelo autor Mike W Barr, na “Fé”.
Essa trilogia de
edições consistem no Batman salvando a vida do John Ackers. Vendo o cavaleiro
das trevas como um ídolo, Ackers começa a fazer justiça com as próprias mãos na
vizinhança. Ao poucos ele vai reunindo outros jovens e criando um movimento de
vigilantes, buscando auxiliar Batman em sua missão.
A princípio Batman é
aberto a ideia de ter um grupo de seguidores. No entanto ele e John logo se
vêem em lados oposto, quando o rapaz decide executar um chefe do crime, provando
não ter os mesmo valores morais que o cavaleiro das trevas.
Enquanto tendo que
enfrentar esse monstro que ele acidentalmente inspirou, Batman também tem um
drama envolvendo sua relação com a Leslie Thompkins, que é reintroduzida na
continuidade pós-crise, como uma senhora com uma atitude bem mais critica em
relação ao Batman e a violência que ele promove. No entanto, ao descobrir que o
vigilante é Bruce Wayne, Leslie passa a tratar de seus ferimentos, ganhando um
papel maior na mitologia do homem morcego.
Lâminas
Leitura:
Legends of the Dark Knight nº32 a 34
Confira link da review completa
Segundas
chances
Leitura:
Batman vol.1 nº408 a 411
Como deu pra ver pelos
exemplos citados até agora, com a nova continuidade do universo DC pós-crise,
vários personagens ganharam novas histórias. Um dos que se beneficiou disso foi
o Jason Todd, que, antes, era apenas uma cópia do Dick Grayson, só que ruivo.
Nesse arco, o personagem foi reimaginando como um garoto pobre do Beco do Crime, que ganhava a vida cometendo pequenos furtos e roubando pneus de carro. Ao tentar roubar os pneus do batmóvel, Jason acaba sendo encontrado pelo Batman, que lhe deu uma lição de moral.
A princípio, ele apenas deixou Jason aos cuidados de Ma Gunn,
uma professora de uma escola para delinquentes. Após o garoto ajuda-lo a
desmascarar Gunn como líder de uma gangue criminosa, Batman decide treinar
Jason para ser o novo Robin.
Entretanto, a relação
da dupla dinâmica encontra seu primeiro obstáculo quando Jason descobre que seu
pai foi morto pelo Duas Caras, um fato que Bruce escondeu dele.
“Segundas chances” é um título faz jus a sua
temática sobre o valor da compaixão. Durante a história, é mostrado Batman
sendo alvo de crítica de várias pessoas, que o enxergam como um vigilante
imprudente e que apenas inspira mais violência na cidade. Contudo, por meio de
seu arco com Jason, e a forma como o garoto evolui, é mostrado o lado mais
compassivo do Batman. Ele pode ser agressivo, ele não é sem coração ou moral,
sabendo oferecer chance para outros e tentar ajuda-los a serem melhores.
Branco
dourado e a verdade
Leitura:
Batman vol.1 nº416
“Segunda chances”
demonstrou que Batman aceitou Jason Todd como seu parceiro e novo Robin. Mas e
quanto ao Dick Grayson, o antigo Robin e atual Asa Noturna? Como ele reagiria
ao saber que seu lugar foi ocupado por um moleque desconhecido?
Resposta: Não muito bem
Em “Branco dourado e a
verdade”, Dick vem a Gotham e, após conhecer o Jason Todd durante um confronto
com traficantes, ele questiona Bruce sobre sua decisão de ter escolhido um
substituto. Toda história centra-se no dialogo dos dois, que aprofunda a
relação do Bruce e do Dick, com o ex-menino prodígio trazendo umas questões
sérias quanto a atitude do Batman em ter se isolado dele, apenas para
substitui-lo por outro garoto, com menos experiência.
Pássaro
do amor
Leitura:
Batman annual 11
Ninguém é perfeito. Até
mesmo a pessoa mais nobre tem defeitos que precisa confrontar, cedo ou tarde.
No caso do Batman, um de seus defeitos principais é sua paranoia. Embora não
incapaz de demonstrar compaixão, ele também pode ser desconfiado das pessoas e
suas intenções, ainda mais quando se trata de velhos inimigos.
Na história “Pássaro do
amor”, o cavaleiro das trevas assume esse estado paranoico após saber que o
Pinguim foi solto. Apesar do criminoso deixar claro que deseja de fato se
redimir e ter um relacionamento com sua paixão, Dovina Partridge, Batman se
recusa a acreditar e fica de olho em Cobblepot como um falcão, aguardando
momento em que ele cometerá um erro.
Eventualmente, Batman
consegue surpreender Oswald reunindo sua velha gangue em sua fábrica de
guarda-chuvas. No entanto, é revelado que ele não estava planejando voltar ao
crime, mas queria dar uma chance para seus capangas conseguirem um emprego,
mesmo sabendo que isso seria contra sua condição de liberdade. Por ter violado sua parola, o Pinguim
surpreende Batman aceitando voltar a prisão.
Isso foi um tremendo
twist, que inverte os papéis entre o protagonista e o antagonista da história.
O fato de ter prejudicado a vida de Oswald mostra como Batman nem está correto
quanto suas suspeitas. Mas, em contrapartida, a forma como ele tenta se redimir
no final e consertar seu erro prova sua humildade e disposição para aprender
com suas falhas e ser melhor.
Você
deveria ter visto ele...
Leitura:
Batman vol.1 nº423
Nem toda história
precisa ser contada do ponto de vista do protagonista para apresentar seu
personagem para os leitores. As vezes, isso é bem mais efetivo mostrando a
perspectiva das pessoas com quem ele interage no seu dia a dia.
Isso é demonstrado
perfeitamente nessa breve história “Você deveria ter visto ele...”. Conforme
está escrito, sua trama envolve três policiais reunidos num bar, contando
histórias de seus encontros com o Batman, e expressando sua opinião quanto ao
cavaleiro das trevas.
O primeiro conta quando
Batman impediu um homem de se suicidar após lhe dar um duro sermão.
O segundo fala sobre
uma vez em que Batman salvou uns reféns, espancando uma gangue de bandidos.
A história do terceiro
foi a mais importante, sobre quando ele e Batman encontraram duas crianças
fugitivas, que estavam fugindo do serviço social por não querem serem
separadas. Vendo a situação que eles viviam, Batman se ofereceu para localizar
um parente deles na Flórida e reuni-lo com as crianças.
Essas três histórias,
embora distintas uma das outras, refletem as diferentes formas como as pessoas
enxergam Batman e suas atividades. Alguns acham que ele é um herói nobre,
enquanto outros julgam que ele é violento. Porém, com o terceiro policial, fica
claro que a característica principal do Batman é sua habilidade de se conectar
com o sofrimento dos outros e busca tornar a vida das pessoas melhores. É um
lado genuíno do personagem que só pode ser encontrado por aqueles que buscam
conhece-lo mais a fundo.
Vende-se
medo
Leitura:
Detective comics 571
Um
aspecto interessante entre Batman e seus vilões é como eles refletem aspectos
do herói (ex: Duas Caras representa sua dualidade, Charada representa seu
intelecto). Nesse cenário, o Espantalho reflete a forma como Batman usa o medo
como arma. Enquanto o cavaleiro das trevas busca assustar criminosos e
malfeitores, Jonathan Crane busca torturar suas vítimas psicologicamente, seja
para seus experimentos ou por simples prazer sádico. Suas lutas contra o Batman
sempre fazem o herói ter que encarar de frente os seus temores e traumas
pessoais.
Mas
o que aconteceria se Crane buscasse fazer o contrário, fazendo pessoas perderem
medo?
Em “Vende-se medo”, o Espantalho executa um plano baseado nessa ideia, infectando pessoas com uma formula que remove sua capacidade de sentirem medo, tornando-as bem imprudentes.
Para piorar as coisas, Batman, após uma tentativa falida em
capturar Crane, acaba sendo vítima dessa substância mortal.
Com
o vilão tendo Robin como refém, Batman tem que entrar no esconderijo dele,
passando por vários obstáculos mortais, ao mesmo em que ele tenta resistir aos
impulsos criados pela formula.
No
final, o herói consegue sobreviver, derrotando o Espantalho e salvando Jason.
Quando o garoto pergunta como conseguiu resistir aos seus impulsos, Batman
explicou que ele focou em um novo medo, de falhar em salvar seu parceiro (dando
meio que uma referência ao trágico destino que aguarda Jason).
O filho do diplomata
Leitura:
Batman vol.1 nº424 e 425
Quem conhece a história
do Jason Todd nos quadrinhos sabe que o personagem não era um dos robins mais
populares. Muitos fãs detestavam o personagem por ele não ter o mesmo carisma
do Dick Grayson. Essa crítica se tornou mais concreta na fase do Jim Starlin,
que em muitas de suas histórias buscava omitir o Jason ou, quando tinha usá-lo,
representa-lo com uma atitude bem mais rebelde, o que muitos julgavam insuportável.
Tendo lido histórias do
personagem, mesmo antes de fazer essa retrospectiva, eis uma opinião polêmica:
Eu acho Jason Todd um personagem bem legal e as tentativas de Jim Starlin em
torna-lo insuportável, tornaram um jovem com uma complexidade que muitos fãs
críticos ignoraram.
O maior exemplo disso é no “O filho do diplomata", um pequeno arco onde o segundo Robin defende Gloria, uma moça que estava sendo violentada por homem chamado Felipe Garzonas.
Ao
tentar prendê-lo, o rapaz é informado pelo comissário Gordon que eles não podem
fazer isso, visto que Felipe não só
apresentou um depoimento convincente como ele é filho de um diplomata, tendo
assim imunidade.
Apesar de Batman e Jason conseguirem provar um envolvimento de Felipe num tráfico de cocaína, garantindo sua deportação, o patife ameaça Gloria no telefone, fazendo a moça cometer suicido.
Enfurecido, Jason confronta Felipe em seu apartamento, com
Batman vendo o abusador cair para morte.
Embora Jason diga que a queda de Felipe tenha sido um acidente, fica uma
suspeita de que o garoto prodígio o tenha empurrado, criando a primeira fratura
em sua relação com Batman.
As consequências da ação de Jason logo chegam até ele, com pai de Felipe sequestrando o comissário Gordon e atraindo Batman e Robin para uma cilada num ferro velho.
O resultado é um grande confronto do cavaleiro das trevas contra os capangas do embaixador, que, ao tentar executar sua vingança, acaba sendo morto esmagado por uma pilha de carros.
O destino dele é usado por Batman para dar uma lição ao Jason sobre
a importância de ter linhas morais, mas fica claro que a relação com seu mentor
ficou bastante abalada, representando uma nuvem de incerteza anunciando uma
tempestade que viria para a vida dos dois.
Piada
Mortal
Leitura:
Batman the Killing Joke
Os anos 80 não foram só um grande ano para o Batman como também para seu arqui inimigo, o Coringa. Já que ambos personagem iriam ser adaptados no filme do Tim Burton, claro que DC Comics iria querer promover o filme com suas hqs.
Isso resultou na criação não
só de uma mas duas das histórias mais icônicas do Batman e, consequentemente,
do Coringa.
A primeira foi Piada Mortal. Escrita pelo Alan Moore e com a arte de Brian Bolland, essa graphic novel mostrava o Coringa buscando provar para o Batman e Gotham que só é necessário “um dia ruim” para levar um indivíduo a ficar insano como ele. Para provar esse ponto, o palhaço invade a casa do comissário Gordon, disparando na Barbara Gordon (a Batgirl), deixando paraplégica.
Em seguida ele sequestra o
comissário e o leva para um parque de diversões macabro, onde ele força Gordon
a ver fotos de sua filha sendo violentada sexualmente.
Durante esse processo, tem uns flashbacks contando o passado do Coringa, quando ele era um comediante fracassado que, após perder sua esposa grávida, foi forçado a participar de um roubo na Química Axis, onde, devido a um confronto com Batman, acaba caindo no tonel químico que desfigura seu rosto, fazendo virar o Coringa.
É engraçado como muitos fãs tem essa como a versão definitiva da origem do Coringa, quando o roteiro deixa claro que isso é apenas uma versão criada pelo vilão em sua insanidade. Foi uma forma astuta de Moore para explorar o passado do Coringa sem tirar o mistério por trás de sua origem.
No final, Batman
consegue chegar ao parque e resgatar Gordon, que não enlouqueceu, mesmo após o
que passou, arruinando o plano do Coringa de quebrar um dos homens mais dedicados
ao cumprimento da lei em Gotham.
Claro que não posso falar dessa história sem comentar a última página, onde muitos dizem que Batman, após ouvir uma piada do Coringa, aparentemente mata o vilão.
Além disso ser desmentido pelas histórias seguintes, e um caso de interpretação. Do meu ponto de vista, eu vejo a reação do Batman e do Coringa sendo uma resposta a realização de como os dois estão presos num ciclo de lutas, que só terminará quando um dos dois morrer. É um ciclo que nenhum deles pode escapar por causa de sua dedicação a seus ideais. Essa é a piada mortal da história: O confronto ideológico entre dois indivíduos que são incapazes de mudar um ao outro.
Morte
na família
Leitura:
Batman vol.1 nº426 a 429
Se Piada Mortal foi a
primeira das duas grandes histórias do Coringa na década de 80, qual foi a
segunda?
Claro que não seria
outra senão Morte na família, o icônico arco onde o Coringa mata o Jason Todd
(uma decisão que a DC tomou com base no voto dos fãs). No entanto, essa é uma
história que o povo conhece mais pelo momento e ignora muito do seu contexto.
Sua história (escrita
por Jim Starlin e com a arte de Jim Aparo) é dívida em dois arcos: O primeiro
envolve Batman perseguindo o Coringa até o Oriente Médio, para impedi-lo de
vender um missíl para terrorista. O segundo envolve Jason Todd descobrindo que
sua mãe biológica ainda está viva e saindo a procura dela.
As duas tramas convergem quando Bruce e Jason encontram a mãe dele, uma médica que estava, secretamente, mancomunada com o Coringa.
Apesar de Batman lhe dar ordens para não agir sozinho, Jason, preocupado com sua mãe, tentar salva-la. Mas acaba sendo traído pela própria, que o entrega para Coringa, que prossegue com a cena icônica dele espancando o Jason com um pé de cabra.
No entanto, o vilão trai a doutora, deixando ela para morrer com seu filho, que ainda tenta salva-la. Ambos são mortos na explosão, com Batman chegando tarde demais para salva-los.
É uma pena que a trama do Jason com sua mãe seja omita em futuras versões dessa história, pois é outra prova de como Jason Todd tava longe de ser esse “pirralho irritante” que muitos acusam ele de ser. Por baixo de sua atitude confiante e rebelde, ele era um garoto bom e protetor daqueles com quem se importa, mesmo após sua mãe o tê-lo traído.
Outro destaque é o
desenvolvimento do Batman, com sua rivalidade com o Coringa se tornando bem
mais pessoal, com o herói ficando mais tentado a matar seu inimigo, mesmo após
esse ter se tornado embaixador do Irã (sim, isso aconteceu) e ter obtido
imunidade diplomática (uma referência a história “filho do diplomata”,
colocando o Bruce na mesma posição que o Jason).
Embora Batman, com a
ajuda do Superman, consiga impedir o Coringa de matar os membros das Nações
Unidas, e o vilão seja dado como morto, Batman sabe que ele voltará cedo ou
tarde, deixando-o com nada exceto o luto pela perda de seu parceiro.
Faces
I
Leitura:
Batman vol.1 Annual 13
Como falei em textos e
listas anteriores, um dos motivos pelos quais considero o Duas Caras um dos
meus vilões favoritos se deve a sua relação com Batman. Embora sejam inimigos,
eles já foram aliados, compartilhando o desejo de criar uma Gotham melhor. Por
isso aprecio quando histórias mergulham nessa dinâmica, com os dois rivais
demonstrando se importarem um com outro.
Faces I é um desses exemplos, onde Batman descobre que um dos capangas do Duas Caras será executado por um crime que não cometeu. Com o verdadeiro culpado estando refugiado na ilha de Santa Prisca, o cavaleiro das trevas liberta o Duas Caras do Arkham, para juntos provarem a inocência do condenado.
Infelizmente, durante a
missão, é revelado que Batman tem traído a confiança do Duas Caras, provocando
mais um confronto entre os dois.
Esse é um dos melhores
exemplos de mostrar o lado falível do Batman, sem trata-lo como um babaca
antipático, com a história chegando até mesmo trazer questionamento se Batman
está tentando salvar o criminoso incriminado por compaixão ou para limpar sua
própria consciência da culpa de tê-lo colocado nessa situação.
Correspondência
morta
Leitura:
Batman vol.1 nº432
Após a morte do Jason
Todd, as histórias do Batman começaram a aborda o efeito que a perda teve no
herói. Algumas pessoas conhecem essa fase pelo Batman se tornando mais
imprudente e agressivo. Mas nem tudo era depressão nesse cenário como muitos
acreditavam.
Em “Correspondência
morta”, Batman decide ajudar uma investigadora particular a encontrar um menino
que tinha desaparecido por 7 anos. Embora muitos julguem que achar esse garoto
seja perda de tempo, com o Comissário Gordon dizendo que há casos mais
importantes, Batman se recusa a desistir e passa a dedicar toda sua atenção a
encontrar o garoto.
Mesmo que ignorem o
contexto do Batman lidando com o luto da perda de Jason, essa história continua
sendo um excelente mistério, que explora tanto o lado detetive do Batman quanto
sua empatia e determinação para ajudar as pessoas, mesmo quando outros não
julgam ser possível.
Mas solucionar esse
caso seria apenas uma pequena fagulha para tirar o Batman de sua depressão...se
ajudar uma pessoa a não sofrer a mesma perda que ele não foi o bastante, o que
poderia ser?
Isso é um segmento para
a próxima história nessa lista...
Um lugar solitário para morrer
Leitura:
Batman vol.1 nº440, New Titans nº60, Batman vol.1 nº441
New
Titans nº61, Batman vol.1 nº442
Como mencionado, a
morte de Jason Todd deixou Batman bastante amargurado em sua luta contra o
crime. Seus métodos ficaram mais imprudentes, com o risco de cedo ou tarde, ele
acabar cruzando uma linha.
É aí que entra em cena o Tim Drake
Tendo sido introduzido
alguns arcos atrás, Tim era um garoto que esteve presente na noite em que Dick
perdeu seus pais. Enquanto assistia um vídeo do Batman e Robin em ação, Tim
reconheceu os movimentos acrobáticos de Dick, deduzindo a identidade secreta da
dupla dinâmica.
Tendo também percebido
a atitude extremamente agressiva do Batman após a morte de Jason, Tim tentou
convencer Dick Grayson a voltar a ser Robin, acreditando que o cavaleiro das
trevas precisava de um parceiro como influência positiva. Embora Dick
concordasse em ajudar Batman a enfrentar o Duas-Caras e sua gangue, ele se
recusa voltar a ser o garoto prodígio.
Com seu plano tendo
falhado, Tim, após umas palavras encorajadoras de Alfred, decide assumir o
manto do Robin e ajudar os heróis. A relação deles não começa bem, com o Batman
se opondo a colocar a vida de mais um garoto em risco. No entanto, Tim insistiu
e, depois de ajudar Batman e Asa Noturna a capturarem o Duas-Caras, ele
conquista a confiança do Bruce, se tornando o novo garoto prodígio.
Em contraste a morte de
Jason, que representou um dos maiores fracassos de Batman, a entrada de Tim
representou não só ele ganhando um novo aliado mas também reencontrando sua fé
em si mesmo como um mentor.
Segredos
de Sangue
Leitura:
Detective Comics annual 2
Superman não foi o
único herói que enfrentou membros da KKK. Nesse annual de Detective Comics,
Mark Waid entrega uma história onde o cavaleiro das trevas lida com um caso
envolvendo esses vilões da realidade.
Se passando a maior
parte do tempo num flashback, essa história mostra um Bruce Wayne ainda jovem e
em sua jornada para se tornar o cavaleiro das trevas que conhecemos. Chegando
na cidade de Huntsville, Bruce conhece Harvey Harris, um detetive veterano, e o
convence a ensina-lo como ser um investigador. Harris acaba aceitando e juntos
eles começam a investigar uma série de assassinatos ligados a um grupo de
suprematistas brancos.
Como um clássico filme
“buddy cop”, conforme vemos o desenrolar desse mistério, também vemos o
crescimento da relação de Harris com o inexperiente Bruce, com o detetive
ensinando o jovem a lidar com sua raiva, a não ser impulsivo e pensar antes de
agir. É bem legal ver uma história que não só explora o treinamento do Bruce
pra ser um detetive (normalmente o foco é dado para ele se tornando um
lutador), mas também mostra seus defeitos e como esses anos treinando
contribuiu para moldar sua personalidade num homem mais estoico e
auto-controlado, o que é trazido no final da história, num twist que representa
visualmente como o Batman aprendeu com sua experiência.
Febre
Leitura:
Detective Comics nº583 e 584
Em 1987, Detective
Comics foi assumida por uma das maiores duplas criativas das histórias do
Batman, Alan Grant e o desenhista Norm Breyfogle. Esses dois marcaram o início
de uma das fases mais celebradas do cavaleiro das trevas, com histórias que
abraçavam o estilo noir e de terror, uma arte bem estilizada, além de
introduzirem de novos personagens, principalmente no caso dos vilões.
O primeiro desses novos oponentes que o Batman enfrentou foi Arnold Wesker, o Ventríloquo. Em sua primeira aparição, no arco “Febre”, ele foi apresentado como um tímido ventríloquo que comandava tráfico de drogas em Gotham, usando seu boneco, Scarface para transmitir suas ordens.
Quando sua nova droga, febre, começa a
ser usada pelos jovens em Gotham, Batman passa a interferir nos negócios do Ventríloquo,
jurando acabar com os seus negócios ilícitos.
A primeira vista, a
história poderia ser confundida como uma propaganda anti-drogas. No entanto,
Alan Grant consegue tornar essa história bem divertida, cheia de cenas de ação
e momentos de humor. A maioria desse último vem do novo vilão. É fácil sentir
pena por Arnold, que sofre vários abusos do Scarface (claramente indicando que
ele é vítima de dupla personalidade), mas tem algo divertido nos argumentos
dessa dupla criminosa e na reação de seus capangas em relação a
“excentricidade” do seu chefe.
Caça-ratos
Leitura:
Detective Comics nº585 e 586
Logo após introduzirem
Ventriloquo e Scarface, Alan Grant e Norm Breyfogle dedicaram o segundo arco
para apresentar mais um vilão estranho: O Caça-ratos.
Embora ele seja mais conhecido por sua breve aparição no Esquadrão Suicida (cujo uns membros é sua filha), o personagem das hqs é o completo oposto do pai adorável que James Gunn mostrou ao público.
Otis Flannegan era um exterminador de ratos que, após se meter numa briga, foi preso e condenado. Ao ser libertado, ele sequestrou os responsáveis por sua sentença e os manteve prisioneiros em sua prisão nos esgotos de Gotham.
Quando um de seus detentos, o juiz tentou fugir, Flannegan
enviou seu exército de ratos, que mataram o coitado, quando ele tinha chegado a
superfície.
Por sorte, Batman, que
estava impedindo uma venda de armas próxima do local, testemunhou o assassinato
e foi atrás do Caça-Rato, tendo que sobreviver as armadilhas do esgoto para
poder salvar os prisioneiros do vilão insano.
Mais uma vez, Grant e
Breyfolge pegam uma ideia que parece boba e convertem ela em algo de grande
destaque. A ideia do vilão ser um manipulador de ratos e a história ter o
Batman no esgoto não parece algo que atrairia fãs, principalmente o público
mais maduro. No entanto, o roteiro de Grant subverte essa ideias com momentos
surpreendentes e bem sombrios. Os esgotos servem para dar a história um clima
de pura claustrofobia e incerteza, com os leitores ficando no mesmo lugar que o
Batman, curiosos para saber quais obstáculos o herói irá encontrar em sua
busca.
Justiça
cega
Leitura:
Detective Comics nº598 a 600
1989 foi um ano bem
importante para o Batman. Foi a época em que lançou o filme Batman, uma das
adaptações mais icônicas do personagem na cultura pop. Quando se fala do
sucesso desse filme, muito do crédito é dado a direção de Tim Burton e as
atuações do Michael Keaton e Jack Nicolson. Mas, um nome que muitos esquecem, é
Sam Hamm, que trabalhou no roteiro do filme quanto de sua sequência, “Batman
Retorno”.
Por causa do resultado
do filme, DC convidou Hamm para ser roteirista na edição de aniversário da 600ª
edição da Detective Comics. Então, para celebrar essas data, ele escreveu um
dos arcos mais subestimados do Batman: Justiça Cega.
Nessa trilogia, Batman, enquanto investigava umas sabotagens industriais e o desaparecimento do irmão de uma amiga, descobre que sua companhia estava envolvida com um cartel criminoso, responsável por criar um exército de super-mercenários, cujos corpos são controlados por um indivíduo.
Quando tenta fechar essa operação, Bruce é
incriminado de ser um espião soviético e colocado em julgamento, colocando-o
numa situação que pode comprometer sua identidade secreta.
É impressionante como
em 3 edições, Sam Hamm consegue apresentar uma história com tantas coisas e
ainda assim ter uma narrativa bem coerente, com várias reviravoltas, cenas de
ação bem intensas, conceitos novos (alguns que viriam a ser inspiração para
futuras do Batman) e a introdução de novos personagens, como o mercenário Henri
Ducard, um dos mentores de Bruce. (provavelmente os fãs devem conhecer o nome, pois foi a identidade falsa que Ra's Al Ghul adotou no inicio de Batman Begins).
Porém, o coração dessa
história é o arco pessoal do Batman, que, para derrotar os vilões, acaba tendo
que tomar uma decisão bem questionável, que termina com graves consequências
para si mesmo e seus relacionamentos. O final dessa história é bem melancólico,
porém captura a essência do Batman e como sua luta sem fim contra o crime e
injustiça sempre acaba tendo efeito prejudiciais para sua vida pessoal.
Quadra
de lama
Leitura: Detective Comics nº 604 a 607
Como devem ter
percebido ao lerem a retrospectiva até agora, a identidade do Cara de Barro era
uma batata quente, com vários indivíduos tendo assumido o título. Nos anos 80, tinham
3 Caras Barros ativos (Basil Karlo, Preston Payne e Sondra Fuller).
Ao invés de continuar o
ciclo e criar um novo Cara de Barro para substituir os outros, Alan Grant fez
algo mais interessante: Ele escreveu um arco onde os Caras de Barro são reunidos
por Basil Karlo (a primeira versão, que estava sumido das hqs desde a Era de
Ouro) para, juntos, derrotarem seu inimigo em comum: O Batman.
Com a ajuda de Sondra e
um manipulado Preston, Basil consegue capturar Batman e submete-lo a torturas
psicológicas. No entanto o vilão revela ter motivos ulteriores, traindo seus
companheiros e roubando amostras de DNA deles para poder se transformar no
“Supremo Cara de Barro”.
Enquanto a história do
Batman segue o caminho previsível, dele, eventualmente, escapando da armadilha
e derrotando Karlo, esse é mais um arco onde os vilões são o destaque. A
dinâmica entre os Caras de Barro é bem divertida, com cada integrante tendo uma
função específica no grupo e seu próprio carisma.
Tenho que citar também
o tocante romance que se desenvolve entre Preston e Sondra, dando um final
feliz para um personagem que sofreu tanto nessas revistas.
Anarquia
em Gotham City
Leitura:
Detective Comics nº 608 e 609
Um questionamento
trazido nas histórias do Batman é a contradição em seus métodos. Ele busca
tornar Gotham um lugar melhor e livre do crime e da violência. Porém ele é um
vigilante que usa medo e agressão contra criminosos. Isso não parece hipocrisia
da parte do Batman? Qual a diferença então entre seus métodos e de seus inimigos?
Alan Grant explorou
esse dilema colocando o Batman contra um vilão que reflete esse lado negativo
de seus métodos: O Anarquia.
Baseado no personagem V
da obra de Alan Moore “V de vingança”, esse vigilante mascarado foi introduzido
nessas duas edições, como um combatente do crime, que pune os ricos corruptos.
No entanto, devido a forma cruel como ele tortura seus alvos, ele e Batman
acabam se tornando inimigos em um duelo ideológico.
Além de abordar tópicos
sociais e ter um mistério divertido (com uma supreendente revelação), esse arco
estabelece como Batman, apesar de agressivo e intimidador, tenta manter
restrições em suas ações, usando violência apenas quando necessário, como forma
de evitar se tornar extremista como Anarquia.
Demônios
das ruas
Leitura:
Detective Comics nº614
É comum ver pessoas que
criticam o Batman, dizendo que ele é apenas um vigilante mal-humorado que perde
tempo batendo em pobre ao invés de usar seu dinheiro para fins mais
construtivos e beneficentes. Não só essa visão é pura ingenuidade mas ignora o
fato que o Batman sempre busca fazer a diferença positiva em Gotham, em suas
duas identidades.
Um desses exemplos é
“Demônios das ruas”, uma história simples, onde Batman descobre um grupo de
garotos envolvidos com a gangue de motoqueiros, os demônios das ruas. Ao tentar
conversar com os garotos, para tentar faze-los a perceber seu erro, Batman
acaba se encontrando com o diretor da escola deles, que conta o passado dos
meninos, revelando como suas condições de vida os levaram a se envolver com
criminosos.
No desenrolar dessa
história, temos flashbacks, mostrando um jovem Bruce Wayne, pouco depois de
perder seus pais, saiu de sua mansão e buscou conhecer o Beco do Crime. Ao ser
atacado por uma gangue de valentões, ele recebeu uma ajuda de uma velhinha que
ele ajudou.
No final, após o
morcego salvar os meninos de serem executados pelos Demônios, Bruce Wayne faz
uma visita a escola deles, prometendo ao diretor e alunos investir para
melhorar as condições da escola e tentar ajudar os jovens com seus problemas
financeiros.
Essa cena é o grande contra-argumento essa visão que muitos tem do Batman, pois ele não é focado apenas em sua vingança e busca para punir criminosos. Em seu coração, ele é um homem tentando ajudar pessoas contra seu sofrimento, da mesma forma que ele recebeu naquela noite. Apesar de sua frase icônica ser “eu sou a vingança”, Batman representa compaixão e entendimento.





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