Confiram também:
Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 5 - Era Pós Crise/Anos 90)
Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 6 - Anos 2000)
Em 2011, ocorreu os
Novos 52, o novo reboot que a DC realizou em sua continuidade, recontando as
histórias de seus personagens sob uma abordagem mais moderna (leia-se: fazer
personagens jovens e violentos porque isso é “legal").
As revistas do Batman foram uma exceção a essa alteração, com sua continuidade sendo mantida intacta, com apenas uns pequenos detalhes (ex: Tim Drake nunca foi Robin, mas Red Robin, Barbara Gordon tinha sido baleada pelo Coringa, mas se recuperou após anos de fisioterapia e voltou a ser Batgirl, etc...).
Infelizmente, enquanto
a hq do Batman continuou sendo uma das mais vendidas, suas histórias tinham uma
qualidade bem instável, com o roteiro sofrendo de inconsistências com a
continuidade da DC (ex: os heróis foram estabelecidos estando na ativa por 5
anos, quando Batman já tinha 4 Robins), ideias de arcos sendo interrompidas ou
tendo conclusões bem medíocres e, o pior de tudo, que é uso exagerado de momentos brutais e violentos.
Sim, histórias do
Batman costumam ser sombrias e lidar com tópicos pesados, mas elas equilibram
isso com drama interessantes, aventuras bem construídas e personagens
cativantes. Nos novos 52, muita da violência gráfica é desnecessária, parece
ter sido feita só pra DC fingir que é “madura que os quadrinhos bobos”, mas no
final apenas acabavam se saindo pretensiosas e ultra-imaturas.
Sem falar no nível gary
stu que o Batman tinha nas histórias. Ao invés de um herói inteligente, que
resolve os problemas com estratégias e truques, 90% das histórias concluíam com
Batman resolvendo mistérios sem dedução (ele olhava pra pista e já fazia uma
conclusão gigantesca) e usando gadgets bem exageradas, em particular armaduras
hi-tech, como se fosse o Homem de Ferro. Dava pra notar como a DC se deixou
levar pela popularidade do Batman que era raro ele ter histórias mais causais.
Maioria delas tinha ser de grande escala e com Batman resolvendo os problemas
de “forma grandiosa” apenas porque ele é o ícone da editora.
Mas isso não significa
que o período dos Novos 52 foi péssimo para o Batman. Conforme verão nesse
texto, tiveram algumas histórias boas nessa época, assim como alguns arcos bem
marcantes.
Corte
das Corujas & Noite das Corujas
Leitura:
Batman vol.1 nº01 a 11
A primeira e, com
certeza a mais importante hq do Batman de sucesso, nos Novos 52 foi seu titulo
solo escrito por Scott Snyder, em parceira com o artista Greg Capullo. Para
muitos fãs, essa foi um período de histórias que redefiniram as histórias do
Batman para nova geração, introduzindo novos vilões, criando novas abordagens
para alguns clássicos e até mesmo criando uma nova origem para personagem com o
Ano Zero.
Mas, o que popularizou essa fase do Snyder foi a saga de duas partes, “Corte das Corujas” e “Noite das Corujas”. Ambas histórias formam um arco que coloca o Batman em mais um caso macabro, envolvendo ele, como Bruce Wayne, sobrevivendo a atentados arquitetados pela Corte das Corujas, um culto secreto que, de acordo com lendas, tem manipulado Gotham desde sua fundação.
Conforme Batman vai descobrindo evidências da existência desse grupo,
e encarando seus assassinos, os Garras, ele vai descobrindo conexões do grupo não
só com Gotham mas também com as famílias como a dele, do Alfred e também do
Dick Grayson, trazendo umas questões sobre as escolhas que ele e seus aliados
fizeram e a possível influência da Corte nelas.
Embora a conclusão da
história tenha uns furos e a introdução de uns elementos que criam mistérios
desnecessários pra cronologia, o roteiro de Snyder, combinado com a arte gótica
e atmosférica de Capullo, define o estilo de sua fase para as histórias do
Batman, estabelecendo os tipos de vilões que o herói irá enfrentar e,
principalmente, o destaque que sua conexão com Gotham e as pessoas irá receber,
com a cidade, mais uma vez, sendo trata como uma personagem própria na trama.
Ano Zero
Leitura: Batman vol.1 nº21 a 33
Em capítulos, vimos várias origens do Batman e sua mitologia, cada um tendo diferenças em detalhes mas mantendo o conceito básico do protagonista. O mesmo vem acontecer no Ano Zero, uma mega saga, dividido em três arcos que recontam uma nova versão do primeiro ano do Batman em ação.
Similar ao Batman Ano Um de Frank Miller, o primeiro arco mostra um Bruce Wayne ainda inexperiente, tentando manter seu retorno em segredo enquanto tenta descobrir como enfrentar criminosos de Gotham, como a gangue do Capuz Vermelho.
Conforme ele vai desenvolvendo sua identidade de homem morcego, ele começa testemunhar a evolução de seus inimigos e a escala de seus crimes, com Gotham sendo, aos poucos, dominada pelo Charada.
Isso faz Batman reconhecer que, para superar esse adversário, ele precisa encontrar novos aliados, como o James Gordon e o povo de Gotham, indo de um vigilante para um herói e um símbolo que os habitantes possam se inspirar.
Pelo tamanho, esse arco pode ser cansativo para alguns leitores, além de passar uma imagem de pretensioso. Porém, quando completada a leitura, percebe-se o tremendo que o Snyder tem pela mitologia do Batman, com ele não só fazendo referências a vários elementos clássicos (incluindo o traje do Detective Comics 27) além de reinventar personagens da Era de Ouro/Prata, como Capuz Vermelho, Doutor Morte e, o mais supreendente, Philip Wayne, tio do Bruce.
Esse arco também possui um arco bem pessoal para o Bruce, mostrando ele indo de um jovem ranzinza, que não liga para sua vida pessoal e relacionamentos, para aprender a reconhecer o valor desses aspectos em sua vida, e como podem ajuda-lo em sua missão (algo que o Matt Reeves usou como inspiração no seu filme de 2022).
A
trilogia do Wrath
Leitura:
Detective
Comics vol.2 nº22 a 24
Enquanto alguns arcos
introduziram vilões novos, a trilogia do Wrath é um dos casos onde temos o
retorno de um vilão subestimado do Batman, Wrath.
Sendo basicamente um
“Batman Reverso”, Wrath nesse arco, assim como sua versão clássica, é
introduzido como um assassino de policiais, movido pelo desejo de vingança pela
morte de seu pai, que foi morto num caso de violência policial.
Onde a história se
diferencia da antiga é num reforço no paralelo entre Batman e Wrath, com o
vilão agora tendo uma identidade secreta: Ele é Elliot Cadwell, CEO da Cadwell
Tech, uma empresa produtora de armas, e um rival de Bruce Wayne (que, nessa
versão, Cadwell julga ser um fornecedor
do Batman, sem saber de sua identidade secreta).
O vilão também possui
seu próprio sidekick, chamado Scorn. Porém ao invés de importar com jovem,
Cadwell o enxerga apenas como um peão descartável e substituível para sua
missão.
É essa atitude que
revela o contraste principal entre ele e Batman, assim como a essência de seu
confronto ideológico: Enquanto Wrath é antipático e extremista, julgando que a
policia de Gotham deve ser exterminada sem exceção, Batman preserva sua
compaixão e reconhece que Gordon reformou a polícia de Gotham, tendo
integrantes que não são corruptos como antes, e também desejam tornar Gotham um
lugar melhor.
Ciclo
de violência
Leitura:
Batman
The Dark Knight nº10 a 15
Embora o Espantalho
fosse um dos vilões mais icônicos do Batman, ele nunca teve uma origem
interessante, comparado a figuras como Coringa, Duas Caras ou Mr Freeze
(pós-Batman Série Animada). Na maioria dos casos, ele era um professor abusivo
que se tornou super vilão (algumas versões revelam que ele sofreu bullying na
adolescência, o que é uma abordagem bem genérica).
Os Novos 52 consertou isso, dando a Crane uma origem bem mais perturbadora, com o arco Ciclo de violência. Sua trama envolve o Mestre do Medo sequestrando crianças e usando-as como cobaias em seus experimentos para criar uma versão mais poderosa de seu gás do medo.
Durante a narrativa, ocorrem flashbacks mostrando a infância de Jonathan Crane, e como ele próprio foi cobaia nos experimentos de seu próprio pai, também um homem obcecado em aprender como manipular fobias do ser humano.
São essas transições que fazem o arco fazer jus ao seu titulo, porque ele faz referência a forma como o comportamento do pai do Crane foi passado para ele, com Espantalho se tornando uma versão pior do seu pai, repetindo o ciclo de abuso.
Tenho que destacar as interações do Batman com as vitimas do Crane, onde ele consegue obter pistas delas não com seu interrogatório brutal, mas sim sendo paciente e demonstrando compaixão a esses jovens.
Audiência
Cativa & Casa lotada
Leitura:
Batman
The Dark Knight nº24 e 25
Com a cronologia
reiniciada, DC se aproveitou disso para resumir as histórias de alguns
personagens, como o Cara de Barro.
Ao invés de 4 personagens, eles decidiram ter o Cara de Barro sendo apenas o Basil Karlo, com uma nova origem: Dessa vez Basil era um aspirante a ator, porém sempre rejeitado nos testes.
Querendo atenção e fama, ele recorreu ao Pinguim, que lhe entregou uma argila especial que lhe deu poderes de mudar de forma.
No entanto,
após ser rejeitado mais uma vez, ele perde controle e se torna um monstro de
barro. Enlouquecido, Karlo começa a sequestrar pessoas e expô-las ao gás do
riso do Coringa, forçando a rirem de suas apresentações.
Essa nova origem é uma
das melhores reformulações que o vilão teve, criando um ambiente mais
condizente com as histórias modernas, mas preservando a essência do Cara de
Barro, dele ser um vilão narcisista e obcecado por atenção. Isso o torna uma
figura bem identificável para muitos fãs, que podem associa-lo com o drama que
atores e usuários de redes sociais costumam passar.
Pinguim
Dor e Preconceito
Leitura:
Penguin:
Pain and prejuice nº 01 a 05
Algo que sempre parece
conectar o Batman ao seus vilões é o fato deles, em sua maioria, também serem vítimas
de tragédias, assim como cavaleiro das trevas, o que tendo uma influências em
molda-los nas figuras que eles são.
“Dor & Preconceito”
tem como foco o passado trágico do Pinguim, com flashbacks mostrando como
Oswald Cobblepot nasceu rejeitado pelo próprio pai, seus irmãos e colegas da
escola, devido a sua aparência. Isso aumentou o ódio em seu coração, levando-o
a se tornar esse criminoso astuto e calculista, com seus primeiros crimes tendo
sido orquestra a morte de todos seus irmãos e responsáveis por terem lhe
ridicularizado. A única exceção foi sua mãe, que foi a única pessoa que lhe deu
amor e carinho.
Infelizmente para
Oswald, no dia presente, sua mãe vem a falecer, fazendo-o mais uma vez se
sentir sozinho, tendo apenas sua vida como um chefe do crime para lhe fazer se
sentir forte e poderoso (isso é...quando ele não é confrontado pelo Batman).
Enquanto lidava com o
luto pela sua perda, Oswald acaba conhecendo Cassandra, uma moça cega e
insegura, e os dois acabam se apaixonando.
Porém, a felicidade do
Pinguim logo é ameaça pelo Batman, que começa a encontrar provas dos crimes de
Oswald, fazendo seu romance e seus negócios ilícitos colidirem, com sua amada
Cassandra sendo pega no fogo cruzado entre ele, Batman e a policia.
Como um clássico romance gótico, essa minissérie tem um roteiro bem profundo, que descontrói a imagem do Pinguim, revelando como, por trás de sua crueldade e arrogância, Oswald é apenas um garoto traumatizado e querendo ser amado e respeitado, algo que ele sente que só pode obter sendo tão cruel quanto as pessoas que lhe oprimiram.
Ele também mostrado tendo uma vergonha de si próprio, temendo que a
Cassandra o rejeita-se se tocasse em seu corpo e soubesse de sua aparência. É
essa dualidade que contribui para o Pinguim se diferenciar de outros mafiosos
(como Rei do Crime da Marvel) e ser uma figura mais complexa, condizente com a
temática dos vilões do Batman.
Nascido
para matar
Leitura:
Batman
and Robin vol.2 nº01 a 08
Embora Damian Wayne
tenha sido introduzido no final do pré-novos 52, sua relação com Bruce foi
pouco tocada, com ele tendo passado grande parte do tempo interagindo com
outros membros da bat-familia, como Dick Grayson, Cassandra Cain e Stephnie
Brown. Raros foram os momentos que os mostravam se conectando com seu pai.
É aí que os Novos 52
entraram em cena, com o pai e filho ganhando uma hq própria, que gira em torno
de sua relação. Escrita por Peter Tomasi e Patrick Gleason, o primeiro arco
envolve Bruce tentando ser um mentor e figura paterna para Damian. Isso se
mostra uma tarefa visto não só a dificuldade de Damian em lidar os ensinamentos
que recebeu da Liga das Sombras, mas também com a atitude do Batman em trata-lo
como mais um Robin ao invés de seu filho.
A conexão entre os dois é colocada a teste quando chega em Gotham um antigo rosto do passado de Bruce: Morgan Ducard, filho de Henri Ducard, o mercenário que treinou Bruce antes do jovem o deixa-lo após discordar dos métodos moralmente questionáveis do seu mentor. Movido por inveja do respeito que Bruce recebia de seu pai, Morgan decide devolver na mesma moeda, tentando convencer Damian a se tornar seu aprendiz.
Enquanto Batman tenta
salvar seu filho, Damian é colocado numa encruzilhada, tendo que escolher qual
caminho irá seguir: Ser um herói como seu pai ou um assassino como Morgan?
Alguns podem dizer que
a resposta é simples e previsível. Entretanto, Tomasi e Gleason jogam umas
reviravoltas que desafiam a noção dos leitores (e também do próprio Batman)
sobre redenção, tratando não como um processo que acontece da noite pro dia,
mas sim algo difícil, que requer não só o desejo do indivíduo em querer mudar
mas também paciência e compreensão das pessoas da sua volta, ao invés de
exigência.
A
busca por Robin
Leitura:
Batman
and Robin vol.2 nº 29 a 37
Apesar da relação de
Bruce e Damian ter evoluído após o primeiro arco, ela veio a se tornar
construção para tragédia quando, durante um conflito com a organização
Leviathan, Damian é morto em batalha (a mando da própria mãe, Talia).
Ao invés de cancelar a
hq, DC dedica as edições focarem no Batman tendo team-ups com outros heróis, ao
mesmo tempo em que navega pela sua tristeza e luto.
Entretanto, essa morte
do Damian não demoraria a ser desfeita. O corpo do filho do morcego, acabaria
sendo roubado por Ra’s Al Ghul e, em seguida, pelas forças de Apokolips,
querendo converte-lo em uma arma.
Como o badass que ele
é, Batman, a partir desse ponto, passa o arco viajando de lugar a lugar, em
busca de seu filho, com tudo levando a um clímax em Apokolips, onde o herói, trajando a armadura Hell Bat, sai em um combate no mano-a-mano contra o próprio
Darkseid para salvar e ressucitar seu filho.
É uma saga bem viajada,
mas, em seu núcleo, é um conto emocionante sobre um pai que não desiste,
encarando todos tipos de desafios, para poder se reunir com seu filho. Essa é a
qualidade que torna a história mais surreal de todas uma de suas especiais.
Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Batman dos novos 52? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo




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