Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 6 - Anos 2000)

 


Confiram também:




Retrospectiva melhores histórias do Batman (Parte 5 - Era Pós Crise/Anos 90)


O início do novo milênio começou com uma grande mudança para direção das revistas do Batman.

Depois de décadas trabalhando nessas hqs como autor e, depois, editor, Dennis O’Neil, devido a vários argumentos com a DC, mais seus problemas de saúde, acabou se aposentando, deixando para trás a hq do homem morcego que ele ajudou a reinventar por 50 anos.



Com sua partida, a qualidade das histórias se tornaram bem mais variáveis, com algumas histórias boas, mas também algumas bem toscas e esquecíveis. Tinham também interferências da DC na revista, tentando criar sinergia com os filmes do Nolan. Por isso, era comum ter histórias onde Batman ficava isolado de seus aliados.





Ironicamente, os aliados do Batman viriam se tornar peça fundamental dessas histórias, com uma temática recorrente na maioria delas sendo sobre os relacionamentos do Batman e o papel que essas pessoas tem em seu crescimento.



Esse texto agora irá falar de alguma dessas histórias Batman e a nova direção que os roteiristas deram para o personagem e suas aventuras.

Oficial caído



Leitura: Batman nº587, Robin vol.2 nº86, Birds of Prey nº27, Catwoman vol.2 nº90, Nightwing vol.2 nº53 Detective Comicsnº754, Batman Gotham Knights nº13

A saída de Dennis O’Neil não foi algo agradável para muitos roteiristas, com o novo substituto indicado pela DC, Bob Shreck, tendo uma pessoa bem desagradável para muitos deles, com seus trabalhos sofrendo várias interferências.

Diante dessa realidade, Greg Rucka decidiu abordar essa situação nos bastidores da DC com o primeiro crossover do novo milênio, “Oficial caído”. Essa história consiste num drama noir, de 7 partes, onde o Comissário Gordon, na noite de seu aniversário, é baleado nas costas.

Com o comissário sendo tratado no hospital e Batman arrasado diante o destino de seu amigo, a bat-familia e os policiais de Gotham iniciam uma caçada ao atirador.



Esse arco tá longe de ser perfeito, com maior parte de seu problema estando no Batman sendo caracterizado como um inutil deprimente nessa situação, não fazendo nada para ajudar seus aliados.

Todavia, a ausência do Batman, permite vários personagens se destacarem, como a Barbara Gordon, o Asa Noturna, Robin (Tim Drake) e principalmente policiais como a Renee Montoya e o Bullock.



Mas o aspecto mais importante é a forma como Greg Rucka representa o Jim Gordon como um “avatar” do Dennis O’Neil, com a relação do Comissário com seus oficiais refletindo a forma como O’Neil era respeitado pelos autores. Isso fica claro no inicio da história, onde , durante seu aniversário, Gordon dá as chaves das algemas para seus colegas, visualmente simbolizando O'Neil passando seu legado para os roteiristas que viriam.



A conclusão da história e a decisão de Gordon, no final, em se aposentar, passa um clima deprimente, tal como a saída do Dennis O’Neil foi para esses roteiristas, porém, o respeito que ambos receberam de seus colegas de trabalho é genuíno.

Obs: Também preciso citar a Detective Comics nº755, outra história onde Rucka presta mais uma homenagem ao Dennis’ONeil, com uma cena onde Duas Caras invade a festa de aposentadoria do Gordon e, depois do lançamento de sua moeda, faz um discurso sobre como ele o Gordon foram uma parceira que não teve uma conclusão esperada (simbolizando a relação de Rucka e O’Neil).



 

Batman Ego



Leitura: Batman: Ego

Um dos tópicos abordados nas histórias do Batman é sua dualidade. Ele é um bilionário que se disfarça de vigilante para aplicar justiça com as próprias ou é um justiceiro fingindo ter uma vida normal? Qual é a personalidade dominante, Batman ou Bruce Wayne?

A resposta varia dependendo do autor.

O melhor de todos a explorar essa questão, na minha opinião, foi o artista Darwyn Cooke. Sua história “Batman Ego”, tem como trama o homem morcego sofrendo uma crise de identidade após falhar em impedir um capanga do Coringa de se suicidar, com medo do palhaço se vingar dele por tê-lo traído.

Cheio de culpa e dúvidas sobre sua efetividade como um herói, Bruce acaba se encontrando com uma representação mental de seu alter-ego, que critica a compaixão do bilionário e tenta convence-lo a ceder controle para ele.



O resto da história se torna esse debate profundo entre as duas personalidades sobre o que Batman é para a vida de Bruce e o que ele deveria representar. Quanto mais o bate-boca entre os dois vai progredimento, mais vai sendo revelado sobre o Bruce e o que define seu caráter, não só luto e desejo por vingança (como muitos fãs assumem), mas também compaixão, amor e desejo por justiça e proteger pessoas próximas. 



Isso leva as duas personalidades a reconhecerem o quão importante uma é para outra: Bruce precisa do Batman para poder proteger as pessoas que necessitam de sua ajuda, ao mesmo tempo em que Batman precisa do Bruce para ter um propósito e sabedoria de como proteger essas pessoas. Uma personalidade não é superior a outra, pois ambas são partes do mesmo indivíduo.

 

Robin: Ano Um & Batgirl Ano Um



Leitura: Robin Year One nº01 a 04 e Batgirl Year One nº01 a 09

Quando se fala na bat-familia, os dois nomes que, provavelmente, vem primeiro na mente de muitos fãs é Robin (Dick Grayson) e Batgirl (Barbara Gordon), visto que eles foram os primeiros sidekicks do Batman, ajudando-o a ir de um vigilante solitário para uma figura paterna.

Tendo noção dessa importância, Chuck Dixon (outro autor importante ) escreveu não uma mas duas minisséries focadas nos primeiros anos dos jovens heróis. Enquanto Robin Ano Um explora a relação de “pai e filho” entre Bruce e Dick, Batgirl Ano Um mostra perspectiva da Barbara Gordon, com ela, após realizar um ato heroico como Batgirl, decidindo abraçar sua identidade heroica e se tornar uma combatente do crime.




Com um perfeito equilíbrio de foco, o roteiro de Dixon consegue dar o protagonismo para Dick e Barbara, mas nunca excluindo a importância que o Batman teve no crescimento desses jovens, assim como a influência que eles tiveram e fazer o Bruce ficar mais aberto a deixar aliados mais próximos, deixando esses muros que ele criou entre suas emoções e o mundo a sua volta.

 


 

 

O homem que ri



Leitura: Batman The Man who Laughs

Outra história clássica do Batman a passar por uma reinvenção foi sua primeira luta contra o Coringa.

Sob a escrita do popular Ed Burbaker e a arte do doug mahnke, temos uma versão mais modernizada da primeira aparição do palhaço do crime, se passando logo após Ano Um e mostrando um Batman ainda inexperiente e solitário, tentando impedir uma onda de assassinatos do Coringa.



Não só a história combina elementos da primeira aparição do Coringa com continuação do Ano Um (ex: Batman se tornando uma figura conhecida pelo publico, a policia começando a trabalhar com ele), mas realizam algumas mudanças, como ter o Batman sendo mais ativo e tentando impedir os assassinatos do Coringa, apenas para sofrer uma falha atrás da outra ou tendo que tomar uma decisão dura pra vencer, tornando seus confrontos em um intenso duelo de inteligência e moral.




A primeira aparição do Coringa ganha mais importância nessa versão, simbolizando o inicio da ascensão do criminosos fantasiados, com Batman percebendo essa mudança no submundo, reconhecendo o Coringa como um tipo de vilão que ele não estava preparado para enfrentar.

 

Torre de Babel



Leitura: JLA n°43 a 46

Não é novidade nenhuma como a DC se deixa levar pela popularidade do Batman e gosta de mostra-lo sendo todo ultra-preparado e capaz de derrotar qualquer oponente, incluindo outros heróis da DC. Em muitos casos, isso parece uma tática preguiçosa, com o favoritismo que a DC pelo Batman fazendo o personagem parecer um Gary Stu ultra chato, com uma popularidade que vem a custo do prejuízo de outros personagens.

Como principal exemplo desse tipo de trama, temos “Torre de Babel”. Escrita pelo Mark Waid, se trata de um arco da Liga da Justiça, onde o Batman tem seus planos de contingência contra a Liga (caso um deles se virasse contra a humanidade) roubados pelo Ra’s Al Ghul, que começa a atacar os heróis, enquanto executa um plano maior.



Para muitos esse foi o início do Bat-God (Batman Deus) e esse protagonismo exagerado que a DC costuma dar para o personagem. Todavia, ao contrário de histórias que tentaram recriar esse conceito, “Torre de Babel” não trata os planos do Batman como algo a ser admirado, e sim usa para criar tensão entre Batman e os membros da Liga, que se sente traídos pelo herói ter criado essas armadilhas por trás de suas costas. Ao invés de glorificar Batman, essa história expõe seu maior defeito e o preço que isso tem em seus relacionamentos.

 


Batman e os Homens monstros



Leitura: Batman and Monster Men nº01 a 06

Quando falei das histórias do Batman na Era de Ouro, uma que deixei de fora da lista foi a noite dos Homens Monstros, uma clássica aventura onde Hugo Strange captura pacientes de um asilo e os transforma em seus servos monstros.



Uma das pessoas que conhecia essa história era Matt Wagner, que veio escrever essa minissérie de 6 edições, que apresentada uma versão moderna daquele evento.

Se passando durante o início da carreira do Batman e sua guerra ao submundo (e possivelmente antes dos eventos de Acossado), essa história envolve o homem morcego, enquanto lida com a gangue do mafioso Sal Maroni, investiga massacre de uns homens do mafioso, que parece estar ligado com o cadáver encontrado de uma moça, nos esgotos.



Conforme ele vai seguindo pistas, Batman vai descobrindo que o assassino e um de vários monstros criados pelo professor Hugo Strange, um cientista que tem usado pacientes do Asilo Arkham, mais fundos de Maroni, em seus experimentos para desenvolver o corpo humano.



As duas tramas vem a colidir, quando Strange decide usar seus monstros para caçar Maroni e seus capangas. Simultaneamente, Batman acaba descobrindo que o mafioso tem negócios com Norman Madison, pai de sua namorada Julie Madison. Isso faz com que Batman tenha não só que resgatar Norman como também salvar a ele e Maroni dos monstros de Strange.

Mesmo se passando num ambiente moderno, o roteiro de Wagner consegue recriar o clima noir da história da Era de Ouro, com cada edição parecendo um capitulo de um seriado pulp, com os personagens e o ambiente tendo um visual bem gótico e chamativo.





Só que o roteiristas não fica preso demais ao passado, sabendo modernizar alguns detalhes da história original. O melhor de todos sendo a caracterização do Hugo Strange, que é introduzido como um homem zoado pelas pessoas por detalhes físicos, como sua baixa estatura, sua aparência magra e visão fraca, o que torna sua inveja pelo Batman (que representa o tipo de homem que Strange desejaria ser) bem compreensível.  



Os personagens de suporte também são muito bem desenvolvidos, como Sanjay, o servo leal ao Hugo Strange, e a Julie Madison, que recebe uma personalidade bem mais independente e observadora em relação ao Bruce, criando certa tensão quando Bruce tem que inventar desculpa para cancelar seus encontros e virar o Batman.

 

 

Neve



Leitura: Batman: Legends of the Dark Knight nº192 a 196

Um dos vilões a ter um salto de popularidade nos anos 90 foi o Mr Freeze. Graças a sua reinvenção na série animada do Bruce Timm, ele foi de um personagem visto como um zero a esquerda por muitos em um antagonista trágico, um homem desesperado para salvar ou vingar sua esposa.

Infelizmente esse sucesso criou um obstáculo para os quadrinhos, com os roteiristas (incluindo o homem que reinventou o personagem, Paul Dini) tendo dificuldade de adaptar essa nova abordagem para os quadrinhos de forma natural.

De todas essas tentativas, a melhor versão veio de J.H.Williams III. Em um arco de 5 partes, ele reestabeleceu Freeze próximo da série animada, sendo um cientista criogênico que, ao tentar salvar a vida de sua esposa, sofre um acidente que o torna incapaz de viver em ambientes com temperaturas acima de zero.

A diferença está no contexto de eventos e a caracterização do Freeze: A esposa dele morre em sua tentativa de cura-la (devido aos chefes terem alterado sua máquina sem seu conhecimento) e a transformação de Freeze foi o resultado de uma tentativa de suicido.


  

Ao desperta, Freeze se torna um homem desiludido, consumido por visões de uma “Nora angelical”, que o influencia a se vingar de seus chefes e, em seguida, outros industriais, para que ele possa “ressuscita-la”.



Essa é uma versão é bem mais insana e não tão simpática comparado com a série animada, porém ainda assim interessante, mantendo a ideia de Freeze como um vilão definido por seu luto e obsessão por sua esposa, a custo de todos ao seu redor.



Como todas boas histórias do Batman, essa atitude do Freeze é usada em paralelo com Batman, que, após perceber que não pode resolver todos os problemas de Gotham sozinho, ele cria seu grupo de agentes, o que acaba tendo consequências que fazem o herói se torna mais empático em relação aos seus aliados e aprender uma lição de humildade

 


 

 

 

 

Silêncio



Leitura: Batman vol.1 nº608 a 616

Duas décadas após ter entregado duas obras marcantes do Batman (Longo dia das Bruxas e Vitória Sombria), Jeph Loeb reassumiu o roteiro da hq do Batman para um novo arco.

Em parceira com o artista Jim Lee, Loeb elaborou essa história onde Batman descobre que está sendo alvo de um novo inimigo, Silêncio, um estrategista misterioso que não só demonstra saber a identidade secreta do homem morcego, como também está manipulando os vilões do herói contra ele. 



Enquanto tenta descobrir a identidade de seu inimigo e sobreviver a várias lutas difíceis, Batman vai lidando com dramas em seus relacionamentos, incluindo reencontro com seu amigo de infância, Thomas Elliot e a evolução de seu romance com a Selina Kyle.





Comparado com seus trabalhos anteriores, Silêncio é a história mais fraca do Batman escrita pelo Loeb, com o mistério do Silêncio sendo fraco, com o vilão tendo motivações bem rasas e reviravoltas que foram claramente exigidas pelos editores. Porém, para compensar esses detalhes, a história também possui momentos memoráveis (ex: o beijo de Batman e Mulher Gato, a luta do Batman contra o Superman controlado pela Hera Venenosa) e participação de vários personagens da mitologia do homem morcego. De todas as hqs do Batman, essa pode não estar no meu top 10, mas é um perfeito cartão de entrada para qualquer leitor que queira conhecer o mundo do cavaleiro das trevas.

 


 

 

 

Sob o capuz vermelho



Leitura: Batman vol.1 nº635 a 650

Uma das maiores tragédias que o Batman teve em sua vida, além de seus pais, foi a morte do Jason Todd. Desde aquela edição impactante, a imagem do personagem foi usado como um lembrete do maior fracasso do Batman e a culpa que ele carregava por não ter conseguido salvar seu pupilo.

Sendo quadrinhos, essa morte não iria durar para sempre. Se aproveitando dos eventos da Crise Infinita, onde o Superboy Primordial deu um soco em uma parede dimensional, provocando retcons pela continuidade, os editores reviveram o Jason Todd. 



Tendo acordado em seu caixão, Jason conseguiu se desenterrar, percebendo as mudanças que aconteceram em sua ausência. Estando mais instável e desiludido, Jason adota a identidade de Capuz Vermelho e vira um vigilante impiedoso, que busca tomar controle do submundo por meio do medo e violência. Com suas ações provocando uma guerra com o Máscara Negra, Batman acaba tendo que intervir e confrontar o jovem que ele treinou.



Tirando o final da história (que acaba sendo interrompido pela citada Crise Infinita), esse é um dos arcos mais populares do Batman devido ao roteiro e o peso emocional dado aos personagens. Tal como Silêncio, o mistério por trás da identidade do Capuz é obvio e entregue aos fãs de forma prematura. Porém o foco não é sobre Batman descobrindo que o Capuz Vermelho é o Jason, mas sim o efeito que isso tem nele após essa descoberta, com ele tendo que encarar que seu falecido parceiro voltou dos mortos e está usando suas técnicas para se tornar o tipo de vilão que ele jurou derrotar. A ressurreição de Jason não desvalorizar a morte dele, mas sim amplifica seu simbolismo como uma das maiores falhas do Batman.



Quando o mentor e o aluno se enfrentam, não é apenas uma luta física, mas também ideológica e emocional, com Jason apontando que os métodos do Batman são ineficientes, simultaneamente expressando sua frustração por Bruce nunca ter vingado sua morte, priorizando seu código ao invés de sua conexão.

 

Um novo amanhã



Leitura: Batman Confidential nº26 a 28

O foco relações do Batman com seu elenco de apoio não se limitaram apenas a seus aliados.

Em “Um novo amanhã”, o cavaleiro das trevas sendo forçado a trabalhar com o Charada para solucionar um caso de assassinatos cometidos pelo Rei Tut (clássico vilão do seriado dos anos 60 fazendo sua primeira aparição nas hqs).



Consistente com ambos personagens, a ajuda de Nygma surge de seu ego, não aceitando que tenha outro criminoso em Gotham usando seu modus operati, e Batman não confia no vilão. É essa tensão entre os dois que torna essa trilogia uma divertida aventura buddy-cop, com a inteligência de Batman e Nygma complementando um ao outro.

Essa história traz um bom desenvolvimento do Charada, que é caracterizando não como um criminoso sádico, tipo o Coringa, mas sim um gênio estrategista, que vê seus crimes como um jogo, uma arte, e Batman como um oponente digno a testar seu intelecto.



Pode-se ver esse arco sendo um prologo para a redenção (temporária) do Nygma que, viria depois, a se tornar um investigador particular e um personagem recorrente na Detective Comics.

 

Vítimas



Leitura: Detective Comics nº815 e 816

Um dos maiores dramas que o Batman passa são quando tem que tomar decisões difíceis para capturar seus inimigos, com muitas delas afetando a confiança de seus amigos nele.

Porém, “Vitimas”, leva esse drama a um novo nível quando Batman é forçado a usar Alfred como isca viva em esquema para capturar o Victor Zsasz, após esse ter tentando matar o Alfred sem sucesso.



Isso estabelece a temática da história sobre decisões e lidar com o efeito que elas podem ter nas pessoas, algo refletido não só na relação do Bruce com o Alfred, mas também no fato do Batman está sendo caçado pela policia de Gotham (com o novo comissário não aprovando as atividades do vigilante) e o drama do Zsasz ficando obcecado em matar o Alfred, após ele ter assumido que tinha matado o mordomo e feito uma marca em seu corpo.

No final é o orgulho de Zsasz que o leva a cair na armadilha do homem morcego, enquanto Alfred não só se recupera como tem uma conversa bem tocante com Bruce, que demonstra o quão forte é a relação  dos dois.


Tipo uma família



Leitura: Detective Comics nº831

Seria um crime fazer uma lista dessas histórias e omitir a fase do Paul Dini, um dos nomes mais associados a figura do Batman. Embora seja conhecido por seus trabalhos na icônica série animada do Batman dos anos 90, ele também viria a deixar sua marca na Detective Comics, criando algumas histórias bem divertidas e memoráveis.

A primeira que citarei nesse lista é “Tipo uma família”, cuja protagonista, apropriadamente, é a Arlequina, sua criação mais icônica. Essa breve história envolve a assistente do Coringa sendo libertada do Arkham pela nova Ventriloquo & Scarface, que desejam recruta-la para um esquema.



Embora pareça aceitar a proposta da dupla, Arlequina acaba, no final, sabotando o plano dos vilões e ajudando Batman a captura-los. O motivo disso envolve a dinâmica que a Harlen tinha com o Ventriloquo original, Arnold Wesker, durante sua estadia no Asilo, revelando assim um aspecto bem tocante dos pacientes do Arkham, de como alguns se enxergam quase como uma família de loucos.




Batman também possui um pequeno desenvolvimento, de inicio não confiando que a Arlequina mereça uma chance de ser liberada do Arkham, mas, no final, vem reconhecer que, apesar de seus defeitos, ela tem qualidades redimíveis.

 

 

Coração de Silêncio



Leitura: Detective Comics nº846 a 850

Enquanto “Silêncio” seja a história mais conhecida do vilão, não foi sua melhor introdução. Como falei, o foco ficou na construção de sua identidade secreta. Quando foi revelado que ele era o Tommy Elliot, e que suas motivações era inveja pelo Bruce ser mais rico, a qualidade do antagonista despencou (pior pela forma como a história tentou envolver o Charada nesse plano).

É aí que Paul Dini chega para consertar essa bagunça. Nesse arco de sua fase, Dini entrega essa história onde Tommy retornar para atormenta a vida do seu ex-amigo. Dessa vez o vilão executa um dos golpes mais severos no Batman, sequestrando a Selina Kyle e roubando (literalmente) o coração dela.



Com a vida da mulher que ama por um fio, Batman confronta Silêncio em seu esconderijo, onde é revelado que o vilão tinha cirurgicamente alterado seu rosto para ficar com a aparência do Bruce Wayne. 



Por meio de flashbacks é revelado os abusos que o Tommy sofria nas mãos de seu pai abusivo e sua mãe possessiva, nunca deixando-o o menino criar sua própria identidade, com sua inveja pelo Bruce não se tratando só de dinheiro, mas também pelo fato dele ter a liberdade que Tommy tanto queria.



Assim como fez com personagens como o Mr.Freeze na série animada dos anos 90, Paul Dini consegue reinventar o Silêncio, tornando-o um antagonista mais complexo e com sua rivalidade com Bruce sendo mais compreensível. Nas palavras do próprio Batman, Elliot se torna um reflexo sombrio do que ele poderia se tornar caso continuasse a se isolar de seus entes queridos.

Esse contraste de Tommy e Bruce é muito bem representada visualmente pela presença dos aliados do Batman e a forma como eles o ajudam a virar o jogo contra o vilão farsante.



Também tenho destacar as interações de Batman com a Selina, que, apesar de ser reduzida a uma donzela em perigo, acaba tendo sua importância na vida do Bruce bem explorada, com a interação final deles na história sendo o momento mais bonito do casal.

 



 

 

Batman Renascido



Leitura: Batman and Robin nº01 a 03

Outro autor importante nessa década do Batman foi o famoso Grant Morrison. Sendo um cara que ama continuidade das hqs, suas primeiras histórias foram recheadas de referências e reinvenções de conceitos de hqs clássicas (a mais famosa tendo sido a introdução tendo sido a introdução do Damian Wayne, o filho do Bruce com a Talia).

No entanto, sua fase viria a ter uma reviravolta quando, durante a Crise Final, o autor decidiu matar o homem morcego, com ele sendo atingido pelo raio ômega de Darkseid. Com Bruce Wayne morto (por um momento, é obvio), o manto do Batman foi assumido pelo Dick Grayson, que escolheu Damian Wayne para ser seu Robin.



Protagonizando sua própria hq, a nova dupla dinâmica encarou seu primeiro desafio quando um novo grupo criminoso, o Circo do Crime (liderado pelo Professor Pyg), chega em Gotham, vendendo uma nova droga.  



Enquanto tentam derrotar esses vilões bizarros, os dois vão tendo seus próprios conflitos internos, com Damian tendo dificuldade de trabalhar junto com Dick Grayson, que, por sua vez, sofre de inseguranças sobre seguir os passos de Bruce.



Esse arco se torna uma jornada emocionante entre esses dois irmãos que, apesar dos argumentos, vão mostrando se importa um com outro e evoluem como a nova dupla dinâmica, que Gotham precisa.

 




 

Espelho sombrio



Leitura: Detective Comics nº871 a 881

Grant Morrison não foi o único autor a escrever histórias do Dick Grayson como Batman. Logo depois tivemos outra pessoa que viria a ficar bastante associada com as histórias do Batman até os dias de hoje: Scott Snyder.

Seu primeiro trabalho nas hqs do cavaleiro das trevas consistiu nessa breve fase, onde o Dick Grayson (ainda como Batman) investigava alguns dos casos mais bizarros e perturbadores, enfrentando inimigos como o Tubarão Tigre. 



Simultaneamente a essas aventuras, o Comissário Gordon e Barbara tem que lidar com a volta de James Gordon Jr, o filho de Jim, que agora diz ter abandonado seu jeito psicopata e busca reconstruir sua vida como um assistente da Leslie Thompkins. Porém, aos poucos, Gordon vai percebendo que seu filho não está dizendo a verdade, e sim planejando algo mais assustador não só pra ele como para toda Gotham.



Em 10 edições, Scott Snyder estabelece seu estilo que viria a ser sua marca nas histórias do Batman, com tramas que mesclam drama noir com terror corpóreo/psicológico, mistérios complexos e uma narrativa bem detalhada, que caracteriza a relação com Gotham. Snyder praticamente torna a cidade em uma personagem viva na trama, enfatizando a perspectiva dos personagens em relação a ela e como isso molda suas ideologias (algo que virá expandir na próxima década).

 

Loucura da meia-noite



Leitura: Joker’s Asylum II: Clayface

O aspecto mais interessante do Cara de Barro (me refiro a primeira versão do Basil Karlo) é ele ser um ator, com seus crimes sendo motivados por sua vaidade e desejo por atenção.

Em Loucura da meia-noite, temos um exemplo do grande ego do vilão quando ele ataca um cinema, ao saber que uns jovens estariam fazendo uma sessão de filmes clássicos dele, julgando que eles iriam fazer dele motivo de chacota. 



No entanto, ao entrar na sala, ele descobre que os jovens são fãs genuínos, que admiram seu trabalho.



Embora a história acabe tendo um final macabro, impossível não sentir uma grande satisfação ao ver Karlo finalmente percebendo que ele tem uma legião de fãs, recebendo a idolatria que tanto queria.



 

A bela & a Fera



Leitura: Joker’s Asylum II: Killer Croc

O Crocodilo não ganha um sossego nessa minha retrospectiva mesmo. Já tinha sido triste ver o que ele passou nas histórias que citei no capitulo passado. Porém “A Bela & a Fera” é quem ganha o bolo como a maior tragédia que o pobre réptil sofreu.

Nessa história curta, o Croc escapa mais uma vez do Arkham, devorando os próprios braços (obs: esse quadrinho tem cenas bem brutais). Sua fuga o leva a ser resgatado por Edgar Morgan e sua esposa Juliette, dois criminosos que desejam a ajuda de Croc para assumir controle do submundo de Gotham.

Se sentindo em dívida com o casal e atraído por Juliette, Croc passa a auxilia-los em suas operações, aos poucos tornando Edgar num figurão do crime.



No entanto, Juliette, tendo seus próprios planos em mente, manipula Croc a matar seu marido, para depois tentar trai-lo.



O plano de Juliette acaba não saindo como planejado e Croc vem a ter sua vingança, mas seu coração está quebrado.

O fato que o personagem não chega a falar uma palavra na história até seu último painel contribui para o impacto de sua ultima frase: “Eles são os monstros!

 


 

 

Hora do chá



Leitura: Joker’s Asylum II: Mad Hatter

Um vilão do Batman que não cheguei  a falar na retrospectiva até agora foi o Chapeleiro Louco. O motivo se deve muito ao fato do vilão não ser tão marcante, exceto por seu visual e habilidade de controlar pessoas. No entanto, dependendo do autor, Jarvis Tech pode ser um antagonista bem perturbado e complexo (algo demonstrado em adaptações como Batman Série Animada).

No caso das hqs, uma das histórias onde o vilão brilha como nunca foi “Hora do chá”. Seu enredo envolve Jarvis tendo sido liberado do Arkham e tentando recomeçar sua vida, lutando contra seu vicio por chapéus e chá (que contém uma substância que o faz enlouquecer). Durante esse tempo, Jarvis acaba se apaixonando por uma loira, que o faz lembrar de Alice da obra de Jerry Lewis.



Infelizmente, ao saber que o nome dela não é Alice, Jarvis cede ao seu vício e a sequestra.

Assim como muitas histórias envolvendo os vilões do Batman, essa é mais uma que consegue fazer o leitor sentir pena pelo Jarvis, dando uma compressão por trás do seu desejo em encontrar uma companhia, e a tristeza dele estar condenado a falhar por ser um esquisitão anti-social e obcecado com sua “Alice idealizada”.



A arte é outro grande destaque, passando uma atmosfera bem surreal, que faz parecer que o leitor está sob o efeito do chá do Chapeleiro.

 




Noites radicais



Leitura: Batman: Streets of Gotham nº03 a 04, 07,10 a 11

Dos Robins, com certeza Damian Wayne foi um dos que teve um dos começo mais controversos. Enquanto alguns fãs curtem o personagem, tem vários que não gostaram do personagem devido a sua atitude rebelde, impulsiva e exigente (por que estou tendo flashbacks do Jason Todd?). Pessoalmente, embora eu tenha compartilhado dessa opinião, com o passar do tempo, fui encontrando histórias que descontroem o filho do Batman, expondo como, por trás de sua personalidade agressiva e arrogante, ele é um garoto solitário, que deseja escapar de seu passado como herdeiro da Liga da Sombras e conquistar o respeito de seu pai.

Um dos melhores exemplos dessas histórias (além das aventuras dele com o Dick Grayson) foi “Noite Radicais”, um arco que ocorreu no “Batman ruas de Gotham” (uma revista escrita por Paul Dini), onde ele e seu pai (sim, Bruce tinha voltado a ser o Batman) descobrem que alguém está matando crianças órfãs.



Sua busca por justiça leva Damian as ruas de Gotham, onde ele faz amizade com um jovem meta-humano Colin Wilkes (conhecido como Abuso). 




Os dois logo descobrem que os jovens órfãos estão sendo sequestrados por uma gangue liderada pelo Zsasz. Agora rico (graças ao dinheiro que recebeu do Máscara Negra), o psicopata tem usado seus recursos para organizar lutas entre os órfãos que ele captura nas ruas, forçando-os a matarem um ao outro, em um jogo sádico, com a liberdade deles como prêmio.



Essa revelação cria não só um cenário de ação onde Damian e Colin lutam juntos contra seus opressores, mas também converte o clímax num verdadeiro teste para o Damian Wayne, ficando dividido entre respeitar a ideologia de compaixão de seu pai ou ceder ao seu desejo de se vingar de Zsasz.  Sua conclusão deixa claro que Damian pode não ser o Robin que Bruce (ou nós leitores) esperávamos, mas ele continua sendo um jovem determinado a ser uma boa pessoa.



Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Batman dos anos 2000? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo