COLEÇÃO GRANT MORRISON - ROUND 1 - OZYMANDIAS_REALISTA

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

COLEÇÃO GRANT MORRISON - ROUND 1


Será que nós não paramos de fazer tantas análises? Tantos especiais?  Não temos vida além desse blog??? Muahahahahahahahahahahahahaha! Você está lendo a primeira parte da coleção de análises de HQs do Grant Morrison, meu caro! Começando o ano no Ozymandias Realista!!! Mas então, deixa eu explicar, o Morrison nem sequer tá entre os autores favoritos dos colaboradores do blog aqui, mas a popularidade e importância dele no mercado é um fato, então já fazia um tempinho que eu tava estruturando um especial dedicado ao cara. Mas caramba! Como tem material dele!!! Material de sobra, com um monte de personagens importantes do tipo Batman e Superman, além de materiais alternativos de SOBRA. O negócio era ir analisando com calma e postando conforme desse. A minha intenção era nesse primeiro round focar no início da carreira do cara na DC, avaliando a série do Homem-Animal e da Patrulha do Destino. Mas eu não consegui ler a Patrulha e percebi que não ia conseguir ter acesso tão cedo, então achei melhor adiantar com uma seleção diferente. Ainda tem a famosa série do Homem-Animal, algumas outras de personagens famosos da DC, depois focamos em algumas publicações do selo Vertigo, ok? Na próxima parte tento focar na Patrulha do Destino e mais algumas outras publicações pra complementar, beleza? Agora vamos pra mais uma lista de histórias doidonas... Você gosta, não gosta? Se gosta é um dos nossos, e  esses posts são pra você.


"Como escritor, acho que quadrinhos, histórias, metáforas e símbolos são veículos muito melhores para minhas opiniões pessoais do que entrevistas, certamente."





POSTS DE ANÁLISE ANTERIORES




Homem-Animal: O Evangelho do Coiote


"Preciso tomar rumo na vida. Tô com quase trinta, tá? Diferente de quando era novo e achava que automaticamente ia ser alguém na vida."

Depois da sorte que havia dado com o Alan Moore, a DC resolve dar um personagem terciário para outro quadrinista britânico, o Grant Morrison! O autor então mostra o Homem-Animal na identidade secreta de Buddy Baker, um dublê desempregado querendo conseguir algum reconhecimento como super-herói, enquanto a esposa que é desenhista tem que sustentar ele e os dois filhos. Enquanto isso, um sujeito misterioso chega na cidade e demonstra relação com ataques que têm sido feitos aos laboratórios S.T.A.R., onde fazem testes científicos com macacos. A história critica os maus-tratos aos meio-ambiente e aos animais, ao mesmo tempo sendo bem violenta, conta até com referências claras a estupro, já combinando com o selo Vertigo de histórias adultas. Os textos lembram o Monstro do Pântano, com a forma que fenômenos biológicos são narrados por meio de metáforas poéticas, mas também há uma certa identidade própria do personagem.


O personagem Fera Muana, que enfrenta Baker, é meio difícil de levar a sério com seu visual de carnaval e poderes estranhos, mas esse é o primeiro quarteto de histórias. O plano original de Morrison era acabar por aí, mas ele teve que seguir com a série, de forma que já veio com algo muito improvável, a famosa "O Evangelho do Coiote", que deixa claro como o caminho será bem imprevisível. Em sequência há um crossover com o super-evento "Invasão" e depois a extremamente dramática (e um tanto abstrata) "A Morte do Máscara Vermelha", onde o herói encontra um vilão que está prestes a se matar, e este pega o momento pra contar toda sua história trágica. Depois há duas aventuras domésticas; na primeira a casa de Buddy é invadida por uma versão mais adulta e desprezível do Mestre dos Espelhos (vilão do Flash), e na segunda há uma participação especial do Caçador de Marte que leva alguns técnicos para colocar um sistema de segurança avançado na casa dos Baker. A vida do herói vai avançando e os mistérios da saga começam.


"O mais hilário é que, enquanto eu a escrevia (O Evangelho do Coiote), eu estava absolutamente convencido de que aquilo era uma porcaria sem tamanho, impenetrável, e que seria o último prego no caixão da minha carreira em ascensão nos gibis de super-herói dos Estados Unidos. O sucesso e a popularidade da história me pegaram de surpresa e serviram de incentivo para eu produzir toda a porcaria impenetrável que tem sido a minha especialidade desde então." Grant Morrison


Homem-Animal: Origem das Espécies

"Os verdadeiros super vilões não pretendem dominar o mundo. Eles já dominam."

Na primeira história há uns alienígenas estranhos que estão observando Buddy e revisando sua origem dentro de uma nave, o que o levou a virar o Homem-Animal, como se tivesse sido tudo uma armação. Depois a Vixen surge, e os dois seguem para aventuras na África, em pouco tempo retornando também o Fera Muana, que agora considera Buddy seu amigo. Além da mitologia própria do Muana, também são mostradas as questões civis das rebeliões na África do Sul. O Morrison em várias situações não deixa de colocar algum tema que reflita a realidade, e isso é mostrado principalmente em "Entre o Demônio e o Azul Profundo do Mar", onde o Homem-Animal vai pro Canadá ajudar alguns ecoterroristas rebeldes a enfrentar a cultura local que chacina golfinhos por puro entretenimento em determinada época do ano. Uma coadjuvante mais obscura, Delfim, ajuda como heroína convidada dessa vez.


Buddy e sua mulher viajam pra França pra descansar um pouco, sendo recebidos pela esquisita Liga da Justiça Europa. Em pouco tempo tudo começa a ficar estranho por causa do vilão Comandante do Tempo, na luta contra ele o Homem-Animal pondera se eles precisam resolver as coisas sempre com lutas violentas, ainda mais o inimigo claramente se tratando de uma pessoa com problema mental. Focando mais nas questões ecológicas do que em toda a conspiração que nunca fica clara, "Consequências" consegue ser a história mais forte até o momento, com o protagonista realmente focado na sua luta pelos animais (com seus prós e contras), sendo mostrado argumentando duas vezes, até sobre vegetarianismo.

"Certos atos têm certas consequências. Por exemplo, quando você come um hambúrguer, você ajuda na destruição das florestas tropicais. Todo dia áreas imensas da mata são arrasadas pra virarem pasto pro gado que no fim vira hambúrguer. Essas florestas são os pulmões do mundo. Quando elas acabarem, os níveis de dióxido de carbono vão disparar. É o efeito estufa. E já começou. A cada vez que você come um hambúrguer, você ajuda a matar o mundo. O que quero que entenda é que tudo está conectado. É por isso que eu faço o que faço."


Fica claro como o Morrison desde o início da carreira se deicava bastante à pesquisa para tornar suas histórias mais pertinentes com o mundo real.


Homem-Animal: Deus Ex Machina

"Não, não evoluímos. Só pioramos. Tudo ficou pior"

Nas duas primeiras histórias, Buddy vai junto com um amigo para o deserto, onde utiliza alucinógenos para ver outros campos de consciência em busca das respostas para tantas coisas esquisitas que tem ocorrido. É quando passos maiores são dados nas questões metalinguísticas, se tornando mais claras. A partir de "O Último Inimigo" tudo toma um tom muito mais violento e sombrio. Buddy parte por vingança de forma similar ao Monstro do Pântano quando voltou pra Terra, chegando a se distanciar bastante do estilo de história de super-herói. Nas edições posteriores o tempo se torna o foco das coisas: o Homem-Animal viaja pro passado revendo vários momentos da sua vida como um tipo de fantasma, nesta situação encontrando vários personagens imortais da mitologia da DC em uma sequência bem interessante de acompanhar. Enquanto isso, no Asilo Arkham o Comandante do Tempo foge de sua cela e começa a trazer versões alternativas de personagens da DC que haviam sumido depois da Crise nas Infinitas Terras.


Cabe ao Homem-Animal enfrentá-los usando elementos da própria diagramação das páginas das HQs. Resolvendo esse problema, ele parte para um tipo de limbo que é um cemitério cósmico onde se encontram os personagens que foram deletados da cronologia oficial na Crise nas Infinitas Terras. Lá tudo é muito abstrato e tudo se desenrola ao final da série nas mãos do escocês, que com todas as esquisitices que fez, tornou o personagem outrora dispensável em protagonista de uma série memorável.


Asilo Arkham: Uma Casa Séria Em Um Mundo Sério

"É bem difícil ver este lugar como restaurador da saúde mental de qualquer pessoa."

"Homem-Animal" e "Os Invisíveis" são considerados os maiores trabalhos do escritor, mas são meio extensos de acompanhar. No que se trata de HQs fáceis de ler, "Asilo Arkham" sem dúvida é a HQ mais popular do escocês. A DC queria que ela fosse feita por causa do sucesso que o filme do Tim Burton havia feito na época. É surpreendente como, muito mais do que o filme, a graphic novel é marcante em vários aspectos do personagem e sua mitologia, sendo uma de suas aventuras mais chocantes e perturbadoras. É primeiro de abril e os criminosos do Asilo Arkham se libertaram e tomaram conta do lugar, fazendo os funcionários de reféns. Após várias exigências estranhas como móveis e manequins, eles por fim exigem à polícia de Gotham que o último pedido para libertarem os reféns é a presença do Batman, que ao chegar no manicômio encontra sal nos arredores.


Apesar da flexibilidade que todos esses elementos apresentam pra uma boa história de ação (como foi feito com o videogame "Arkham Asylum", de 2009), a HQ é muito mais metafórica, tendo a ideia de fazer uma adaptação de "Alice no País das Maravilhas" para a super prisão como prioridade muito maior do que uma história do Batman contra os seus inimigos. O Duas-Caras e o Coringa, por exemplo, por mais marcantes que estejam não chegam a entrar em confronto físico com o herói. Em paralelo com a viagem de Batman pelo hospital, são contadas memórias do fundador do manicômio, Amadeus Arkham, no início do século XX. Com um tom de Edgar Allan Poe, mas provavelmente mais pesado, Batman vai sendo perturbado psicologicamente e não vai necessariamente descobrir respostas confortantes e um final feliz. O desenhista Dave McKean, famoso pelas capas de Sandman, ilustra tudo, realçando o tom ocultista como provavelmente poucos ilustradores fariam em seu lugar. O Coringa é um dos mais assustadores já visto, parece um punk traficante de centros urbanos, é cruel como o da "Piada Mortal" e também parece gay como o feito por Frank Miller em "O Cavaleiro das Trevas". O Batman é desenhado de forma que parece muito gótica e trágica, bem vampiresco e demoníaco. Com certeza passa o mais longe possível de ser uma HQ para o público juvenil desde o princípio, diferente do que Morrison gosta de fazer, mas é um dos trabalhos mais famosos de todos os envolvidos.



Batman: Gothic

"Um homem sem sombra que viveu há cerca de trezentos anos! Sonhos! Fantasmas! Crianças assassinadas e arquitetura ocultista! Como tudo isso se relaciona?"
"Tremo só em pensar!"

Muitos anos antes de se tornar o escritor das mensais principais do Batman, Morrison havia trabalhando em uma marcante série chamada "Gothic" na revista "Legends of the Dark Knight". Tudo começa com uma série de mafiosos que estão sendo assassinados por um velho sinistro chamado "Sr. Whisper". Os criminosos juram que haviam o assassinado anos atrás e agora ele voltou em vingança. Eles têm tanto medo dele que chamam o Batman para ajudá-los! A princípio o justiceiro não demonstra muita empatia pelos gângsters, mas também tem tido pesadelos horríveis como Bruce Wayne relembrando momentos de uma passagem sinistra por um colégio interno quando criança. Tudo se interliga e leva o Batman a ir atrás do Sr. Whisper no final das contas, e descobrir um plano bem macabro e surpreendente. Os desenhos de Janson servem como um colete à prova de balas no Rio de Janeiro e Morrison faz uma atmosfera excelente de terror excluindo os elementos mais fantásticos tanto de Gotham quanto do Universo DC em geral, fazendo parecer mais improvável ao Batman a influência de fatores paranormais no caso.


Morrison mistura igrejas antigas, arquitetura gótica, assassinatos brutais, pesadelos, rosas, monges e o nosso querido Batman, criando uma atmosfera de terror impecável. Infelizmente, é bem difícil de encontrar um relançamento brasileiro, mas é uma das histórias mais bem conceituadas do cavaleiro de Gotham, a IGN chegou a rankear como a décima sexta melhor história do herói.


Monstro do Pântano

"Você parece perdido, não? Talvez esteja tentando voltar ao Jardim do Éden?"

Há colaborações do Grant Morrison na DC com o Mark Millar que são difíceis de serem encontradas, uma é a fase no Flash e outra do Monstro do Pântano, que foi publicada em quatro encadernados ano passado. A publicação deixou claro porque a série era tão desconhecida, mesmo contando com nomes famosos: é horrível. Não vale investimento de tempo ou dinheiro. Na trama o cientista Alec Holland acorda como se toda a história do Monstro do Pântano fosse um sonho muito louco e complexo que ele teve, mas algumas elementos começam a refletir no mundo. Tanto os textos quanto os desenhos (que chegam a ter problemas de anatomia) são péssimos, só serviu pra entendermos com clareza porque um material envolvendo os nomes "Morrison", "Millar" e "Monstro do Pântano" não era republicado. Quem sabe seja o caso do Flash também.



we3

"Diga 'olá' para os novos melhores amigos do homem."

Três animais; um cão, um gato e um coelho, são agentes militares colocados dentro de super-armaduras treinados para matar inimigos do Estado. A história "we3" começa quando eles são dispensados do serviço e passam a correr o risco de serem sacrificados. Os três então fogem, o cachorro que assume a liderança diz algo relacionado a voltar pra casa como objetivo, mas não dá pra perceber se é um objetivo que ele vê com clareza ou só um instinto que está seguindo. Os desenhos do Frank Quitely estão entre os melhores que ele já fez, a narrativa foge do convencional várias vezes, com muitas vezes vários quadros mostrando detalhes pequenos da cena sem mostrá-la por inteiro. Isso acontece principalmente em cenas de grande violência, que surpreendem em uma HQ protagonizada por animais. É sem dúvida uma história singular e inesperada.



Como Matar Seu Namorado (Kill Your Boyfriend)

"Às vezes eu fico muito puta."

Uma curta história pro selo Vertigo sobre uma colegial que sofre de todos aqueles problemas comuns da adolescência que pressionam uma boa dose de estresse e, um belo dia, conhece um usuário de drogas marginal e se apaixona por ele, resolvendo seguir religiosamente todos os excessos que ele prega. Começando por matar o namorado. A partir daí vai sendo mostrada a vida extrema dos dois até que se torne insustentável. Eles por um tempo se unem a uns hippies anarquistas que viajam num ônibus de dois andares para revolucionar a sociedade. A história é bem escrita, todas as ambientações da adolescência no colegial, a família conservadora e a marginalidade são bem convincentes, mas no fim acaba sendo uma história que choca meio gratuitamente, tem um estilo todo punk rock, mas transmite nada demais. O título original em inglês era diferente, sendo apenas "Kill Your Boyfriend", ou seja, "Mate Seu Namorado".



Mistério Divino (The Mystery Play)

"Esse assassinato poderia ser visto como... Bem, como um ato simbólico."

Um assassinato marcante ocorre durante uma apresentação de teatro religiosa e não se sabe quem foi o responsável. O detetive Frank Carpenter se apresenta para resolver o caso. A outra personagem principal é a jornalista Annie Wolf, também interessada em descobrir a verdade, mantendo contato com o detetive durante as investigações. Não faz sentido explicar mais da história, porque "Mistério Divino" é daqueles enredos que não se trata de chegar no fim, mas as coisas que são discutidas e sentidas no caminho. Isso pode deixar algumas expectativas quebradas, já que a revista passa uma impressão de história de detetive, e claramente a ideia não é essa. Há uma grande sensação de desolação nos personagens, principalmente no principal, o detetive. As cenas às vezes são surreais, havendo mesclas entre o real e o religioso, conforme paralelos do caso são traçados com a fé cristã, desde as próprias histórias da Bíblia até a de Nietzsche onde é dito que "Deus está morto!". A experiência vale a pena. Os desenhos de Jon J Muth parecem fotos, passam emoção e realismo excelentemente. É uma história que foge do convencional, mas vale a sinistra experiência.



Kid Eternidade

"Eu ando pensando na morte."

O título é estranho e a história também. Kid Eternidade é um tipo de agente fantasma que possui responsabilidades complexas com toda a ordem maior do universo. Ele encontra com Jerry Sullivan, um comediante de stand-up que sofreu um acidente de trânsito e está em estado grave no hospital. Morrison narra tudo de forma não cronológica, o que é bem confuso no início, apenas quando Kid Eternidade começa a explicar as coisas para Jerry dá pra ter uma mínima ideia do que está acontecendo, já que Morrison vai apresentando vários acontecimentos e símbolos diferentes de forma que parece quase aleatória. Mesmo não sendo muito extenso, não é fácil de entender, o escritor usa várias metáforas poéticas para narrar as passagens astrais que os personagens tomam entre os planos espirituais de vida e morte, há vários aspectos que não parecem tão importantes a princípio, mas depois se revelarão vitais para a compreensão total da trama, então não é algo que dê pra ler sem prestar atenção e se interromper a leitura e depois demorar muito pra retomar, é bem capaz que você se perca.


Não dá pra contar muito o que se passa, porque grande parte do enredo se trata justamente das explicações, mas Kid sai em missão junto ao confuso comediante moribundo para salvar toda a realidade, no estilo menos heroico possível, já que todos se parecem maloqueiros problemáticos e seu primeiro objetivo é localizar os mapas do Inferno. Os desenhos do Duncan Fegredo são a coisa mais linda de se ver, Morrison faz uma narrativa surrealista e caótica como em "Asilo Arkham" e Fegredo deve nada ao Dave McKean. A coloração também é maravilhosa, garanto que só as ilustrações já chamariam a atenção de qualquer pessoa. Em especial quando os personagens estão no Inferno, a dupla usou o máximo de loucura pra representar o ambiente. Apesar de ser complicado, quando você compreende "Kid Eternidade" há muitas reflexões interessantes de pensar que são apresentadas. É uma história no estilo daquele filme "Donny Darko", mas bem mais interessante tanto na estética quanto na narrativa.


E é isso aí, pessoal, chegamos ao final do primeiro round. Deve haver um segundo? Com certeza. Só não posso passar qualquer previsão de data, mas a ideia é trazer análises da Patrulha do Destino, como já mencionado. Esperamos que tenham curtido as análises, comente se tiver gostado e até a próxima!

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