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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Hulk: Os Cães de Guerra voltou pras bancas!


"Se minha teoria se comprovar, este apavorante monstro não passa de uma representação da criança interior de Banner. Ele é somente um menininho triste."

O amado monstro verde da Marvel acabou não recebendo tanto conteúdo novo nos últimos anos quanto esperávamos após suas aparições no cinema em 2008 e, principalmente, 2012, quando cativou todo o público em Vingadores. Na época as expectativas eram fortes, ele havia sido interpretado por ótimos atores, o Edward Norton e o Mark Ruffalo, haviam pistas de que personagens como Líder e Professor surgiriam em continuações, além de outros personagens que nunca haviam sido tão famosos, como Homem de Ferro, Thor e Guardiões da Galáxia, estarem recebendo sequências de adaptações. Guillermo del Toro, diretor do Hellboy, ainda planejava fazer uma série de TV do personagem, que acabou não saindo. Hoje sabemos que sem qualquer previsão de filme solo, o alter-ego de Bruce Banner fará participação especial em "Thor: Ragnarok"; bem decepcionante pra quem esperava que a mitologia própria do personagem continuasse sendo explorada.


Enquanto isso... No mundo dos gibis... A coleção da Salvat fez tanto sucesso que eles estão até republicando os seus primeiros encadernados da linha "Os Heróis Mais Poderosos da Marvel", então não é difícil achar a edição dedicada ao monstro verde, o Hulk! É um encadernado consideravelmente grosso, reunindo nove edições da revista "The Incredible Hulk". Tudo começa com o sempre deprimido Bruce Banner tendo que lidar com a ideia de que está com uma doença terminal no cérebro: esclerose lateral amiotrófica. Banner não tem mais sua antiga namorada Betty Ross para apoiá-lo, já que na época dessa história ela está morta. Pra um personagem tão triste que já tentou se matar e agora completamente sozinho, o fim não seria tão ruim assim; mas o problema não é esse... Ele sabe que com a morte de sua mente... quem vai tomar controle vai ser o Hulk.


O primeiro arco de duas histórias se chama "Olhos de Serpente". Temendo pelo futuro da Terra caso o Hulk fique liberto sem qualquer controle, ele vai procurar ajuda com sua ex-namorada da faculdade, a neurologista Lipscombe, uma loira toda durona e sarada. Conforme ela tenta ajudar seu perigoso ex-namorado, o leitor é levado ao inconsciente de Bruce Banner, onde vivem as diversas camadas de sua personalidade, representadas por ele mesmo e as várias versões do Hulk. As três principais têm mais atenção:

o tradicional,


o Hulk Cinza, que é chamado de Joe Tira-Teima


E o Professor, que é uma versão do Hulk com visual diferente que conserva a mente racional de Bruce Banner quando transformado.


A sequência é divertidíssima, mesmo que pra quem acompanhou o personagem nas suas principais fases dos quadrinhos, haja nada de novo. Todos esses conceitos psicanalíticos para representar a complicada mente do monstro gótico já foram usados na fase do cara que os criou, o Peter David, autor que escreveu o personagem por mais de dez anos, aprofundando questões interessantes mais do que qualquer autor, até mesmo características fundamentais que haviam sido criadas pelo Stan Lee e o Jack Kirby. Uma bela parte da passagem desse autor pode ser encontrada em um encadernado da Salvat chamado "Gritos Silenciosos", que foi lançado há um tempo atrás. Mas é apenas uma parte, compilar toda a passagem do David exigiria vários encadernados, mas vamos voltar à Cães de Guerra, que é o nome do arco que começa após o final de "Olhos de Serpente".


No início eles usam o título literalmente, com o exército mandando cães alterados para caçarem o cientista, quando começa a porrada e a influência do exército na história caçando o Hulk. Nesse tempo em que Banner e a doutora Lipscombe vão fugindo, as três diferentes versões da personalidade do Hulk vão tomando controle do corpo, o que causa uma diversidade interessante de acompanhar. Há vários coadjuvantes comuns das aventuras do personagem que acabam se envolvendo, e o vilão que está por trás das operações sujas dos militares é o coronel John Ryker, sociopata que não se incomoda de manipular indivíduos e instituições para alcançar seus objetivos. O novo vilão deixa o velho General Ross no chinelo no que se trata ser inescrupuloso e obsessivo. Eles chegam a citar alguns acontecimentos da história dos EUA que teriam uma mãozinha do personagem para trazer um tom mais realista e crítico ao perigo que ele representa (então usando o título metaforicamente).

"Só posso dizer quem eu acho que ele é. Pra mim, Ryker é a personificação viva de todas as teorias da conspiração já concebidas."


Infelizmente, a publicação conta com alguns erros de digitação nos textos, mas não chega a condenar a experiência. "Cães de Guerra" acaba sendo uma ótima sugestão para todos os fãs do personagem, principalmente os que só o conhecem pelo filme, podem conferir uma aventura própria do Hulk que conta com elementos diferentes, como a corrupção no exército e o lado emocional do personagem. É uma boa recomendação junto a outros clássicos que todo mundo conhece e fala mais, como "Planeta Hulk" e "Hulk Contra o Mundo".

"Mentiras são úteis, Dr. Banner. Há gente tão ocupada tentando me implicar nisto ou naquilo que ninguém percebe a verdade."

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