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quinta-feira, 28 de julho de 2016

A Decade of DIO: 1983 - 1993



"DIO se tornou essa conglomeração de Sabbath e Rainbow."


É um ótimo momento para publicar um post homenageando a carreira solo do Ronnie James Dio; como a esse ponto eu já fiz com o Ozzy Osbourne, o Paul Stanley, o Wolf Hoffman, o David Bowie e o Alice 'mestre' Cooper. Por que um ótimo momento? Bem, qualquer momento seria adequado levando em consideração que o cantor já morreu há uns anos, em 2010, vítima de câncer. Sua influência é inegável, então meio que em qualquer momento eu podia chegar "ae, vou falar do Dio aqui, porque ele é muito foda, não precisamos de desculpa pra fazer isso". Mas é um bom momento porque dia 22 de julho eles lançaram a caixa da nova coleção cobrindo uma década da carreira solo do metaleiro. Sua passagem na banda chamada justamente de... DIO!


O conteúdo é muito bom, homenageando toda essa fase que é incrível, e achei a capa muito legal, passando bem a postura de guerreiro que tem a obra dele. Bem, vou avaliar os álbuns da coleção aqui, mas lembrando que é essa década específica, de 1983 até 1993. Há outros trabalhos posteriores dele, mas vamos focar nessa década; podemos mencionar o resto brevemente.


O pequeno grande Dio!


Acho que como para todo fã do gênero de Metal, dá uma sensação de orgulho e satisfação em escrever sobre Ronnie James Dio. Ele deixou muito para nós que compartilhamos dessa cada vez maior e mais integrada vertente cultural. É uma honra!!! Vamos lá! A primeira banda de Dio foi o "Elf". É a parte mais desconhecida de sua carreira, mas na época chamava a atenção do gigante "Deep Purple". Quando este se desmontou o guitarrista Ritchie Blackmore formou o "Rainbow" com a maior parte dos integrantes do Elf. Faça-se mágica! Rainbow é considerado por todos os motivos possíveis e imagináveis uma das melhores bandas de Heavy Metal que já existiu. Apesar da banda ter prosseguido com o guitarrista Blackmore (I Surrender, Spotlight Kid), a curta duração da primeira formação foi provavelmente o que levou a banda a hoje não ser tão popular no grande público. A formação com o Dio durou apenas três anos, de 75 à 78. Mesmo assim... há "Long Live Rock and Roll", "Man On The Silver Mountain" e "Rising". Não preciso defender esses trabalhos, as músicas falam por si próprias. Qualquer um que ouve nota que o negócio não era brincadeira, bem comum as pessoas ficarem com  aquela reação: "Mas como eu nunca tinha ouvido isso antes?!"


Ritchie Blackmore tinha objetivos diferentes para o futuro de sua carreira e Dio ficou por conta própria. Bem, essa foi a melhor coisa que poderia acontecer, já que ele foi chamado pelo Tony Iommi para completar sua banda "Black Sabbath", que havia ficado sem vocalista com a demissão do Ozzy Osbourne. Dois álbuns foram produzidos, o "Heaven and Hell" e o "Mob Rules". Depois eles se separaram por causa de brigas absurdas (resumindo, o Tony e o Geezer já não conseguiam trabalhar em conjunto de tanto que usavam droga) só voltando na outra década. Enquanto isso o Dio junto com o Vinny Appice fizeram uma nova banda que foi simplesmente chamada de "DIO".


Holy Diver (1983)


"You got desire, so let it out! You got the power, Stand Up And Shout!"

Sem dúvida, o primeiro é o que ficou mais famoso. Talvez por causa da faixa-título, a famosa "música da aula de guitarra", hehe, quem não conhece? É inegável que foi o início de uma grande era. Apesar da atenção maior ficar sobre o vocalista, afinal, a banda tem o nome dele, DIO não era qualquer bandinha solo não, apenas um tipo de "Dio & Seus Amigos". Veja só, o baterista era o Vinny Appice, que havia gravado o "Mob Rules" no Black Sabbath. O baixista era ninguém menos que Jimmy Bain, que tinha acompanhado o Rainbow em sua melhor fase! O guitarrista era o grande Vivian Campbell, que viria a tocar no Def Leppard.


"Stand Up And Shout" já é um início grandioso, parece uma convocação, como dá pra notar pelo título. Em seguida já vem a faixa-título que marcou pra sempre. Dio continuava cantando melodicamente com muita competência, ao mesmo tempo que demonstrava agressividade gritando como só ele nas faixas mais pesadas. De forma geral dá pra notar que o que mais há são metáforas com coisas fantásticas e medievais, como já rolava em seus trabalhos anteriores. Ao mesmo tempo também há faixas com explícita profundidade dramática, como "Straight Through The Heart" e "Rainbow in the Dark", duas das principais. Uma sequência destruidora e uma ótima introdução do que viria pela frente.



The Last in Line (1984)


"Sail on, sing a song, carry on..."

"The Last in Line" também é muito bom, um maremoto de clássicos! Creio que só não é tão consagrado quanto o anterior, pelo anterior ter sido, afinal, o primeiro. Eu não conseguiria escolher um dos dois, declararia um empate, pra mim chega a parecer aqueles álbuns que poderiam se chamar "Parte 1/Parte 2". "Speed At Night" por exemplo, parece uma nova versão de "Stand Up And Shout", mas claro que não há só um remexido do que já havia sido ouvido. Na verdade pra mim um ponto que é muito melhor nesse são as letras. Parece que o Dio está se encontrando melhor, é como se já rolasse uma síntese do que ele procura passar pela sua obra.



Sacred Heart (1985)


"Whenever we dream, that's when we fly. So here is a dream just for you and I!"

Esse não é ruim não, mas ele apenas não inova, sendo o menos expressivo da primeira trilogia. A capa deve ser uma das mais legais, é bem a cara da banda. Há faixas bem fortes, continua sendo um ótimo trabalho como os anteriores, mas esse não marcou tanto. Foi o último com a formação imutável. As composições continuam no mesmo estilo, com Dio conseguindo fazer temas que pareceriam bobos, como os recorrentes arco-íris, soarem pesados; vide a faixa "Rock and Roll Children".



Dream Evil (1987)


"They'll take your diamonds, and than give you steel. You'll be caught in the middle of the madness, just lost like them! Part of the pain they feel!"

Este é um subestimado pelo próprio Dio, mas também acho que rivaliza com o próprio "Holy Diver", devem haver mais pessoas que concordam comigo. Todas as faixas são incríveis! Mas se você ver certas entrevistas com o Dio dá pra notar como ele leva muito em consideração o processo pessoal da produção do álbum no que ele acha dele, independente do resultado, isso inclui a relação dele com os colegas de banda. Aqui parece que ele ficou decepcionado com a saída do Vivian Campbell. Mas Craig Goldy complementou a banda muito bem substituindo o guitarrista original. O resto da formação é a mesma, com Bain, Appice e Schnell nos teclados. Como eu disse, apesar de serem reconhecidos como trabalhos solo do Dio, na verdade é uma baita banda que se manteve. "Dream Evil" é o quarto álbum e perde em nada o fôlego. Com faixas como "Night People", "Sunset Superman" e "All The Fools Sailed Away" não soa como exagero dizer que na verdade aqui eles tomaram um novo fôlego, isso sim.



Lock Up The Wolves (1990)


"You can hide in a circle, it's a way to survive. Be another number, at least you'd be alive..."

Muitos desses artistas clássicos de Metal viraram bem a década e o Dio não foi exceção. Assim como o Ozzy Osbourne tem o "No More Tears" com o Zakk Wylde, o Alice Cooper tem o "Hey Stoopid" e o Motörhead o "March or Die", Dio não ficou pra trás com o "Lock Up The Wolves", mesmo não sendo tão famoso. Nesse ponto as letras dele já pareciam que só ficavam cada vez melhores, como se ele já tivesse pego o jeito na época do Black Sabbath e não tivesse perdido mais. Todas as faixas são muito pesadas, vale a pena deixar tocando do início até o final. A faixa que eu mais gosto é a segunda, "Born on the Sun", uma das minhas favoritas de toda a carreira dele. A voz do baixinho também se manteve.



Engraçado que aqui mudou a formação toda. O Dio fez um concurso para escolher o novo guitarrista, Rowan Robertson, que na época só tinha 16 anos! Ou seja, ele não estava com medo de mudar, mas o resultado não foi nada experimental ou alternativo, pelo contrário! É um trabalho extremamente direto e eficiente, pra guardar com orgulho na coleção.


Strange Highways (1993)


"Can't you tell? That all the wishes you've made have filled up the well?"

"Strange Highways" parece puxar seu irmão mais velho. Não o "Lock Up The Wolves", mas o "Desuhmanizer" (1992), trabalho inesquecível que foi feito em um breve retorno do Black Sabbath com Dio e Appice. Pra quem conhece o Desuhmanizer (se não conhece trate de ir conhecer), sabe como é. Um ritmo meio lento, mas extremamente pesado. É assim que soa "Strange Highways", até o Tony Iommi, guitarrista do Sabbath, fala que a letra de "Hollywood Black" havia sido escrita pro álbum do Sabbath, mas o Dio pegou e usou nesse álbum. O próprio Dio admite que o que ele fez foi o que teria trabalhado em um futuro com o Sabbath se eles não tivessem se separado brigando novamente (foi a segunda vez, sendo a primeira no início dos Anos 80, antes de formar o "DIO").


Não é por nada que soa tão do mal. A primeira faixa já surpreende pelo nome, "Jesus, Mary and The Holy Ghost". Dio nunca havia se referido à religião de forma tão clara antes. Ele apenas falava de pecado ("sin") como uma coisa boa, como um caminho que valia a pena, mas é em uma pegada completamente diferente de coisas como Marylin Manson; tá mais virado pra mesma forma que ele fala de mágica, algo pro lado de procurar a verdade, procurar a força em você mesmo. No Black Sabbath você encontrava uma ou outra mais forte como "Heaven and Hell" e "TV Crimes". Ele já explicou que seu lado cínico quanto à religião veio de sua educação em um colégio de freiras. Em "Jesus, Mary and The Holy Ghost" ele deixa isso mais claro do que nunca.

"Prime time, nursery rhyme, did you see the teacher?
Sister, black and white, what she gonna do?
They say eye for eye, tooth for tooth
But don't hurt your brother"

"Horário nobre, cantiga de ninar, você viu a professora?
Irmã de preto e branco, o que ela vai fazer?
Eles dizem dente por dente, olho por olho

Mas não machuque seu irmão"

Também tem "Evilution" em que parece ser um cara no Inferno falando sobre a Terra como um lugar ridículo.

"Oh, neon names play neon games
Showing it to the public
I hate you and you hate me
And everybody smiles"

"Oh, nomes fosforescentes jogam jogos fosforescentes
Mostrando ao público
Eu odeio você e você me odeia
E todo mundo sorri"

Além da sonoridade lembrar os novos subtipos de Metal que estavam surgindo na época, todo o tom lembrava mais "Black Sabbath" do que "DIO". Claro que houveram os saudosistas que acharam isso ruim, mas o resultado foi muito bom, inclusive porque "Desuhmanizer" tá na lista de favoritos de todo mundo, não é como se fosse ruim lembrar ele, haha. Aqui já há outro guitarrista inédito, o Tracy G, mas Appice do Black Sabbath retorna à bateria.


E acabamos por aqui. Além dos álbuns com o "Black Sabbath" e o "Rainbow", depois de 93 ainda tiveram vários álbuns da carreira solo dele antes de sua morte em 2010. Eu pensei em avaliá-los brevemente, mas creio que posso deixar para um novo post caso vocês tenham curtido este, aí eu analiso com mais detalhes. Esses primeiros seis álbuns já são uma baita demonstração da criatividade e competência do bom e velho Dio.




"Eu não acredito em Paraíso e Inferno como um lugar que você vai, sabe, quando você morre vai para baixo e queima por um tempo, ou se for bom vai para cima e é feliz por um tempo, ou um purgatório onde bebêzinhos são pendurados. Acho que qualquer um que veio com essa ideia de um lugar onde criancinhas ficarão penduradas pelo resto da vida ou é a pessoa mais doente da Terra, ou a mais imbecil... acho que ambos se aplicam. Então eu não acredito em nenhuma dessas coisas. A minha crença de Paraíso e Inferno é que Paraíso e Inferno são aqui. É onde nós estamos. Esse é o Paraíso e esse é o Inferno, você faz o seu próprio Paraíso, você faz o seu próprio Inferno. Inferno, Bem ou Mal, Deus, o Demônio; reside em cada um de nós. Eu não tenho que ir para um lugar pra rezar. Rezo dentro de mim mesmo, rezo para quem eu quiser e tenho os mesmos resultados. Eu não preciso ser julgado por um padre que sou mal, ou ser julgado por uma freira que não estou estudando o meu projeto propriamente e ser acertado na mão por uma régua. Quem é você pra fazer isso comigo?! Ser ensinado que aqui está Deus em um pedaço de madeira de Gaza. Não é a forma que eu quero levar a vida, não é a forma que quero pensar nisso. E com todas as religiões que há, pregando as mesmas coisas, é realmente uma grande homogeneização, de qualquer forma no fim do dia todos acreditamos na mesma coisa, que todos temos uma escolha entre Bem e Mal. Então faça a sua escolha, é disso que se trata para mim.

Então, escrevendo essas canções, talvez tenha trazido um pouco o meu lado cínico, mas o que trouxe para mim é o que eu acredito na Vida e que, sabe, nós somos os Últimos na Fila (Last in Line) e há o Paraíso e o Inferno se você considerar que é o que as pessoas fazem com você que torna isso Paraíso e Inferno (Heaven and Hell), que é no que cai a canção, 'o  mundo é cheio de reis e rainhas que cegam os seus olhos e roubam os seus sonhos', isso é Paraíso e Inferno. O Paraíso é quando as pessoas dizem o quão bem elas vão te tratar e o Inferno quando você descobre que 'era tudo uma mentira, não era?'. Isso é o que são Paraíso e Inferno para mim."



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