Eu havia comentado no mês passado sobre o lançamento dessa animação. E lá estava eu ontem com o controle da TV na mão revirando o catálogo da Max por ela, para descobrir que ontem foi apenas o lançamento “para aluguel” 🤡. Não que isso tenha me impedido de passar numa locadora e locá-lo, e até mesmo fazer o meu encarte em VHS. Estou ansioso para a Parte 2, bem como a possibilidade daqui há um tempo de rever dublado no nosso idioma...
Pouco mais de 700 Páginas em 78 minutos
Referência no que tange a queda de um herói, A Queda do
Morcego nos quadrinhos é uma história a principio excelente, mas que como
tantas outras famosas da mesma época, se perdeu na duração (sim, Saga do Clone
e A Morte do Superman, estou falando de vocês) e com uma página única tão icônica que mesmo quem nem não o personagem a conhece, principalmente por causa
do último filme do Nolan com o personagem em 2012. Tentar traduzir pesados
encadernados em minutos de filme é uma tarefa no mínimo ousada, ainda mais o
histórico negativo das últimas animações da DC, só que contrariando essa expectativa,
ao menos nessa primeira parte temos um trabalho apressado, só que sólido e com
assinatura.
Diferentes de erros recentes como o que fizeram com Injustice,
a animação não perde tempo com longas introduções de personagens, já de cara
ela introduz o Azrael, a criança que viria a se tornar Bane, o mesmo chegando
na cidade e tocando o caos até o fatídico final que todos nós conhecemos bem.
Sem filler, (tipo o que fizeram lá em Piada Mortal) sem palestrinha, com
leves acréscimos mais para “lubrificar” a narrativa a ponto de que você nem
sinta uma blocagem de capítulos e sim uma pancada única. A animação parte do
pressuposto que o público já conhece o quadrinho e poupa várias explicações,
contando inclusive com várias ausências dessa primeira fase como a gangue do
Bane ou mesmo vilões como o Crocodilo, Coringa e a Hera Venenosa.
A motivação simplificada e um tanto confusa de Bane
Eu vivo com um rascunho que nunca ganhou vida, algo como “Bane:
Um Vilão que merecia mais”. Sempre tive o Bane como um dos meus vilões preferidos
dos quadrinhos, e até gosto de algumas adaptações dele como no filme de 2012
(onde ele é desperdiçado no final) e no game Arkham Origins (adivinha o final),
e não tem como negar que aqui é a versão mais fiel aos quadrinhos.
A ideologia e métodos dele ainda são os mesmos, mas existem vários
contornos mais complexos que são simplificados por causa da velocidade da obra.
Em vez de sonhar com um morcego, ter todo um arco para dominar a prisão e ir
estudando longamente o Batman, aqui na animação eles deixam tudo isso nas
entrelinhas e colocam uma versão mais darwinista do personagem, lembrando até
mesmo o Apocalipse dos X-Men. Enquanto o Bane dos quadrinhos
considerava o mundo uma prisão onde ele deveria dominar por ser o mais forte,
esse parece ter uma aversão maior pelo Batman manter a cidade fraca e dependente dele.
As proporções do personagem estão muito maiores e exageradas que o
normal, o que contrasta em parte com os vilões mais “pé no chão” do morcego, em
alguns momentos lembrando até o Hulk do Ang Lee sem caber na tela. A violência
do personagem é muito mais acentuada a ponto dele esmigalhar ou desmembrar quase
tudo o que ele põe as mãos.
Destaque pra dublagem em inglês que tá sendo feita pelo nosso eterno Vas
Montenegro, que também tava no filme do Aranha esse ano.
Puro anos 90 de uma forma positiva
O maior acerto de longe na animação é a estética. Um dos melhores e mais
fiéis traços que eu vejo numa animação da Distinta Concorrência em anos. Diferente
de todo aquele “anime mais simplificado”, aqui eles conseguem fazer uma mescla
visual entre o traço do Kelley Jones (sombras e algumas proporções mais
exageradas) e do Graham Nolan e Jim Amparo no que tange a expressões faciais,
peso e movimentação. É até estranho em um momento específico ver o Bruce com um
celular atual, quando tudo a sua volta remete a estética dos quadrinhos do
Batman dos anos 90. Nada de tanque de guerra no lugar do carro, armadura, lentes
tecnológicas ou mesmo um Arkham como mostrado nos games, tudo é muito mais analógico
e “old”, incluindo os trajes dos vilões.
A melhor adaptação
do Batman nos últimos anos?
Talvez.
Pelo menos das adaptações que eu andei vendo pós o Batman do Ben Afleck.
Ao contrário do Xandão, que achou The Batman de 2022 até superiorao Cavaleiro das Trevas de 2008, esse “Batman atual do cinema” não me
desceu por vários fatores, mais culpa da direção do que do ator em si, que até
se esforça com o que deram para ele. Nos games, a última aparição do Batman foi
aquele deboche vazio e infantil no fiasco Suicide Squad: Kill the Justice
League e eu claramente não sou o público alvo da série animada atual do
personagem em exibição na Amazon.
Aqui não temos o Batman como “o maior detetive do mundo”, com um preparo
contra deuses ou até mesmo brinquedos caros e impossíveis, mas temos talvez o
lado mais humano e relacionável do personagem que é a sua determinação ante o
inevitável. O mesmo Bruce Wayne que no filme de 2008 diz após ser costurado e
estar cheio de hematomas que “não se dá o luxo de conhecer os próprios
limites” aqui não se permite descansar enquanto não realizar todo o seu
trabalho de Sísifo em devolver os criminosos pra prisão, enquanto protege todos
ao seu redor, menos a si mesmo.
Seu estado vai se revelando no seu traje surrado, esfaqueado, rasgado
para por fim, ser quebrado. De forma física e mental, mas não totalmente em
espírito. Resumiram semanas de trabalho árduo e ingrato do morcego no quadrinho
em dias na animação, mas acaba funcionando quase como nos games, onde suas
grandes histórias como Arkham City duram apenas uma noite.
Uma boa notícia é que pesquisando brevemente, a Parte 2 deve sair
ainda esse ano, nos vemos em breve para falar dela. Vocês viram essa
animação? Pretendem ver? O que mudaria? Deixem nos comentários.
🔨 MINHA NOTA: ⭐️⭐️⭐️⭐
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👍 |
👎 |
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História objetiva e sem fillers✅ Excelente
traço de animação✅ Talvez a
animação mais fiel aos quadrinhos que a DC fez nessa década✅
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Motivação
simplificada do Bane❌ Curta
duração❌ Ausência
de vilões da história original❌
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