Dennis O ‘Neil é um nome que dispensa apresentações na
comunidade nerd. Muitos fãs conhecem como um dos autores dos quadrinhos mais
famosos.
Dentre seus trabalhos na indústria, os mais conhecidos foram de seu tempo na DC Comics, onde ele reinventou personagens conhecidos como o Arqueiro Verde, o Questão e principalmente, o Batman, pegando esses personagens de histórias fantasiosas e os colocando em cenários bem mais pé-no-chão e com dramas identificáveis para nossa realidade.
Além dos personagens
citados, outra revista que Dennis O’Neil trabalhou foi a hq da Liga da Justiça
da América, cujo roteiro ele assumiu a partir da 66ª edição, em novembro de
1968.
Enquanto suas histórias
seguiriam o padrão da Era de Prata, aos poucos Dennis O’Neil foi mudando o tom
delas, criando aventuras um pouco mais sérias e dramáticas.
Mas grande o ponto de
virada para a fase do Dennis O’Neil veio acontecer na edição Justice League nº77 a 79 (1970), com
duas histórias (com uma sendo em duas partes) provocariam mudanças que
definiram o fim da era de prata e sua entrada no cenário mais sério e
politicamente provador da era de bronze.
Trama
A primeira história dessa trilogia é “Snapper Carr... o super traidor”, onde a Liga da Justiça se tornam alvos de campanha de John Dough, um ativista que julga super heróis serem uma ameaça as “pessoas normais da América”.
Para complicar ainda
mais as conhecidas, o braço direito de Dough se revela sendo Snapper Carr, um
jovem que foi um aliado/mascote da Liga durante suas aventuras na Era de Prata
(pensem nele como Rick Jones da Marvel, só que sem o mesmo carisma).
Embora os heróis
conseguiam acabar com campanha Dough, a traição de Snapper acaba resultando em
seu rompimento com os heróis e eles tendo que se mudar de seu esconderijo, O Santuário Secreto (uma caverna nas montanhas de Happy Harbor), para um satélite flutuando sobre a Terra.
Isso leva a segunda
história dessa trilogia, o arco de duas partes “A vinda dos Doomsters”, cuja trama envolve os heróis da Liga
desmascarando uma conspiração de uma raça de aliens que planejam dominar a
Terra através da poluição.
O
início da Era Satélite
A razão dessas edições
serem consideradas um ponto de mudança para Liga é porque elas marcam o início
da chamada “Era Satélite”, quando os membros da Liga passam a operar de um
satélite.
Obs: Algumas pessoas se referem ao satélite da Liga como a Torre de Vigilância. Isso é erro comum. A Torre que os fãs se referem só viria ser introduzida décadas depois, como um posto espacial na lua. Quando a Liga teve seu desenho animado do Bruce Timm, eles fundiram as duas bases, criando a versão que os fãs conhecem das hqs atuais.
.
Para muitos, esse foi o
período que criou a identidade definitiva da Liga da Justiça, com suas
aventuras abraçando o estilo sci-fy/fantasia,
com heróis enfrentando uma diversidade de oponentes, de super vilões a aliens e
feiticeiros, além de viajarem para outros planetas e terras paralelas.
A própria Liga foi de
um grupo de 7 grupos para um enorme panteão, com personagens tendo
personalidades distintas e dinâmicas icônicas, como Superman sendo o porta-voz
da equipe enquanto Batman era o estrategista ou Arqueiro Verde sendo integrante
mais rabugento esquerdista, que entrava em atrito com os outros (principalmente o conservador Gavião Negro). Além disso, tinha a piada constante de um dos heróis
da Liga ser obrigado a ser excluído das aventuras, tendo que ficar de plantão
nos monitores do satélite.
O sucesso desse período
de histórias foi tão grande que ele se tornou base para futuras abordagens da
Liga, como a fase do Grant Morrison, o desenho da Liga da Justiça sem limites,
a fase atual do Mark Waid, entre outras.
Deuses
entre humanos
Mas agora surge uma
pergunta: Conforme eu explique, o Dennis O’Neil funciona melhor escrevendo
personagens mais urbanos e “pé no chão”, como Batman e Arqueiro Verde. Como que
ele conseguiu fazer histórias boas da Liga da Justiça, que são bem mais
distantes dessa abordagem que ele está acostumado?
A resposta foi a mesma
coisa que O’Neil fez com o Lanterna em sua fase do Lanterna/Arqueiro: Ele
colocou esses personagens, que nós, leitores, vemos como heróis idealizados, e
os colocou diante problemas reais.
Claro, essas histórias continuando sendo de super heróis enfrentando aliens e vilões fantasiados. No entanto, Dennis O’Neil não deixa esse detalhe suavizar suas críticas a questões políticas e sociais da época, muitas que continuam sendo relevantes até os dias de hoje.
Os Doomsters, por
exemplo, apesar de terem um nome bem bobo e nata sutil (mistura de “Doom” e “Dumpster”, ou seja “perdição” e “lixo” em inglês), eles estão
longe de serem meros invasores genéricos, com o quadrinho dedica páginas para
revelar a histórias por trás dessa raça, como eles destruíram o próprio planeta
natal com poluição e progresso descontrolado, com seus membros sobreviventes
passando a viver na sujeira e tentarem replicar o processo em outros mundos com
recursos, como a Terra. Eles são claramente como um reflexo da humanidade não só
como danificamos o ambiente, mas também como tentamos “consertar” passando o
problema para outros, criando um ciclo.
Ao final da história, o
próprio Arqueiro (que é meio que o “avatar” do Dennis O’Neil e suas críticas)
nota a poluição, questionando se eles salvaram a Terra ou apenas adiaram um
destino que cairá sobre o mundo no futuro, pelas mãos dos humanos que eles
defendem.
Considerações
finais
Mesmo sendo uma hq dos
anos 70, com uns breves momentos toscos, “Snapper
Carr... o super traidor” e “ A vinda
dos Doomsters” continuam sendo histórias que recomendo muito. Elas são um perfeito
ponto de partida para um dos melhores períodos de histórias da Liga, assim como,
pra mim, a melhor abordagem do grupo: Um grande panteão de heróis, tentando
fazer diferença positiva em um mundo imperfeito.
Nota:
7/10
Então é isso! Concordam comigo? Discordam? Qual a opinião de vocês sobre a fase da Liga da Justiça do Dennis O'Neil? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões nos comentários abaixo.























