Retrospectiva das melhores histórias do Motoqueiro Fantasma (Anos 2000)

 


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Nos quadrinhos, quase nada dura para sempre. Qualquer avanço que um personagem faça, eventualmente ele acaba voltando à estaca zero, para um status quo mais conhecido pelo público.

Por isso não acho que é uma grande surpresa dizer que, apesar da popularidade de Danny Ketch nos anos 90, o personagem eventualmente acabou sendo deixado de lado nos anos 2000, e Johnny Blaze voltou a ser o Motoqueiro Fantasma que os fãs conheciam, viajando pelo mundo, enfrentando ameaças sobrenaturais e lidando com seu “demônio interno”.



Essa decisão poderia se mostrar prejudicial, prendendo o personagem num ciclo de estagnação. No entanto, graças a roteiristas como Garth Ennis, Daniel Way e Jason Aaron, o Motoqueiro Fantasma conseguiu ter uma fase memorável nos anos 2000, com histórias que resgatavam o estilo das aventuras dos anos 70/80, mas também introduziam conceitos novos para sua mitologia, redefinindo a imagem do personagem para o novo milênio.



Como tenho feito até agora, nesse capitulo irei falar sobre algumas dessas histórias marcantes e como elas ajudaram o Motoqueiro Fantasma a manter sua relevância.

 

Estrada para danação



Leitura: Ghost Rider vol.5 nº 01 a 06

Se procuram um autor ideal para escrever histórias sobre anti-heróis violentos e badass, um dos primeiros nomes que me vem na cabeça é Garth Ennis. Enquanto muita gente o conhece por sua fase memorável do Justiceiro, ele também foi responsável por essa curta porém divertida minissérie “Estrada da danação”.

Nela, o Motoqueiro Fantasma se encontra preso no inferno, tentando várias vezes fugir desse lugar. O azar de Johnny muda quando ele é contatado por Malachi, que lhe oferece uma chance de escapar para o mundo de vivos, se ele se encarregar de uma missão: Capturar o demônio Kazann e impedi-lo de abrir um portal entre as duas dimensões.

A partir daí a história se torna um duelo de caçadores, com o Motoqueiro Fantasma de volta na estrada, tentando encontrar Kazann, enquanto tem que lidar com Hoss e Ruth, os mercenários do Céu e do Inferno.

As cenas do Motoqueiro com os personagens são cheias de ação e um humor bem sujo mas hilário. Porém, o aspecto mais interessante da história é como Garth Ennis desconstrói a visão comum que se tem do céu e do inferno como bem e mal, optando por uma abordagem mais pessimista, onde todas as entidades, anjos ou demônios, são corruptos ou indiferentes em relação aos mortais como Johnny, enxergando apenas como um peões para seus esquemas.

Isso pode ofender algumas pessoas, especialmente religiosas, mas dá a esses personagens uma postura mais “distante dos humanos”, deixando claro que eles são seres tão poderosos que não dão atenção aos humanos, o que contribui pro leitor se sentir mal pelo Motoqueiro Fantasma e a injustiças que ele sofre.

 

 

Ciclo vicioso



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº 01 a 04

Embora minissérie de Ennis não tenha durado tanto, ela levou a Marvel lançar um novo volume da revista do Motoqueiro Fantasma. 

Agora escrita por Daniel Way, a primeira história começa de onde Estrada para danação deixou, com Johnny mais uma vez tentando escapar do inferno. Dessa vez o anti-herói consegue encontrar uma saída. Porém, ele logo descobre que foi enganado por Lúcifer, para que este pudesse também escapar para o mundo dos vivos junto com Johnny.

Por não ter um corpo físico, a alma de Lúcifer acaba sendo dividida em 666 pedaços que se espalham pela Terra, dando origem a vários demônios e assombrações. Ao ser informado disso pelo Doutor Estranho, o Motoqueiro Fantasma jura destruir esses fragmentos de Lúficer até poder confrontar o demônio novamente.

Como podem ver, esse arco é mais um “tutorial”, explicando o novo status quo de Johnny e colocando diante uma nova aventura. Porém, essa introdução é bem escrita, com Aaron reestabelecendo o Motoqueiro Fantasma como um dos principais caçadores paranormais do universo Marvel.

 

A lenda de Sleepy Hollow Illionois



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº 08 a 11

Baseando no clássico conto de terror da “lenda de Sleepy Hollow”, esse arco mostra Johnny chegando a cidade de Sleepy Hollow durante o Haloween, onde ele acaba sendo preso pelo xerife Harry O’Connor, que acredita que o estranho motoqueiro é um assassinado que tem decapitado umas crianças na região.

Depois de escapar do policial, Motoqueiro Fantasma acaba descobrindo que o verdadeiro assassino é o super vilão Haloween (ou Jack O’Lantern no original em inglês), que foi ressucitado pelo fragmento de Lúcifer. Com o vilão tendo se tornado bem mais sinistro e com poderes sobrenaturais, Johnny e o xerife deixam suas diferenças de lado e trabalham juntos para derrotar Haloween e seu exército de mortos-vivos.

Esse arco pode ser resumido como um clássico de ação/terror dos anos 80, fazendo uso da história se passar durante o haloween para criar uma atmosfera bem arrepiante. Mas ela não tem apenas horror e violência, pois a história balanceia isso com cenas de ação bem dinâmicas e ilustradas, lembrando cenas de filmes como “Army of Darkness”.

 

Apocalypse logo!



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº 12 a 13

Um personagem que muitos fãs gostam de usar para testar a força de seus heróis é o Incrível Hulk. Como diz sua frase icônica “Ele é o mais forte que existe” e já conseguiu enfrentar e derrotar oponentes poderosos, sejam vilões como Fanático, ou heróis como os Vingadores. Mas como ele agiria contra o Motoqueiro Fantasma, que possui os poderes sobrenaturais?

Essa resposta veio a ser respondida durante o evento” Hulk Contra o Mundo”, quando o golias esmeralda voltou a Terra, em busca de vingança contra o Illuminati por terem banido para o espaço.

Vendo o Hulk ameaçando Nova York na televisão, Johnny se rebela contra o espirito da vingança e tenta usar seu poder para enfrentar o Hulk. A princípio, o Hulk tem vantagem, devido a Johnny ficar tentando conter a personalidade do Motoqueiro Fantasma, limitando seu poder.

Porém, após ser espancado pelo grandão, O Espirito Vingança desperta. Infelizmente para os heróis, ele desiste da luta e deixa Nova York, reconhecendo a culpa que o Homem de Ferro e seus associados tem pelo desejo de vingança do Hulk.

 

Revelações



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº 14 a 19

Desde que a fase de Daniel Way começou, uma das grandes tramas que tem sido construída era o conflito entre Johnny e Lúcifer, visto que já sido estabelecido que, cada vez que Johnny derrotava um indivíduo possuído pela alma do demônio, os outros se tornavam mais forte, indicando que as ações do Motoqueiro levariam a ressurreição do demônio no mundo dos mortais.

No entanto, nesse último arco, Johnny dá início a um plano para virar o jogo contra seu grande inimigo e eliminar todos os fragmentos de sua alma. Porém, durante a execução de seu plano, o Motoqueiro se encontra com dois anjos, cuja presença leva o anti-herói a descobrir mais um grande segredo sobre sua origem.

Embora o arco esteja longe da perfeição, com momentos bem bizarros e o final polêmico entre alguns fãs, ainda acho uma boa conclusão para a história que Daniel Way esteve trabalhando, mostrando o Motoqueiro derrotando Lúcifer no seu próprio jogo de inteligência.

 

Hell-Bent and Heaven-bound



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº20 a 23

Completado o arco do Motoqueiro contra Lúcifer, Daniel Way saiu após a 19ª edição e os roteiros foram assumidos pelo Jason Aaron.

Continuando de onde Way tinha parado, Aaron mostrou o Motoqueiro Fantasma saindo em busca de Zadkiel, um anjo renegado que foi revelado tendo sido responsável por amaldiçoa-lo com o espirito da vingança. Para encontrar uma forma de alcançar Zadkiel no céu, Johnny vai ao resgate de um jovem que estava sendo mantido prisioneiro por enfermeiras discípulas do anjo. Isso resulta numa perseguição bem extravagante, envolvendo assassinos e fantasmas canibais.

Diferente de Ennis e Way, que mantiveram um consistente tom sombrio, Jason Aaron, apesar de manter os elementos de terror, recorre uma abordagem mais próxima das hqs clássicas do Motoqueiro Fantasma, com elementos bem mais criativos, mas ainda tendo uma pegada de terror.

 

O último confronto dos espíritos da vingança



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº28 a 32

Uma das maiores reviravoltas na fase de Aaron aconteceria quando Johnny conhece Sara, a neta do Coveiro, que revela ao motociclista que ele não é o único a possuir o espirito da vingança. Na verdade, existiram várias pessoas na história da humanidade que possuíram os mesmos poderes que ele, agindo como representantes da fúria de deus na Terra (tipo o Espectro da DC Comics). Por julgar que esses indivíduos possam ser uma ameaça para seu plano de dominar o céu, Zadkiel enviou um indivíduo para eliminar os indivíduos que possuem o Espirito da Vingança.

Para piorar as coisas para Johnny, ele descobre que esse “mercenário” de Zadkiel é seu irmão: Danny Ketch. Com Danny sendo manipulado pelo vilão e tendo poder de virar uma versão azul do Motoqueiro Fantasma, Johnny acaba não tendo escolha exceto enfrentar seu próprio irmão.

Por um lado, eu não curto a caracterização do Danny Ketch, seja nesse arco ou na fase de Aaron. Ele acreditar cegamente em Zadkiel e estar disposto a lutar contra seu próprio irmão foi forçado. O quadrinho até chega abordar a possibilidade dele estar viciado no poder do Motoqueiro Fantasma, mas isso não é explorado mais a fundo. Sem falar que a relação dele com o Johnny é representa de forma imatura e antagonista, ignorando o desenvolvimento que os dois tiveram na fase dele dos anos 90.

Mas, esse arco tem pontos positivos que tornam divertido, como as lutas entre os dois Motoqueiros Fantasmas são bem dinâmicas e a revelação da existência de vários Motoqueiros Fantasmas na história da humanidade (pelo menos não é tão complicada como foi a história da família do Johnny e do Danny).

 

Céu em chamas



Leitura: Ghost Rider vol.6 nº33 a 35 e Ghost Rider Heaven in flames nº01 a 06

 “O último confronto dos espíritos da vingança” terminou com a vitória dos vilões. Danny eliminou todos os usuários do Espirito da Vingança, com exceção dele e de seu irmão, apenas para se arrepender logo depois, e Zadkiel venceu a guerra no céu.

Esse evento leva o mundo a começar sofrer um apocalipse, com demônios e assombrações se espalhando pelo mundo e atormentando os humanos.

Diante dessa derrota os motoqueiros, a princípio, seguem seus caminhos separados, não tendo esperança de que a Terra poderá sobreviver. No entanto, nessa hora drástica, Sara os encontra, revelando que ainda existe uma chance deles poderem vencer Zadkiel e salvar a humanidade.

O arco tá longe de ser perfeito, tendo pontos negativos (ex: a caracterização do Danny Ketch, a forma como Aaron tenta encaixar personagens na trama), mas ainda assim Jason Aaron conseguiu entregar uma conclusão bem épica para sua fase no Motoqueiro Fantasma, incluindo vários personagens das histórias passadas do personagem, fazendo isso parecer um encerramento para o Motoqueiro Fantasma e seu legado.

Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Motoqueiro Fantasma nos anos 90? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.