Em exposição, esta é minha belíssima cidade, Maceió. Cidade de outro autor deste blog, mas não tenho permissão para compartilhar essa informação. Por cá, cagamos e lavamos a bunda como em qualquer ouro lugar do Brasil (eu acho).
Meu pai se esforçava para responder de forma técnica e coesa a todos os meus questionamentos durante a infância. E não eram perguntas fáceis. Lembro de uma vez que o questionei da similaridade entre os astros no céu e os átomos em nossos corpos. Nesse dia, ele me relatou que teve essa mesma percepção, mas nunca encontrou resposta. Para me incentivar, comprou um dos mais importantes livros que eu ganhei, "Bilhões e Bilhões", de Carl Sagan. Lá não havia resposta para essa pergunta, e na verdade fiquei com mais dúvidas ainda, e isso me levou a uma fase de ateísmo rebelde e convicto, coroada por aquela arrogância infanto-juvenil que durou muitos e muitos anos. Ainda não sei explicar o porquê, em minha visão, os átomos serem similares ao cosmos, e acredito que tenho mais perguntas hoje do que tive aos 8 anos.
E agora isso ressoa em meu filho, que desde os 5 me questiona, com mais energia e insistência, o motivo de existirem escorpiões, baratas, canos de tubulação, torres de telefonia, remédios, o sol, a lua, e até mesmo a vida. Essa semana refleti sobre isso e sobre as respostas que eu dava, longe de serem as respostas que meu pai se esforçava em compartilhar. E percebi que eu simplificava tudo, criando duas categorias: as coisas criadas por Deus e as coisas criadas pelos homens. Alguém conhece outra categoria?
Veja, muito mais fácil explicar a uma criança que existem golfinhos porque Deus quis e que existem carros porque seres humanos fabricaram, do que tentar explicar a complexidade da vida na terra, que todas as espécies do reino animal passaram por centenas de milhões de anos de mutação genética e adaptação, para estarem hoje da exata forma como os conhecemos. Se foi Deus, se foi o acaso, a matemática, uma força poderosa desconhecida, ou se vivemos em uma simulação, nada disso eu sei. O que eu sei é que sempre será mais fácil responder que existem ratos porque Deus quis. E que existem satélites porque o homem fabricou.
Acredito que em breve as perguntas ficarão mais profundas, e tenho certeza de que essa estratégia de resposta está com os dias contados. Outro dia, inspirado pela semana santa que estudou na escola, o guri de 6 anos me perguntou porque Jesus teve que morrer. Porra, que pergunta tenebrosa. Eu não sei, passei a maior parte da vida sem nem acreditar que Jesus tivesse existido, talvez ele morreu por incomodar um sistema, por se destoar, por operar milagres, mas é difícil explicar tudo isso a alguém com o cérebro em desenvolvimento. "Deus precisou que ele morresse", respondi, "para perdoar nossos pecados". Nem eu acreditei nisso, e claro, ele não entendeu nada, ainda não conhece o conceito abstrato de "pecado". Graças a Deus o foco mudou para uma pergunta mais banal, que nem recordo no momento, mas fazia parte da listinha de coisas que foi fabricada pelo homem ou criada por Deus:
- "Espelhos? Fabricados pelo homem!"
- "Papagaio? Criado por Deus!"
- "Refrigerante? Homem!
- "Gatos? Deus, sem dúvidas"
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| "E esse mar incrível de Maceió? Claro que Deus criou" |



