Retrospectiva Melhores histórias do Motoqueiro Fantasma (Anos 80)

 



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Retrospectiva Melhores histórias do Motoqueiro Fantasma (Anos 70)


Enquanto as histórias do Motoqueiro Fantasma na década de 70 para estabelecer o personagem para os leitores, os autores demonstravam uma dificuldade em definir um estilo para a revista, com as tramas variando entre contos sobrenaturais e típicas aventuras de super herói.

Essa foi uma dificuldade que os autores corrigiram nos anos 80, fazendo com que as histórias abraçassem mais o gênero de terror que tinha originado o personagem. Logo as aventuras do Motoqueiro passaram a ser bem mais sombrias, com o protagonista enfrentando novos oponentes e seres sobrenaturais.



Mas, a maior mudança de destaque foi na caracterização do Motoqueiro Fantasma. Ao invés de ser um motoqueiro que se transformar num esqueleto flamejante, os roteiros passaram a tratar Johnny e seu alter-ego como duas entidades ocupando o mesmo corpo. Enquanto Johnny Blaze era um homem heroico e tentava ajudar os necessitados, Zarathos (o nome verdadeiro do espírito da vingança) era caótico, buscando punir os pecadores sem se importar com os inocentes pegos no fogo cruzado. O foco da revista passou a ser esse eterno conflito entre as duas identidades por controle.



Nesse capitulo da retrospectiva, irei falar das melhores histórias dos anos 80 e como elas desenvolveram essa dinâmica entre Johnny Blaze e seu alter-ego flamejante.

 

Capuz rubro, alma de poeira



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº43 e 44

Um dos primeiros confrontos de Johny e o Motoqueiro Fantasma veio a acontecer quando o espirito da vingança, enquanto perseguia uma gangue de criminosos, foi atraído até um pentagrama feito por Azaiah, o mago rubro, que separou o esqueleto flamejante de seu alter-ego humano.

A princípio, Johnny se sente aliviado por estar livre de sua maldição. Porém, quando ele descobre que o Motoqueiro Fantasma está espalhando destruição por onde passa, o jovem motociclista assume a responsabilidade de impedi-lo.

O confronto dos dois termina quando Johnny consegue atrair o motoqueiro para o pentagrama, fazendo com que os dois voltem a ser um só.

Em apenas duas edições, já é dado uma amostra do tipo de história que iria definir a revista do Motoqueiro nessa década.

 

O fim do campeão



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº45 e 46

Só porque Johnny Blaze é o protagonista da história, não significa que ele sempre toma as decisões corretas. Ele continua sendo um homem falível e capaz de cometer erros, mesmo quando não está transformado no Motoqueiro Fantasma.

Um desses casos aconteceu quando Johnny, ao parar em bar, vê na televisão uma matéria falando sobre Flagg Fargo, um novo motociclista que estava se tornando um astro entre as massas. Incentivado por seus fãs, Johnny decide desafiar Fargo para uma disputa de moto, valendo o título de campeão.

Enquanto lida com as vitórias de Fargo nos primeiros dois rounds, Johnny também tem que lidar com um grupo de ladrões na cidade. Como suas perseguições aos bandidos sempre levam próximo do trailer de Fargo, o Motoqueiro assume que seu rival esteja envolvido com os criminosos e faz uma visita. No entanto, para seu azar, ele logo percebe estar enganado.

Embora consiga prender os bandidos, Johnny, mesmo dando seu melhor, acaba perdendo a disputa. Mesmo com Fargo insistindo que ele receba o troféu, Johnny se recusa, percebendo que que Flagg foi o verdadeiro campeão por seu trabalho duro e treinamento intenso, algo que Johnny foi incapaz de ter devido as suas transformações.

Essa é uma história que captura o efeito destrutivo que ser o Motoqueiro Fantasma tem na vida do Johnny e os sacríficos que ele tem que realizar para conviver com essa maldição.

 

A raiva de Manito...o ferrão da tarântula



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº50

Conforme expliquei no capítulo anterior da retrospectiva, embora Johnny Blaze seja o Motoqueiro Fantasma mais conhecido, ele não foi o primeiro personagem nos quadrinhos a usar o titulo Ghost Rider. Esse nome pertencia ao Carter Slade, o Cavaleiro Fantasma, um personagem que a Marvel tinha adquirido de uma editora falida. Apesar do personagem tenha tido uma fase curta nos quadrinhos da Marvel, a editora continuou a usá-lo em raras ocasiões, tornando-o parte da mitologia do universo Marvel.

Dessas aparições, uma das mais memoráveis foi na 50ª edição do Motoqueiro Fantasma, onde o anti-herói, durante uma luta contra o espirito Manito, acaba sendo enviado para o velho oeste e conhece Carter Slade. Embora sofra desconfiança dos aliados indígenas do cowboy, Johnny prova estar do lado deles após salvar a vida da filha do Pássaro Flamejante, amigo de Carter, ganhando respeito do Cavaleiro Fantasma original.

 

Três anjos caídos



Leitura: The Avengers vol.1 nº214

A essa altura, já deve ter ficado claro que o Motoqueiro Fantasma é um dos seres mais poderosos da Marvel. Seus poderes sobrenaturais permitem ele fazer frente a figuras como Hulk e Doutor Estranho.

Em “Três anjos caídos” esses status é explorado mais uma vez, quando o Motoqueiro Fantasma tem um confronto contra os Vingadores. Os heróis mais poderosos da Terra vem a uma cidade onde o caveira flamejante foi visto, após esse ter ferido Warren Worrigton III, o Anjo, no meio da estrada. Ao encontra-lo, os Vingadores tentam atacar o Motoqueiro Fantasma, porém são derrotados pelo anti-herói, que consegue derrubar integrantes como Homem de Ferro e Thor. O combate só tem fim quando o Anjo, mesmo ferido, confronta o Motoqueiro Fantasma, fazendo Johnny perceber que sua frustração com os problemas em sua vida está fazendo-o perder controle de seu alter ego.


Além de demonstrar o nível de poder do Motoqueiro Fantasma comparado a um dos grupos principais da Marvel, esse quadrinho faz um bom trabalho explorando um paralelo da situação do Motoqueiro Fantasma com Hank Pym, que na época tinha sido expulso dos Vingadores depois de ter batido na sua esposa Janet, a Vespa. Foi por meio do encontro deles com Johnny Blaze que os Vingadores, no final, passam a ter uma compreensão maior quanto ao que levou ao surto de seu companheiro

 

 

A maldição de Johnny Blaze



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº68

Se tem uma história em toda retrospectiva que é uma recomendação para qualquer um que queria conhecer o Motoqueiro Fantasma é, com certeza, “A maldição de Johnny Blaze”.

Essa breve história começa numa noite de chuva, com Johnny Blaze entrando numa igreja para fazer uma confissão. Quando o padre entra no confessionário, Johnny conta sobre sua origem e os eventos que o levaram a se tornar o Motoqueiro Fantasma. O padre não leva a sério a história de Johnny. No entanto, coisas acabam mudando de tom quando Johnny começa a falar que encontrou um cadáver, no caminho até a igreja. Era o corpo de um padre que tinha sido assassinado.

Desmascarado o padre tenta fugir do Motoqueiro Fantasma, porém, logo é alcançado pelo espirito da vingança, que deixa seu corpo na estrada, paralisado de medo pelo toque do anti-herói.

Não é a toa que essa história é considerada por muitos uma das melhores do Motoqueiro Fantasma, com sua atmosfera e narrativa claramente inspirada em contos de terror, destacando o Motoqueiro Fantasma como um personagem bem diferente do padrão dos outros heróis da Marvel.

 

Lágrimas de um palhaço



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº72 e 73

Depois de perder seu título de campeão, Johnny passou a trabalhar num circo, formando uma amizade com os outros artistas. No entanto, sua felicidade logo seria interrompida por novos problemas.

Uma série de incidentes começa a acontecer no circo, com pistas indicando ser sabotagem. Depois de seu colega de trabalho, Conry, se acidentar num incêndio, Johnny, estranhando o comportamento de Eliot, filho de seu amigo ferido, decide segui-lo até a floresta. Lá, ele descobre que Eliot não só está envolvido com os sabotadores, como também é o Palhaço, líder do Circo do Crime, e esses incidentes fazem parte de um plano para roubar o circo e pagar o tratamento de seu pai. Tendo percebido a presença de Johnny, os criminosos o prendem e vão até o Circo.

Porém, Eliot, percebendo seu erro, ajuda os colegas de seu pai a se rebelarem contra os bandidos. No entanto, sua redenção acaba vindo tarde demais, pois, no mesmo momento, Johnny acaba cedendo controle para o Motoqueiro Fantasma, que prossegue punindo Eliot, prendendo numa ilusão de seus maiores traumas. É apenas após seu amigo, Fowler, explicar a situação que Johnny consegue retomar o controle, ficando horrorizado por ter punido um inocente.


Remanescentes



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº74

Outro inimigo importante do Motoqueiro nesse período foi Centurious, um homem misterioso e excêntrico, com a habilidade de absorver alma das pessoas, com a ajuda de seu cristal de almas.

O primeiro confronto dos dois aconteceu quando Johnny, após sofrer um acidente e cair fora da estrada, ser encontrado por um velho chamado Adam. Quando seu novo amigo é levado por Centrious, Johnny vai atrás dele, chegando até uma mansão na floresta, aparentemente abandonada.  Ao entrar nela, Johnny encontra Centurious numa sala, junto com várias pessoas que ele roubou as almas. Quando ele tenta roubar a alma de Johnny, o herói se transforma no Motoqueiro Fantasma e confronta Centurious. A luta termina com o Motoqueiro, aplicando suas chamas infernais no vilão. No entanto, Centurious é quem deu a última risada, visto que, em suas próprias palavras, “ele não tem alma”. Os únicos feridos pelo ataque do Motoqueiro foram as vítimas do vilão.

 

Metade demônio, metade homem



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº76

Como expliquei, “Capuz rubro, alma de poeira” não seria a única vez que Johnny e o Motoqueiro teriam um confronto direto. Em “Metade demônio, metade homem”, as duas personalidades são mais uma vez separadas, dessa vez pela magia do Mephisto, que foi retconizado sendo o quem pôs a alma de Zarathos em Johnny.

Tendo sido transportados para o reino de Mephisto, Johnny e Zarathos recebem do vilão uma uma oportunidade de conquistarem sua liberdade um do outro: Eles teriam que competir numa corrida pelo inferno, passando por vários perigos e obstáculos no caminho. O primeiro que conseguisse chegar na linha de chegada conseguira sua liberdade.

O interessante dessa história é ver Johnny e Zarathos tendo que trabalhar juntos para sobreviver as armadilhas de Mephisto, deixando temporariamente a inimizade por sua mútua sobrevivência. No entanto, quando chegam a linha de chegada, a desconfiança dos dois vem a tona, com dois travando uma luta, enquanto passam juntos pelo portal, voltando a serem um só. A história termina com Mephisto apontando a trágica ironia, de que, se Johnny e Zarathos tivessem passados juntos, lado a lado e em paz um com outro, eles teriam permanecido separados.

 

O império dos sonhos



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº77 e 78

Um dos meus vilões místicos favoritos é Pesadelo. Ele pode ser mais associado a galeria de vilões do Doutor Estranho, mas ele já teve confrontos com outros heróis da Marvel, além de ter tentado manipular alguns em seus esquemas, com um deles tendo sido o Motoqueiro.

Tendo acesso a mente do anti-herói, o Pesadelo se encontrou com Zarathos e lhe oferece uma forma de assumir controle do corpo de Johnny Blaze. Se aproveitando quando o motoqueiro é sequestrado e dopado pelo cientista louco Renaldo, o Pesadelo começa a atormentar Johnny com ilusões de suas memórias, fazendo rever todas pessoas que, em sua perspectiva, ele prejudicou (seus pais, sua mãe adotiva, Crash Simpson, etc....) e se reprimir em sua própria mente, deixando o Motoqueiro Fantasma livre para executar sua vingança contra Renaldo e suas criações. É apenas com a ajuda da lembrança de sua mãe adotiva, que Johnny recupera a confiança e escapar da prisão do Pesadelo, retomando controle de seu corpo antes que mata-se Renaldo.

 

O fim do Motoqueiro Fantasma



Leitura: Ghost Rider vol.2 nº80 e 81

Depois várias publicações, Marvel decidiu encerrar a revista do Motoqueiro Fantasma na edição 81. No entanto, ao invés de encerrar com um cliffhanger ou com um final genérico, o roteirista J.M DeMatteis decidiu dar a história de Johnny Blaze uma conclusão definitiva.

Nessas duas últimas edições, Johnny, tendo se reunido com sua amada Roxane, é informado sobre uns parentes dela numa cidade do interior, que estão sendo manipulados por um culto do pastor Domblue. Para investigar isso, Johnny se infiltra em uma das reuniões do clube, descobrindo que o pastor é, na verdade, seu velho inimigo, Centurious, que tem enganado as pessoas para roubar suas almas com seu Cristal das Almas. Ao capturar Johnny, o vilão conta sobre seu passado com Zarathos, revelando ser um príncipe que, 2000 atrás, vendeu sua alma para Mephisto, em troca de poder para capturar o demônio Zarathos, como vingança pelos seguidores do espirito da vingança terem chacinado seu vilarejo e sequestrado sua amada.

Usando seu cristal, o vilão rouba a alma de Johnny, fazendo com que Zarathos finalmente obtenha o controle do corpo. No entanto, o cabeça flamejante se vê enfraquecido. Reconhecendo que precisa da alma de Johnny Blaze para viver, o Motoqueiro Fantasma trava seu conflito definitivo contra Centurious, libertando a alma de Johnny e dos outros cidadão, ao mesmo tempo em que, usa o cristal para selar a alma do vilão. Se aproveitando da obsessão de Zarathos por sua vingança, Johnny convence o espirito a desistir do controle do seu corpo, prendendo-o junto com Centurious. Finalmente, Johnny se livrou de sua maldição.

Esse foi um bom encerramento para essa primeira era do Johnny Blaze como motoqueiro fantasma. Mas, não seria o fim do Motoqueiro Fantasma, pois, como veremos no próximo capitulo, o personagem faria seu retorno nos quadrinhos.

Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Motoqueiro Fantasma nos anos 80? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.