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Semelhante a década de 90, os anos de 2010 também marcaram um período de reinvenção para o personagem do Motoqueiro Fantasma.

Embora Johnny Blaze continuasse a ter aparições nos quadrinhos, o protagonismo das hqs do Motoqueiro Fantasma foi dado a novos personagens: Alejandra Jones, Robbie Reyes e uma versão futurista do Frank Castle, o Justiceiro.










O fato de termos tido 3 novos Motoqueiros numa década demonstra o problema que as histórias do Motoqueiro tiveram nessa década: O ritmo. Devido a velocidade que a Marvel introduzia esses personagens, acabava não dando tempo para os personagens se estabelecer direito no manto e criarem uma conexão com os fãs, como foi com o Johnny ou Danny. A única exceção foi o Robbie Reyes, que acabou tendo aparições em futuros quadrinhos e chegou ser adaptado na série Agents of SHIELD.



Embora o período desses motoqueiros fantasmas tenham sido curtos, não significa que eles não tiveram umas histórias interessantes. É delas que irei falar nesse capitulo da retrospectiva.

 

Desista do Fantasma



Leitura: Ghost Rider vol.7 nº0.1 a 04

Durante o evento da Essência do Medo, Johnny Blaze, mais uma vez, teve seu espirito da vingança removido, com a ajuda de Adão (sim, o mesmo da Bíblia).

Porém, as coisas não eram como pareciam. Quando está curtindo sua liberdade, Johnny é contatado por Mephisto que, numa reviravolta, pede a ajuda do ex-motoqueiro fantasma para impedir Adão, que tem uma obsessão em eliminar o pecado da humanidade (o que deixaria todos num estado zumbi), com a ajuda da nova Motoqueira Fantasma, sua aprendiz Alejandra Jones.

Embora Johnny tenha um protagonismo nesse arco, tendo que salvar o mundo mesmo não tendo mais seus poderes, Alejandra também recebe um igual destaque como a nova hospedeira de Zarathos. Apesar de começar como uma aliada de Adão, similar a Johnny, ela se revela também ser vítima das manipulações de um vilão. É graças a Johnny e o desejo de Alejandra em querer sua independência que ela se rebela contra seu mestre louco, usando o espirito da vingança para tentar se redimir de seus erros.

 

Motores da vingança



Leitura: All-New Ghost Rider vol.1 nº 01 a 05

A curta fase de Alejandra como Motoqueira Fantasma pode ter terminado com Johnny recuperando seus poderes, mas a Marvel não desistiu em ter um Motoqueiro Fantasma latino.

Se aproveitando da fase do All-New Marvel, um período em que a editora estava criando versões novas personagens (ex: a Kamala Khan como Ms Marvel, o Sam Alexandre como Nova), Marvel lançou o All-New Ghost Rider, com um novo protagonista: Robbie Reyes.

Criado por Felipe Smith e Trad Moore, Robbie era um jovem mecânico que vivia com seu irmão mais novo, Gabe, numa cidade barra-pesada no leste de Los Angeles. Querendo poder levar seu irmão para uma cidade melhor, Robbie, numa noite, rouba um carro da oficina e usa para competir num racha. Mas, durante a corrida, ele acaba sendo abordado por membros de um cartel, querendo obter uma droga especial que estava escondida em seu porta-malas. Ao encurrala-lo, os bandidos executam Robbie a tiros, pegam as drogas e deixam o corpo para ser queimado com o carro.

No entanto, o veículo estava assombrado por um espirito chamado Eli Morrow, que possui o corpo de Robbie, fazendo-o ressuscitar como o Motorista Fantasma.

Esse primeiro arco é bem básico, com o foco sendo Robbie desenvolvendo sua dinâmica com Eli enquanto aprende a usar seus poderes para encontrar os responsáveis por tentar mata-lo e tornar o bairro um lugar melhor para seu irmão.

 

Lenda



Leitura: All-New Ghost Rider vol.1 nº 06 a 10

Tal como Danny e Alejandra, Robbie também teria um encontro com o Motoqueiro Fantasma original, Johnny Blaze, em seu segundo arco.

A primeira interação deles, como em muitas histórias do gênero, não aconteceu com os dois se entendendo. Johnny atacou o Motorista Fantasma, após esse ser manipulado por Eli a atacar um homem que o derrotou num racha. Durante a luta, Johnny acaba revelando para Robbie a verdade sobre Eli Morrow: Ele é um criminoso e um satanista que tem tentado corromper Robbie com desejo de vingança.

Infelizmente, ao usar o Olhar da Penitência em Robbie, Johnny acaba acidentalmente fazendo Eli possuir o corpo de Robbie e passa a usá-lo para executar sua vingança nos criminosos que causaram sua morte.

Embora Johnny ajude Robbie a recuperar o controle de si mesmo, as ações de Eli acabam tendo grande impacto na relação do motorista com seu irmão Gabe, representando o aspecto trágico presente na vida dos heróis da Marvel.

 

Grande poder



Leitura: All-New Ghost Rider vol.1 nº 11 e 12

Infelizmente para Robbie Reyes, a fase dele também teve um final meio apressado devido ao cancelamento de sua revista. No entanto, Felipe Smith soube concluir o primeiro volume de sua revista com um arco final, envolvendo o grande conflito de Robbie com Eli, após ter descoberto não que o espirito o estava usando como também que ele é seu tio.

Com Robbie tentando controlar sua raiva, Eli decide se aproveitar da distância entre Robbie e Gabe, para possuir o irmão do herói e usá-lo em sua vingança. Sabendo que, se Gabe matar os inimigos de Eli, os dois ficaram fundidos para sempre, Robbie, mesmo não tendo seu poder, tenta salvar seu irmão. Embora ele consiga fazer Gabe recuperar a razão, Robbie, para salva-lo, acaba matando o rival de Eli, permitindo que ele pudesse possuir o sobrinho por completo. No entanto Robbie consegue convencer Eli a poupa-lo, em troca de ajudá-lo a encontrar criminosos e assassinos para matar.

É um final trágico para o volume porém condizente com o tom melancólico das histórias do Motoqueiro Fantasma, e um que deixa Robbie na direção para muitas aventuras no futuro.

 

Bebê Thanos precisa morrer



Leitura: Cosmic Ghost Rider nº01 a 05

Quando parecia que o conceito de Motoqueiro Fantasma não poderia ficar ainda mais insano, Donny Cates introduziu fãs ao Motoqueiro Fantasma Cósmico. Esse novo espirito da vingança trata-se do Frank Castle, o Justiceiro, de uma realidade alternativa, onde toda vida na Terra foi exterminada por Thanos. Se recusando a deixar que a morte o impedisse de punir Thanos, Frank fez um pacto com Mephisto para ressuscitar como o novo Motoqueiro Fantasma. Em seguida ele se aliou a Galactus, recebendo seu poder cósmico para caçar Thanos pelo espaço. Numa reviravolta trágica, a busca terminou com o titã louco matando Galactus e, por meio de manipulação, tornando Frank em seu servo.

Após um incidente envolvendo o Thanos da linha do tempo principal, Frank foi morto mais uma vez e ressuscitado por Odin em Valhalla, tendo a chance de viver em paz. No entanto, seu ódio pelo Titã Louco nunca o deixou. Querendo vingança pelo que o vilão o fez passar, Frank executa um de seus planos mais ousados: Com a ajuda de Odin, Frank foi transportado para o passado, planejando matar o Thanos ainda criança.

No entanto quando encontra seu alvo, Frank é incapaz de elimina-lo, decidindo então, sequestra o jovem Thanos e cria-lo como seu próprio filho. Esse ato acaba tendo consequências catastróficas, com Frank e o jovem Thanos sendo perseguidos pelos Guardiões da Galáxia do futuro que o Frank criou, colocando em questão se ele pode reabilitar o futuro vilão da Marvel.

Sob certa perspectiva, essa trama de um herói tentando alterar o futuro e provocando consequências não é  nada de novo. Alguns podem dizer que ela descaracteriza o Frank Castle, visto o quão inescrupuloso ele é quando se trata de executar criminosos e ameaças aos inocentes.  No entanto, Donny Cates faz um trabalho excelente conectando o cenário ao drama do Frank. Apesar de ser de um futuro alternativo, ele continua sendo um homem traumatizado pela perda de sua esposa e filhos, com a adição de ele ter passado séculos em sua guerra contra o mal, o que faria qualquer um sofre de fadiga e depressão.  Ele claramente vê a ideia de criar o bebê Thanos não só como uma forma de impedir um futuro apocalíptico, mas também como uma forma de conseguir redenção por ter falhado em salvar sua família.

Infelizmente para Frank, quanto mais ele tenta insistir nessa ideia, mais a história vai forçado a reconhecer que ela está fadada ao fracasso, não só porque bebê se mostra uma criança psicopata, mas também pelo mal exemplo que Frank é para ele, tentando ensina-lo a não ser violento, mas continuando a ser o anti-herói brutal que os fãs conhecem. O que antes era uma busca para salvar o futuro, se torna uma jornada sobre aceitação e auto perdão, com Frank tendo que se reconhecer como homem sem propósito, incapaz de voltar a sua vida passada como um pai e homem de família e condenado a viver em uma guerra contra o mal que ele começou.

É um arco cheia de humor negro e momentos emocionantes que combina as temáticas do Justiceiro e do Motoqueiro Fantasma, refletindo a essência dessa era de protagonistas das histórias do espirito da vingança: Eles todos são distintos, mas todos abraçam a mesma temática do personagem em essência.

 Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Motoqueiro Fantasma da década de 2010? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.