Retrospectiva Melhores histórias dos Gavião Negro & Mulher Gavião (Parte 2 - Era de Prata)

 



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Retrospectiva das melhores histórias do Gavião Negro & Mulher Gavião (Parte 1 - Era de Ouro)


Assim como Flash e Lanterna Verde, os Gaviões estiveram entre os heróis que DC reinventou durante a transição para a Era de Prata, mudando o tom fantasioso e mitológico para algo mais condizente com o clima sci-fy da cultura pop, que estava em seu auge na época.

Ao invés de um casal de arqueólogos da Terra, o Gavião Negro e Mulher Gavião eram Katar e Shayera  Hol, dois policiais do planeta Thanagar que passam a operar na Terra, combatendo o crime com sua tecnologia, assim como ferramentas da antiguidade.



Para muitos fãs, essa é a versão mais conhecida dos Gaviões, em parte pela forma como foi adaptada no desenho da Liga da Justiça Sem Limites



A diferença é que, enquanto naquela versão serviu para criar um arco bem dramático para a Shayera e sua relação com seu povo, nos quadrinhos da Era de Prata, ele serviu pra criar um novos tipos de histórias, que combinavam as ideias sci-fy dela com um estilo buddy cop. Katar e Shayera eram bem diferentes de casais como Superman e Lois Lane, com os dois já sendo casados e ajudavam um ao outro nas missões, agindo como uma dupla.



Nesse segundo capitulo da retrospectiva, vamos falar de algumas das melhores aventuras dos dois Gaviões nessa época e como estabeleceram essa versão popular deles para os fãs.

 

A criatura de mil formas



Leitura: The Brave and Bold nº34 (1961)

O primeiro caso do casal alado na Terra aconteceu quando eles vieram ao nosso planeta, em busca do fugitivo transmorfo Byth.

Se instalando em Midway City, sob a identidade do curador de museu Carter Hol e sua Shiera, os dois passam a viver entre os humanos, enquanto vão enfrentando Byth e seus esquemas de cometer roubos na Terra.

A trama pode ser simples, porém tem seu charme graças as lutas criativas dos Gaviões contra Byth e o carisma dos dois protagonistas.

 

O ladrão de sombras de Midway City



Leitura: The Brave and Bold nº36 (1961)

Quando o problema não são invasores da Terra, o Gavião Negro e sua esposa tem que lidar com criminosos e indivíduos que usam ciência para o mal.

Um desses indivíduos a se destacar em suas história foi Carl Sands, um presidiário que, após salvar a vida de um ser de outra dimensão, foi presentado com um aparelho que lhe permite se fundir com sua sombra, tornando-o intangível. Usando essa invenção para fugir da prisão, Carl, adotando a identidade de Ladrão das Sombras, dá inicio a uma onda de crimes por Midway City, desafiando tanto a policia e os Gaviões.

A batalha dele com os heróis se torna mais intensa quando Carl se recusa dar ouvidos ao ser dimensional, quando esse o alerta que o uso do aparelho está afetando o planeta, podendo provocar uma nova Era do Gelo.

Essa ignorância do Ladrão das sombras não só aumenta o suspense da trama, como estabelece o contraste do vilão com os Gaviões: Enquanto Katar e Shayera usam artefatos do passado para proteger os inocentes e aprender sobre os humanos e história, Carl abusa dos recursos do futuro para seus fins egoístas e gananciosos.

 

A ameaça dos caçadores-mariposas



Leitura: The Brave and Bold nº42 (1962)

Depois de suas aventuras se passando na Terra, a DC deu a primeira história do Gavião se passando em seu planeta natal, Thanagar.

Obedecendo ordens de seus superiores, os Gaviões retornam ao seu mundo para apresentar um relatório sobre suas experiências na Terra. Embora tentem aproveitar um descanso, ele é interrompido pela volta de Byth, que escapou da prisão e transferiu sua habilidade de metamorfose para seus capangas, criando uma gangue para começar uma onda de roubos em Thanagar e se vingar dos heróis.

Enquanto a revanche dos Gaviões com Byth é o conflito central, sua melhor parte são os momentos dedicados a mostrar Katar e Shayera se reestabelecendo em Thanagar, mostrando em detalhes a cultura e costumes de seu povo, criando assim uma identidade própria, ao invés de serem mais uma civilização futura genérica.

 

 

Os saqueadores mascarados na Terra



Leitura: The Brave and Bold nº43 (1962)

Justo após uma história que expande o mundo dos thanagarianos, temos uma história que dá um foco mais pessoal na backstory do Katar.

Voltando pra Terra, ele e Shayera descobrem que Midway City está sofrendo uma onda de crimes, cometidas por seres com corpo de pássaro e mascaras, que Katar identifica sendo os saqueadores mascarados, um grupo de seres que seu pai enfrentou Paran Katar.

Não só essa revelação cria uma conexão de Katar com os vilões, mas também os flashbacks dão um grande destaque ao pai de Katar, com ele não só tendo enfrentando os Saqueadores, como também sido o inventor do Nth Metal e do simbolo dos gaviões, tornando uma peça fundamental na história desses aliens alados e também para seu filho se tornar esse herói que ele é no presente.

 

O dia impossível da Terra



Leitura: The Brave and Bold nº44(1962)

Uma visão incorreta que alguns fãs possuem é achar que os heróis da DC não são relacionáveis, comparados com os da Marvel.

Tal afirmação está longe da verdade, com os personagens da editora tendo vários histórias que mostram os personagens lidando com dilemas que qualquer leitor pode se identificar.

“O dia impossível da Terra” é uma dessas histórias, com o foco sendo os Gaviões decidindo celebrar, na Terra, o Dia Impossivel, um feriado thanagariano onde eles resolvem problemas vistos como impossíveis de serem resolvidos.

Embora isso leve a momentos bem absurdos (típico da Era de Prata), eles servem não só pra mostrar a dedicação dos Gaviões em ajudar as pessoas, como também levam a momentos bem tocantes, com as pessoas que os gaviões salvam sentindo a mesma emoção e alegria que os heróis com o Dia Imposível, mostrando a possibilidade de culturas distintas poderem coexistir.

 

A rivalidade das maravilhas aladas



Leitura: Hawkman vol.1 nº01 (1964)

Batman e Questão não são os únicos detetives no universo DC. Conforme expliquei, Katar e Shayera  são policiais de Thanagar, tendo conhecimento forense e habilidades investigativas, além de possuírem o auxilio da tecnologia avançada de seu planeta.

Mas como seria se um deles não tivesse esses recursos ao seu dispor?

Em “a rivalidade das maravilhas aladas”, essa pergunta é respondida quando os Gaviões, ao investigarem o roubo de joias, decidem fazer de formas distintas: Enquanto Shayera usaria os métodos avançados de Thanagar, Katar recorreria as técnicas que aprendeu com a polícia de Midway City.

Sendo o personagem título, é obvio que o Gavião Negro iria vencer, porém, o roteiro consegue equilibrar bem a competição do casal, mostrando ambos métodos como efetivos e os dois heróis compententes em seus trabalhos. O que garantiu a vitória de Katar foi, na falta de sua tecnologia, ele recorreu a sua inteligência e raciocínio, o que permitiu ele conseguir deduzir a localização dos ladrões, enquanto Shayera acabou sendo enganada por erro em seus aparelhos. Isso não quer dizer que tecnologia é ruim e deveria ser rejeitada, mas sim que dependência nela, sem flexibilidade ou plano B pode vir a ser prejudicial as atividades da pessoa.

 

Mestre das armas do céu



Leitura: Hawkman vol.1 nº01(1964)

Se os Gaviões são aliens que usam ferramentas da antiguidade para lutar contra crime, então um adversário ideal para eles seria um vilão do passado que usa tecnologia futurista.

Na segunda história de da primeira edição de sua hq solo, os Gaviões se deparam com um oponente assim em Chac, um tirano imortal de uma civilização azteca, que tinha roubado armas de um alien moribundo. Quando o vilão usa uma formula de amnésia em seus amigos, Katar e Shayera confrontam o vilão em sua pirâmide em Yucatan, resultando em uma batalha que resgata o clima de aventura e exploração da Era de Ouro.

 

Charada da sala fugitiva



Leitura: The Atom vol.1 nº07 (1963) e Justice League of America vol.1 nº31 (1964)

Assim como sua versão da Era Ouro era integrante da SJA, Katar Hol também veio a fazer parte do grupo principal da DC naquela época, a Liga da Justiça. Embora não tenha sido um membro fundador, ele veio a se tornar um integrante na 31ª edição, ajudando-os a capturar um criminoso que tinha obtido um dispositivo capaz de criar armas para ele e seus capangas.

A parte interessante dessa edição é que, diferente de outros membros que foram recrutados pela Liga, a semente da entrada do Gavião Negro na equipe já tinha sido plantada em um team-up com o Átomo, o que não só levou o pequeno herói decidir recrutar o Gavião como marcou o início da grande amizade dos dois.

 

Roubo, roubo sombra!



Leitura: Hawkman vol.1 nº05 (1965)

Em sua primeira aparição, o Ladrão das Sombras  pareceu ser apenas um ladrão interessado em dinheiro e joias. Porém, sua segunda aparição demonstra o quão longe de inofensivo ele realmente é.

Usando seu dispositivo que lhe permite usar seus poder de sombras, o vilão cria uma armadilha para os gaviões, fazendo com que suas mentes ficassem presas em suas sombras (que estão conectadas a uma dimensão).

Nesse estado, os heróis alados teriam que sobreviver nesse mundo alienígena (já que qualquer dano que sofrem, afeta seus corpos físicos), enquanto tentam encontrar uma forma de restaurar corpos e capturar o Ladrão das Sombras antes que os efeitos do aparelho provoquem uma Era do Gelo.

 

A guerra de um milhão de anos





Leitura: Hawkman vol.1 nº12 (1966)

Só porque as histórias da Era de Prata tem conceitos surreais e, sob um ponto de vista, absurdos, não quer dizer que elas eram incapazes de tocar em assuntos relevantes da realidade, com um pouco da abordagem criativa das hqs.

Em “A guerra de um milhão de anos”, os vilão são dois aliens inimigos, que acabam sendo despertados por patrulheiros thanagarianos. Buscando recomeçar sua guerra um com outro, os aliens invadem Thanagar e usam controle mental para fazer os habitantes lutarem entre si.

Por sorte, os Gaviões chegaram da Terra, com seus anos vivendo lá tornando seu corpo imune aos efeitos dos aliens, permitindo que eles conseguissem encerrar a guerra civil causada pelos vilões.

 

Busca da rainha imortal



Leitura: Hawkman vol.1 nº13 (1966)

Por causa do desenho da Liga da Justiça Sem Limites, muita gente considera que o melhor interesse romântico da Shayera é John Stewart, no processo subestimando o Gavião Negro. Na Era de Prata em particular, Katar era retratado como um homem leal e devotado a sua esposa.

Uma das maiores provas de seu amor por ela veio quando ele foi capturado por Alvit, rainha de Alfheim (uma versão sci-fy do reino mitológico de mesmo nome), que o faz passar por vários testes, como forma de confirmar que Katar é o individuo ideal para ser seu noivo.

Enquanto o roteiro mostra Shayera saindo em busca por seu marido (demonstrando sua determinação), Katar também ganha destaque, não só sobrevivendo as provações da rainha possessiva, como também resistindo ao seus avanços e tentando escapar. Ambas tramas mostram como o amor que um sente pelo outro não está na história apenas para agradar os fãs de romance, é algo que traz a força de um e outro.

 

 

Retorno da deusa da morte



Leitura: Hawkman vol.1 nº25 (1968)

O amor que  Gavião Negro e Mulher Gavião sentem um pelo outro pode ser sua grande força, mas também pode ser uma fraqueza a ser explorada por algum inimigo.

Um caso em que isso aconteceu foi no “Retorno da deusa da morte” onde Shayera foi possuída pelo espírito da Medusa, o lendário monstro mitológico, forçando Katar a ter que lutar contra sua própria esposa.

Em paralelo a esse conflito, a revista também apresenta uma sub-trama revelando que a medusa tinha sido ressucita por um homem apaixonado pela figura mitológica, dando ao final da história um aspecto trágico

 

A última luta em Thanagar



Leitura: Hawkman vol.1 nº26 (1968)

Um fato triste foi que a hq do Gavião Negro acabou não mantendo nível de venda, vindo ao cancelamento após 27 edições. No entanto, os roteiristas não deixaram essa limitação impedi-los de entregar algumas histórias bem legais.

A melhor dessas histórias foi “A ultima luta em Thanagar”, onde os Gaviões, mais uma vez, são chamados a Thanagar, que está sendo invadida por uma frota de naves. Como os invasores demonstram ter conhecimento das suas estratégias, os thanagarianos passam a desconfiar que um deles está passou informações. Quando um computador acusa Katar Hol de ser o traidor, o herói é forçado a se tornar um fugitivo, enquanto tenta encontrar uma forma de limpar seu nome.

Como clássicos filmes como “O Fugitivo”, essa história  é um drama policial que não se segura na seriedade da situação, Cada página tem uma reviravolta atrás da outra, com Katar sendo levado além do seu limite, enquanto é forçado a enfrentar tanto seus camaradas thanagarianos, quanto os invasores, descobrindo que sua incriminação era parte de uma conspiração.

Também tenho que citar a Mulher Gavião, que, apesar de ficar ausente na metade da história, tem um momento recompensador no final, dando uma amostra da guerreira badass que ela viria a se tornar em futuras histórias.

 

Venha ao meu enforcamento & A última risada do fantasma



Leitura: The Atom & Hawkman nº 43 e 44 (1969)

Embora a revista do Gavião Negro tenha sido cancelada em sua 27ª edição, a DC não desistiu do personagem, fazendo-o dividir uma revista com o  Átomo, com os heróis de vez em quando tendo uns crossovers ou histórias separadas.

Durante esse periodo curto de histórias, os Gaviões vieram a enfrentar uma versão moderna de um antigo inimigo da Era de Ouro: O Cavalheiro Fantasma.

Nessa nova versão do primeiro confronto deles, o Cavalheiro Fantasma é estabelecido sendo, realmente, um espirito de Jim Craddock, um ladrão do século XIX que, após ser condenado a forca, se tornou um fantasma, continuando sua cometer seus roubos ousados.

Enquanto a trama tem semelhanças com a primeira aparição do vilão, ela tem duas diferenças.

A primeira é a postura do Katar Hol quanto ao fato de seu inimigo ser um fantasma. Enquanto sua versão da Era de Ouro estava fascinado pelo conceito, Katar é bem mais descrente com a ideia. É uma atitude, a primeira vista, estranha, considerando que o personagem já lidou com ameaças sobrenaturais, porém faz sentido visto que Katar é parte de uma civilização conhecida por seu domínio nas áreas  de ciência e tecnologia. Logo, ele teria essa visão mais critica, que valoriza lógica do que algo que não pode ser explicado.

Já a segunda diferença é a motivação do Cavalheiro Fantasma. Embora ele comece a história roubando mais por diversão, seu objetivo quando ele se apaixona por uma moça cega, fazendo-o ele roubar joias que teriam o poder de cura-la. É uma sub-trama bem tocante que mostra um lado humano do fantasma.

Então é isso! Quais são suas histórias favoritas dos Gaviões da Era de Prata? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo