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A arte da trilogia prequel de Star Wars
Episódio III
O melhor! Esse é o
termo usado por muitos fãs de Star Wars quando se referem a Vingança dos Sith,
o terceiro filme das Prequels. Liberado em 19 de maio de 2005, esse foi o filme
que concluiu a primeira parte da saga de Anakin Skywalker, mostrando a
conversão da republica no Império e a transformação do cavaleiro jedi em Darth
Vader.
Diferente dos filmes
anteriores, que foram recebidos com opiniões bem divididas, o Episódio III foi
aceito pela maioria, devido a sua trama mais sombrias e incríveis cenas de ação
(com destaque para o duelo de Anakin contra Obi Wan).
Embora a popularidade
do filme tenha se mantido até os dias de hoje, tiveram alguns detalhes que
foram apontados pelos fãs como falhas desse filme que, em geral, é divertido.
Tendo visto alguns
desses pontos, Xandão os listou nesse capítulo de sua trilogia de textos,
falando sua opinião quanto a eles e porque o Episódio III é uma conclusão para
uma trilogia subestimada.
Trama
O filme se passa 3 anos após o inicio das Guerras Clônicas. Com Anakin tendo
matado o Conde Dookan e o resto dos Separatistas tendo apenas o General
Grievous como líder, parece que o conflito iria terminar com a vitória da
República.
Nesse meio-tempo,
Anakin descobre que sua esposa, Padme está grávida, o que é um motivo de
felicidade mas preocupação para sua relação secreta. Esse medo se intensifica
quando Anakin começa a sofrer de pesadelos de que sua esposa irá morrer com os
filhos.
Desesperado para
salva-la e com Palpatine se revelando um mestre Sith com conhecimento para
salvar sua esposa, a lealdade de Anakin é colocada a teste, onde ele terá que
escolher qual lado irá servir: Os Jedi ou os Sith.
O
vilão menos querido pelo George Lucas
Vingança dos Sith pode
ser um filmes mais populares de Star Wars, porém é também responsável por uma
das maiores decepções da franquia: A representação do General Grievous.
Tendo sido introduzido
no Guerra Clônicas de 2003, o vilão cibernético foi apresentado como esse
caçador de jedis cruel e assustador, passando uma aura de suspense toda vez que
entrava em cena. Como a série terminou com o gancho para o filme, fãs estavam
ansiosos para ver qual direção o personagem iria seguir.
Infelizmente uma pessoa
não gostou do general, o próprio criador da franquia George Lucas. Por isso, ao
ser adaptado para o filme, o personagem foi reduzido a ser esse vilão covarde e
genérico, sem a presença imponente que tinha no desenho.
Isso não quer dizer que
ele seja completamente intolerável ou inutil (visto que ele dá um motivo pra
Obi Wan não estar em Coruscant quando Anakin se rebela) mas não dá pra negara
pena que faz um vilão tão legal como o Grievous ser reduzido a uma versão bem
fraca só por causa da opinião de uma pessoa.
A
injustiça contra Padme Amidala
Outra personagem a não
ser bem representada no Vingança dos Sith foi a Padme Amidala.
Ela já não tinha uma
popularidade tão grande por causa de seu romance com Anakin no filme anterior,
porém os filmes também focavam em aspectos de sua personalidade, incluindo seu
papel como embaixadora e sua ideologia de tentar encontrar soluções
diplomáticas para problemas, usando violência como último recurso (criando um
contraste dela com a impulsividade do Anakin).
O mesmo não pode ser
dito em Vingança dos Sith, onde Padme é reduzida a ser apenas interesse amoroso
do Anakin, estando no filme apenas para ficar grávida e morrer, como forma de
motiva-lo a se tornar Darth Vader. Ela é basicamente uma “mulher na geladeira”.
Mas o motivo pelo qual
não sou tão duro nesse detalhe como outros é porque a caracterização da Padme
não foi culpa do roteiro, mas sim da edição. Para aqueles que não sabem, várias
das cenas cortadas do filme dão a Padme um papel maior, com ela e amigos
senadores percebendo a corrupção do Palpatine, levando-os a discutir o que irão
fazer com a Republica que eles defenderam prestes a se tornar o Império
Galático.
Embora Padme venha
morrer no final, é mostrado que seus ideais não foram esquecidos pelos outros
senadores, que, inspirado por ela, decidem se opor ao Império em segredo,
plantando as sementes do que virá a ser a Aliança Rebelde.
No final, Padme não foi
uma personagem ruim, mas sim vítima das escolha de pessoas que preferiam
reforçar o tom trágico do final do filme, ao invés de destacarem momentos de
esperança além do nascimento do Luke e da Leia.
Entendendo
a queda de Anakin para o lado negro
O grande ponto de discussão
entre os fãs de Star Wars, quando se trata do Episódio III é a evolução do
Anakin em Darth Vader. Alguns elogiam, enquanto outros julgam que foi feito de
forma súbita e mal desenvolvida, com o filme sempre lembrando que Anakin não
está agindo por maldade, mas sim tentando impedir a futura morte de sua esposa,
dificultando o público vê-lo como esse vilão que ele é na trilogia original.
Minha opinião variou
entre os lados. No início, concordava com os críticos, julgando a mudança de
lado do Anakin bem bagunçada, em parte devido as inconsistências da
caracterização do personagem (Episódio I ele era mostrado como um menino
bonzinho, Episódio II um completo rebelde e o III pareceu tentar fazer ambos
sem um devido equilíbrio).
Sem falar que o fato
que só vemos o Anakin em sua icônica armadura no final do filme faz a proposta
da trilogia parecer enganosa.
No entanto, conforme
fui revendo o filme e reparando em detalhes, comecei a ter uma compreensão
maior sobre o que George Lucas estava tentando contar com essa trilogia.
Se a trilogia original
é uma história sobre como fé e auto-confiança pode ajudar um individuo a se
tornar melhor, a prequels expõe como um individuo virtuoso pode ser corrompido
por uma simples mas forte emoção: Medo.
Através das prequels
vemos essa temática sendo exploradas por dois arcos.
Um é a queda da
republica e sua transformação no Império, um resultado dos senadores terem
confiado tanto poder a Palpatine durante a Guerra. É uma clara alegoria aos
eventos políticos, como a Guerra ao Terror e a Administração Bush.
Já o segundo e o mais
importante é o crescimento de Anakin. Mesmo com as criticas que o personagem
sofreu, quando se observa os filmes, nota-se que a história tem um paralelo.
Ambos começaram a
jornada como jovens do deserto que receberam uma oportunidade de deixar seu
planeta e ter aventuras pelo espaço (com seu primeiro batismo de fogo sendo a
destruição de uma estação espacial inimiga).
Na segunda parte, ambos
se mostram guerreiros confiantes que acabam não só deparando dilemas que os
dividem entre seus compromissos e emoções, como passam por experiências que lhe
dão lição de humildade (ex: ambos são derrotados em duelos de sabre de luz, perdendo
um de seus braços).
O ponto onde eles
divergem é na forma como lidam esse medo. Enquanto Luke opta por confrontar seu
medo (enfrentar Vader e o imperador), Anakin se deixa ser dominado por seu
medo.
Esse detalhe fica
evidente no Episódio III muito antes do que fãs assumem.
A primeira amostra é na
sua revanche contra Conde Dookan, no inicio do filme. De inicio, parece que o
resultado seria diferente, com Anakin e Obi Wan tendo uma relação bem melhor do
que o filme anterior e atacando como uma dupla.
Porém, quando Dookan
nocauteia Obi Wan, ele deixa Anakin no mesmo ponto da primeira luta deles,
sozinho contra o lorde Sith que cortou seu braço.
Ele consegue vencer o
vilão quando cede as provocações e se entrega a sua raiva e o executa sob as
ordens de Palpatine. Esse não é jeito dos jedi, mas garantiu a vitória, com
Palpatine já criando um argumento pra aliviar a consciência do seu futuro aprendiz.
Já de cara o filme estabelece
o defeito do Anakin, do quão fácil ele cede ao medo (principalmente quando
colocado em situações que o lembrem de seus traumas), e também como ele usa o
resultado para criar justificativas sobre suas ações para outros e si mesmo.
Essa forma incorreta de lidar com medo se torna uma bomba que vai se
aproximando de sua explosão no desenvolver da trama.
A contagem começa
quando Padme revela estar grávida, algo que os dois sabem que, se acontecer,
iria comprometer seu romance segredo e prejudicaria a vida dos dois. Essa
preocupação se intensifica quando Anakin começa a ter pesadelos da morte de
Padme, colocando de novo na mesma posição que no Episódio II, pressentindo que
mais uma pessoa que ele ama iria morrer.
Diante desse desespero
é natural que Anakin ficaria tentando pela oferta de poder do Palpatine, ao
mesmo tempo frustrado com os Jedi, não só por não lhe oferecem nada que possa
ajudar seu dilema, como também continuarem a serem exigentes e não demonstrando
o valorizarem como um igual, o que confirma ainda mais as palavras de Palpatine:
Os Jedi são manipuladores, hipócritas e tão obcecados por controle quanto os
Sith.
Esse conflito interno
do Anakin chega ao ponto máximo quando ele interfere no duelo de Windu e
Palpatine, permitindo o vilão matar o mestre jedi. Fica claro que Anakin não
queria matar Windu, apenas impedi-lo de matar Palpatine. Mas o fato que ele ajudou
já indica pra Anakin que não há mais retorno. Ele acabou de ajudar um lorde
sith matar um mestre jedi. Ele acabou de se virar contra a ordem. Nesse estado vulnerável, foi o fácil o
Palpatine convence-lo a se unir a ele, com Anakin só aceitando pela chance de
obter o poder para garantir a sobrevivência de Padme. Isso era a única possibilidade
que fazia sentir que suas ações, por pior que fossem, eram justificáveis.
Mas, as coisas não saíram
como ele esperava. Ao encontra-lo em Mustafar, Padme ficou horrorizada com o
que ele fez, pior pela forma como Anakin tenta se justificar, dizendo como ele
pretende trair Palpatine e juntos dominarem o universo (mostrando como a
obsessão do Anakin o tornou desiludido).
Sua derrota nas mãos de Obi Wan, seu despertar em sua armadura e a descoberta da morte de Padme foram as últimas gotas d’agua para a tragédia de Anakin. Sua transformação em Vader não se trata dele virando um vilão confiante de seriado, mas sim uma tragédia shakespeariana, de um homem percebendo como sua busca por poder custou sua conexão com todos em sua vida, incluindo aqueles que queria proteger, lhe deixando com nada exceto ser um fantoche do Imperador.
Isso era o que mestre
Yoda estava tentando alertar Anakin no episódio I, algo que foi mostrado várias
vezes na franquia antes e depois desse filme: Todos aqueles que seguem o lado
negro estão condenados a sofrerem por causa de suas próprias ações e serem vítimas
cruel do destino que eles queriam evitar. O poder que eles tanto queriam é uma conquista vazia.









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