A arte da trilogia prequel de Star Wars (Episódio I)

 



A pouco tempo... em uma galáxia nada distante...


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A arte da trilogia prequel  de Star Wars

Episódio I

 

Chegou um mês especial para os fãs de Star Wars! O quarto dia de Maio marca uma época de celebrar essa franquia tão importante na cultura pop!

Quando se trata dos filmes, embora o autor desse texto, Xandão, seja fã da trilogia original, e um dos poucos que defende a trilogia da Disney (e seus spin-offs), seu período favorito é a da trilogia prequel, quando o foco da história era a ascensão do império e a queda de Anakin Skywalker para o lado negro.

Parte do motivo se deve a nostalgia, visto que as prequels foram os primeiros filmes de Star Wars que Xandão assistiu. Ele adorava tanto  ver as batalhas no espaços e os duelos de sabre de luz bem estilizados, que foi uma surpresa descobrir que os filmes estavam longe da popularidade.  Na realidade, as prequels eram duramente criticadas por fãs por aspectos, como a atuação vazia do elenco, foco num romance sem sal e conversas politicas e um desenvolvimento mal construído do protagonista.

Apesar de, atualmente, reconhecer algumas falhas nos filmes, Xandão também reconheceu muitos pontos fortes que não foram reconhecidos na época, vendo os três como obras bem mais profundas do que alguns esperavam.

Em virtude do destaque que Star Wars recebe nesse mês (e para compensar não ter postado isso na segunda feira), Xandão deu inicio a uma trilogia de texto, buscando falar sobre cada um desses filmes, as criticas que sofreram, e o porquê elas não o incomodam.

Como primeira parte, ele posta um texto sobre o Episódio I – Ameaça Fantasma, lançado em 24 de junho de 1999. O filme que deu início da Era das prequels para os fãs.

 

Trama



Se passando muito antes da época, o filme tem como foco o mestre jedi Qui-Gonn Jinn e seu aprendiz Obi Wan Kenobi, indo a Naboo investigar um cerco realizado pela Federação de Comércio. Com a ajuda do atrapalhado Jar Jar Binks, os dois jedis conseguem chegar a cidade e resgatar a rainha Padme Amidala.

Na sua fuga, a nave dos heróis consegue passar pelo bloqueio, mas sofre danos. Forçados a pousar em Tatoine para fazer uns reparos, eles conhecem o Anakin Skywalker, um jovem escravo com incríveis habilidades mecânicas e de pilotagem. Sentindo que a força é poderosa nele, Qui Gon Jinn decide levar Anakin até o Conselho Jedi e torna-lo seu aprendiz. No entanto, o conselho sente algo perigoso no futuro do garoto, trazendo dúvida se ele poderá ser o escolhido pela força ou algo pior.

 

Dois mestres é demais


Sem dúvida o melhor personagem desse filme foi Qui-Gonn, o mestre de Obi Wan. Ele rouba cena toda vez com seu carisma e personalidade estoica e sábia.

Todavia, sua presença também trouxe incomodo para alguns fãs, que não só acharam que o personagem cria inconsistência com os filmes anteriores (onde Obi Wan nunca mencionou ele, dizendo ter sido treinado por Yoda), mas muitas de suas cenas com Anakin pareceu tomar o lugar do que deveria ter sido dado para o Obi Wan. Alguns até acham que o filme já deveria ter começado com esse já sendo um cavaleiro e escolhendo o Anakin como aprendiz.

A falta de interações do Anakin com o Obi Wan é um incomodo bem justificável para personagens cuja relação deveria ser o coração dessa trilogia. Entretanto, acho que George Lucas se aproveita desse detalhe para já ir plantando as sementes que levariam Anakin a ser seduzido pelo lado negro.

Nesse caso, ele usa a caracterização do Qui-Gon para estabelecer o contraste dele com os outros jedis. Diferente dos guerreiros nobres que o público tinha em mente, o filme expõe o conselho Jedi sendo muito controladores e rigorosos quanto as suas regras de controle das emoções.



Em contrapartida, Qui Gon embora estoico, não é arrogante, mantendo a calma na situação e tendo uma mente aberta e flexível. Em suas interações com Anakin, Qui-Gon age como um verdadeiro mentor, acreditando no potencial de Anakin e se conectando com ele, virando uma figura paterna que o menino não tinha. Ele representa a conexão com pessoas que os Jedis perderam.



Por isso que morte de Qui-Gon é trágica, pois não só vemos um personagem bom ser morto em ação, mas também alguém que poderia ter dado ao Anakin a educação apropriada, algo que ficou a cargo de Obi Wan, que, apesar de sua dedicação, não estava completamente pronto para essa tarefa.

Esse detalhe expande a origem do Darth Vader, mostrando como sua queda não foi culpa do Anakin. Teve também a influência de outros fatores, como o sistema de educação falível dos Jedis e a falta de preparo do seu mestre. 

 

A importância das cenas do Senado



Aproveitando o assunto do item anterior, dou segmento para falar de outro ponto criticado no filme: As cenas do Senado.

Muitos fãs criticam as cenas se passando em Coruscant, envolvendo os diálogos da Padme com o Palpatine e ela tentando convencer o senado a auxiliar na libertação de seu planeta. Para essas pessoas, a cena é bem chata, sem nenhuma ação ou aventura como estavam acostumados dos filmes da trilogia original.  Isso gerou uma visão comum entre fãs de que Episódio I é desnecessário, com alguns optando por começar já no Episódio II, onde tem início as Guerras Clônicas e a forma como elas afetam o universo da franquia.

Admito que mesmo quando criança, não gostava dessas cenas e mal prestava atenção nelas (e olha que eu nem tinha assistido a trilogia original, só aguardando o momento em que os Jedi ligassem os sabres de luz novamente. Mas, como um adulto, passei entender a intenção de Lucas com essas cenas (e a trilogia prequel em geral) o que não é apenas mostrar como Palpatine chega ao poder como também a imagem idealista do universo pré-império.

Na trilogia original, tínhamos apenas descrições sobre a Republica, como esse “mundo mais civilizado, o que permita nós fã podermos ter uma imagem idealizada do período, como um paraíso que o império arruinou.

No entanto, através desse filme, é mostrado o quão longe de uma utopia a antiga república era. Ainda existe exemplos de escravidão em planetas como Tatoine, assim batalhas entre políticos e seus mundos.




Mas como a republica responde a esses cenários?

Com ignorância e/ou ineficácia. Ao invés de tomarem uma ação eficiente, os lideres optam por esconder esses problemas ou recorrer a soluções bem lentas, que, em muitos casos, acabam custando a vida de inocentes.



Mesmo não sendo uma tirania ainda, é um universo governado por um sistema com várias falhas, algo que Palpatine percebe e usa como forma de conseguir apoio para conseguir para o poder. É uma clara demonstração de como ditadores não chegam ao poder sozinhos. Eles se aproveitam das críticas com o sistema atual para motivar o povo a entregar o controle para eles.

Ao final, o filme pode parecer que a batalha terminou com a vitória dos heróis, porém Palpatine conseguiu o apoio que queria e foi eleito chanceler, além da Confederação de Comercio ter motivos para se vingar de Padme e seus aliados. Essa pequena batalha é apenas uma fagulha que se expandirá em uma mudança maior no futuro.

 

A importância da corrida de Pods



Uma das cenas mais marcantes do filme foi a corrida de Pods, com os designs dos veículos e uso impressionante de CGI representando a sensação de uma disputa emocionante, além da evolução da franquia quando se trata de efeitos visuais.

Mas então por que eu estou citando ela nos pontos criticados pelos fãs?

Acreditem ou não, essa cena também foi alvo de criticas, que a consideram apenas um espetáculo visual previsível e sem importância para história, argumentando que estava obvio que Anakin iria ganhar.

Eu discordo totalmente disso. Não só os personagens tratam a corrida de Pods como algo sério, visto que, se não vencerem, eles ficaram presos, mas todo a construção demonstra como eles estão em grande desvantagem, com Anakin, apesar de habilidoso, nunca tendo vencido uma corrida antes.

Com seus novos amigos dependendo de sua vitória, essa corrida serve pra mostrar Anakin confrontando seu medo, seu primeiro grande teste (tal como Luke destruindo a estrela da morte no episódio 4 ou Rey confrontando Kylo Ren pela primeira vez). É ele dando seu primeiro salto de fé.



 

 

O vilão silencioso



Outro destaque da “Ameaça Fantasma” foi a introdução de Darth Maul, um dos vilões mais icônicos, tanto pelo seu visual, sua habilidade com sabre de luz duplo e seu excelente desenvolvimento em spin-offs.

Alguns podem apontar que o personagem nesse filme é um vilão genérico sem personalidade ou frases memoráveis, algo bem longe do personagem complexo que ele veio a se tornar.

Contudo, eu nunca diria que Maul foi esquecível. O que ele não tinha de diálogos, ele compensava com suas habilidades mortais e presença. Quando aparecia em cena, já dava sinal de que cabeças iriam rolar.



Além disso, o fato dele não de Maul parecer não ter personalidade, exceto obedecer a Darth Sidious, se encaixa com a hierarquia vista pelo Imperador e Vader na trilogia original, onde o Mestre tem controle sobre seu discípulo, tratando-o apenas como uma arma para seus próprios fins (o que dá mais significado para o arco de Maul, em tentar se rebelar contra Sidious).



 

 

O pequeno Anakin Skywalker



Não tem como falar das criticas que a Ameaça Fantasma sofreu sem tocar em dois personagens especifico. O primeiro deles é o protagonista da trilogia, Anakin Skywalker, vivido no filme pelo Jake Llyod. Os motivos dele ter sofrido tantas reclamações dos fãs variam desde sua personalidade de “garoto santo” genérico, suas frases ridículas, seus feitos absurdos e a atuação sem emoção. O ódio que essa versão criança do futuro lorde Sith sofreu foi tão grande, que o próprio Llyod saiu do ramo de atuação (e ainda perguntam o porque Lucas ou Disney nunca dão ouvidos aos fãs).

Diante desse cenário, temos um caso da expectativa dos fãs vs a história que Lucas estava tentando contar, sobre o que leva a uma figura nobre como Anakin virar um vilão inescrupuloso como Darth Vader.

Para explorar essa temática, Lucas explorou o crescimento de Anakin em três fases de sua vida representadas pelos filmes.

No Episódio I em questão, vemos não só o Anakin sendo esse jovem inocente e bondoso, mas como essa personalidade dele contrasta com sua situação, sendo um jovem escravo que vive com sua mãe e subestimado por sua comunidade.



Isso torna o momento em que ele consegue sua liberdade e é levado pelos Jedis algo especial, com ele tendo a chance de ser um Jedi que sempre sonhou e viajar pelo universo, certo?

Nem tanto, pois Lucas subverte esse tipo de história não só com Anakin tendo que deixar sua casa e sua mãe, como também lidar com as desconfianças do Conselho Jedi, que temem que ele possa ser um problema no futuro (não muito diferente da forma como ele era incompreendido em Tattoine).



As únicas pessoas que acreditavam em seu potencial eram Padme e Qui-Gon, porém esses dois se separam dele, com Padme permanecendo em Naboo após o final do filme, enquanto Qui-Gon é morto por Maul. Claro que Obi Wan assume o papel de treinar o Anakin, mas ele faz isso pela promessa que fez ao seu falecido mestre, o que não é uma base ideal para treinar um garoto que já lida com falta de confiança de tantas pessoas.

 


Jar Jar Binks



Chegamos no ponto, aparentemente, mas indefensável de toda franquia de Star Wars: Jar Jar Binks.

Por mais que possamos argumentar questões sobre a caracterização dos personagens, dos efeitos visuais, atuação e dialogo, não há duvida que Jar Jar Binks foi um dos personagens mais odiados por tantos fãs da cultura pop (isso é...até decidirem odiar a trilogia da Disney e fazer bullying, provando que não aprenderam nada com prequels, mas isso é outra história...)



No meu caso, acho ele um personagem legal?

Não

Acho que ele funciona como alivio cômico?

Nope. as piadas são bem infantis.

Acho ele o pior personagem já feito da cultura pop?

Que nada!

Consigo ver porque muitos iriam detestar um personagem que não ganha muito desenvolvimento exceto ser um pateta com voz engraçada durante o filme (o que torna o momento em que ele é eleito general dos Gungas bem ridículo para uma situação séria).

Mas, ao contrário vários outros alívios cômicos chatos, Jar Jar pelo menos tem importância para história em geral. 

É graças a ele que os Jedi conhecem  os Gungas, uma civilização que vive nas águas de Naboo, porém tem preconceito com os outros habitantes, demonstrando como aquela sociedade estava vulnerável por questões reais como separação e tensão racial. 



Depois, em suas cenas com Padme, é Jar Jar que revela o lado guerreiro de seu povo, dando a ideia pra ela , no final, pedir ajuda aos Gungas para enfrentar a Federação de Comércio, criando paz entre eles e o resto de Naboo, mostrando como união entre espécies contribui para se opor a ditadura e opressão.



Então é isso! Qual a opinião de vocês quanto Episódio I - Ameaça Fantasma? Concordam com os pontos que trouxe ou pensam diferente? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.