E finalmente estreou na Prime Video a série Spider Noir, estrelada por Nicolas Cage, que é nada mais nada menos que a adaptação da HQ do Homem-Aranha Noir da Marvel, uma versão alternativa do herói que vive no universo 90214, mas conhecido como “Universo Noir”.
Ao contrário do Aranha Noir dos quadrinhos, que é Peter Parker, a versão da série é Ben Reilly. Para quem não conhece o personagem nas HQs, ele é o clone de Peter criado pelo doutor Miles Warren, o Chacal. Nos anos 90, ele foi o protagonista da malfadada Saga do Clone, em que se tornou o Aranha Escarlate e, posteriormente, substituiu Peter como o Aranha. Ben Reilly é um personagem bem zoado, na verdade, considerado um dos chorumes dos anos 90. Algum tempo atrás, a Marvel quis fazer dele um vilão, e ele assumiu a identidade do Chacal. É praticamente um personagem irredimível.
No entanto, entendo por
que o Aranha da série não pode ser o Peter, pois ele é conhecido por ser juvenil,
e o personagem de Nicolas Cage já é um homem de meia idade. O próprio Cage já
está meio velhinho, com 62 anos, na terceira idade. Se fosse para interpretar o
Peter, Cage teria de ter feito isso nos anos 80, quando era mais novo, apesar
de que ele não tem cara de Peter Parker. Se bem que até Michael Jackson quase
interpretou o Aranha. Por pouco que ele não comprou a Marvel só para fazer o
papel do herói em um filme. Nos quadrinhos, Ben Reilly tem a mesma idade de
Peter, mas o grande público nem sabe quem ele é. Então tudo bem a versão da
série ser mais velha, até mesmo porque a única coisa que o Bem Reilly da série
tem em comum com o das HQs é o nome, mais porra nenhuma. É praticamente outro
personagem.
Podemos dizer que a
própria carreira de Nicolas Cage é acidentada, pois começou como um astro de cinema
promissor nos anos 80 em filmes como Birdy – Asas da Liberdade ou Feitiço
da Lua até ganhar o Oscar por Despedida em Las Vegas e fazer vários
filmes de sucesso nos anos 90, como Con Air, A Outra Face, Olhos
de Serpente, Oito Milímetros e outros. Porém, durante mais de uma
década, Cage atuou em vários filmes B, fazendo um monte de bosta, porque estava
endividado, devendo até as cuecas, e passou por uma fase bem decadente. Nos últimos
anos, ele voltou a ficar mais em evidência, graças a filmes como O Peso do
Talento, Pig, Longlegs, entre outros.
Vale dizer que Cage
inclusive é produtor da série, e, até onde vi, ele está atuando bem. Está
fazendo uma atuação mais contida, e não tão exagerada como ele costuma fazer.
Cage é conhecido pela atuação overwhelmed de seus personagens; tentaram
fazer dele um galã, mas ele ficou mais conhecido por fazer personagens doidos e
pelas expressões e olhares maníacos. Em Spider Noir, seu Ben Reilly é um
cara que tem traumas e é perturbado, mas a atuação de Cage está mais sóbria,
interpretando um cara bem cínico.
Quanto à série, já dá
para dizer que ela é uma das melhores séries baseadas em quadrinhos já feita, o
que não é grande coisa, uma vez que a grande maioria das séries baseadas em HQs
de super-heróis é horrível, um monte de fezes. São realmente bem poucas as
séries de super-heróis que são boas, e Spider Noir faz parte desse
seleto grupo. A reconstituição cenográfica dos anos 1930 é primorosa, e a série
é tecnicamente muito bem dirigida. Você pode optar por assistir à série na
versão colorida ou preto e branco noir.
No enredo, Ben Reilly vive
como um detetive particular decadente e falindo, porém no passado foi o combatente
do crime conhecido como o Aranha. No entanto, após a morte de sua namorada, Ruby,
Ben aposentou-se da vida de heroísmo e quis ser apenas um detetive, uma pessoa
comum, apesar de ainda ter seus poderes. Ele tem como secretária Janet (Karen
Rodriguez) e como amigo Robbie Robertson (Lamorne Morris). No universo 616,
Robbie é o braço direito do J. J. Jameson e provavelmente sabe que Peter é o
Aranha, mas isso fica implícito. Na série, Robbie abertamente conhece o passado
de Ben como Aranha.
Ben é contratado pelo gângster Cabelo de Prata,
interpretado pelo excelente ator veterano Brendan Gleeson, para encontrar Jimmy
Addison, que tentou assassinar o chefão do crime. Porém, Adisson revela ter
poderes de emitir chamas, sendo a versão noir do Magma, um dos vilões classe
C do Aranha, sendo inclusive irmão de Liz Allen. O próprio Cabelo de Prata é
outro vilão da galeria B do aracnídeo nos quadrinhos. Adisson acaba sendo morto
por outro detetive, Donegal.
Após isso Ben é contratado
por um marido corno para descobrir com quem sua mulher está lhe botando chifre.
E a mulher é Cat Hardy, a versão noir de de Felicia Hardy, a Gata Negra,
que na série sofreu race swap e virou chinesa, sendo interpretada por Li
Jun Li. Também existe a versão noir de Felicia, que depois ficou com a
cara toda cortada e desfigurada.
Ben descobre que a tal Cat Hardy está em um enrosco com o prefeito de Nova York. Quando o prefeito tenta agredi-la, seu lado heroico e cavalheiresco fala mais alto, e Ben usa sua teia para impedi-lo. Todavia, Janet sugere que ele pode chantageá-la com os negativos das fotos. Ben consegue falar com Cat no clube em que ela canta, mas ela manda seu leão-de-chácara e amante, Flint Marko, o Homem-Areia, atrás de Ben. Depois de uma luta em que ambos revelam seus poderes, Ben desiste de chantagear Cat, provando que ainda tem um pouco de decência, e entrega os negativos.
O detetive Donegal, por
sua vez, tenta chantagear o Cabelo de Prata, que não sabe que o Magma está
morto, mas acaba torturado e tendo a garganta cortada. E agora o gângster está
atrás de Ben. Cat também aparece no escritório de Ben, dessa vez para o contratar,
porque Marko também desapareceu.
Enfim, esse primeiro
episódio de Spider Noir me fez querer assistir ao resto da série. Vale
dizer que a série não é para crianças, porque há umas cenas de violência mais
explícitas. A cena mais violenta do episódio é a do Cabelo de Prata degolando
Donegal. Tanto que a censura da série é 16 anos, um tanto alta para uma série
do Aranha. Entretanto, até mesmo nas HQs, as histórias do Aranha Noir são mais
violentas e pesadas que as do Aranha tradicional. E o universo noir é
mais sujo, corrupto e sombrio mesmo. Então, meio que misturaram o Aranha com o
Batman nessa série, basicamente.
Ainda assistirei ao
restante dos episódios e, quando fazê-lo, farei um review completo da
série, que é desde já uma das melhores séries baseadas em HQs, uma grata
surpresa, que, a bem da verdade, ninguém esperava.






















