Retrospectiva Melhores histórias do Lanterna Verde (Era de Bronze)

 


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Retrospectiva Melhores histórias do Lanterna Verde (Era de Prata)

Quando foi anunciado que a série dos Lanternas do DCU iria ser um um buddy-cop estilo “Law & Order”, se passando na Terra, muitos fãs torceram o nariz. Afinal, Lanterna Verde é um personagem muito associado com o lado cósmico da DC. Querer pegar esse personagem e mantê-lo no planeta para uma limitação ao potencial do personagem.



No entanto, essas críticas, embora compreensíveis, demonstram uma limitação por parte dos fãs, pois o Lanterna Verde já teve fases mais pé-no-chão, onde o personagem ficava dividido entre seu planeta natal e seus deveres no espaço. O período mais marcado por esses tipos de história foi a Era de Bronze.

Tendo começado no final da década de 60, a Era de Bronze, foi um período quando os quadrinhos de super herói começaram a afastar da inocência que eles tinham da Era de Prata e passaram aborda tópicos bem menos restritos e próximos da realidade.



Vale destacar que os anos 70 foi um período de desilusão na América. Figuras como Martin Luther King e o presidente Kennedy tinham sido mortas, o país tinha perdido a guerra do Vietnã, teve o escândalo de Watergate, etc...




Esses eventos agiram como um choque de realidade para a visão simplista que o público tinha do “sonho americano”, dando-lhe uma consciência maior quanto aos problemas que aconteciam no próprio país. Como arte reflete a realidade, a cultura pop também abordou essas questões políticas e sociais em seu conteúdo. 



No caso dos quadrinhos da DC, os super heróis, que antes eram esses símbolos perfeitos e infalíveis, se tornaram figuras bem mais humanas, sofrendo perdas e lidando com problemas que não podiam resolver facilmente, além dilemas que lhes faziam questionar seu lugar no mundo.




Mas onde o Lanterna Verde entra nisso tudo? Como que a DC conseguiu pegar um herói espacial e aplicar esse tipo de história mais “realista”?

Como resposta a essas perguntas, nesse texto eu irei falar das melhores histórias do Lanterna Verde na Era de Bronze e a forma como a editora conseguiu desenvolver sua mitologia, ao mesmo em que humanizou o personagem. Vamos lá!

 

Nenhum mal escapará minha visão



- Leitura: Green Lantern & Green Arrow nº76

Uma das duplas criativas a deixar uma grande marca nas hqs do Lanterna foram o Dennis O’Neil e o artista Neal Adams. Tendo assumido a revista do herói na 76ª edição, eles realizaram uma grande mudança, fazendo o Lanterna dividir o titulo com outro herói da DC, um que se tornaria outra figura importante em suas histórias, o Arqueiro Verde.

Nessa primeira aventura juntas, Hal faz uma viagem a Star City, onde ele vê um rapaz agredindo um empresário. Naturalmente o Lanterna intervém protegendo o homem, porém, ao invés de ser recebido com agradecimentos, ele vira alvo de latas e pedradas da população. Confuso com essa reação, Hal é confrontado pelo Arqueiro, que explica que o homem que ele salvou é um corrupto que pretende demolir um prédio velho, sem se importar com os pobres que moram lá.



Depois de falhar em convencer o empresário a cancelar seu plano de demolir o prédio, Hal recebe uma ordem dos guardiões de cuidar de problemas no espaço. No entanto, ao saber que o Arqueiro também falhou em encontrar provas contra o corrupto, Hal decide ajuda-lo e juntos conseguem garantir a prisão do empresário por tentativa de assassinato. A desobediência de Hal é criticada pelos Guardiões, porém Oliver se opõe, convencendo os guardiões a enviarem um representante para vir com eles numa viagem pela América e ver os problemas que o mundo deles está passando.



Maioria conhece essa história por reinventar o Arqueiro Verde, transformando de um Batman com flechas num esquerdista que lida com problemas sociais. Porém acabam ignoram o arco do Hal Jordan. Até esse ponto, Hal era mostrado sendo um piloto charmoso, mas dedicado ao seu dever, que seguia as ordens dos guardiões sem questionamento. Nessa história é mostrado Hal percebendo o quão prejudicial essa atitude pode ser, fazendo perder conexão com a humanidade que ele deveria proteger, além de cego aos erros dos guardiões. 



Isso fato, combinando com o antagonismo representado pelo empresário corrupto, contribui para a forte mensagem sobre a importância de ser independente e crítico em relação as instituições e aqueles que as representam, uma lição que continua sendo relevante até os dias de hoje.

 

Jornada a desolação



- Leitura: Green Lantern & Green Arrow nº77

Um argumento que muitos podem ter contra a ideia do Lanterna ter aventuras na Terra e enfrentando criminosos comuns e figuras de autoridade corruptas é que o herói é poderoso demais, que esses vilões não representam desafio algum para um homem capaz de conjurar o que desejar com seu anel. Esse detalhe não passou despercebido por Dennis O’Neil e Neal Adams, que logo tocaram nesse assunto em sua história envolvendo os heróis de verde.

Durante sua jornadas pelo interior dos Estados Unidos, Hal, Oliver e o guardião Appa, são atacados por um grupo de trabalhadores. Após um breve conflito, os heróis questionam seus atacantes, descobrindo que essas pessoas são habitantes de uma cidadezinha governada por Slaper Soames, um proprietário de terra que oprime os moradores. Quando o cantor Johnny Walden ter começado a inspirar o povo a lutar por seus direitos, Soames o prendeu e o condenou a forca, levando os trabalhadores a formarem uma rebelião.



Percebendo seu mal-entendido, Hal e Oliver decidem ajudar os trabalhadores a libertar Walden e derrubar Soames. No entanto durante o ataque, não só o corrupto revela ter armadilhas e homens bem armados protegendo a prisão, como também Hal começa a ter dificuldade de usar seu anel, devido a sua crise ideológica, deixando mais vulnerável diante bandidos com simples pistolas.



Ver o Lanterna Verde incapaz de usar seu anel não era novidade nenhuma. Porém, o que torna esse caso especial é a causa do problema não vir de algum aparelho de um vilão, mas sim de uma dúvida interna, o que surpreendente para um personagem conhecido por sua força de vontade, mostrando como suas experiências recentes afetaram sua visão no mundo e em si mesmo. É apenas quando Hal percebe que o Arqueiro está preste a ser executado que ele consegue recuperar seu foco, provando como sua prioridade é sempre o bem estar dos outros.

 


 


 

Pássaros da neve não voam



- Leitura: Green Lantern & Green Arrow nº85 e 86

Sem dúvida esse era o arco que muitos estavam esperando eu citar nessa lista, considerando sua importância não só para os personagens envolvidos mas também para os quadrinhos.

Para aqueles que não sabem “Pássaros da neve não voam” é um pequeno arco que gira em torno do Lanterna e o Arqueiro lidando com traficantes de heroína, cujas armas são flechas similares as de Oliver. Ao investigarem isso mais a fundo, os dois acabam se reencontrando com Roy Harper, Speedy (ou como conhecido no Brasil, Ricardito) e assumem que ele Arqueiro está infiltrado na gangue.



No entanto, a realidade foi bem mais sombria, pois Oliver acaba descobrindo que seu parceiro é um viciado, tendo desenvolvido esse hábito após se sentir abandonado por seu mentor. Enfurecido, Oliver expulsa Roy de sua casa e sai em busca do responsável por essas drogas na região, enquanto Hal e a Canário tentam ajudar Roy a lidar com esse vício.



Muita gente conhece essa história pelo impacto que tem na vida do Arqueiro Verde e por ser um dos exemplos dos quadrinhos perdendo as limitações que tinham devido a censura. Mas, eu sinto que esse arco também importante para o Hal Jordan. Enquanto essa fase do Dennis O’Neil e Neal Adams começou com Jordan estando cheio de dúvidas, enquanto Oliver agia como a consciência, nesse arco a dinâmica dos dois inverte, com Oliver tendo que confrontar as consequências por ter negligenciado seu pupilo enquanto Hal é quem age como o homem responsável, buscando entender e ajudar Roy ao invés de puni-lo.

 



Temam meu poder



- Leitura: Green Lantern & Green Arrow nº87

Embora Hal Jordan seja o Lanterna principal em várias das hqs, maioria do público provavelmente é mais familiarizada com outro nome que carregou o título do Lanterna Verde: John Stewart.

O personagem é mais conhecido por suas aparições no desenho icônico da Liga da Justiça Sem Limites mas sua estreia nas hqs aconteceu décadas antes.

Ele foi introduzido como um candidato escolhido pelos guardiões para substituir Hal Jordan, enquanto este estava tendo suas aventuras com o Arqueiro Verde (obs: na época Guy Gardner tinha sofrido um acidente e ficou em coma, logo não pode assumir o manto ainda).



Encarregado pelos guardiões de observar seu substituto, Hal se tornaria parceiro e meio que um mentor para John em seu primeiro dia como Lanterna.  Durante uma patrulha, Hal e John impedem uma tentativa de assassinato de um político. Devido a atitude racista do homem, John demonstra atitude desrespeitosa, fazendo-o entrar em argumento com Hal, que acredita que seu substituto é incapaz de de deixar seus sentimentos pessoais de lado, em nome do dever. 



Entretanto o Lanterna logo vem a se surpreender, quando John desmascara o politico, expondo o esquema dele de ter contratado o assassino para se fazer de mártir e promove sua campanha contra os afro-americanos.  No final, John ensinou a Hal uma valiosa lição de humildade.




A lenda do Arqueiro Verde



- Leitura: Green Lantern & Green Arrow nº92

Durante uma batalha no espaço entre Hal e Oliver contra Sinestro, os três acabam sendo pegos pela Distorção Prateada, um fenômeno cósmico que os teletransporta para um mundo medieval. Enquanto exploram o local, os três acabam salvando a vida de uma jovem chamada Marion de um grupo de cavaleiros. Ela explica que o reino é controlado pelo tirando príncipe Yan, que construiu uma torre que neutraliza qualquer forma de energia. Já que essa invenção afeta seus anéis, Hal e Sinestro formam uma aliança temporária para libertar o reino de Yan e voltar para casa.



Essa é uma história muito criativa, que se inspira em clássicos como Robin Hood, ao mesmo tempo que combina com conceitos sci-fy, tornando a experiência bem mais divertida.

Porém, o maior destaque é a trégua entre Hal e Sinestro, marcando a primeira vez que os dois inimigos deixaram suas diferenças de lado por um objetivo em comum, algo que se tornará mais recorrente conforme veremos no futuro dessa retrospectiva.




Nenhum homem escapa dos Caçadores



- Leitura: Justice League of America vol.1 nº140 e 141

Um assunto que é explorado em histórias de super herói é o conceito de poder e responsabilidade que eles exigem. Super heróis podem serem encarregados de protegerem os inocentes, mas eles ainda assim são humanos falidos, capazes de cometer erros. Isso se aplica ao Lanterna Verde, que é tanto um herói quanto um membro de uma policia espacial.

Porém, nesse pequeno arco, é mostrado Jordan sendo colocado diante a lei que ele tanto defendeu, quando, durante uma missão no espaço, ele acaba acidentalmente causando a destruição do planeta Orinda. 



Acusado de ter matado vários habitantes, o arrasado Hal Jordan foi preso pelos Caçadores, um grupo de oficiais da lei também encarregados de manter justiça no universo, para ser julgado e punido por seu crime. Porém, quando a Liga da Justiça começa sua investigação para limpar o nome de seu colega, eles vão descobrindo que o ocorrido foi parte de uma cilada armada pelos Caçadores para destruir a imagem da Tropa dos Lanternas Verdes.

Quem cresceu assistindo o desenho da Liga da Justiça, provavelmente percebeu que essa história foi a inspiração para o episódio de duas partes “Na noite mais densa” (1ª temporada episódios 4 e 5), só trocando o Hal pelo John. 



Ambos seguem uma trama similar, mas o quadrinho é a versão superior devido ao arco emocional do Hal Jordan. Por ser um herói confiante e destemido, vê-lo tão deprimido diante um erro que ele cometeu dá aos leitores uma visão do impacto que seu suposto erro teve, o que faz a Liga ser mostrada de forma bem simpática pelo fato deles acreditarem na inocência de seu colega, quando o próprio parece ter perdido sua esperança.



Esse arco é também importante pela integração dos Caçadores, personagens obscuros da DC, na mitologia do Lanterna Verde, com a revelação de que eles são androides criados pelos guardiões antes da Tropa dos Lanternas Verdes.




 

 

A guerra Qward-Oa



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº123 a 127

Em sua primeira aparição, foi estabelecido que os Armeiros de Qward tinham uma obsessão pelo Lanterna Verde e todos que usassem baterias energéticas como a dele, mas seus objetivos nunca foram explicados.

Uma década depois, as razões deles são exploradas na épica saga da “Guerra Qward-OA”, onde Hal Jordan, durante uma caçada ao Sinestro, acaba entrando mais uma vez no universo de Qward, descobrindo que os Armeiros criaram uma armada e iniciaram um ataque secreto a OA, prendendo os guardiões e capturando a Grande Bateria Central, que eles planejam converte numa arma em suas conquistas pelo universo. 




Ao tentar voltar para seu universo, Hal acaba ficando preso junto dos guardiões na Grande Bateria. Porém, com a ajuda dos pequenos homens azuis, ele consegue enviar um chamado para todos os Lanternas, dando inicio a um confronto feroz entre a tropa dos Lanternas Verdes e os Armeiros de Qward.

É graças a vinda de seus colegas, mais uma aliança temporária com Sinestro, que Hal consegue derrotar os Armeiros, garantindo a vitória da Tropa dos Lanternas Verdes. No entanto, no ultimo quadrinho, o herói expressa seu luto diante os vários que morreram naquela batalha.




Doutor Polaris conquista o universo



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº133 a 135

O maior teste de um herói é como reage diante grandes perdas e consegue se reconstruir a partir dessas experiências. Com Hal Jordan, um dos maiores casos desses que ele passou foi nessa trilogia, onde ele se reencontra com o Doutor Polaris.

Tendo usado seus poderes para convocar Hal até o polo norte, o vilão pede a ajuda do Lanterna para liberta-lo de um campo que o imbolizou. Quando o Lanterna faz isso, o vilão o trai, revelando como seus poderes magnéticos o tornaram insano. Com o herói sob sua mercê, Polaris rouba o anel e a bateria de Jordan, deixando-o para morrer congelado no Polo Norte, enquanto ele volta para Coast City e domina a maioria dos habitantes.



No entanto, mesmo sem seu anel e tendo perdido sua visão com o frio, Hal não desiste e consegue voltar para Coast City a tempo de confrontar Polaris e impedi-lo de absorver o “núcleo magnético” do universo.



Após ler esse arco, fica claro para qualquer leitor o porquê do Hal Jordan ser considerado o melhor Lanterna de todos e um modelo que muitos se inspiram.

 

Eclipso Total



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº138 e 139

Um conflito divertido entre é heróis e vilões é quanto ambos oponentes possuem poderes opostos um do outro (ex: fogo vs gelo, força vs inteligência). Em Eclipso Total o foco é duelo do Lanterna Verde contra o vilão que manipula a escuridão, Eclipsor.

Sendo alter-ego maligno do doutor Bruce Gordon, um conhecido de Hal e Carol,  o vilão mais uma vez assume o controle do doutor e usa seu acesso a Ferris Aerounáutica para assumir controle de um satélite para bloquear o sol.



Tendo que enfrentar vários seres negativos criados pelo poder do vilão, incluindo uma cópia de si mesmo, Hal consegue chegar até o satélite, descobrindo que o plano de Eclipso era de usar a energia solar para destruir sua personalidade de Bruce Gordon. No entanto, o herói consegue sabotar seu plano, fazendo com que o vilão e Gordon se dividissem em dois seres, permitindo Hal salvar Gordon, enquanto Eclipso é sugado pelo vácuo do espaço, livrando o mundo de sua ameaça. É um final irônico para um vilão que finalmente tinha conseguido se livrar de sua outra personalidade.



 

Desafio/Derrota/Triunfo



- Leitura: Tales of Green Lantern Corps vol.1 nº1 a 3

Uma das histórias mais conhecidas do Lanterna é a “Noite Mais densa”, a épica saga onde o Lanterna e os heróis da DC enfrentam Nekron, a personificação da morte, e seu exército de lanternas zumbis.  



No entanto, o que alguns talvez não saibam é que aquela não foi a primeira vez que o Lanterna enfrentou os morto-vivos. Décadas antes disso, Mike W. Bar e Len Wein fizeram essa breve mas divertida trilogia onde Hal e a Tropa dos Lanternas são reunidos pelos guardiões para enfrentarem Krona, o guardião renegado, que ressuscitou como um arauto de Nekron, buscando provocar um novo big bang, destruindo toda a vida no universo.




É comum haver comparações entre esse arco e Noite Mais densa, com a última tendo uma execução melhor do conceito, visto sua escala maior (envolvendo tanto os lanternas quanto os outros heróis da DC) e a construção feita durante a fase de Geoff Johns. Mas, mesmo com esses detalhes, não tira o fato que a trilogia de Barr e Wein também é uma aventura bem épica, com vários membros da Tropa tendo momentos de destaque, principalmente o Hal Jordan, que assume uma posição de líder durante o conflito, mostrando o quanto ele evoluiu desde a Era de Prata.



Também preciso citar o grande clímax, onde Hal enfrenta Nekron no Além, conseguindo escapar da morte com a ajuda das almas dos Lanternas que faleceram. 

 




Amanhecer dourado...morte dourada



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº144 a 147

Uma das desvantagens das histórias atuais do Lanterna Verde terem focado mais no lado cósmico da DC é que muitos vilões terrestres do Lanterna acabaram sendo deixados de lado. Um dos mais prejudicados por isso foi Goldface.

Originalmente introduzido como um jovem rebelde que se tornou um vilão após um acidente com químicos ter lhe dado super-força e uma pele dourada (tornando-o imune ao anel do Lanterna), o personagem recebeu um upgrade em sua segunda aparição: Ao invés de roubar bancos, Goldface se tornou um chefe criminoso, que aos poucos, estaria expandindo sua influência sobre o crime organizado.



Quando o Lanterna descobre sobre esse esquema, em sua impulsividade, ele confronta Goldface em sua mansão. O ataque termina de forma desastrosa com o herói, por não ter provas contra Goldface e seu associados, sendo preso por invasão e agressão.



Embora consiga sobreviver a uma tentativa de assassinato na prisão e, logo depois, conseguir sua liberdade, Hal fica proibido por lei em interferir nos negócios de Goldface.

É uma pena que o personagem do Goldface tenha sido deixado de lado por autores atuais, visto que esse arco demonstrou que ele tinha muito potencial para ser o Rei do Crime/Lex Luthor do Lanterna Verde.

 

De Qward com ódio



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº148 a 150

Falando na transição do Lanterna Verde de um herói da Terra para um cenário espacial, esse é o assunto tratado no seguinte arco “De Qward com ódio”.

Devido aos vários problemas que eles estava tendo em sua vida pessoal, Hal Jordan acaba ignorando o pedido de ajuda de Ungara (o planeta de seu antecessor, Abin Sur). Descontentes com a atitude de Hal Jordan, os guardiões o convocam até OA, criticando Hal por estar priorizando seus problemas pessoais acima de seus deveres como Lanterna Verde. Diante desse argumento, Hal declara que ajudar Ungara será sua última missão e, depois disso, ele iria renunciar seu cargo de Lanterna Verde.



Entretanto, a missão de Hal acaba tomando uma direção inesperada quando ele é capturado pelos Armeiros de Qward, que tentam se aproveitar do desentendimento entre Hal e os guardiões para convencer o Lanterna a se tornar o líder de sua nova criação: A tropa dos Anti-Lanternas Verdes, soldados geneticamente alterados e armados com anéis energizados por anti-matéria (sim, esse conceito de outra tropa de Lanternas surgiu muito antes do Geoff Johns).



Ver o conflito dos Lanterna Verdes contra os Lanternas de Qward é divertido, porém a parte mais interessante desse arco é o diálogo entre Hal Jordan e os guardiões. Se o arco com Arqueiro Verde foi sobre Hal vendo a importância de se preocupar com os problemas na Terra, “De Qward com ódio” mostra um contra-argumento, com os Guardiões apontando a responsabilidade que Jordan tem para com os outros planetas além da Terra. É um debate complexo sobre as prioridades de um herói e onde se encontra a linha entre desejos pessoais e dever.

 

 

A escolha



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº153

Com o destaque que a Tropa dos Lanternas Verdes tem recebido nesse período, a DC começou a dedicar histórias secundárias para seus integrantes, seguindo um formato antológico, apresentando os leitores a cada membro da Tropa em uma específica aventura.

Uma das primeiras a ser citada na lista é “Escolha”, cuja protagonista é Jeryll, Lanterna Verde do setor 55. Sendo nativa do planeta Glirell, onde os habitantes são pacifistas e rejeitam qualquer violência, Jeryll se via dividida entre os costumes de seu povo e seu dever como uma Lanterna. Quando uma frota Drelite invade seu planeta, ela é forçada a confrontar esse dilema, sabendo que, se decidir lutar irá resultar em seu banimento. É só quando vê os habitantes de seu planeta preste a ceder a violência que Jeryll reconhece que não pode se manter indecisa. Sendo assim, ela usa o poder de seu anel para afugenta os invasores. Embora seu povo ainda a aceite, Jeryll escolhe deixar Glirell, ciente de como ela sentiu prazer na batalha, tornando incapaz de conviver com um povo tão pacífico.

 



Com esse anel, eu te julgarei



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº154 e 155

Só porque Lanterna Verde tem histórias no espaço, não significa que elas sejam privadas de mensagens complexas da realidade para leitores.

Em “Com esse anel, eu te julgarei”, Hal Jordan conhece um novo membro da Tropa, Dalor, Lanterna do planeta Timron.  



Embora aparente ser um Lanterna simpático, Hal acaba se revoltando com Dalor após saber que ele tem recebido recompensas em ouro por seu trabalho como Lanterna. Sendo acusado por Hal de desgraçar os princípios da Tropa, Dalor é forçado pelos guardiões a realizar um teste para provar sua inocência.



Enquanto Dalor realiza o teste, Hal é enviado pelos Guardiões até Timron, onde ele descobre que receber presentes de ouro é um costume diário entre os habitantes. 



Reconhecendo seu erro, Hal salva a vida de Dalor e se desculpa por sua atitude inicial. No final, Hal aprendeu uma grande lição, de que ser um Lanterna se trata também de conhecer e respeitar a cultura de outros integrantes e suas civilizações.

 

Não há sepultura como a casa



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº157

Um dos vilões do Lanterna que não cheguei a citar no capítulo anterior foi Hector Hammond. Ele era um esnobe bilionário que se expôs a um meteorito para evoluir num ser com super inteligência e poderes mentais. No entanto, a radiação veio com um preço, com Hector ficando com uma cabeça gigante e, eventualmente, incapaz de se mover. Porém, isso não impediu de tentar encontrar formas de se vingar do Lanterna.

Em “Não há sepultara como a casa”, o gênio do mal usa seus poderes mentais para fazer o Lanterna destruir um meteoro, resultando em um dos fragmento caindo na Terra, bem perto da cela de Hector. 




Banhado por seus raios, Hector consegue recuperar sua mobilização e escapa. Viajando pelo espaço ele encontra seu inimigo e os dois travam um intenso duelo.



Para o azar de Hector, ele descobre que a energia que recebeu não o fortaleceu, mas sim o está, aos poucos, curando sua mutação. Quanto mais ele usa seu poder, mais ele voltando a ser um humano normal. Se recusando a abrir mão de seu poder, Hector desiste de sua mobilidade e volta para sua cela.

Essa conclusão não só dá um aspecto trágico para Hector, como cria um perfeito contraste entre ele e Hal: Enquanto o vilão é um homem que desejava o poder e conhecimento, o herói deseja apenas cumprir com suas missões no espaço para voltar para a Terra e seus amigos.

 


 

 

O bárbaro



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº164

Já imaginou o que seria acordar um dia e, de repente, percebe que está num mundo completamente diferente?

Isso resume o que acontece com Hal nessa história. Do nada, ele desperta num mundo de fantasia e magia, onde ele é o bárbaro Haljor e foi escolhido pelo rei  Caarl para resgatar sua filha, a princesa Caarol, do castelo de Guardoon, o mago de três cabeças. 

Conforme Haljor vai prosseguindo nessa jornada fantástica, ele começa a perceber que tem algo estranho com a realidade a sua volta. Será que esse mundo é real, ou apenas parte de um esquema maior?



Ler esse quadrinho é como assistir um episódio do Além da Imaginação. É divertido ver o Lanterna, um herói cósmico, sendo colocado num cenário de sword & magic, mas o roteiro nunca deixa o leitor se esquecer de um mistério sendo contruido no background, fazendo eles ficarem tão curiosos quando o Hal Jordan sobre esse mundo de fantasia.

 

A maldição de Krystayl



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº165

Quando um monstro do planeta Krystayl, uma criatura com corpo cristalizado capaz de absorver qualquer um que toca, desperta na Terra, os guardiões reconhecem que o planeta irá precisar da ajuda do Lanterna Verde. Mas, como Hal está ocupado em seu exílio no espaço, os guardiões decidem contatar o substituito: John Stewart. Visto a inexperiência de John como Lanterna, os guardiões orientam o arquiteto a procurar o Arqueiro Verde, para juntos conseguirem salvar a cidade do monstro de cristal.



A parte divertida dessa história são as interações entre John e Oliver, que age como um mentor para o novo Lanterna, ajudando a abraçar seu potencial e se acostumar com sua vida como um super herói.  

 

Dia do desastre



- Leitura: Green Lantern vol.2 nº182 e 183

Nas histórias que citei até agora John Stewart, apesar de suas habilidades demonstradas, ainda tem agido sob a supervisão de outro herói, como Hal Jordan ou Arqueiro Verde. No entanto, cedo ou tarde, chegaria um momento em que ele teria que se virar por conta própria.

Esse grande desafio veio após Hal Jordan ter se demitido da Tropa. Com o cargo aberto, os Guardiões decidiram entregar o anel para John Stewart, tornando-o oficialmente o novo Lanterna do setor 2814. Como primeiro teste, John fica encarregado de enfrentar o Major Desastre, que exige enfrentar o Lanterna Verde original ou destruirá a represa de Coast City.



Já de cara a história coloca John diante um grande desafio, envolvendo não só derrotar o Major Desastre (que eu achei um vilão bem divertido), mas também lidar com a ansiedade de ser o novo Lanterna e as expectativas que o público tem dele, o que lhe dá um drama bem relacionável.

 


Mogo não se socializa






- Leitura: Green Lantern vol.2 nº188

Se o assunto é sobre quem é o Lanterna mais popular, as respostas dos fãs variam entre Hal Jordan, John Stewart ou Kyle Rayner. Mas, se a questão é qual dos Lanternas é o mais poderoso, um dos nomes a vir na mente dos fãs é Mogo.

Mas quem é Mogo?

Conforme explicado por Toma-Re nessa breve história, Mogo é considerado um Lanterna bem poderoso, porém anti-social, que vive sozinho em um canto do espaço. Tendo ouvido falar desse lanterna lendário, o bárbaro Bolphunga vai atrás de Mogo, com o desejo de derrota-lo em combate e provar sua superioridade como um guerreiro. Sua busca o leva até um planeta, onde ele passa semanas procurando em vão por Mogo. É apenas quando Bolphunga deduz a identidade do Lanterna que Mogo inicia seu contra-ataque, fazendo o guerreiro fugir apavorado.



Quem conhece o personagem, sabe muito como essa história termina. Quem não sabe, eu não irei revelar, mas posso garantir... é um dos melhores twists nas histórias quadrinhos.

 

Sonhos verdes e preciosas ilusões



- Leitura: Infinity Inc. Annual 01

Ao mesmo tempo em Hal Jordan tinha suas aventuras com Tropa dos Lanternas Verdes e a Liga da Justiça, Alan Scott tinha voltado a ativa na Terra 2, tendo aparições nas revistas da Sociedade da Justiça (intitulada All Star Squadron) e Corporação Infinito. Durante essas histórias, Alan conheceu dois jovens super-humanos, Jade (Jennifer-Lynn Hayden) e Obsidian (Todd Rice), que acreditavam que Alan era seu pai biológico.

A confirmação disso veio em “Sonhos Verdes e preciosas ilusões”, quando Alan é atacado em seu apartamento pela vilã Espinho, que demonstra ter desejo de matar não só o Sentinela Verde, como também seus filhos e a Arlequim.



Depois de muita luta, a vilã consegue imobilizar Alan, estando preste a mata-lo quando, de repente, ela comete suicídio na frente dos heróis. Nessa hora a aparência dela muda e Alan reconhece sendo sua esposa Alyx Florin, que morre em seus braços.



É aí que Arlequin revela que Thorn (cujo nome verdadeiro era Rose) era vítima de uma dupla personalidade. Enquanto ela fazia tratamento na Ilha Paraíso, ela desenvolveu uma queda por Alan Scott. Assumindo a identidade de Alyx, ela se aproximou de Alan, resultando nos dois se casando. No entanto, durante a lua-de-mel, a personalidade de Thorn ressurgiu, fazendo com que Rose, para impedir que ela matasse Alan, forjasse a própria morte. Durante seu exílio, ela deu luz a Jade e Obsidian, abandonando as crianças para protege-los de sua personalidade maligna.



Apesar dessa trágica história, o final dela é encantador, com Alan aprendendo a se abrir sobre seu o luto pela perda de Rose e começar a reconstruir sua vida, se casando com a Arlequin (nessa história ela revela ser sua secretária Molly) e reconhecendo Jade e Obsidian como seus filhos. Foi uma bela conclusão para o Lanterna que começou esse legado 



Então é isso! O que acharam da lista? Para vocês quais são melhores histórias do Lanterna Verde da Era de Bronze? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.