MARVEL NOS ANOS 60 – Kirby, Ditko e Lee Parte 01 de 02 - OZYMANDIAS_REALISTA

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

MARVEL NOS ANOS 60 – Kirby, Ditko e Lee Parte 01 de 02



A morte de Steve Ditko ainda está me dando o que pensar, e principalmente repensar. Parei para reler “A História Secreta da Marvel”, e para fins de pesquisa e compartilhamento, resolvi transcrever pouco mais de 12 páginas divididas em duas postagens, usando da oportunidade, para nos voltarmos mais a Marvel nos anos 60, a forma que ela se construiu, e o que de lá para cá repercute até hoje. Tomei a liberdade de por em negrito passagens que considero chave, e buscar algumas imagens ilustrando o que texto descreve. As palavras de Sean Howe conseguem ser arqueológicas, mas sem a rigidez que os trabalhos acadêmicos veem a ter, conseguindo manter uma leitura fluída por horas. Nas linhas abaixo, o autor traça a aurora da “casa das ideias” com Quarteto-Fantástico, mostrando a progressão cronológica dos demais títulos que se tornariam ícones, ao tempo que desnuda o processo criativo por de trás destes, a relevância estrutural de Jack Kirby e Steve Ditko para toda a mitologia que conhecemos, e o marketing revolucionário de Stan Lee trazendo “A Era Marvel dos Quadrinhos!”.
-->Transcrição formatada da pág. 30 à 39 do livro “A História Secreta da Marvel – Sean Howe:

Quarteto Fantástico #01
Os editores da Men, da Male e da Stag não davam muita bola para o cara que Cuidava das “revistinhas”, solitário em sua mesa da Madison Avenue 655. Não havia mais equipe em volta de Stan Lee, só um punhado de artistas que entregava páginas finalizadas. Também as
visitas ocasionais de Stan Goldberg, desenhista de Lili, a Garota Modelo, que vinha dar pitaco na produção. “Era praticamente só eu e ele em todos os gibis da época”, disse Goldberg, referindo-se a Lee. “Jack Kirby aparecia, e se a gente não fosse se encontrar para comer ou coisa do tipo, ele voltava correndo para casa.” Os cliques e claques da máquina de escrever de Lee continuavam.

A fatídica partida de golfe de Martin Goodman aconteceu na primavera de 1961. Quando Stan Lee arregaçou as mangas e voltou a escrever super-heróis – aos 38 anos, vinte dos quais passou numa carreira que nunca lhe pareceu promissora –, ninguém deu bola. A capa de Quarteto Fantástico n. 1 era diferente de todos os títulos de super-heróis que se viam nas bancas; os protagonistas apareciam pequenos e indefesos; o fundo branco dava um aspecto de inacabado. O logotipo com a execução meio tremida parecia desenhado por uma criança. O que ele lembrava mesmo eram as revistas de monstro que Stan e Jack vinham fazendo a toque de caixa para Goodman. Aliás, aquela criatura sem nome, de pele escamada,
boca escancarada e braço direito erguido, que surgia como uma erupção na rua e ameaçava os heróis, podia ser parente de Orrgo, o Inconquistável, estrela da capa de Strange Tales n. 90, lançada no mesmo mês; os cidadãos sem equilíbrio que saíam correndo nas duas capas sentiam o mesmo pânico. O apelo desses novos heróis era incerto. “Eu não consigo ficar invisível rápido o bastante!”, gritava uma mulher de cabelos loiros bem penteados e blusa cor-de-rosa. “É hora de o Coisa dar uma mão!”, gritava uma massa alaranjada de costas para o leitor. Se você não soubesse (e não tinha como saber, na época) que o homem desengonçado em primeiro plano tinha o poder de esticar o corpo como borracha, assim como o antigo Homem-Borracha, da Quality Comics, podia imaginar que Jack Kirby nunca aprendera a desenhar cotovelos.
 
"O Cara"

Por dentro, o gibi era igualmente destrambelhado, como se a história fosse de improviso. Em certo sentido, era: nos últimos anos, Lee vinha fornecendo aos artistas apenas sinopses em vez de roteiros completos, a fim de aliviar sua carga de trabalho e evitar engarrafamento no cronograma de produção. Tendo só o argumento, muitas vezes era o artista que determinava as quebras de página e os detalhes da trama. Quando as páginas desenhadas voltavam a Lee,
ele escrevia o diálogo, às vezes encobria alguma inconsistência e por vezes mudava as intenções do artista. Com o tempo, isso viria a tornar-se um canal eficiente de sinergia criativa; naqueles primeiros dias, o resultado podia ficar desconexo.

Na página de abertura de Quarteto Fantástico n. 1, um homem de têmporas grisalhas atira com um sinalizador, o que chama a atenção de grande parte da genérica Central City, mas em particular de três pessoas: a patricinha Susan Storm, que fica invisível e sai sorrateiramente de seu chá vespertino; uma figura anônima que descarta sobretudo, óculos de sol e chapéu antes de sair correndo de uma loja para Homens Grandes, revelando que é um colosso alaranjado e meio barrento; e o adolescente Johnny Storm, irmão de Sue, que abandona seu carango num posto de gasolina ao entrar em chamas e sai voando. Eles se encontram no apartamento do primeiro homem, e passa-se a um flashback desconcertante... No quadro seguinte, os quatro estão numa reunião que aconteceu em momento prévio. Reed Richards, o homem das têmporas grisalhas, discute com um rufião chamado Benjamin Grimm a possibilidade de ele pilotar uma nave espacial. “Ben, temos de assumir o risco”, insiste Susan Storm, noiva de Richards, “senão os comunistas vão ganhar!”. E assim os quatro vão até a estação de lançamento de foguetes local e, “antes que o guarda possa detê-los”, partem rumo às estrelas. Infelizmente, eles são bombardeados por raios cósmicos e fazem um retorno de emergência à Terra. Os heróis caem na zona rural e descobrem suas novas e irradiadas fisiologias. O mais marcante nessa sequência é a sensação de terror, a ausência de prazer em tornar-se superpoderoso. “Você está sumindo!”, alguém grita para Sue enquanto seu corpo começa lentamente a desaparecer. “Ele se transformou nu-nu-numa... numa coisa!”, Sue grita diante de Ben quando ele se transforma numa massa rochosa e ocre, ataca Reed em fúria e invejosamente jura conquistar Sue. É então que ela percebe seu amado também metamorfoseado, seu corpo esticando-se loucamente. “Reed... você também! Não! Não você!” Ben é contido assim que o corpo de Johnny entra em chamas e sai voando.

"O Rei"

Assim que assimilam a transparência, a rochosidade alaranjada, o puxa-estica e a autocombustão, o futuro dos quatro está traçado. “Não precisa de discurso, mandachuva!”, Ben diz a Reed. “A gente já entendeu. Temos de usar esses poderes para ajudar a humanidade, né?” E assim nascem Garota Invisível, Coisa, Senhor Fantástico e uma nova versão do Tocha Humana. Um retorno ao momento daquele sinalizador é a deixa para uma aventura de doze páginas anticlimáticas, que envolvem usinas de energia nuclear que afundam na terra graças ao Toupeira e seu exército de “gárgulas subterrâneos” da Ilha Monstro. (Uma das criaturas é a mesma que se vê na capa da edição, mas a cidade e os transeuntes desapareceram.) É inegável o vigor da arte, mas os rugidos e rosnados dos monstros de três cabeças agora fogem ao interesse de Lee e Kirby. Ganhamos um último vislumbre das criaturas que podiam se chamar Mongu, Sporr ou Zzutak, até que um deslizamento de rochas as prende para sempre, e o Quarteto Fantástico, assim como a Marvel Comics, saem voando em direção ao futuro.


O Quarteto apareceu nas bancas em 8 de agosto de 1961, mesma semana em que a Alemanha Oriental iniciou os trabalhos no Muro de Berlim. A temática da corrida espacial não tinha como ser mais apropriada: entre concepção e publicação do gibi, os soviéticos haviam feito do cosmonauta Yuri Gagarin o primeiro homem no espaço (embora não haja relatos dos perigosos raios cósmicos). Os dados de vendas só viriam a aparecer meses depois, mas houve um surto imediato de cartas de leitores – não as reclamações usuais sobre a revista ter vindo sem os grampos, mas um público enlevado pelos personagens complexos. “Estamos tentando (talvez em vão?) chegar a um público um pouco mais velho, mais sofisticado”, escreveu Lee numa carta privada, três semanas depois. Pela primeira vez em anos, parecia que a Marvel tinha algo de especial em mãos.

Lee e Kirby fizeram o gibi evoluir a cada edição, dando ênfase aos conflitos internos da equipe disfuncional, principalmente, à melancolia imatura de Johnny Storm e à fúria e autocomiseração de Ben Grimm (seus retornos ocasionais à forma humana sempre foram passageiros, apenas uma provocação cruel frente a sua esperança de normalidade). Os tormentos eram compensados, porém, por um quartel-general secreto, cheio de artimanhas, e um automóvel voador maneiro chamado Fantasticarro. Embora eles permanecessem sem máscara (outra quebra com as convenções dos quadrinhos: as identidades deles eram abertas ao público), os quatro passaram a usar uniformes azuis e modernosos por insistência dos fãs.

Stan Goldenberg, o colorista injustamente pouco citado

“Foi Jack que lhes deu aquelas ceroulas com o ‘4’ no peito”, disse Stan Goldberg, que fazia as combinações de cores dos gibis Marvel. “Deixei o ‘4’ azul e mantive uma área branca ao redor. Aí, quando os vilões entravam – os vilões de marrom queimado, verde-escuro, púrpura, cinza, coisa assim – eles ficavam em destaque”. A explosão de heroísmo colorido sobre fundo escuro logo tornou o Quarteto Fantástico diferente de tudo nas bancas. Havia indícios imediatos – seção de cartas, tramas em aberto – de que esses personagens haviam vindo para ficar e que a Marvel estava comprometida a dar sequência àquilo por certo tempo. Quarteto Fantástico logo ganhou companhia. Goodman cancelou Teenage Romance [“romance adolescente”] para dar a vaga a O Incrível Hulk, versão Era Nuclear da premissa de O médico e o monstro, e a Marvel ganhou seu segundo título de super-heróis dos anos 1960. As fronteiras da ciência na Guerra Fria eram mais uma vez vitais à trama: o Dr. Bruce Banner prepara o teste de uma Bomba Gama para as forças armadas dos EUA quando um jovem inconsequente chamado Rick Jones entra com seu conversível no campo de testes deserto, só para cumprir uma aposta. Banner pede adiamento do teste até que Jones esteja em segurança, mas um espião comunista no laboratório dá sequência à explosão, e Banner é bombardeado por radiação. O ponto alto da trama é a sequência traumática da explosão gama: “O mundo parece parar, tremulante, à beira do infinito, quando o grito de estourar tímpanos toma conta de tudo”, escreveu Lee sobre os quadros de Kirby em que Banner aparece em estado catatônico, a boca escancarada e os olhos tomados de terror, com as horas passando e médicos tentando recuperá-lo dos confins da insanidade. Mais tarde, com o cair da noite, o corpo de Banner expande-se e fica cinza, e ele começa a destruir armas, jipes e todas as chances de ser feliz. Como Hulk, ele seria impiedosamente perseguido pelo General Thunderbolt Ross, cuja cabeça dura classificava o monstro como rebelde antiautoritário. O moderninho Rick Jones, enquanto isso, passou as primeiras edições como único amigo de Banner, trancafiando-o à noite como se fosse um bêbado violento que precisasse de vigília. Tudo virava angústia para o personagem titular, tomado de esquecimentos, medo, culpa e amor não correspondido por Betty, a filha do general. Até seria possível chamar o Hulk de super-herói, mas o que ele estava salvando? E de quem?


Kirby e Lee demarcaram mais tons no gradiente herói-vilão. Em Quarteto Fantástico n. 4, Namor, o Príncipe Submarino, reaparecia pela primeira vez desde 1954. No novo contexto, arrastando a asa para Sue Storm e ainda com ódio do restante da raça humana, Namor quase pendia para o vilanesco. A edição seguinte apresentava Victor Von Doom, antigo colega de aula de Reed Richards que, após ganhar cicatriz permanente num experimento científico, viaja ao Tibete para aprender “os segredos proibidos da magia e da feitiçaria negra” e então assume o controle de sua terra natal, a Latvéria, no Leste Europeu. Doutor Destino chegava a ser insuportável de tão afetado, mas seu comportamento altivo vinha acompanhado de uma espécie de código de honra: ele sempre mantinha a palavra. Quando Destino e Príncipe Submarino fizeram uma aliança fugaz e instável em Quarteto Fantástico n. 6, o panorama Marvel ganhou contornos mais tonalizados: os protagonistas brigando com um nervosinho dado a acessos byronianos e um arqui-inimigo faustiano. No início de 1962, enquanto Hulk e Príncipe Submarino chegavam às bancas, Lee e Kirby inventaram mais três heróis para o verão, cada um dos quais seria atração principal de um título anteriormente dedicado a monstros: Journey Into Mystery seria a casa da versão deles para Thor, o deus nórdico do trovão. No Universo Marvel, o médico manco Don Blake está de férias na Escandinávia e encontra um bastão que, quando batido contra o chão, torna-se o lendário martelo – e transforma Blake num titã cabeludo de elmo com asinhas, capaz de
Hank Pym na escuta...
controlar o clima e com um patoá de inglês arcaico cheio de deveras e parece-me. Tales to Astonish, por sua vez, seria lar do Homem-Formiga [Ant-Man], alter ego de Hank Pym, mais um cientista que a ameaça comunista conduzia ao super-heroísmo. Pym cria um soro que o encolhe até ficar com quinze centímetros e um elmo avantajado que permite que, via impulsos eletrônicos, ele controle... formigas.

Mas o terceiro personagem – que ficaria em Amazing Fantasy, a menos vendida dessas revistas – tinha problemas. Quando Lee pediu a Steve Ditko para arte-finalizar as seis primeiras páginas que Kirby havia desenhado, Ditko assinalou que o conceito – um órfão adolescente com um anel mágico que o transforma em super-herói adulto – era uma recauchutagem do Mosca, personagem com o qual Kirby já havia trabalhado na Harvey Comics, em 1959. Lee decidiu que era necessária alguma alteração. Com o prazo apertado, datilografou sinopses das histórias de Thor e Homem-Formiga e as entregou ao irmão mais novo, Larry Lieber, para desenvolver os roteiros. Então, dedicou toda a sua atenção ao personagem revisado de Amazing Fantasy. Na nova sinopse, a mordida de uma aranha radioativa substituía o anel como fonte dos poderes, e o adolescente molenga não ia mais se transformar em adulto. Em vez de entregá-lo a Jack Kirby, Lee pediu a Ditko para desenhá-lo, muito embora o estilo taciturno e quase mal-agourento de Ditko não fosse dos que exclamavam “super-herói adolescente”.




Larry Lieber


Amazing Fantasy n. 15, que traz a primeira aparição do Homem-Aranha, chegou às bancas em junho de 1962. Passava longe das convenções super-heroísticas, ainda mais que o Quarteto Fantástico. Diferente de Kirby, cujos heróis tinham a corpulência majestosa, Ditko povoou as histórias de rebeldes raquíticos e vesgos, situando o protagonista, Peter Parker, numa constelação de zombarias, dedos em riste e sobrancelhas em fúria. Na primeiríssima página, Parker – gravata, colete, óculos grandes e redondos, cabelo escovinha – é rejeitado pelos colegas que têm letras estampadas no suéter. A vida no colegial ganhava sua versão pesadelo, como se Archie, Jughead, Betty e Veronica [17] tivessem se unido contra o fracote quatro-olhos. Os amigos de Parker limitam-se aos idosos Tio Ben e Tia May, que o mimam como se fosse uma criancinha, e a sua pilha de livros. Depois de ser mordido por uma aranha de laboratório, ele ganha força e agilidade acima do normal, assim como o poder de escalar paredes (o “sentido aranha” viria mais tarde). Então, Parker entra num concurso de luta livre para tirar uns trocos. (Ele luta de máscara, pois sua insegurança adolescente ainda não sumiu – “E se eu perder? Não quero ser motivo de piada! V-vou achar um jeito de me disfarçar!” – mas tranquilamente dá cabo do oponente parrudão.) Seus feitos rendem uma participação num programa de TV, para o qual ele mesmo costura um uniforme azul e vermelho, até com teias sob os braços, insígnias de aranha no peito e nas costas e uma máscara de olhos brancos. As roupas, porém, não fazem o herói: depois da gravação, um criminoso passa por Parker nos corredores do estúdio, e ele dispensa a oportunidade de intervir. Só quer saber da sua vida – até que uma noite chega em casa e descobre que um ladrão matou o santo Tio Ben.

 
Parker, vestido de Homem-Aranha, sai à procura do ladrão, captura-o e percebe que é o mesmo criminoso que ele deixou fugir do estúdio. Abalado e tomado de culpa, ele enfim compreende seu destino. “Com grandes poderes”, a narração de Lee diz aos leitores, “vêm grandes responsabilidades!”. O melodrama grandioso era contrabalançado pela tagarelice moderninha de Lee, o incrível uniforme criado por Ditko e, mais uma vez, a paleta de cores primárias escolhidas por Stan Goldberg, que optou por uma combinação de vermelho-cereja e cobalto escuro (em contraste intencional com o azul-celeste mais vivaz do Quarteto Fantástico). Nenhuma dessas sutilezas chamou a atenção de Goodman, que cancelou Amazing Fantasy de imediato. Mas os leitores responderam com entusiasmo à edição, de forma que o personagem ganhou título próprio – O Espantoso Homem-Aranha [The Amazing Spider-Man] – no fim do ano. O mundo de Parker continuou tendo um quê de fora dos eixos: quando não estava preocupado com a saúde da Tia May ou em ganhar dinheiro para pagar as contas, seu rosto transmitia a amargura de um renegado que finalmente obteve algum poder, e olhos que diziam “vou mostrar para eles”. Peter virou fotógrafo freelancer do Clarim Diário, tirando fotos de seu alter ego em ação; apesar das ditas “grandes responsabilidades”, as primeiras aventuras do Homem-Aranha no combate ao crime eram mais guiadas pela promessa de lucro com as fotos do que outro impulso benemerente. 


(Embora essas imagens viessem a ser transformadas em propaganda contra ele pelo diretor do Clarim, J. Jonah Jameson, que lançou uma campanha contra a “ameaça pública” que era o Aranha.) Os momentos em que Parker recebe o pagamento estão entre os poucos em que Ditko o fez sorrir. Bruce Banner dava um descanso à reflexão umbiguista quando se transformava em Hulk. Mas os problemas de Peter Parker e os problemas do Homem-Aranha se unificavam, o que é evidenciado pelo rosário de balões de pensamento cheios de neuras. Depois que um mal-entendido causa uma briga com a polícia, ele corre para casa em meio a ruas abandonadas e sombrias. “Nada dá certo... (suspiro) Eu não queria ter ganhado super-poderes!” Tudo isso é equilibrado, de forma brilhante e precária, com cenas de ação acrobáticas e joviais. A forma como Ditko representava o perfil atlético era bem diferente da de Kirby, tendo mais a ver com fintas ginásticas do que socos de nocaute, mas era igualmente empolgante. O toque brilhante de Lee foi fazer Parker soltar um desfile incessante de piadas bregas quando estava de fantasia: manifestação convincente do pensamento nervoso e obsessivo, claro, mas com o efeito mais importante de dar humor à HQ. Apesar dos insultos dos colegas, da carteira vazia, da tia doente, do emprego hostil e das ameaças dos criminosos, O Espantoso Homem-Aranha ainda era muito divertido. Os super-heróis agora começavam a tomar conta dos recônditos mais estranhos e negligenciados da linha da editora. Strange Tales ganhou aventuras solo do Tocha Humana; no mesmo dia em que Linda Carter, Student Nurse [“Linda Carter, aprendiz de enfermeira”] foi substituída no cronograma por O Espantoso Homem-Aranha, a última das séries de monstro, Tales of Suspense, ganhou uma nova estrela de capa: Homem de Ferro. 
Primeira armadura, criada por Jack Kirby

Tony Stark não tinha problemas de autoestima nem dificuldade em pagar o aluguel, tampouco era tímido com as garotas. Era um industrial mulherengo, que tinha contrato com as forças armadas e usava bigode. Ferido e sequestrado por Wong-Chu, o “Tirano da Guerrilha Vermelha”, Stark recebe ordens para desenvolver uma arma para o inimigo comunista. Em vez disso, constrói uma roupa de metal que vai manter seu coração debilitado na ativa, e também servir de armadura para sua fuga. Kirby inventou um amontoado cinza, redondo e desengonçado; quando Don Heck desenhou a história, a armadura foi equipada com ventosas, jatos, imãs movidos a transistores e brocas, embora ainda não tivesse apelo estético. Steve Ditko posteriormente viria a simplificar a armadura, e o esquema cromático baseado em vermelho e amarelo melhoraria em muito o visual. O personagem de Tony Stark também evoluiria, mas até então seu problema mais envolvente era ser um playboy hipersexualizado que “nunca pode aparecer de peito nu” por conta da chapa mecânica sobre o coração. Don Heck virou desenhista regular do Homem de Ferro; Kirby estava sem tempo. “O pobre coitado tem só duas mãos, e só desenha com uma!”, Lee escreveu a um fã. “Gosto de colocá-lo para lançar quantas atrações forem possíveis, para saírem com o pé direito. Mas, por questões práticas, ele não consegue dar conta de tudo. Aliás, às vezes eu me pergunto como ele consegue dar conta de tudo o que já tem”.
 
Visual convencional, criado por Steve Ditko

“Daqui em diante, chega dessa patacoada de ‘Querido Editor’!”, bradava a seção de cartas de Quarteto Fantástico n. 10. “Jack Kirby e Stan Lee (nós!) lemos cada carta pessoalmente e queremos sentir que conhecemos você e que você nos conhece!” Assim plantaram-se as sementes dos personagens sem poderes mais importantes de Lee: os magníficos membros do mítico Marvel Bullpen. É claro que já haviam existido bullpens reais – primeiro o do Empire State Building, e aqui mesmo na Madison 655, embora tivesse ficado cinco anos no passado, antes de Stan ser relegado a um canto entre os arquivos. Agora Lee queria pintar um ambiente de trabalho utópico, no qual os joviais artistas trocavam piadas enquanto labutavam alegremente sob o mesmo teto. (Doutor Destino chegou a visitar “o estúdio de Kirby e Lee na Madison Avenue” naquela mesma edição de Quarteto Fantástico, invadindo uma reunião de roteiro e derrubando-os com gás do sono.) Na verdade, Kirby só aparecia no escritório mais ou menos uma vez por semana. Trabalhava numa sala revestida com madeira de pinho envernizado no porão de sua residência em Long Island, com uma biblioteca de Shakespeare e ficção científica para inspiração e a companhia de uma TV em preto e branco de 25 polegadas – a portas fechadas, para a fumaça dos charutos não se espalhar pela casa. Seu nome não estava em porta alguma da Madison Avenue. “Aquilo era um negócio que o Stan Lee botava nas revistinhas, mas os artistas ficavam esparramados pela ilha”, disse o artista de Homem de Ferro, Don Heck, a um entrevistador. “Eu ia ao escritório umas duas vezes por semana, e outros iam também duas vezes... mas a gente nunca se cruzava.” O espírito feliz de Lee, porém, era genuíno. As coisas estavam andando muito bem. “Eu via com o canto do olho quando o Stan ficava festeiro, era alguém que parecia se divertir com o emprego”, disse Bruce Jay Friedman, que assistira o reino dos quadrinhos ser arrancado de Lee no fim dos anos 1950. “Parecia um crianção. Eu não tinha ideia de que havia uma lenda se formando à minha frente.”
 
O modelo de Homem-Aranha de Ditko, mesmo décadas depois, ainda permanece insuperável. Artistas famosos do Aranha como Romita, Romitinha, McFalane e Bagley bebem direto dessa fonte

Ainda assim, Lee precisava de ajuda. “Parece que só pulamos de crise em crise”, escreveu em correspondência privada com um fã. “Você não tem como imaginar a pressão que é isso aqui. Não é questão de saber se nossos artistas podem ser melhores (ou se eu posso escrever melhor) – mas sim de quanto conseguimos fazer no tempo exíguo que temos. Algum dia, num Nirvana distante, talvez tenhamos oportunidade de produzir uma HQ sem os prazos frenéticos que pairam sob nossas cabeças.” Sol Brodsky voltou depois de um período como auxiliar de produção na Atlas Comics e tornou-se gerente de produção. “Meu trabalho era basicamente conversar com os artistas e roteiristas para dizer como eu queria as coisas”, lembrou Lee. “Sol fazia todo o resto – as correções, garantir que tudo ficasse certo, que mandassem as chapas certas, falava com a gráfica... Aos pouquinhos fomos reconstruindo o negócio.” Lee começou a dividir parte das funções de roteiro, geralmente com amigos. “Martin Goodman começou a fazer pressão com Lee para que houvesse outros roteiristas responsáveis pelas histórias”, disse Leon Lazarus, ex-funcionário da Timely que acabou sendo recrutado para roteirizar uma edição de Tales to Astonish. “Ele ficou preocupado que Stan tivesse poder demais e começou a preocupar-se com o que aconteceria se Stan decidisse deixar a empresa.” Ao fim de 1962, Lee trouxe o irmão caçula Larry de volta aos westerns e passou roteiros de “Homem de Ferro”, “Thor” e “Homem-Formiga” a outros veteranos. “O Tocha Humana” ficou como batata quente, até que caiu num roteirista creditado como Joe Carter. O nome real de Joe Carter, como descobriu-se posteriormente, era Jerry Siegel. No fim dos anos 1950, o cocriador do Superman esteve relegado a implorar por trabalho à detentora dos direitos sobre Superman, a DC Comics, e a trabalhar sob a vigília abusiva do editor Mort Weisinger por um salário ridículo. (Dizem as lendas da indústria que Weisinger uma vez disse ao pacato Siegel, em sua sala: “Tenho que usar a privada. Se importa se eu limpar a bunda com seu roteiro?”) No início dos anos 1960, Siegel começou a dizer que ia processar a DC pelos direitos sobre Superman e, torcendo pela ruína da editora, passou a procurar serviço em outros lugares. Como Lee não daria trabalho a um dos homens que criou a indústria?
Siegel, um dos criadores do Super-Homem, recebe breve asilo de Stan Lee

Infelizmente, os roteiros zelosos e antiquados de Siegel não correspondiam aos padrões de Lee. Nem aos de mais ninguém, pelo jeito. Lee reconfiscou “Homem de Ferro”, “Thor” e “Homem-Formiga” para si. Apesar das colaborações substanciais de Kirby, Heck e Ditko no argumento, em se tratando de narração e diálogos, ele só confiava em si mesmo. Desesperado para cumprir prazos, Lee conseguiu aprovação de Goodman para contratar George Roussos, que conseguia arte-finalizar mais de vinte páginas por dia. Mas Roussos, sabendo dos ciclos de contratação e demissão de Goodman, não topou. Lee teve mais sorte ao achar uma assistente – “uma Gal Friday”,[18] como dizia – para ajudar pelo menos na parte burocrática. Em março de 1963, uma agência de emprego temporário enviou Florence Steinberg, ex-estudante de História da Arte que era tão otimista e extrovertida quanto Lee – ela fora presidente do conselho estudantil no colegial e voluntária em campanhas tanto de Ted quanto de Bobby Kennedy. Agora posicionada numa mesa ao lado da de Lee, ela respondia às cartas dos fãs (que chegavam às centenas todos os dias), ligava para os freelancers, enviava páginas para a gráfica e recebia 65 dólares por semana, enquanto ele se sentava num banquinho e espancava a máquina de escrever ou recebia artistas para reuniões de roteiro. 

Steve Ditko: Fama apenas para suas criações, e não para si

Os colegas de escritório da Magazine Management, que incluíam o futuro romancista Mario Puzo, de O poderoso chefão, escarneciam do ritmo frenético em que Lee, Steinberg e Brodsky trabalhavam. Para Lee, porém, havia magia no ar. O ritmo arriscado de introdução de novos personagens continuava: Steve Ditko desenvolveu por conta própria o cirurgião arrogante que vira mago benevolente, Doutor Estranho, como atração secundária da Strange Tales [19] – e os personagens existentes começaram a gerar sinergia. Em duas páginas de O Espantoso Homem-Aranha n. 1, o teioso tentava afiliar-se ao Quarteto Fantástico (mas ficou desapontado ao saber que o grupo não pagava salário); no mesmo mês, o Hulk (cujo título próprio acabara de ser cancelado)[20] apareceu em Quarteto Fantástico n. 12. Doutor Destino enfrentou Homem-Aranha; Tocha Humana deu uma palestra para os alunos da escola de Peter Parker; e o Doutor Estranho foi parar no hospital sob os cuidados do Dr. Don Blake, alter ego de Thor. Quando o Homem-Formiga apareceu em Quarteto Fantástico n. 16, acompanhado de uma encantadora nova heroína chamada Vespa [ Wasp], uma nota de rodapé explicava tudo: “Conheça a Vespa, a nova parceira de aventuras do Homem-Formiga, a partir da edição 44 de Tales to Astonish!”.[21] Era promoção cruzada, muito astuta, mas o mais importante era o efeito narrativo que viria a se tornar marco da Marvel Comics: a ideia de que esses personagens dividiam o mesmo mundo, que as ações de um tinham repercussão nas dos outros e de que cada gibi era um mero fio da megatrama Marvel.
 
Mario Puzo: Apenas pela vizinhança, curtindo um pouco

Tudo serviu de preparação para Os Vingadores [ The Avengers], que reunia uma equipe estrelada pelos nomes de maior destaque da Marvel (com exceção do Homem-Aranha, destinado a ser lobo solitário e amuado). Homem de Ferro, Homem-Formiga, Vespa, Thor e Hulk uniram-se para derrotar o inimigo de Thor, Loki, e decidiram encontrar-se com mais frequência – uma edição por mês para ser mais exato. “Os Vingadores estão chegando”, escreveu Lee, “e a galáxia de estrelas Marvel ganha uma nova dimensão!”. Não era apenas alarde. Fazer os heróis unirem-se forçava Lee a diferenciar ainda mais suas personalidades e vozes e dava a Kirby chance de exibir sua complexa coreografia visual equilibrando diversos personagens nos limites do mesmo quadro. O mais chocante foi que Lee e Kirby conseguiram criar outro gibi de superequipe no mesmo mês, com personagens inéditos. O gibi dos X-Men (The X-Men) acompanhava as aventuras de um grupo de mutantes adolescentes com super poderes, matriculados na escola particular do Professor Charles Xavier, um telepata em cadeira de rodas. Sob a liderança de
Xavier, os valentes, mas noviços X-Men – Scott Summers, o sisudo Ciclope [Cyclops] de olhos laser; Hank McCoy, o acrobático, simiesco e gênio precoce Fera [Beast]; Bobby Drake, o palhacinho brincalhão que criava bolas de neve chamado Homem de Gelo [Iceman]; Jean Grey, a telecinética ruiva Garota Marvel [Marvel Girl]; e Warren Worthington III, o Anjo [ Angel], herdeiro de uma fortuna e alado – usavam suas capacidades anormais para deter os planos de mutantes malignos como Magneto, que controlava os metais. Nas horas vagas, os caras praticavam manobras de combate, reuniam-se entre os bongôs e beatniks do Coffee A-Go-Go no Greenwich Village ou cobiçavam a pacienciosa Jean Grey.[22]
 
Magneto: Malcoln X?!


Mas, apesar dos gracejos que se deslindavam entre os heróis adolescentes, os X-Men eram o inverso dos Vingadores – assim como o Homem-Aranha, os mutantes eram vistos com desconfiança pela mesma sociedade que lutavam para defender, abordagem que ficou ainda mais cáustica com o passar do tempo. “Olhe aquela multidão! Estão roxos de raiva! Bem como o Professor X avisou... humanos normais temem e desconfiam de qualquer um que tenha superpoderes mutantes!”, berrava Anjo em X-Men n. 5, escrita pouco após Supremacistas Brancos explodirem uma bomba na Igreja Batista da Rua 16 em Birmingham, Alabama. Algumas edições depois, quando o Fera salva a vida de um garotinho, uma multidão não hesita em persegui-lo e rasgar suas roupas. Seria coincidência que o Professor Xavier, pregando a não violência, e seu arqui-inimigo, o guerreiro dos fins justificam os meios Magneto, alinhavam-se tão perfeitamente como metáforas de Martin Luther King e Malcolm X? “Lembrem-se: somos homo superior”, zombava Magneto, tendo sacado o termo nietzschiano de um antigo livro de ficção científica. “Nascemos para dominar a Terra... por que deveríamos amar o homo sapiens? Eles nos odeiam – temem-nos por conta de nosso poder!” Se o progressista casual Lee estava explicando aos leitores qual era seu posicionamento quanto à intolerância racial, também era claro que ele via limites apropriados na reação à intolerância: a linha dura de Magneto e seus pupilos autodenominava-se Irmandade dos Mutantes do Mal[23] [Brotherhood of Evil Mutants].

“Fazer o que for preciso”[24] estava longe de ser bordão de super-herói. Por mais sutil que tenha sido, a conexão entre os X-Men e a luta pelos direitos civis foi uma das primeiras vezes em que a Marvel reconheceu as fissuras na sociedade norteamericana. [25]


Em poucos anos, o próprio conceito de patriotismo viria a polarizar o país, e a ideia de reintroduzir o Capitão América – um personagem conhecido como “Sentinela da Liberdade” e literalmente envolto pela bandeira dos Estados Unidos – seria quase impensável para uma empresa que queria atrair as crianças dos EUA. De qualquer forma, o Capitão América que retornou aos quadrinhos em 1963, nas páginas de Os Vingadores n. 4, era um anacronismo ambulante, um homem deslocado no tempo. Os heróis mais recentes encontraram-no no mar, inconsciente e revestido por um bloco de gelo, tendo a idade preservada. “Todos esses anos num estado de animação suspensa”, exclamou o Capitão, “devem ter impedido que eu envelhecesse!”. Mas não impediu que ele sentisse culpa pelo destino do ex-parceiro mirim Bucky (o qual, como se explicou depois, morrera pouco antes de o Capitão América cair no sono gelado) nem saudades dos simplistas e longínquos anos 1940. O Capitão América revivido era salutar e admirável, como sempre fora, mas agora tinha inclinação para acessos de melancolia e estava confuso quanto ao que havia acontecido com seu país. Capitão América escolheu um momento histórico particularmente desconcertante na história para ressurgir. Vingadores n. 4 ainda estava em produção, em 22 de novembro, quando veio a notícia de que o Presidente Kennedy havia sido baleado. “Estávamos voltando do almoço, e as pessoas estavam ouvindo o rádio no carro com as portas abertas”, lembrou Flo Steinberg. “Não tínhamos televisão no escritório, então todo mundo meio que se precipitou para um salão e ficou ouvindo o rádio até anunciarem que ele havia morrido. Todo mundo foi embora... sem saber para onde ir.” Todos, fora Stan Lee. “Ele ficou trabalhando nos gibis”, observou Mario Puzo. “Como se fossem a coisa mais importante do mundo.” Lee, mais uma vez roteirizando praticamente toda a linha Marvel, ganhou sala própria – com porta e tapete – pela primeira vez em sete anos. Brodsky e Steinberg dividiam uma mesa próxima e logo ganharam a companhia de uma antiga funcionária da Timely, Marie Severin. Na Atlas, Severin trabalhava no departamento de colorização, respondendo a Stan Goldberg; mas também era uma artista de grande habilidade, capaz de invocar senso de humor perverso para fazer caricaturas devastadoras. Podia ter sido estrela da revista Mad se a sua sorte fosse outra. Mas estava fazendo películas para o Federal Reserve Bank quando decidiu entregar o portfólio de ilustração a Lee. Ele nunca olhou as páginas; mandou-a direto a Brodsky para pegar um emprego na produção. Ele devia tê-la contratado para desenhar quadrinhos. Kirby passava sete dias por semana na prancheta. Mesmo com sua fabulosa velocidade – ele dava conta de três páginas por dia – uma hora aquilo ia acabar, e Lee começou a recrutar reforços. Assim como fora com os roteiristas, primeiro ele foi atrás dos antigos caras da Atlas. Começou a telefonar para Syd Shores, artista de Capitão América no fim dos anos 1940, mas Shores estava ocupado fazendo ilustrações para revistas. Ligou para John Romita, o artista de Capitão América dos anos 1950, mas a DC estava pagando-lhe melhor do que a Marvel conseguiria arcar. Não era apenas questão de recrutar gente que soubesse desenhar. O “Método Marvel”, como viria a ser denominado, exigia que os artistas soubessem transformar um argumento básico numa história bem ritmada e visualmente concisa, com base na qual Lee escreveria os diálogos. Ele queria que os quadros funcionassem como filmes mudos, para minimizar a necessidade de explicação verbal. Os artistas idealmente colaborariam com suas próprias ideias narrativas – personagens, subtramas – às histórias, o que Kirby e Ditko efetivamente faziam.

[17] Personagens dos quadrinhos infantis da Archie Comics, cujas histórias se passam no ensino médio. As histórias da turma são
publicadas ininterruptamente desde 1942. (N. do T.)

[18] Gal Friday e Man Friday eram termos utilizados coloquialmente nos EUA nos anos 1940 e 1950 para assistentes “faz tudo”.  Eram baseados no personagem Sexta-feira (Friday) do livro Robinson Crusoé. (N. do T.)

[19] Stephen Strange era parte de uma tradição ditkiana que remontava aos anos 1950: o canalha que só quer a glória, cuja jornada ao Oriente de picos nevados leva-o aos castigos de um antigo e sábio místico. (N. do A.)

[20] Os primeiros fãs não foram gentis com o Hulk: “Ele é nojento. Uma revista inteira dedicada a um dos monstros picaretas da Marvel, e um personagem praticamente copiado do Coisa”, escreveram Don e Maggie Thompson na Comic Art n. 3. (N. do A.)

[21] Quando a socialite mimada Janet Van Dyne descobre que o pai foi assassinado, ela recorre a Henry Pym (Homem-Formiga). Pym, obcecado com a semelhança que Van Dyne tem com sua esposa falecida (“Ela se parece tanto com Maria! Se não fosse tão criança!”), convidou-a a ser parceira no combate ao crime. Compartilhou com ela seu gás de encolhimento e implantou células no tecido dela. “Não vai deixar cicatriz, mas quando você se reduzir ao tamanho de uma vespa, vai ganhar asas e anteninhas!” Fosse ou não criança, os dois logo começariam um relacionamento. (N. do A.)

[22] Eventualmente, Jean Grey e Scott Summers começaram a namorar. A trajetória da relação deles é insondável; nunca foram
vistos nem se abraçando até se darem um beijo de adeus em X-Men n. 94, de 1975. (N. do A.)

[23] No Brasil, comumente denominados Irmandade dos Mutantes. (N. do T.)

[24] No original, “by any means necessary”: frase muito associada a Malcolm X (1925-1965) em seu último ano de vida. (N. do T.)

[25] Embora em seus primeiros anos os X-Men poucas vezes tenham atingido o patamar de outras criações de Lee e Kirby, vez por outra eles cumpriam seu potencial com metáforas instigantes. Na primavera de 1965, imediatamente após patrulheiros do Alabama atacarem manifestantes pelos direitos civis em Selma, os X-Men enfrentaram os Sentinelas, um exército de robôs gigantes e caçadores de mutantes, criados por um antropólogo fervoroso. “Muitas vezes, a cura é mais letal que o mal que ela denuncia!” (N. do A.)



Concluí a seguir...

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