Saudações pessoal e
feliz ano novo!
Por estar passando o
natal e o ano novo com os parentes, estive viajando esses dias e não pude
postar texto nessa virada do ano (embora eu tenha participado de uns
comentários).
Durante esse breve
período, fui dando uma lida em hqs novas que fui encontram em bancas e lojas,
adicionando algumas a minha coleção. Dessas histórias, teve uma que me fez querer
montar uma review dela quando voltasse: Vingadores vs
Defensores (ou Guerra Vingadores vs Defensores).
Escrita por Steven Englehart, com a arte de Sal Buscema e Bob Brown, e publicado em Avengers vol.1 nº115 a 118 e Defenders vol.1 nº08 a 11 em 1973, essa história se trata de um crossover envolvendo a equipe dos heróis principais da Marvel e um grupo subestimado.
Mas como assim
“subestimado”?
Eu presumo que esse
tenha sido o pensamento de vocês ao lerem até este ponto. Seria uma reação
natural, visto que o público conhece os Defensores pelas séries da Netflix, com
o grupo sendo composto por heróis urbanos como Demolidor, Luke Cage, Jessica
Jones e Punho de Ferro.
Mas aí que tá um detalhe.... a
versão dos Defensores que me refiro não é a mesma que fomos introduzidos pelas séries
do MCU.
Os Defensores dos
quadrinhos, criados por Roy Thomas e Ross Andru em Marvel Feature nº01, em 1971, consistiam num grupo
formado por párias, renegados da sociedade (ex: Hulk, Namor, Surfista Prateado)
que agiam maioria das vezes sozinho , mas estavam disposto a trabalhar um ao
outro em determinadas circunstâncias. O conceito pode soar estranho, mas a hq
fez um sucesso na equipe, com grupo tendo tido uns retornos em séries curtas em
futuras décadas.
Obs: Até mesmo a DC
Comics fez uma referência ao grupo no desenho da Liga da Justiça, com o grupo do Senhor Destino, Aquaman, Solomon Grundy e, depois Mulher Gavião e AMAZO, sendo homenagens aos membros da equipe (Doutor Estranho, Namor,
Hulk, Valkiria e Surfista Prateado).
Visto o auge da equipe na década de 70, era natural que eles teriam encontros com outros heróis da do vasto universo Marvel. Pelo grupo original ser composto por personagens que já apareceram nas histórias dos Vingadores (o próprio Hulk foi um fundador) e, principalmente lutado contra a equipe, ter um arco sobre um conflito entre os dois soa como uma decisão lógica.
No entanto, mesmo sua
história tendo que destacar as lutas entre os heróis, Steve Englehart soube
balançar toda essa ação com uma trama bem divertida e marcante até para os
leitores de hoje em dia.
Mas do que se trata
esse crossover entre os Vingadores e os Defensores? O que a diferencia de
histórias com tramas semelhantes?
Irei explicar isso em partes.
Shall we?
Trama
Depois de ter sido derrotado
por Thor, um cego Loki é transportado
para a Dimensão das Trevas pelo temível Dormammu. Sob a promessa de restaurar a
visão do Deus da Mentira, Dormammu convence a ajuda-lo num plano para obter o
Olho Maligno, um artefato mística que, se usado pelo vilão, permitiria a
Dimensão das Trevas engolir a Terra.
Enquanto isso, o Doutor
Estranho tentava ajudar seu amigo, e também aliado dos Vingadores, Dane
Whitman, o Cavaleiro Negro, que teve corpo transformado em pedra. No entanto,
devido a artimanha dos vilões, Strange é levado acreditar que o Olho Maligno
pode curar Dane de seu estado físico. Como o artefato tinha sido dividido em 6
duplicatas e espalhado pela Terra, Strange reúne os outros Defensores (Hulk,
Surfista Prateado, Valkiria, Namor e Gavião Arqueiro) para encontrar as peças e
reconstruir o Olho.
Ciente que Dormammu irá dominar Asgard junto com a Terra, Loki decidi sabotar no esquema do vilão e entra em contato com os Vingadores (Capitão America, Thor, Homem de Ferro, Mantis, Pantera Negra, Visão e Feiticeira Escarlate).
Mas, se mantendo fiel a
sua natureza mentirosa, o vilão diz que os Defensores são malignos e estão
planejando usar o Olho Maligno contra a humanidade. Enganados pelo vilão, os
Vingadores também se dividem, com cada um indo atrás de uma duplicata do Olho.
Após um mal entendido
num confronto entre o Visão e o Surfista Prateado, os Defensores ficam cientes
da interferência dos Vingadores e, ao descobrirem a presença de Loki na mansão
do Tony Stark, assumem que os heróis estão sendo influenciados pelo Deus da
Trapaça, deixando o cenário para uma disputa entre as duas equipes pelo Olho.
Equilíbrio
entre ação e história
Quando se trata de
eventos e crossover das Marvel, um envolvendo confronto entre os heróis não era
novidade nenhuma, até mesmo para época. Desde seus primórdios a Marvel já era
conhecida por ter seus heróis se encontrando e, até mesmo se enfrentando em alguns
desses encontros, seja por um engano ou diferenças ideológicas ou metódicas.
Então qual a diferença
de Vingadores vs Defensores para esses eventos?
A resposta é uma
palavra simples: Equilíbrio
Mesmo com a atração
principal sendo uma luta entre super-humanos, fica que Steve Englehart priorizou
a história antes de tudo, dando atenção aos personagens, suas personalidades distintas,
dinâmicas e histórias passadas.
Embora ambos grupos
estejam sendo manipulados por Dormammu e Loki e, naturalmente, a história irá
concluir com os dois percebendo a armação e se unindo contra os vilões, a
agressividade entre os dois grupos é compreensível.
Como citei anteriormente, maioria dos Defensores são párias, rejeitados pela sociedade que eles protegem e visto como vilões.
Alguns até mesmo tentaram atacar a humanidade ou tiveram confrontos com os heróis no passado (ex: Namor, Hulk, Surfista Prateado). É fácil entender porque os Vingadores iriam assumir o pior dos defensores, ao mesmo tempo que não é difícil entender como um engano convenceria os Defensores a verem como inimigos (eles já estão acostumados em serem rejeitados pelo mundo, pra que pensar diferente dos heróis?).
Pode-se dizer que a atitude dos Vingadores é uma descaracterização e até hipócrita, visto que eles já recrutaram vários integrantes que eram ex–vilões. Nesse próprio arco temos o Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate, Visão e o Espadachim.
No entanto esse detalhe tem haver com as diferentes abordagens de grupos quando se trata de
ser uma equipe.
Os Vingadores operam
num sistema com base no trabalho em equipe. Quando um novo membro se junta a
equipe, ele passa a agir sob regras (estabelecidas pelo grupo ou o governo) que
determinam a permanência dele no grupo. As vezes eles precisam reportar seu
paradeiro quando estão em um missão, para justificar sua ausência de uma
reunião ou responder por um erro que cometeram em batalha. As ações do indivíduo
são julgadas pelos outros. Nem mesmo figurões como Capitão América ou Homem
de Ferro estão imunes a isso.
Já os Defensores,
embora trabalhem juntos, não possuem tais regras para si mesmo pois eles já
estão acostumados a serem independentes e agirem por conta própria. Eles
estarem juntos é apenas para a situação. Uma vez o problema resolvido eles
seguem seus caminhos separados. Eles se unem por circunstâncias, mas não é algo que eles fazem toda vez.
De forma figurativa, enquanto os Defensores são aquele grupo de pessoas que param no caminho para ajudar uma pessoa quando ela tropeça ou passa mal no meio da rua, os Vingadores são essa instituição de trabalho, com organização e regulamento.
Apesar de todas as lutas e cenas de ação, Vingadores vs Defensores é sobre dois grupos aprendendo sobre essas metodologias e a respeitar um ao outro.
Quando
lutas de super heróis são divertidas
Falando nas lutas entre
os heróis, não posso deixar de citar o prato principal desse crossover.
Fazer luta entre heróis
não é lá algo tão difícil. Qualquer um pode escrever um herói lutando contra o
outro. Os eventos da Marvel dos anos 2000/2010, como Guerra Civil e Vingadores
vs X-men eram praticamente um concurso de quantos personagens um desenhista
conseguia colocar lutando num painel.
O desafio, pelo menos
na minha opinião, é fazer essa luta ser divertida e emocionante, atraindo o
interesse do leitor, sem ficar dependente apenas da imagem dos personagens
brigando.
Nesse aspecto o roteiro
Englehart acerta em cheio na seleção de quais Vingadores e quais Defensores
irão se enfrentar, onde será o combate e como será a dinâmica entre eles,
criando com isso uma lutas memoráveis, seja o combate do Surfista e um furioso
Visão em um vulcão, o duelo estilo swashbuckling entre o Espadachim e a
Valkiria num castelo e, o melhor, que é a “a luta de titãs” entre Thor e o Hulk
no centro de Los Angeles, toda ilustrada pelo estilo expressivo e dinâmico do
Sal Buscema.
O único conflito que é
o mais fraco e parece que foi montado por falta de opção é Doutor Estranho
contra Mantis e o Pantera Negra. É divertido ver os dois Vingadores trabalhando
juntos para escapar das ilusões do Strange, mas a batalha foca neles como
acrobatas e lutadores e o Strange tem seus poderes bem reduzidos, tornando essa
parte da história um pouco chata e uma perda de potencial.
Vilões
sendo vilões
Não são apenas os
heróis que são bem caracterizados nessa história por Englehart. O mesmo
tratamento pode ser notado nos antagonista: Dormammu e Loki.
Ter os dois personagens
unindo forças faz sentido com as características que eles tem em comum (ambos são
feiticeiros e manipuladores) , mas também
é uma péssima ideia em teoria, visto que é obvio como o ego dos dois
iria interferir em sua aliança e traição entre eles é previsível. Mas o roteiro
dá a ambos vilões um grande carisma que prende a atenção dos leitores toda vez
que eles aparecem na trama.
Embora seja mais um inimigo
exclusivo do Doutor Estranho, finalmente é mostrado o Dormammu sendo uma ameaça
para o universo Marvel em geral, um vilão que é poderoso para fazer frente aos
dois grupos protagonistas e, ao mesmo tempo, precavido, tendo um plano extra
caso um atual venha falhar, impedindo-o de parecer caricato demais.
Em contraste ao senhor
do Dimensão das trevas, Loki é apresentando como uma figura trágica mas não
totalmente simpática. Dá pra ter pena do coitado pela situação que ele se
encontra (cego e trabalhando com um vilão que irá trai-lo). Se tivesse escolhido deixar suas diferenças de lado com os Vingadores
e dito a verdade, Loki poderia evitado o confronto entre os heróis impedido o
plano de Dormammu mais rápido e de forma eficiente. Mas, por causa de seu egoísmo
e medo de encarar seus problemas, ele apenas piora a situação para todos a sua
volta, incluindo a si mesmo.
No entanto, ele tem
ganha um breve momento de redenção no final, tendo um papel crucial na batalha
dos heróis contra Dormammu.
Considerações
finais
Normalmente não sou
muito fã de histórias de heróis lutando um contra os outros. A forma como esse
conceito foi abusado e mal executado por editoras na época que cresci (final
dos anos 90 e anos 2000 para 2010) tiraram meu interesse por esses tipos de
histórias. Hoje em dia, prefiro histórias que focam em personagens interagindo
e desenvolvendo suas dinâmicas do que só vê-los batendo um no outro do início
ao fim.
Porém, Vingadores vs
Defensores é um dos casos que representa “o melhor dos dois mundos”, tendo
lutas bem elaboradas, mas nunca a ponto de obscurecerem a histórias e,
principalmente seus personagens. As lutas são as maquinas, mas os personagens e
seu carisma são as engrenagens que as fazem funcionar tão bem. Os leitores tem
vontade de investir na história não só porque “são personagens icônicos batendo
um no outro”, mas sim porque o roteiro faz os leitores se conectarem com
personagens, mostrando porque eles são especiais e atraindo o interesse para os
momentos que eles compartilham juntos nas páginas, sejam lutando um contra o
outro ou apenas interagindo e conversando.
Esse, para mim, é o
segredo por trás da boa qualidade do Vingadores vs Defensores e porque é uma
recomendação para muitos interessados.
Nota
08/10
Então é isso! Qual a
opinião de vocês quanto ao Vingadores vs Defensores? Sintam-se a vontade para
colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo






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