Eu
não queria ficar muito preso ao campo nostálgico, mas senti que eu deveria
postar isso, até mesmo por não me fazer perder horas em elaboração. Achei ontem
um drive com todas as revistas SET em PDF, que pode ser acessado aqui.
Como
eu sempre pontuo (e muitas pessoas ignoram) eu não upei esse material, todos os
créditos aos heróis que escanearam - que dessa vez eu ainda não sei quem foi,
mas se você estiver lendo isso e se manifestar nos comentários, o faça, porque
você mais do que merece esses créditos. Portanto, se - ou quando - vier a cair,
não adianta chegar nesse post vários anos depois, ignorar tudo o que eu disse e
comentar algo como “tá tudo off, vão quando reupar?”. Eu até reupei em packs lá
no @PacksdoOzy. Poderia fazer o mesmo aqui, mas seriam mais de 10 GB em algum
server que poderia da noite pro dia apenas dizer um “ok, vou apagar” ou “ok,
você tá no free, logo decidi que você excedeu sua cota de download diária e eu
vou reter o seu arquivo”. Abaixo algumas capas que eu coletei da publicação e a
ficha técnica dela:
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| O melhor James Bond... Pelo menos dos games. Do cinema, na minha visão perde freio pro Craig. Mas foi "o 007 com que eu cresci". |
REVISTA SET #01 - #271
💬 NÚMERO DE EDIÇÕES:
271
🏆 EDITORA: Editora
Azul, Editora Peixes...
📁 FORMATO: PDF
⚖️ CRÉDITOS ÀS EQUIPES:
Kinolemon (?)
📚 ZIPS: Ozy_R
@PacksdoOzy / @VHSdeSexta
📆 ANO DE PUBLICAÇÃO:
1987 – 2010
👊SINOPSE: A Revista
SET (1987–2010) foi o marco definitivo do jornalismo de cinema no Brasil,
nascida como um filhote rebelde da revista Bizz. Com uma linguagem informal,
apaixonada e muitas vezes ácida, ela educou uma geração inteira de cinéfilos
antes da era dos blogs e YouTube. Famosa por seções lendárias como o Radar e a
Takes, cobria desde os blockbusters de Hollywood até o cinema trash com o mesmo
entusiasmo. Seu auge nos anos 90 trouxe reportagens de set exclusivas e uma
diagramação pop que virou referência. Mais do que informar, a SET formava
opinião com humor e uma dose saudável de arrogância crítica que deixa saudade
até hoje. Seu legado vai além das capas. A seção "Cinema em Casa" era
o guia definitivo para as locadoras de VHS (e depois DVD), ditando o que valia
a pena alugar no fim de semana. As edições especiais, como "Os 100
Melhores Filmes de Todos os Tempos", geravam debates acalorados em mesas
de bar e fóruns incipientes. Com correspondentes diretos de Hollywood (como Ana
Maria Bahiana em sua fase de ouro), a SET trazia furos de reportagem e
entrevistas exclusivas numa era de escassez de informação. Matérias como o
dossiê completo sobre a produção caótica de Titanic ou a celebração do cinema
nacional com "Cidade de Deus" na capa consolidaram a SET não apenas
como uma revista, mas como a curadora oficial do gosto cinematográfico de uma
geração até seu fim melancólico em 2010.
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| O primeiro e melhor logo de toda a revista, infelizmente durou só os primeiros anos |
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| Além da mudança do logo a revista não tinha pudor em usar a sensualidade de grandes estrelas da época para pegar aquele leitor que só tava passando o olhos nos lançamentos da banca |
Minha
relação com a revista
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| Uma parte da minha coleção |
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| O material das páginas era de excelente qualidade de impressão, até hoje permanece com um ar de novo, vale também ressaltar a ótima diagramação, sou bem detalhista nisso |
Infelizmente,
só vim descobrir que essa revista existia, acredito que lá por 2014 ou 2015.
Meu tio tinha quase todas as edições em encadernados que ele tinha encomendado
para as preservar, e precisando de espaço, perguntou se eu não iria querer
elas, que sairia mais barato me dar do que ir vender quilos e quilos no sebo
perto da casa dele por um valor irrisório. Comecei lendo de forma despretensiosa
e quando dei por mim, passava horas por dia lendo, principalmente por coisa de
uma hora que eu passava por dia no ônibus indo e voltando do trabalho. Sempre
levava uns dois encadernados na mochila e graças a essa revista, eu tinha aquela
sensação de tá “revisitando uma locadora”, só que em escala maior. Pude
aprofundar sobre cinema de uma forma que nem com a internet, hoje em dia, eu
aprofundei. Nos primeiros dez anos, boa parte da revista era composta por
resenhas curtas sobre quase tudo o que tava saindo em home video.
Um guia prático para quem lia na época, e uma espécie de mapa do tesouro para
quem se dava ao trabalho de ler aquelas páginas empoeiradas. Haviam entrevistas
tipo essa daqui do Scorsese, que fiz um post no começo do blog, onde
vários figurões do cinema se aprofundavam mais sobre o seu trabalho. Fora que
daqui surgiram colunistas que tem certa fama até hoje, como a Isabela Boscov,
que mesmo que eu não concorde com algumas análises dela, não sou desonesto ao
ponto de dizer que ela não é uma das melhores críticas de cinema do país.
Navegando por essas capas, é nítida muito da mudança que o cinema passou nas últimas décadas. O tipo de chamada que tinham nas revistas que hoje não passariam no editorial, bem como algumas imagens, como a provocativa Sharon Stone, o tipo de capa na época vista como quebra de tabus, e hoje transformada em um tabu pelas mesmas pessoas. Toda a mudança do herói de ação para o super-herói, do filme focado no astro para os filmes focados em diretores e grandes efeitos especiais, as progressões obscenas de bilheterias, além de uma eterna busca em se buscar padronizar o que deu certo. Alguns astros nas capas que ficaram para atrás no tempo, alguns poucos que se mantém, e muitos os quais gente mais nova nem mesmo tem ideia de que existiu. Como esquecer, por exemplo, muita gente que só veio conhecer a Sandra Bullock através do “Bird Box” na Netflix.
Antes eu ria bastante disso, hoje em dia não culpo tanto.
Existem monstros sagrados
do cinema que eu, por exemplo, até hoje não vi nenhum filme, como por exemplo o
Orson Welles, a qual o meu sempre de maneira enfática dizia ser o ator e
realizador mais completo da história do cinema, frequentemente associado mais
ao “Cidadão Kane”. Até tentei ver esse filme em VHS certa vez, mas peguei no
sono no sofá, só que isso foi a muitos anos. Sei que dificilmente alguém que
não conhecia a revista vai dar uma chance de conhecer, mas só pela possibilidade
de muita gente revistar tudo isso, o esforço já valeu a pena.
Você
colecionou a revista SET? Também não conhecia? Preferia a revista Wizard sobre
quadrinhos (queria eu encontrar ela toda escaneada, mas isso é tema para outro
dia...)? Ou quem sabe a Superinteressante? Deixem nos comentários, nos vemos na
próxima.









