Magnum - Bastidores de Hollywood à la Marvel

 


E, finalmente, depois de muito penar, consegui terminar de assistir à série Magnum do Disney Plus, a série que ninguém pediu, de um personagem que ninguém se importa, mas que fizeram mesmo assim. E, afinal de contas, a série é boa ou ruim? Bom, vamos dizer que é menos ruim do que eu pensava, mas é a série mais diferente da Marvel, com certeza.



Devo dizer que gosto do Magnum, acho um dos Vingadores mais interessantes, na verdade. Ele surgiu nos quadrinhos como um rival de Tony Stark que ganhou poderes por um experimento do Barão Zemo para que se infiltrasse nos Vingadores, mas que depois se arrependeu e “morreu”. Um pouco depois, ressuscitou e tornou-se um membro tradicional da equipe. Gosto da fase em que ele ficou o best friend do Fera e os dois saiam na gandaia passando o rodo na mulherada. Teve também a fase dos anos 90, em que Magnum foi para Hollywood tentar a carreira de dublê e ator, na qual esta série se inspira livremente.


A série já começa com Simon Williams criança assistindo ao filme do Magnum acompanhado do pai. E o Magnum do filme é branco. Dá para perceber que essa cena foi feita para justificar o
race swap no personagem. É como se já soubessem que uma galera iria reclamar de o Magnum ser preto e dissessem: “taí o Magnum branco, inclusive com o uniforme clássico”.



Já adulto, Simon Williams, interpretado por Yahya Abdul-Matten II, é um ator batalhador em Hollywood, que tem tido azar em conseguir papéis bons. Porém, sua chance de ouro surge quando fica sabendo, por intermédio de Trevor (Ben Kingsley), que o famoso diretor Von Kovak (Zlatko Buric), quer fazer um remake de Magnum, isso durante uma sessão de Perdidos na Noite (Midnight Cowboy). Depois disso, Simon fará de tudo para conseguir o papel dos seus sonhos. Porém, o que ele não imagina é que Trevor está sendo chantageado pela agente Cleary (Arian Moayed), porque tinha ido parar na prisão por causa de sua atuação como o Mandarim em Homem de Ferro 3.



A verdade é que Simon esconde um segredo: ele é um super-humano, mas não pode se revelar porque, em razão do incidente envolvendo Demarr Davis, o Porta, que engoliu Josh Gad, atores com poderes foram proibidos de atuar em Hollywood. Vale dizer que o Porta é um herói bucha da Marvel, membro dos Vingadores Centrais. O Controle de Danos já sabe que tem poderes, poderes estes cuja origem na série não são bem explicados. Ele pode ser um mutante no MCU.

A série é muito eficiente em mostrar os bastidores de Hollywood, de testes, audiências, agentes, atores egocêntricos, diretores excêntricos etc. Nesse sentido, é mesmo a série mais diferente da Marvel e não vai agradar a muita gente. Apesar dos episódios serem curtos, são bem lentos e parados, quase não há cenas de ação, nem parece uma série de super-herói, na verdade. Porém, as atuações tanto de Abdul-Matten quanto de Ben Kingsley estão ótimas; de longe, são a melhor coisa da série.


Também há alguns easter eggs e personagens que são um aceno aos fãs, mas não são bem desenvolvidos. Por exemplo, o irmão mais velho de Simon, Eric, interpretado por Demetrius Grose, aparece na série, e eles têm uma rivalidade. Nos quadrinhos, ele é o vilão Ceifador, mas não sei se em uma eventual segunda temporada Eric pode se tornar um vilão.

No mais, a série deve ser vista mais como uma homenagem a Hollywood, com muita metalinguagem, que uma série de um herói da Marvel, apesar de também ser. Alguns pontos do roteiro e alguns personagens poderiam ser melhor desenvolvidos, mas, como série dos bastidores de Hollywood é ok. Como série de super-herói da Marvel é meio chata mesmo. Nota 6 de 10.