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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

COLEÇÃO HELLBOY - PARTE 3


"Ha! Você ouviu? O som dos trompetes da meia-noite... e o Chamado das Trevas. "

Hey pessoal, como vão? Antes de fechar o ano, solto aqui a última parte. Sinceramente, a ideia era não haver limites, comigo fazendo mais e mais posts analisando todas as estórias do Hellboy possíveis. Mas convenhamos? Eu já li toda a série principal, mas ler todas mesmo, contando com todas aquelas tramas secundárias do Bureau e dos outros personagens, o mais provável é que eu nunca fizesse isso, ou demorasse tempo demais para fazer. Então resolvi fazer como boas séries de filmes, melhor conseguir focar melhor no que vale a pena em uma trilogia do que ficar com um monte de sequências que acabarão sem mostrar tudo mesmo, que é o que eu acho que ia acabar acontecendo. Então a gente fecha nessa "Parte 3" que vai ser a última, beleza? Vamos lá!

"O Visitante", por exemplo, é uma HQ nova que sairá ano que vem

A Parte 1 da "Coleção Hellboy" focou em todas as primeiras aventuras contadas por Mike Mignola, principal criador do personagem. A Parte 2 teve foco em colocar a maioria das colaborações com o competente Richard Corben, que trazia uma ambientação diferenciada com seus desenhos. Agora na Parte 3 focamos no que foi uma das fases mais divertidas, diversificadas e derradeiras do demônio detetive. Indo de "O Chamado das Trevas" até "A Fúria", vemos toda uma fase em que Mignola largou os lápis de desenho e cuidou apenas do roteiro, deixando as ilustrações com Duncan Fegredo, que deixa nada a desejar, mesmo a mudança tendo enraivecido alguns fãs mais saudosistas. Vou intercalar as estórias da série principal com outras paralelas que eu ainda não comentei, ok? Aqui no final da saga há referências à Charles Dickens, H.P. Lovecraft, Lewis Carroll, Edgar Allan Poe, Jack Kirby, J. R. R. Tolkien, William Shakespeare, cristianismo, folclore americano, russo, inglês, mitologias grega, nórdica e mais outras fontes que eu provavelmente nem identifiquei. Uma jornada muito divertida. Você está pronto para partir?

3...

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1...

Segura na vassoura da bruxa!!!


O Chamado das Trevas (Darkness Calls)


"Eu estava tão bravo que pensei, diabos, por que não lutar contra o exército de esqueletos inteiro? "

A trama já começa com o que sobrou dos inimigos de Hellboy se reunindo após suas derrotas contra o detetive. As reprimidas forças das trevas (curiosamente representadas por muitos elementos do folclore russo, relembrando que o último vilão era justamente o Rasputin) estão planejando uma guerra revolucionária por novos tempos a favor deles. As bruxas da Inglaterra que vivem escondidas fazem uma sinistra reunião na presença de Hellboy, atiçadas pelo Gruagach, homenzinho porco que havia enfrentado Hellboy brevemente em "O Cadáver" (analisado na "Parte 1"). A bruxa Baba Yaga, que já havia aparecido antes, agora se posiciona como bizarra antagonista: uma bruxa que enfrentou Hellboy no passado, e agora tenta arquitetar sua vingança mandando inimigos contra ele de outro plano existencial.


Conforme tenta sobreviver, o protagonista vai descobrindo o que acontece, e como sempre, mais detalhes sobre sua origem e o que ela significa. O ápice é quando Koschei, o temível, vem atrás do Hellboy, gerando uma das sequências mais intensas já feitas na história do personagem. Se Hellboy fosse o Homem-Aranha, Koschei seria o Venom. Mignola aqui e em todo o resto da série desenha apenas as capas, por dentro o responsável pelas ilustrações é o Duncan Fegredo, que faz um trabalho impecável. Há vários cenários diferentes o tempo inteiro e são muito bem representados. As cores são do Dave Stewart, fazendo, entre outras coisas, que o vermelho do Hellboy nunca tivesse caído tão bem antes.



Na Capela de Moloch


"Na maioria das vezes ele dorme o dia todo. Quando fica escuro, ele cambaleia feito um zumbi e eu creio que trabalha a noite inteira. "

Essa é uma edição só escrita e ilustrada pelo Mignola. Um tipo de interlúdio mostrando uma missão curiosa do passado do detetive. Hellboy é chamado para investigar a casa de um pintor que parece ter começado a ter problemas sobrenaturais durante o seu trabalho. A forma que a crise do artista é mostrada é curiosa. O seu acompanhante alega que ele quer trazer uma vida nova ao gótico, mas corre o risco de só estar plagiando o passado sem perceber, enquanto cultua o Moloch, antigo deus-monstro do Oriente Médio que havia sido aprisionado pelos soldados das Cruzadas. A narrativa é meio pesada mencionando essas coisas de ocultismo, mas mais na narrativa mesmo, não aparecem muitos elementos chocantes como em "O Vigarista" (analisado na "Parte 2").



A Caçada Selvagem


"Você ainda consegue distinguir o sonho da realidade? Eu não consigo. "

É sequência direta de "O Chamado das Trevas" e mantém sua grandiosidade, com o roteiro mostrando grandes surpresas, não ficando mais naquele tom um tanto repetitivo de discutir o destino apocalíptico de Hellboy enquanto Rasputin e os nazistas ficavam retornando tentando invocar o Ogru Jahad. Aqui há um tom maior de guerra apocalíptica, como se fosse o juízo final, mas com todas as peças do jogo sendo relativas ao fantástico e o paranormal. Uma antiga organização secreta convida Hellboy a participar da caçada de gigantes, evento tradicional de famílias da realeza europeia onde todos saem a cavalo para caçar gigantes que saíram do subsolo. Seu pai, o Dr. Trevor (que morreu em "Sementes da Destruição") havia participado dessa caçada quando era jovem, há muitas décadas atrás. A partir daí Hellboy viaja desenfreadamente fazendo alianças inéditas, reencontrando parceiros e inimigos do passado e descobrindo AINDA MAIS segredos sobre sua origem.


As proporções da guerra junto à trama pessoal do Hellboy surpreendem, chega a lembrar aquelas estórias como "Senhor dos Anéis". Nimue, também chamada de Vivienne, toma o novo trono de rainha das bruxas e sua sede de sangue é amedrontadora. Se Hecate e Baba Yaga já haviam dado trabalho no passado, Nimue é muito mais obcecada e sanguinária. Seus objetivos não são muitos diferentes dos do velho Rasputin, mas a forma que ela pretende alcançá-los é o que movimenta toda a preocupação. Até o final tudo se mantém em um tom bem abstrato, é uma característica nada ser muito claro, pois há sempre seres como bruxas e fantasmas que estão transitando entre dimensões.

"Eu quero um exército das cavernas. Quero o povo esquecido fora da escuridão... Aqueles que viveram na poeira, com apenas ódio como forma de sustento. Eu quero dentes que tenham mordido ossos secos, enquanto sonhavam com sangue. Tragam-me um exército como esse... E quem irá ficar contra nós? "

Os personagens de "O Chamado das Trevas" eram tão legais, que ao final de algumas edições de "A Caçada Selvagem" vinham curtas tramas com Koschei e a bruxa Baba Yaga. A primeira em duas partes, "Como Koschei Se Tornou Imortal", mostra a estória do guerreiro que estava dando muito trabalho pro Hellboy, e depois "O Banquete de Baba Yaga", que também é muito legal. Ambas são muito bem ilustradas por Guy Davis, trazendo um valioso complemento para os personagens secundários que vinham aparecendo na trama principal.




A Noiva do Inferno


"Você sabe quem sou eu? Não sou um gnomo, um duende, ou um desses espíritos fracos... "

Sentiu falta do Richard Corben? Aqui o desenhista volta para ilustrar mais uma estória do Hellboy! Uma garota foi raptada e está sumida há vários dias, sem as autoridades conseguirem achá-la. Como ela foi raptada por uma seita, o Hellboy é enviado para resolver o caso. Hellboy acaba entrando em conflito com um demônio antigo e descobre sua estória, mas nem tudo na investigação era o que parecia ser a princípio. Corben continua o melhor nos cenários, nas bizarrices e nas fisionomias.



A Tempestade


"Será que a essa altura não devia aparecer um unicórnio ou cão falante para dizer o que você precisa fazer?"

Hellboy até que está bem tranquilo. Depois das últimas lutas e revelações ele está descansando com sua companheira ruiva, mas claro que isso não vai durar muito. Tem bastante gente querendo tirar o couro dele, então meio que se Hellboy não for até a guerra, a guerra irá até o Hellboy. Essa possui três partes, é mais curta que as anteriores e tem uma pegada bem cinematográfica, há uma sensação realmente forte que tudo está tomando um caminho derradeiro. O final deixa qualquer um que acompanhou as aventuras do Hellboy com os cabelos em pé.




O Longo Sono dos Mortos-Vivos (The Sleeping and The Dead)


"O que você realmente sabe a respeito de vampiros? E não me refiro às criaturas deploráveis que vocês tem lá nas Américas. Estou falando de vampiros europeus. "

Com os desenhos de Scott Hampton, em "O Longo Sono dos Mortos-Vivos" Mignola aproveita mais a mitologia de vampiros com o Hellboy. Ele é um grande fã e muito competente em trabalhar com tal mitologia, vale lembrar que ele foi colaborador de um dos filmes mais consagrados de vampiros! O "Dracula de Bram Stoker", com Gary Oldman, Keanu Reeves e Anthony Hopkins. Bem, nessa HQ a contextualização que Mignola coloca em sua narrativa dá até a impressão que vampiros existiram de verdade! A arte é fiel à de Mignola, mas a finalização ficou meio esquisita. Porém, vale falar que ela contribuiu para o tom fantasmagórico que ajuda. Eles conseguiram fazer um memorável conto de vampiros com o Hellboy.



A Fúria


"Eu era o vento nas estrelas antes de tudo isso... Antes dos planetas... Antes do Céu e do Inferno... "

"A Fúria" é o final do Hellboy. É quando se dá a última batalha, quando as profecias são cumpridas e os destinos selados. O anti-cristo precisa encarar sua desgraça e AINDA sem se entregar à sua essência diabólica, enfrentar os mais poderosos inimigos. Como nunca deixou de fazer, Mignola relembra a maior parte do que o personagem passou. Não há muito a dizer, pois realmente é o final, uma análise mais aprofundada poderia trazer spoilers. Você pode procurar essas edições da última jornada do personagem separadamente ou uma nova edição da editora Mythos chamada "Edição Gigante: A Morte de Hellboy", creio que ainda deve estar em pré-venda. Custa mais de 150 reais, mas realmente é uma edição luxuosa! Com 596 páginas, contando com todas essas da marcante colaboração entre Mignola, Fegredo e Stewart: "Chamado das Trevas" (2008), "Caçada Selvagem" (2012), "A Tempestade" e "Fúria" (2014). Também vem com extras como entrevistas, esboços e imagens das capas originais.



A Casa dos Mortos-Vivos


"Os lutadores me contaram que tiveram uma visão... Que a Virgem Maria se manifestou... profetizando a chegada de um grande mal. E dizendo que eles precisavam abandonar as lutas e se preparar para combater monstros. Eles obedeceram. E vou te contar Abe... Os caras eram feras."

"A Casa dos Mortos-Vivos" foi uma graphic novel que contou com os desenhos do Corben também, eu devia ter incluído na "Parte 2", mas esqueci, me desculpem. É que ela realmente foi lançada depois de "A Fúria", o final da fase com Fegredo. Aqui eles sequenciam uma das aventuras mais malucas do Hellboy, "No México, ou um porre para esquecer", que foi analisada na "Parte 2". Mostra uma aventura muito louca que houve durante os esquecidos anos de Hellboy quando estava completamente bêbado. Tem aquele toque interessante das mais malucas estórias do personagem, conseguindo alterar entre o cômico e o dramático com uma facilidade admirável. Mignola disse que gostaria de escrever mais algumas estórias que se passassem nessa fase embriagada.


"Mais do que qualquer outro desenhista com quem eu tenha trabalhado, Richard é altamente imprevisível. " Mike Mignola


No Inferno


"Ante as notícias de sua vinda, de sua morte, e sua descida para o inferno, todos eles correram para se esconder em seus próprios países distantes. Todos os príncipes e ministros do inferno-- todos os duques, marqueses, condes, e cavaleiros-- todos fugiram, junto com as legiões deles de demônios. "

Chegamos, pessoal! O final!!! A série "No Inferno" não só foi realmente a última na linha cronológica de tempo do personagem (pois ainda lançam secundárias do passado dele e não devem parar de lançar tão cedo) mas também marcou o retorno de seu criador, Mike Mignola, para os desenhos depois de muitos anos, desde "O Verme Conquistador", que foi analisado na "Parte 1" e foi lançado em 2001. Pois bem, Hellboy está morto. Apesar do anti-herói ter resistido aos que o diziam para liderar as forças das trevas, sua parada final mesmo assim foi o Inferno. Como um fantasma, o personagem nem apresenta mais sua coloração vermelha, mas sim um acinzentado que beira para o branco. Falando nisso, a coloração continua sendo feita pelo insubstituível Dave Stewart. A série foi feita em 10 partes, lançadas sem uma periodicidade fixa, Mignola ia publicando, aparentemente, conforme terminava cada capítulo. Há pouco tempo foi lançado nas bancas e livrarias a compilação feita pela Mythos, custava uns 60 reais, trazendo metade da aventura, do volume 1 ao 5. Eu ainda não li as últimas edições (terminou faz pouco tempo, em junho desse ano que estamos), então pretendo fazer um post específico pra essa estória futuramente. Mas do que eu li (que foi uma grande parte) já posso garantir que é divertido ver o retorno de Mignola aos desenhos e a narrativa clássica do personagem se mantém: há constantemente personagens narrando suas tramas paralelas, um tom bem sombrio com aquele humor já conhecido, algumas partes são mais apenas de estória, enquanto outras contam com mais ação.




Frankenstein: Entre o Céu e o Inferno (Underground)


"Eu não sou um homem. Eu sou uma coisa. "

Último lançamento do Mike Mignola. Aqui é mostrada a estória do clássico monstro Frankenstein dentro da mitologia do Hellboy. Nos seus anos de bebedeira como um luchador no México, Hellboy em sua desventura havia conhecido e enfrentado o monstro de Frankenstein, como mostrado em "A Casa dos Mortos-Vivos". Em "Frankenstein Subterrâneo" é mostrada a estória particular do personagem, com desenhos de Ben Stenbeck e cores do preferido de sempre, Dave Stewart. Sendo Mignola o fã de terror que é e com seu grande conhecimento literário, claro que ele não faria o crossover sem comprometimento, como apenas uma estóriazinha aí pra ter uma participação especial do monstro. Não. O tom dramático do livro de Mary Shelley se mantém aqui, mesmo com o direcionamento diferente que a trama toma.



Minuto Mignola - Drácula


"Renuncio a Deus! E a todos os hipócritas que se alimentam dele! Se minha amada esposa arderá no Inferno... Eu irei junto com ela! "

Adaptação do memorável filme de Francis Ford Coppola. Duvido que exista qualquer desenhista mais adequado à essa adaptação do que Mignola. Isso fica claro pela qualidade que a HQ prova mesmo em comparação com suas outras versões. Veja bem, o filme é do Coppola, que é nenhum zé mané, com ótimos atores, como o Gary Oldman e o Anthony Hopkins. O livro é do Bram Stoker... Ainda assim ler a HQ vale muito a pena! Ela passa a atmosfera sinistra tão bem quanto qualquer versão. Mignola não escreveu o roteiro, foi o Roy Thomas, mas... e daí? O Mignola chama mais atenção mesmo assim, hehe. Altamente recomendado, arrisco definir como imperdível!


E terminamos por aqui, amigos! Com a boa recepção das duas últimas partes eu já imagino que vocês devem ter gostado dessa! Da mesma forma, queria agradecer a todos que acompanharam, ajudaram a divulgar e comentaram com fortes elogios, isso sempre ajuda muito! Como sempre, nunca é demais agradecer ao espaço e a visibilidade cedidos pelo Ozymandias Realista. Até futuros posts, valeu!

POSTS DE ANÁLISE ANTERIORES


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