Em uma das últimas postagens do Xandão, dessa vez sobre os Defensores, sobre a formação original que contava com Hulk, Namor, Surfista Prateado e Doutor Estranho e mencionou brevemente que a Marvel tentou emplacar uma série com os personagens com a mesma formação da série da Netflix, escrita pelo Bendis (em seu último trabalho na editora). Argumentei com ele que, nos anos 2000 tinham existido uma espécie de Defensores com heróis urbanos da Marvel, esquecidos pelo tempo. O intuito desse texto é resgatar isso.
Obscuridade
do título e os responsáveis
A
confusão (bem como obscuridade do título) se deve mais ao nome do mesmo ser o
nome do selo que ele saia. Seria equivalente a lançarem uma equipe na DC com o
nome de Vertigo. A Marvel Knights surgiu como uma dose de
criatividade no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 para trazer histórias
mais adultas aos personagens, mas ainda não no padrão +18 que viria a se
consolidar no selo Max. Dá pra considerar aqui como histórias onde a violência e
apelo sexual podiam pesar mais, como pesariam em qualquer obra de classificação
de 14 anos. Entre os títulos de maior destaque, tivemos coisas como o v2
do Demolidor, o v3 do Pantera e principalmente o
Justiceiro do Ennis (Justiceiro v4). Embora muita coisa não tenha
sido nem publicada aqui no Brasil pela Panini, e o que foi, acabou diluído em
vários mix diferentes, com coisa desse selo publicada até na extinta e saudosa mensal
da Marvel Max.
Na
magia dos mix, eu descobri esse título como quem não quer nada numa tarde de
sábado na casa duns primos. Eles tinham um gibi do Aranha ainda publicado pela
Abril na linha Premium, e lá, sem nenhum anúncio, estava o melhor arco da
equipe e o que eu vou focar hoje, embora eu tenha lido o v1 completo para fazer
a edição.
Os
roteiros ficam a cargo do hoje cancelado Chuck Dixon, e do competente
Ed Barreto, que eu passei anos acreditando ser BR, mas era uruguaio
esse tempo todo, mais famoso por ter ilustrado a HQ solo do Luthor, a
“biografia não autorizada”.
Tudo
começa como mais um dia de trabalho do Frank Castle.
Ele
fica contente de ver vários mafiosos russos zerados no chão, só que o problema
é que ele não foi o responsável, e odiando mistérios, resolve descobrir se há
um novo jogador na cidade.
Intencional
ou não, o arco “O Soviético” que o Garth Ennis escreveu vários
anos depois tem o mesmo começo. Curioso.
Logo,
Castle percebe que quem tá fazendo isso é sobre-humano, reconhecendo seus
limites, ele resolve pedir uma assistência ao Demolidor, para que o mesmo
repasse essa pica pra indivíduos mais poderosos. Apesar de desde dos anos 80 o
Murdock não tolerar o Castle, ao contrário da versão mais atual dele, como no começo
da fase do Zdarksy onde ele entrega o Justiceiro pra polícia, mesmo
quando o próprio Justiceiro o salvou de ser desmascarado e preso, aqui ele
resolve deixar o vigilante ir.
Só
que ao invés de pedir ajuda aos pesos pesados, a situação que precisa ser
resolvida vai crescendo e o máximo de ajuda que o Demolidor acaba encontrando é
da Viúva-negra, Adaga e do Mestre do Kung-Fu (na versão raiz do personagem,
nada de anelzinho do Sonic, como é hoje em dia), está formada aí a nossa equipe
involuntária.
Ulik
brincando de lenhador
O
que tava por trás da desordem na cidade? Nada menos que o exército de Ulik, um
dos maiores inimigos do Poderoso Thor. “O que porra um grupo de heróis
urbanos pode fazer contra uma criatura quase nível Superman?” você pode
perguntar.
“Terapia
em grupo”, responderia um fã do filme Thunderbolts*.
Como
aqui ainda era um gibi de ação sem medo de entreter, a situação logo escala com
os heróis tendo que sobreviver a um cerco de várias criaturas num metrô.
Demolidor
resolve investigar, vendo que a força bruta não resolveria a situação, e logo
descobre que toda a revolta daquele troll era porque tinham roubado um chifre
mágico dele, ou devolviam o brinquedo dele de volta, ou ele ia detonar a cidade
como uma criança quebra bonequinhos.
Só
que o Justiceiro não é tão afeito a esse tipo de negociação, e sai abrindo
caminho entre os soldados de Ulik até chegar no próprio. Lembrando a versão Max
do personagem, Frank parte do principio de que “no tiroteio contra uma multidão
sempre mire em quem dá as ordens”. Mal sabia ele que o seu arsenal não teria
vez contra o monstro, mas isso não o impede de tentar.
Munição
que perfura aço, faca de titânio, tiro de Magnum de perto na cara (geralmente
letal nos jogos do Resident), nada adianta. Encurralado e pego pelo bicho,
Frank aceita que chegou a sua hora e segura uma granada de plutônio como solução
final. Prestes a puxar o pino e ir pra Valhalla... Demolidor aparece com o chifre
na mão e diz que Ulik tem o que quer, logo, ele pode dar as costas e parar com
tudo aquilo.
Ulik
podia muito bem pegar o chifre e matar geral, mas pega seu artefato e diz “só
vou porque eu quero”. No chão, detonado, Frank olha pro Demolidor e diz algo “estou
bem onde você quer, coroinha”, só que Murdock diz que tá cansado e que vai
liberar ele dessa vez. Justiceiro ri do bom mocinho do cara e assim encerrar o
primeiro arco.
Curiosamente
(x2), no arco seguinte, o Demolidor resolve pegar aquela mesma equipe pra tirar
o Justiceiro de circulação, Adaga continua na sua busca por Manto, Shang-Chi é
caçado por um vilão obscuro chamado Zaran e a série seguiu por mais um punhado
de edições sendo encerrada de forma abrupta na edição #15. Antes do fim, a
equipe tinha ganho reforço de personagens como o Luke Cage (ainda herói de aluguel
nessa época) e do Cavaleiro da Lua (mais sóbrio, sem 1000 personalidades como é
hoje em dia).
Joe
Quesada poucas ideias
Pesquisando
brevemente, além do presumível motivo de baixas vendas, a Marvel naquela época
além de toda a restruturação contava com o Quesadinha sem medo de cortar antigos
cracks da editora, como até o próprio John Byrne. Como editor, Quesada estava
prezando muito mais novos talentos que ele tivesse mais controle criativo sobre
do que veteranos (tanto que o Morrison nem durou muito na editora e acho que o
Ennis durou tanto porque além do sucesso que ele fez no Justiceiro, não era um
personagem do time A onde o editorial vinha pesado) e com o Dixon assinando comuma editora chamada CrossGen em 2001, o gordão achou melhor engavetar esse
projeto. Ao menos até o ano seguinte.
Um
v2 e um v3 mais como continuações de filme de cinema diretamente pra DVD
Em
2002 a série teria uma mini em seis edições com uma arte tão ruim que eu não
consegui me concentrar na história. Eu sei que eu num desenho bem, mas acho que
se me pagassem em dólar por página eu tentaria fazer algo melhor do que isso:
Entre 2018 e 2019, já sobre outra direção editorial (e não das melhores), para comemorar o aniversário de vinte anos do selo a Marvel lançou uma mini pelo na época badalado Donny Cates, que eu não li até hoje, a arte pelo menos é boa...
Você lembrava desse quadrinho? Não é nada demais? É um lixo que deveria ser esquecido? Deixe nos comentários. Se esse post tiver tração, posso fazer dos volumes seguintes. E se alguém tiver interesse numa versão remasterizada dessa HQ, dá um pulo no blog da Cozinha do Inferno. E me vou--























