Os caras vão entregar um Uncharted do Wolverine, mas eu sempre sonhei com um Mad Max dele...

 


Acho que tão cedo eu não vou jogar esse novo game do Wolverine, se fosse sair pra PC como qualquer lançamento normal e acessível a coisa de 30 ou 40 conto numa conta compartilhada na Steam pra jogar offline seria uma coisa, mas comprar um PS5 para “um grande lançamentos desses por ano” com o preço da máquina custando um PC gamer competente e com a Sony ano a ano odiando mais o cliente, fica difícil...

Nem vou entrar muito nas críticas que o game anda recebendo às toneladas, muitas delas realmente advém do quanto as pessoas tão saturadas da “formula exclusivo da Sony”, do quanto o game a cada gameplay parece cada vez mais genérico, aquele pacote especial que a Sweet Baby Ink deixou no produto e o próprio justo boicote com o fim da mídia física, que também fará esse game pagar o pato, já que na cabeça da dona Sony, um exclusivo dela vale a mesma devoção cega que as pessoas dão a um GTA VI.



Existem vários posts aqui no blog com o passar dos anos descrevendo games dos sonhos, e esse foi o que eu sempre imaginei com o do Wolverine, o objetivo do post é só partilhar isso. Sendo assim, se a caneta tivesse na minha mão, eu escolheria o...

VELHO LOGAN



Sim, muita gente odeia essa história, diz que “descaracteriza” os personagens. O revisionismo com o Mark Millar hoje em dia é esse, fazer o que? Para mim, o escocês continua como um dos dez melhores autores dos anos 2000, mas já discutimos a exaustão sobre isso AQUI.

Como eu nunca fui fã do Wolverine desde criancinha, como muita gente (e não estou sendo irônico dessa vez), essa versão do Velho Logan é a minha versão preferida do personagem e uma das realidades alternativas preferidas.

Sim, eu sei. O Millar pegou esse filme aqui:




Pegou a estética desses filmes aqui (não só o Millar, não é, porra?!):

E roubou vários elementos desse quadrinho aqui:



Logicamente que lá na adolescência quando li esse material a primeira vez em scans, mês a mês acho que ainda lá pela Action & Comics e posteriormente comprei mês a mês as 8 revistas do Wolverine que publicaram a história aqui no Brasil (num mix que também tinha a mensal do X-Factor escrita pelo Peter David, vale acrescentar) eu não sabia de nada disso.

Mas, com o passar do tempo, mesmo conhecendo as obras que o Millar “chupinhou”, isso não diminuiu nem um pouco a qualidade dela, perdi a contagem de quantas vezes reli e minhas maiores críticas até hoje é que a história é curta e nunca teve uma continuação digna com os mesmos autores. Sem cansar vocês:

O Millar sempre foi o cara dos remakes de ideias de outras obras funcionando melhor na obra dele. Se você não consegue lidar com isso, pode continuar lendo o seu Tom King.

Trama



O jogo começaria com aquela cena de combate épica com vários vilões destruindo as ruas, o maior caos, semelhante ao começo do primeiro The Last of Us. (se é pra copiar esse game, vamos copiar as coisas boas e não toda a estrutura como fizeram com GOW de 2018). Muito do que a gente viu sendo mencionado pelo Gavião Arqueiro no quadrinho como a morte do Thor a gente já veria já no começo do game, 20 ou 30 minutos de porradaria desenfreada com a única missão do Logan ser a de conseguir ir até os X-Men. Ele veria boa parte dos Vingadores e outros heróis sendo mortas, se machucaria bastante e o seu instinto protetor com a sua equipe falaria mais alto e ele se daria conta que não tinha como salvar aquilo ali.

O jogo cortaria pra 50 anos depois. Todo aquele som de violão e clima de Velho Oeste enquanto o Logan fazendeiro vai fazendo algumas atividades e interagindo com a sua família. Algo numa pegada sonora próximo disso:



Daí a gangue Hulk viria cobrar o aluguel e o game começaria a seguir mais as páginas dos quadrinhos mais à risca, Logan seria contratado pelo Clint para dirigir o buggy-Aranha, que ocasionalmente quebraria e precisaria ir sendo upado para ir progredindo no jogo. Eu até ousaria colocar um sistema de caça e pilhagem, não algo tão rebuscado como no RDR II e sim algo mais objetivo como em Far Cry 3. O que eu pegaria do RDR II seria um sistema de honra e diferentes formas daquele mundo reagir a você. Você poderia ajudar pessoas que no caminho estariam precisando de uma mão ou negligenciar as mesmas, até roubar, tudo ficaria nas mãos dos jogares.

E logicamente, tudo isso não caberia num jogo de mundo aberto, teria que ser bastante comprimido. Mas, pegue por exemplo um game como o AC Odissey, eu acho aquele jogo gigante dividido em várias ilhas gregas. É obvio que no game elas não tem a extensão territorial da vida real, mas funciona, e é um game de 2018.

Mundo aberto e mais sobre aquele mundo



Na obra original, dado as poucas edições que ela tinha, o leitor tinha mais diálogos expositivos do Clint sobre o que aconteceu em cada local, esses diálogos continuariam, mas agora com você envolvido na ação. Só que na obra original, faz meio século que o Logan não coloca as suas garras pra fora e colocar ele as usando sem a reviravolta no final da HQ seria anular completamente o sentido dela.

Sem porrada e sem garras?



Até o Clint ser morto, no presente, no máximo o Wolverine ocasionalmente daria umas porradas, não há como preservar ele totalmente da paz num game, isso só frustraria as pessoas. Entre uma viagem e outra viriam mais e mais flashbacks até ele chegar na mansão X, durante cerca de 30 à 40% do game, toda a parte de ação com o Wolvie seria sempre no passado, findando naquela cena onde ele confessa no bar o que aconteceu de fato “na noite em que os vilões venceram”.

Após a morte do Gavião, o jogador teria a opção de ficar com o escudo do Capitão América como uma arma secundária, tal qual o Kratos nos últimos dois games. Todo o inferno que ele passa pra voltar pra casa e é abreviado na HQ seria gameplay, incluindo um ocasional uso de partes da armadura do Homem de Ferro até ela pifar de vez. Daí, finalmente chegando em casa, Logan teria a mesma revelação que existe no quadrinho com a gangue Hulk tendo acabado com a sua família “porque estavam entediados”.

O desfecho seria o mesmo da HQ, com Wolverine eliminando ao invés de toda a gangue Hulk, apenas uma parte dela e tirando um x1 com o vovô Banner.



Diferente do quadrinho onde Banner se transforma e transforma Logan no jantar, aqui eu faria ele deitar o Logan na porrada por bem mais tempo e derrota Wolverine saindo ainda com alguns membros vivos da gangue.

O restante do game seria toda uma jornada de Wolverine montado a cavalo passando por novos lugares e caçando Banner, contando com aliados ocasionais sobreviventes daquele mundo, incluindo o Doutor Destino, que nessa realidade daquele mundo seria o Reed Richards que teria trocado de corpo com o Victor Von Doom (aludindo uma das primeiras histórias do QF) e teria mantido isso esse segredo, tal qual Logan e apenas abaixado a sua cabeça para a derrota, vendo nisso que o Logan tava fazendo uma chance de redenção.

Seria interessante entre as revisitações de lugares que ele passou, ele visitar a nova Rainha do Crime, que foi a filha do Clint que deu um golpe Rei do Crime anterior no quadrinho. Mantendo todo o tom cínico da obra original, Logan não mataria ela porque veria que todo aquele caos seria ainda pior sem alguém pra reinar. 



Mundo aberto ou semi-aberto?

Difícil dizer. Deixo para vocês decidirem nos comentários. Porque conforme eu fui escrevendo, isso me dividiu bastante. Muito da minha inspiração inicial tinha sido o Mad Max, em especial com aquele tipo de combate muito mais bruto e por vezes cenários desertos. Só que dada a minha clara inspiração com o TLOU e GOW atual, talvez cenários gigantes, só que fechados, "aréas" tornasse tudo mais focado. Não tenho uma decisão sobre isso, e essa discursão sempre volta a tona com a comunidade sempre que lança um novo game custando 400 conto ou mais.

 

E se fosse pra mudar esse Uncharted do Wolverine atual, o que eu mudaria?



Eu não faria nada que qualquer fã médio de quadrinhos não faria, e como eu para ver, eu nem mesmo sou um grande leitor do carcaju. Mas eu colocaria outros personagens para fazer participações mais do que especiais e com a opção do player poder controlar os mesmos naquelas fases em que eles aparecem e se não fosse pedir demais, poder zerar o game todo com eles em um New Game+.


Quem eu quero enganar? Isso é pedir demais. Você tem a porra de um Spider-Man 2 onde o Venom não se torna desbloqueado pra ser jogado ao fim do jogo, quando um game de 2005 já fazia isso.


Eu botaria o Demolidor para aparecer em pelo menos uma fase onde aparece o Tentáculo. Coisa de HQ quando o Wolverine começasse a ficar preso contra vários inimigos, semelhante ao que fizeram nessa cena do Wolverine Imortal.



Eu colocaria o Motoqueiro Fantasma aparecendo em alguma fase que se passasse com os dois cada um em uma moto passando por vários inimigos, ainda mais se envolvesse demônios (o que não passa muito longe quando você envolve o Tentáculo).



Eu colocaria uma participação do Homem-Aranha, o que não seria tão difícil, visto que pra esse personagem não teria a desculpa de não terem a licença para usar.



Jean Grey no jogo? Sem problemas, mas ela apareceria junto aos outros X-Men semelhante ao que aconteceu no primeiro filme da equipe lá em 2000. Logan poderia sair em campo em uma missão com eles e conheceria a mansão (naquele estilo que esses jogos da Sony adoram tanto do PS4 pra cá, passeando pelo cenário e ouvindo longos diálogos), mas logo iria se afastar da equipe porque iria estar sendo caçado e não iria querer levar esse problema para eles, ficaria já o gancho pra um game da equipe, nada muito megalomaníaco, uma formação menor contando também com Ciclope, Tempestade, Vampira, Fera e Colossus.

(Novamente, isso é pedir demais, se os rumores forem verdade, nem X-Men a equipe vai se chamar, o que seria extremista pra qualquer produtor que saiba somar 2+2 do quanto vão perder grana ao não usar o nome da marca corretamente por causa de alguma ideologia).



Todo esse papel de personagem feminina jogável em missões eu colocaria para a Mística. Semelhante a um arco onde o Logan caça ela (escrito pelo Aaron em quatro partes, só não lembro o nome agora) e em algum momento ela teria que trabalhar com ele ou paralelo a ele, tal qual a Ada com o Leon lá no R4. Ao contrário do Control (2019) de baixo orçamento que parecem ter feito com a Jean Grey, imagine várias possibilidades de steath que você teria com alguém como a Mística podendo se disfarçar de qualquer guarda do lugar onde ela quer invadir. Seria o steath que quebra o ritmo de jogo de ação (como fazem com a MJ nos games do Aranha) feito da forma certa, mostrando que o problema da maioria dos jogadores não é ter que jogar com personagem feminina em um jogo foda - A Claire lá no Resident 2 original ou remake manda lembranças - ou o steath em si, mas a forma totalmente destoante e intrusiva que ele é feito, muito mais como uma inserção ideológica do que um complemento narrativo. 


 

Eu faria nem que fosse uma fase se passando no passado envolvendo apenas Victor e Logan, poderia até mesmo ser na Primeira Guerra para ficar menos clichê com ambos pegando em armas de fogo como rifles e em algum momento ficariam sem balas e tendo que se virar na mão nas linhas inimigas, faria um tipo de missão survive com em algum momento os dois tendo que se separar. Faria também o diferencial dessa missão ser o jogador controlar o Dentes de Sabre em todo esse cenário, ele seria muito mais forte e pesado. E claro, ao zerando o jogo, o player teria a opção de também zerar o game usando esse personagem.



Se dependesse de mim, eu iria até mais longe e faria boa parte da narrativa do game, sendo episódica, ser semelhante ao que foi o primeiro COD Black Ops, o personagem do Wolverine até permite mais isso do que um humano comum como o Mason lá no COD.

Tudo isso foram só algumas ideias que surgiram só pensando sobre isso em menos de uma hora. A gente tá falando de um game que deve ter levado pelo menos meia década de desenvolvimento, tem um provável orçamento entre 100 à 200 milhões de dólares e muita vezes tem mais consultoria sobre diversidade do que consultoria sobre o que funcionou nos quadrinhos e em outros games do personagem e que faria o fator replay do game aumentar, até mesmo para enfrentar com algum trunfo uma crítica cada vez mais recorrente dos jogadores que não são abastados na vida podendo pagar 400 reais em um jogo no lançamento para poder zerar o mesmo em poucos dias. Da mesma forma, não adianta ser um mundo aberto cheia de secundárias que não somam à trama e árvores de habilidades por vezes entediantes só para dar a ilusão de conteúdo extenso.

Em breve entre os posts dos games zerados esse ano...


Só ver o Resident Evil: Requiem que saiu no começo do ano. Um game que dá pra zerar em menos de 20h, mas com um puta fator replay e que foi elogiado por ter uma excelência técnica ao que se propõe, um esperado fator replay, como ser um jogo que não insulta os fãs, pelo contrário, afaga o fã, seja o cara que jogou só de R7 pra cá, que só jogou o R4 pra cá ou o cara que tá acompanhando a franquia desde 96 pelo PS1.

Isso não significa que a franquia é perfeita, vários games como o R5, R6 e até o R8 são divisivos. Só que em vez de irem no X chorar que “estão sendo muito pressionados na internet” como a direção desse novo game do Wv fez, como bons capitalistas, eles buscam entregar um produto melhor.



Mas, e você? Vai jogar esse game do Wolverine? Gosta do jeito que tá? Tudo o que eu falei são mais delírios de fãs que não sobrevivem ao crivo corporativo atual? Deixem nos comentários.

Como autocrítica, eu posso dizer que muito do que eu gosto nos games vieram do PS2, mas a época era outra. Orçamentos menores envolvidos, mais paixão, mais espaço pra ousadia e há não ser que seja um produto consolidado, o mais focado em finanças pode argumentar que quanto mais grana envolvida, mas a direção é “jogar no seguro”...