Nessa quarta-feira
passada, dia 27 de maio, foi lançada a série Homem Aranha Noir, introduzindo
fãs a uma variante do Homem Aranha em aventuras de drama policial nos anos
30/40.
Enquanto o grande destaque com é o protagonista sendo vivido pelo Nicolas Cage, a série também apresenta variantes de personagens da mitologia do Aranha, como Gata Negra e Homem Areia, só que com uma estética mais condizente com o tom da série.
Como
um dos antagonistas, um dos destacados é Cabelo de Prata (vivido por Brendan
Gleeson), que, fãs das hqs, reconhecem sendo um variante de um dos principais
vilões mafiosos do mundo do Aranha.
Tendo feito sua estreia
em Amazing Spider Man vol.1 nº73 (publicado em 1969), sendo criado por Stan
Lee, John Buscema e John Romita Sr., Silvio “Cabelo de Prata” Manfredi é o
líder do sindicato criminoso Maggia. Embora seus objetivos sejam típica ambição
por poder e influência, o que o torna interessante é seu desenvolvimento, indo
de um simples chefe do crime para se tornar um ciborgue, como forma de se
adaptar a um mundo de “mutantes e super-humanos”.
Ele é um dos
personagens que personifica a mudança que super heróis causam na sociedade, com
crime organizado dando lugar por super-vilões capazes de se opor a eles.
Visto como o personagem
está sendo introduzido a um público maior, esse meu texto irá falar de uma
história que recomendo para todos interessados em conhecer o vilão.
Curiosamente essa história é onde o Cabelo de Prata fez sua estreia nas hqs do
cabeça de teia: O arco da Tabuleta Antiga, uma saga que foi desenvolvida em The
Amazing Spider Man vol.1 nº68 a 75, com todas edições tendo sido escritas por Stan Lee, com a arte de John Romita Sr.
Trama
Uma tabuleta antiga é
colocada em exibição em um museu da Universidade Empire State. Devido aos
rumores de um segredo valoroso que aguarda aquele que conseguir decifra-la, a
tabuleta acaba virando alvo de interesse do Rei do Crime. Acompanhado de seus
homens, ele invade o museu e rouba a tabuleta.
Seguindo o chefe do submundo, o Homem Aranha consegue derrota-lo e recuperar a tabuleta.
Porém ele logo descobre que existe outras figuras interessadas na plaqueta, e eles irão colocar várias pessoas próximas do herói em perigo para obtê-la e o segredo que ela esconde em suas inscrições.
O
Mcguffin do Poder & responsabilidade
Já de cara, fica
evidente que esse arco consiste basicamente numa “caça ao tesouro”, com a
tabuleta antiga sendo um mcguffin disputado pelos personagens, com os
antagonistas sendo atraídos pelo objeto e o segredo escondido em suas
inscrições.
É uma trama bem básica,
mas se encaixa na temática do Homem Aranha sobre poder e responsabilidade. A
tabuleta representa o conceito “poder” (ou a promessa de poder) que os
personagens estão tentando obter. Mas, como diz o ditado conhecido “Com grandes
poderes, vem grandes responsabilidades”. Não importa quem a possua, a tabuleta
já torna seu dono em alvo para inimigos e problemas.
Nem mesmo o Homem
Aranha é exceção a regra, com o fato dele possuir a tabuleta não só o torna
alvo de policiais, que o acusam de ter roubado o objeto, mas também, após ele
decidir entregar o objeto para seu amigo, Capitão Stacy, o policial é atacado
pelo Shocker.
Olhando por esse
ângulo, a tabuleta assume um papel similar ao anel de Tolkien “Senhor dos
Aneis”, sendo um objeto que oferece poder para seu detentor, apenas para
leva-lo a sua destruição.
Isso fica bem claro
quando ela cai nas mãos do Cabelo de Prata.
O
herói que busca maturidade vs o vilão que busca juventude
Apesar de ser o vilão
de destaque dessa história, o Cabelo de Prata só vem a aparecer na edição 73,
na metade da saga.
A primeira vista, sua
introdução pode parecer estranha. Qual o ponto de introduzir um novo vilão
mafioso quando o arco já tinha começado com o Rei do Crime, que já era um
mafioso estabelecido?
Entretanto, a história
demonstra diferença entre os dois: Enquanto o Rei, grande, forte, tem presença imponente, o
Cabelo de Prata é simplesmente um homem velho, de aparência frágil, mas tendo
conhecimento pleno do segredo por trás da tabuleta, de o objeto contém uma
formula de rejuvenescimento.
O Cabelo de Prata não busca
a tabuleta para vender essa informação a outros e fazer uma fortuna, ele quer a
formula para si, para poder voltar a ser jovem.
É um desejo bem relacionável,
com o roteiro de Stan Lee dedicando várias cenas para mostrar como o fato de
ser velho e com uma saúde frágil prejudica a imagem do Cabelo de Prata diante
seus capangas, com alguns, como o astuto Cícero, conspirando contra o mafioso.
Logo, não é difícil de entender por que o Cabelo de Prata ficaria tão obcecado
com uma oportunidade de poder voltar ao ser o gangster que ele foi em seu auge.
No entanto, mesmo com
uma motivação compreensível, o roteiro não deixa leitores esquecerem que Cabelo
continua sendo um chefe do crime inescrupuloso e disposto a ameaçar inocentes
(incluindo o Doutor Curt Connors e sua família) para atingir seu objetivo. O
que ele não tem de força física é compensada por seus capangas, incluindo seu
braço direito Michael Marko, o Homem Montanha.
A parte interessante de caracterização do Cabelo de Prata, sua impaciência e crueldade, é como ela cria o contraste com Homem Aranha, que é jovem, sofre com infortúnios e frustrações na vida, mas ele demonstra auto-controle.
Ele não é perfeito e tem seus
momentos de raiva, mas pelo menos Peter sabe reconhecer quando está errado e
tenta ser melhor ao invés de se deixar ser influenciado pelas críticas alheias.
Apropriadamente, é a falta dessas qualidades no Cabelo de Prata que acabam sendo as ferramentas para sua ruina. No final do arco, ele consegue a juventude que tanto queria.
Porém o soro vem com um efeito colateral, fazendo com que ele vá ficando cada vez mais jovem, até ser apagado da existência.
Como uma
verdadeira tragédia, grega a queda do Cabelo de Prata acabou vindo Aranha, mas
sim pelo preço de seu desejo de reviver seus dias de glória, ao invés de
reconhecer as qualidades que ele tinha no presente, um defeito que infelizmente
pode ser encontrado em muitas pessoas que sofrem de inseguranças devido a visão
preconceituosa de muitos quanto sua idade, ao invés de valorizarem suas
qualidades e competências.
Considerações finais
Pra mim, toda fase do
Homem Aranha do Stan Lee, Steve Ditko e John Romita Sr. é uma recomendação para
qualquer fã de quadrinhos, tendo um tom que equilibra momentos divertidos e
dramáticos, além de vários eventos da mitologia do personagem, como sua origem,
a introdução de seu elenco de apoio e vilões.
Mas, se for para
recomendar um arco, a Saga da Tabuleta é uma boa opção de leitura.
Ela é uma das melhores
da época?
Não exatamente. Existem
outras opções (Se esse for meu destino... ou Homem Aranha Nunca Mais).
Porém isso exclui a
excelente forma como a Saga da Tabuleta consegue criar uma trama divertida do
Homem Aranha, introduzindo novos vilões e conceitos, mas respeitando as
temáticas das histórias do Amigão da Vizinhança.
Nota 10/10
Então é isso! Qual a opinião de vocês quanto a Saga da Tabuleta da vida? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.







