Absolute Superman segue a mesma linha de Absolute
Batman, que é ambientar os heróis da DC em outra continuidade, mais sombria
e violenta, para talvez atingir um novo público de leitores, tal como foi a
linha Ultimate da Marvel no início dos anos 2000.
Obviamente, essa versão do Superman tem muitas diferenças com relação à versão mais tradicional do herói. Uma delas é o fato de que Kal-El não chega bebê à Terra, mas sim adulto, de uma forma que, até onde li, ainda não foi revelado. Apenas li o primeiro número de Absolute Superman da Panini, que compila as edições americanas de Absolute Superman nos 1 e 2.
E Jor-El e Lara, os pais de Kal-El, também são representados de forma diferente da tradicional. Nessa versão Absolute, Jor-El e Lara são cientistas que caíram em desgraça e foram rebaixados a trabalhadores, fazendo parte da Guilda Trabalhista, um tipo de PT lá de Kripton, e o símbolo da Guilda Trabalhista é o “S” do Superman, em vez de ser a foice e o martelo ou estrela vermelhinha. Porém, eles já perceberam que o fim de seu mundo se avizinha.
Em um salto temporal, Kal-El vem parar em nosso Brasil, em uma região não especificada, mas que é basicamente uma favela próxima a montanhas de mineração. Ali, a tal da Companhia Lázaro está explorando os mineradores para que eles explorem uns minerais que lembram kriptonita. Isso sob a ameaça dos “pacificadores”. No universo Absolute, o Pacificador abriu sua franquia de personagens.
A princípio, Kal-El não
quer se envolver, mas quando a coisa fica feia para os mineradores, ele é forçado
a agir e arrasa com os pacificadores. Essa versão do Superman tem um traje que
é inteligente e munido de IA, é como se fosse o Chat GPT lá de Kripton. E é aí
que surge a versão da Lois desse mundo, que não é jornalista, mas uma agente da
Companhia Lázaro.
E para quem está na
dúvida do que aconteceu com o casal Kent nesse universo Absolute, também não sei.
Há uma sequência de quadrinhos que mostra a casa dos Kents abandonada. E será
que quem está por trás da Companhia Lázaro é o Absolute Luthor? Provavelmente,
a Lazarus Corp deve se tornar a LexCorp ou a LuthorCorp.
Enfim, Absolute Superman começou bem, na minha opinião, e é escrito por Jason Aaron, que foi responsável por HQs muito boas como Escalpo, Thor e Justiceiro Max, mas que também escreveu umas bostas, como essa fase do Justiceiro líder do Tentáculo. Os desenhos de Rafa Sandoval são muito bons; ele tem um estilo técnico, mas que lembra também a arte dos quadrinhos da Image dos anos 90. Na verdade, essa estética desesperançosa da HQ não é bem novidade; era bem comum na década de 90, em que tudo era refletido como um espelho negro.
No entanto, deve
admitir que gostei mais de Absolute Superman que de Absolute Batman,
porque, apesar de não ser uma HQ ruim (mas também não chega a ser uma HQ “boa”,
he he), ela não tem nada de Batman; para mim, aquilo nem é Batman. Todavia, Absolute
Superman tem um pouco de Superman; ainda que pouco, tem alguma coisa. E eles
ainda adularam os fãs brasileiros, situando o Homem de Aço Absolute em terras
tupiniquins. Nota 7,5 de 10.







