Estranhos no Paraíso é uma ode ao amor.

 



Texto publicado originalmente no meu instagram @bluehcomics em 20 de Julho de 2020. Atualmente, estou no aguardo da 5º edição da editora Devir.



Primeiramente, gostaria de definir Estranhos no Paraíso como uma ode ao amor. 🌹



A grande obra da vida de Terry Moore! Lançado origanalmente como uma minissérie em 3 edições de 1993,  É um dos grandes expoentes dos quadrinhos undergrounds Norte Americanos. Terry quem próprio publica o quadrinho, com o selo de seu estúdio, o "Abstract Studios". Com um roteiro ágil, que não deixa a peteca cair em nenhum capítulo, e sua arte sutil e bela, Moore nos transporta para o mundo de Estranhos no Paraíso, faz você se importar com cada um dos três personagens ali presentes, é incrível a maneira como Terry retrata as pessoas no quadrinho, extremamente reais, principalmente pela época da explosão Image, onde homens e mulheres eram desenhados de maneira que pareciam saídos de um Photoshop exagerado e extremamente sexualizado, principalmente as mulheres. Não utilizando desse recurso, e com um objetivo claro, a sensibilidade em cada personagem. A identificação com a atualidade, e os temas ali abordados conseguem te segurar o quadrinho todo.


A história do quadrinho me envolveu de uma maneira tão forte, que nenhuma outra obra conseguiu, um quadrinho sutil, poético e reflexivo. Por vezes ao ler, me peguei pensando na vida e nos diversos sonhos que tenho e vou ter, me senti muitas vezes como Katchoo, outras Francie e também como David, cada problema pessoal e sentimental de cada personagem, te pega de uma maneira, e muita das vezes, de maneiras que você não espera.



Katchoo, Francine e David três pessoas extremamente diferentes, porém com uma coisa em comum, o amor. Um amor voraz, selvagem e que muitas vezes desperta dúvidas e anseios nos protagonistas. Katchoo e Francine são duas jovens amigas e moram juntas, Francie namora um empresário chamado Fred, a qual ela se entrega de corpo e alma, e muitas vezes se humilha por ele. Na minha concepção, ele não passa de um tarado sexista e homofóbico, o qual o único objetivo em manter um relacionamento com Francine durante 1 ano, é conseguir fazer sexo com ela.


Katchoo odeia Fred (E quem não!?) Justamente por só fazer Francine, a garota que ela mais ama no mundo, sofrer. O amor de Katchoo é muito maior que uma simples amizade, é um amor fervoroso, o qual somente poucas paixões podem despertar. Pode parecer meio "piegas" mas Moore não deixa a história ficar chata e batida, é aí que David surge na vida de Katchoo e Francine, o jovem se apaixona pela garota badass de cabelos loiros logo de cara, consegue sentir nela uma pessoa intensa e com diversos problemas, principalmente para dormir.


Contudo, ficamos nessa dicotomia louca ao longo das tramas. Katchoo ama Francie, que ama Fred, mas ao mesmo tempo ama Katchoo e sente que também ama David, na mesma intensidade, e David que é completamente apaixonado por Katchoo, e tenta entrar na vida das duas amigas de qualquer maneira, mesmo muitas vezes percebendo que pode não ter ali, espaço para ele.



As edições da editora Devir estão impecáveis, com um acabamento gráfico belíssimo, e o qual vale a pena ter na estante, Estranhos no Paraíso é uma obra maravilhosa e eu amei! 

A leitura de Estranhos no Paraíso me dá a mesma sensação de assistir "Clube dos Cinco" e "A Sociedade dos Poetas Mortos"

 


Muitos podem virar a cara e pensar que esse quadrinho é panfletagem e essas coisas, o que eu não acho que seja. Outros podem dizer que é história de adolescente ou novelão, eu gosto. Antes de só bater o olho e pensar, dê uma chance, talvez você se surpreenda com a qualidade. 



Na minha opinião, é um p*ta quadrinho bacana.

Agradeço a você que leu até aqui, espero que tenha gostado, deixe um comentário se você já leu esse quadrinho, ou tem vontade de ler. 

Também estou no instagram: @bluehcomics



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