sábado, 23 de abril de 2016

Wolf Hoffmann: Headbangers Symphony


Eu nem sabia que o guitarrista carecão do Accept tinha trabalhos solo, como anunciaram agora o segundo, aproveitei pra fazer já o terceiro post sobre trabalhos solo de roqueiros. Foi uma intervenção improvisada, isso não tava planejado não, mas o que ia ser o terceiro pode ser o quarto agora. Relembrando que os últimos foram "Ozzy Osbourne: por que adolescentes idolatram um velho?" e "Paul Stanley: feminilidade ou masculinidade?". Vamos agora falar do monstruoso alemão, que já foi definido pelo jornalista internacional Eddie Trunk (That Metal Show) como um dos guitarristas mais subestimados da história:



WOLF HOFFMANN...


"Nós fomos os primeiros e a única banda naquele tempo a fazer o que nós estávamos fazendo."

Bem, pra quem não conhece, vamos começar pelo Accept. Eles podem não ter sido a primeira banda de Metal da História, mas foram os primeiros na Alemanha, que tem muita coisa boa, como Helloween, Rammstein, Kreator e Sodom; então pode acreditar que eles influenciaram (e ainda influenciam) muita gente. Os caras começaram oficialmente em 1976, antes se chamavam Band X, mas essa fase não é muito relevante, levando em consideração que nem havia todos os membros mais famosos ainda. Em 1979 eles lançam o álbum "Accept", já com o próprio nome da banda de título. Não demorou muito e até metade dos Anos 80 eles já haviam lançado muito de seus maiores clássicos como "I'm a Rebel", "Breaker", "Restless and Wild", "Balls to the Wall" e "Metal Heart".


A banda sofreu separações e passou por algumas reuniões, mas depois de lançar o "Predator" em 1996, eles ficaram bem afastados... Chega a ser assustador, só fizeram uma reunião em 2005, mas não contou com qualquer gravação nova. É assustador porque era uma banda muito boa, eles não tiveram só alguns clássicos, havia muito material bom! Não são poucos que os definem como o "AC/DC do Heavy Metal", pois sua fórmula é certeira e eficiente, sem falar da voz do vocalista que parece uma mistura entre o Bon Scott e o Brian Johnson.


Falando em Udo Dirkschneider, o pequeno gritalhão continuou ativo no meio mesmo sem o Accept, tendo uma série de trabalhos solo com sua banda nomeada como "U.D.O." Ele começou logo em 87, com o "Animal House" e desde então fez vários, totalizando quinze álbuns, mais do que a discografia do Accept contando com todas as formações.


*Eu colocaria algum vídeo oficial, mas acontece que o aplicativo de YouTube do blogger é uma bosta. Sinto muito.


Mas vamos voltar ao Wolf, já que o post não é sobre o Udo. Por pouco o talentoso careca quase não seria mais lembrado hoje em dia. Por muita sorte mesmo, ele se uniu ao baixista membro-fundador do Accept, Peter Baltes, para fazer uma jam. Udo não tinha qualquer interesse de voltar a tocar com eles (oh!) então eles tiveram que convidar um vocalista que nem sequer conheciam mas haviam recomendado para eles, um tal de Mark Tornillo, que nem trabalhava mais no meio da música, estava aposentado como eles.

Monsters of Rock 2015, Arena Anhembi em São Paulo


Assim ressurgiu o Accept.

E o resto é história.

Mas história bem recente!


Em 2010 lançaram o incrível "Blood of the Nations", com um explosivo retorno o qual ninguém esperava muito. Em sequência veio o nada pior "Stalingrad" em 2012 e por último "Blind Rage" de 2014. Os caras foram altamente bem avaliados, ocuparam altíssimas posições em tops de revistas e sites famosos, além de terem excursionado sem parar pelo mundo passando por festivais de nome como o Wacken e o Monsters of Rock. Esse ano mesmo eles fizeram cinco shows bem recentes no Brasil, terminando dia 14 de abril, em Curitiba. Você pode ler um texto sobre o show de São Paulo no link abaixo:




As composições do Accept são muito variadas. Não dá pra dizer que eles escrevem sobre um, dois ou três temas. Por exemplo, o primeiro álbum contava com o clássico "Sounds of War", curiosamente cantada pelo baixista Peter Baltes, com Udo como back vocal, algo que não veio a se repetir no futuro. A letra conta sobre a guerra do ponto de vista de um drama terrível e desesperado.

Sounds of chains we hear from far behind
Mechanic noises of magic kind
Mighty war machines are on their way
I'm knowing here is no place to stay

Time will come we'll have to pay
An evil war will come some day
I feel frosty atmosphere
Don't you see that the point is near

Shooting guns I hear from everywhere loud
Bombs are falling out of dark gray clouds!
Tanks are coming, beware of the chains
Children are suffering, they cry for help!

But chains are coming and they smash them down
Bombs burn houses and everything around
No use of crying, it seems to be the end
It seems to be the end of this rotten land

I was born, oh, tell me why?
I was born, oh, tell me why?

Killing children, who doesn't know hatred
Torturing people, what's for this mess???
Tell me the sense of useless life
Killing each other with guns and knives!!!

I was born, oh, tell me why?
I was born, oh, tell me why?


Há algumas de fantasia, outras simplesmente sobre rock e rebeldia, algumas são românticas, como eu disse, não dá pra definir "eles escrevem sobre isso, x". Um contraste foram os dois primeiros álbuns pós-retorno, "Blood of the Nations" e "Stalingrad", os dois são conceituais e falam sobre guerra quase que do início ao fim. Mas o tom é bem diferente de "Sounds of War" ou "Balls to the Wall", eles dão uma grande romantizada ao lado heroico da guerra, não sendo tão sensitivos à parte trágica como em alguns trabalhos mais antigos. O resultado são dois dos álbuns mais explosivos e intensos feitos nos últimos anos, ambos são devastadores! Aumentar o volume no fone de ouvido escutando "Teutonic Terror", "Hellfire", "Beat the Bastards" e tantas outras é uma experiência de pura loucura, você se sente como se realmente tivesse passado por umas guerras mundias aí...


O último trabalho, "Blind Rage", também foi conceitual, mas o conceito mudou, não se tratando mais de guerras. Por outro lado, também não fugiu muito do caos. Assim como o búfalo que ilustra a capa, eles pretendiam tocar sobre algo imparável que fosse afetando as pessoas como uma fúria cega, causada por catástrofes geológicas, ou mesmo tragédias causadas pelo próprio homem. O resultado foi o mesmo: explosivo.

Abaixo deixo a letra de "200 Years" e um vídeo performance de "Dark Side of My Heart".

Lights out forever, after the Final War
Cities reduced to rubble, as plant lipe settles the score
Bridges and tunnels collapsing, towers no longer stand
A post-traumatic Eden, where roaches rule the land

No more civilization!

Only shadows remain!
No more death or pollution!
Population: zero...

Welcome to the stone age, 200 years after mankind
Welcome to the silent scream, the earth has been reclaimed!!!
Welcome to the stone age, 200 years after mankind
A paradise for no one! And no one left to blame!

Gone are the Seven Wonders, pyramids only survive
Paradise has been erased, Earth again will thrive
Continental glaciers scrape the planet clean
Removing any remnants... of society

No more traffic and madness!

No more nuclear power!
No more new technology

Population: zero...

Welcome to the stone age, 200 years after mankind
Welcome to the silent scream, the earth has been reclaimed!!!
Welcome to the wasteland, 200 years after mankind
A paradise for no one, and no one left to blame!



A turnê dos caras continua muito bem, mesmo sem o baterista e o outro guitarrista que haviam os acompanhado após o retorno (eles voltaram para o projeto Panzer, humpft). Mas o monstruoso guitarrista Hoffmann lançará um novo trabalho solo, que foge do padrão do Accept, mas é bem interessante. Ele já havia feito um outro no passado. Confira!


Classical (1997)

Tá explicado porque ele vive fazendo careta. Essa posesinha tá ridícula!

"Classical" saiu em 1997, logo um ano após o final do Accept, que só retornaria em 2010. O álbum trás apenas covers, e como diz o título, covers de músicas clássicas. Ué, mas o guitarrista do Accept curtia músicas clássicas? Sim, desde sempre! Ele é um grande fã! A banda pode nunca jamais fugir do Heavy Metal, mas as melodias de Hoffmann contém muitas influências da música clássica. O melhor exemplo é a famosa "Metal Heart", em que Hoffmann antes do solo faz uma dobradinha homenageando Für Elise, de Beethoven, e também na mais recente "Final Journey", em que há Morgenstemning, de Edvard Grieg.


No meio da grandiosa "Stalingrad", do penúltimo álbum dos caras, havia o ritmo do hino da União Soviética, é como se as músicas estivessem lotadas de easter eggs, hehe. Aqui em "Classical", Hoffmann toma a liberdade de reescrever muitas de suas maiores influências com o característico som de sua guitarra. Veja a tracklist:

1.Prelude
2.In The Hall of the Mountain King
3.Habanera
4.Arabian Dance
5.The Moldau
6.Bolero
7.Blues for Elise
8.Aragonaise
9.Solveig's Song
10.Western Sky
11.Pomp&Circumstance

É meio difícil de encontrar pra vender, mas se você pesquisar ele está disponível completo no YouTube, de forma não-oficial.

Tô falando

“Eu sempre incorporei música clássica nos meus trabalhos com ACCEPT, especialmente em Metal Heart, mas eu sempre senti que havia mais que eu podia fazer e eu não queria sobrecarregar o ACCEPT ou forçá-lo a isso de qualquer forma. Eu sempre soube que podia fazer um álbum inteiro disto e foi assim que nasceu o primeiro álbum. Mesmo hoje, fãs me dizem que ainda ouvem a ele, por isso é tão fantástico fazer outro agora.”

Primeiro de julho sai a próxima parte! Após 10 anos de distância! Hoffmann comentou que já está gravando "Headbangers Symphony" há um bom tempo, mas com o constante sucesso que o Accept tem feito com seus últimos três álbuns ele só tinha tempo durante as pausas da banda, que não devem ser muitas vendo que eles lançaram um álbum a cada dois anos e quase não pararam de excursionar. De qualquer forma, o novo álbum agora é uma realidade bem próxima! Já está chegando com releituras de caras como Beethoven, Mozart, Vivaldi e Bach. Assim como os últimos álbuns do Accept, será lançado pela Nuclear Blast. Confira a tracklist abaixo:

1.Scherzo
2.Night On Bald Mountain (bald, rsrsrsrs)
3.Je Crois Entendre Encore
4.Double Cello Concerto in G Minor
5.Adagio
6.Symphony No. 40
7.Swan Lake
8.Madame Butterfly
9.Pathétique
10.Meditation
11.Air On The G. String

Deve ser melhor que o último, já que mesmo com o afastamento parece que o cara só ficou mais apurado. Hoffmann prova, pra quem ainda não sabe, que artistas de Metal não são necessariamente pessoas ignorantes fazendo sons barulhentos, muitos na verdade são muito inteligentes como Wolf, que além de um nome legal mostra uma enorme bagagem cultural, sem falar da tamanha criatividade; assim como também mostravam os falecidos Lemmy Kilmister, Ronnie James Dio e muitos outros como Geezer Butler, Steve Harris, Ian Gillan e Serj Tankian...



E quanto ao Accept...?

Aí sim, filho, bem melhor

Pelas entrevistas que eles tem dado, não é nada improvável mais um álbum pro ano que vem. Vamos ver se eles mantém a qualidade com tamanha sequência (já é o quarto nessa frequência de 2 anos). Curiosamente, pelas redes sociais eles já especificaram duas vezes que a partir de 2017 haveria um show do Accept que nunca foi visto, chegaram a deixar em letras maiúsculas "show diferente" na sexta imagem que upei neste post. Vamos ter que aguardar pra ter certeza do que se trata. Será que focarão a setlist nos últimos álbuns? Dá pra fazer isso de boa e tem várias que eles nunca tocaram. Em 2014 eles lançaram um DVD que vinha com o "Blind Rage" e a gravação de um show no Chile, show enorme, toca um monte de músicas. Bem, não vai demorar muito, mas podemos ter certeza de uma coisa, do jeito que os caras andam, dificilmente vai decepcionar...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Hmm

Passaram por aqui:

Flag Counter