segunda-feira, 11 de abril de 2016

Paul Stanley: feminilidade ou masculinidade?


Feminilidade: caráter próprio de mulher.
Masculinidade: 1 Qualidade de masculino ou másculo. 2 Virilidade.
Fonte: http://michaelis.uol.com.br/

Paul Stanley foi e sempre será o ícone da banda de rock KISS. Junto ao baixista Gene Simmons, ele esteve por trás da arte que muito influenciou o mundo do entretenimento no último século. A maquiagem, as pirotecnias, a própria sonoridade da banda deixou um marco nos Anos 70 e 80. Mas agora, contando minha visão pessoal sobre o artista... por muito tempo eu nunca gostei dele. Eu curtia algumas músicas do Kiss, mas não dava qualquer atenção pra um de seus principais membros: Paul Stanley. Pra mim ele era chato demais, parecia uma menininha, pra não dizer uma bichona. Eu gostava mais do baixista, que tanto ajudou a vender a banda com suas caretas, maquiagem demoníaca e é claro... a língua gigantesca.


Em 2012, o ano em que estava marcado o Apocalipse, a banda veio com o seu melhor álbum em coisa de uma década: Monster. Foi uma grande surpresa e um contraste, pois o Kiss já não formava fãs com material novo há um tempo. Mas o álbum foi demais, com grandes músicas como "Hell or Hallellujah", e no mesmo ano eles já passaram no Brasil pra fazer uns três shows. Eu havia curtido muito o novo álbum e tinha um amigo da mesma idade que eu que era fanático pelos caras, não querendo de forma alguma morrer sem vê-los. Consideravelmente empolgado, eu fui assisti-los, esperava um grande show mesmo sem ser a minha banda preferida. Bem, na época talvez tenha sido o melhor show que eu tinha assistido, realmente mudou a minha perspectiva sobre a banda, e principalmente sobre seu principal representante: Paul Stanley.


Passei a dar uma moral enorme pro cara depois de presenciar sua performance ao vivo, e por que? Se antes pra mim ele era só um palhaço afeminado? Até biquinho o desgraçado fazia e também dançava que nem uma menina. Bem, o ponto é que não dava pra negar que mesmo com 60 anos ele sabia o que fazia. Sabia muito bem. Não me esqueço que eu estava tão convencido da competência do tiozinho que no outro dia eu não pensava duas vezes antes de dizer pras pessoas que ele havia sido o primeiro cara no mundo que tinha conseguido meu respeito rebolando. E meio que ficou por aí, em 2015 pude assisti-los de novo, mas não houve nenhuma gravação inédita e é bem capaz que não tenha mais mesmo. Isso não chega a ser muito ruim, já que "Monster" foi uma excelente despedida. 


Mas agora com mais apego e admiração pelo trabalho dos caras, eu mesmo garimpava por coisas deles, não mais ouvindo só o que via em filmes ou na televisão, ou algo que amigos recomendavam. Eis que um dia eu descobri a carreira solo do cara, e com isso conheci melhor...



Paul Stanley (1978)


Em 1978 o Kiss, mesmo sendo uma banda de apenas quatro anos, já era um gigante em popularidade, tendo lançado já clássicos como "Destroyer" e "Love Gun". Como estratégia comercial, eles fizeram algo que, eu particularmente, não me lembro de ter visto em outra banda. Todos os integrantes se dividiram e foram gravados quatro álbuns solo! Cada um com o nome do integrante de título e com seu rosto maquiado estampando a capa. Esses foram: "Paul Stanley", "Peter Criss", "Gene Simmons" e "Ace Frehley", do guitarrista que surpreendentemente saiu como "vencedor" nos números. De forma esclarecedora, o de Gene Simmons foi o pior, demonstrando bem que ele tinha outras características (como teatralidade e empreendedorismo) que o tornavam essencial à banda, não necessariamente as composições. Com Paul Stanley foi o contrário, as músicas do álbum dele são as que mais parecem ser do KISS, sendo bem provável que a essência melódica da banda se deve ao cara.


Ele parece ser o cara que tem uma ideia a passar, sabe? Não que o Gene Simmons não tenha, mas ele expressou isso menos vezes. Aquela força e espírito que representa o Kiss conforme você nota um mínimo de semelhança entre suas diferentes músicas parece ser algo que Paul carrega. Então vamos logo pro outro álbum solo do cara, já que só tem dois, lançado vários anos depois:


Live to Win (2006)

Sidney Magal! Pegamos você!

"Não é mais 1978... Com certeza continua a mesma mentalidade, e com certeza sou um cantor melhor hoje. Mas minha perspectiva e o ponto da minha vida que estou hoje, e o que eu vi e vivi, trás algo novo que não havia na época."

Quase 30 anos depois, Paul se aventura fora de sua banda novamente. É interessante, porque como eu já disse, ele não trás necessariamente algo novo. Ele trás uma parte fundamental do KISS, mas é curioso como uma parte que ele trás é mais relacionada à sua autoafirmação e independência. A faixa-título "Live to Win" já é uma afirmação de força quanto à sua jornada. Já em todas as outras canções, "Lift", "Wake Up Screaming", "Everytime I See You Around" e quase todas as outras, ele já é o pobre coitado implorando piedade à sua amada, similar a algumas como "I Still Love You" e "Tears Are Falling" do Kiss. Ou mesmo, pegando exemplos brasileiros, qualquer dupla sertaneja de xororô. A única diferença é que é rock.

Fica triste não. Já comparei o Esquadrão Suicida com Crepúsculo.


Ou seja, em grande parte são músicas românticas, e com a pegada bem sentimental. E isso me faz lembrar da minha primeira impressão, quando só conhecia o Kiss. "Mas esse cara é uma bicha!!!". Mesmo os fãs da banda, a maioria achava que Paul, devido a alguns relacionamentos com mulheres conhecidos na mídia, era pelo menos bissexual, mesmo sendo casado e com filhos. Inclusive só pararam de acreditar completamente nisso depois que saiu sua biografia em 2014: "Face The Music, A Life Exposed". A diferença entre o que ele apresenta nos seus dois álbuns solo com o que há na sua discografia mais famosa, é que nos álbuns solo não tem aquelas "músicas de suruba", que só falam sobre sexo, como faziam bastante Mötley Crue, Poison e afins. Outra questão é como Kiss sempre foi extremamente comercial, pulando de uma onda e um estilo pra outro durante toda a carreira. Sendo só Paul não, ele se mantém próximo à suas raízes de rockzinho mais clássico, não inventa muito.

Kiss my ass?

E quando você pega músicas como "Bulletproof" e "Wouldn't You Like To Know Me?" há um toque bem feminino, porque lembra empoderamento, ele está feliz por ser ele mesmo e não precisar de outra pessoa que o atrasa, e com isso só me vem referências femininas, como Taylor Swift e Beyoncé. Compositores homens costumam ou estar comendo todas, como nas "músicas de suruba" estilo "Lick It Up" ou ele está no outro extremo, na desgraça sem fim, estilo xororô sertanejo. O Paul não tem medo de afirmar sensibilidade, não necessariamente relacionada a dependência e sofrimento, mas à sua própria essência, e chega um ponto que penso: "Se ele só está cantando sobre mulheres, e gostar de mulheres, por que isso soa tão feminino?". Não é estranho? Avaliando de forma racional seria a coisa mais masculina possível! A conclusão que isso me leva é que Paul Stanley tem uma identidade muito forte, nem tão notada com toda a fama que o Kiss faz sobre teatralidades, ele mantém características que não são tão comuns em seu meio e ainda nos trazendo ótimas músicas de rock and roll!


Em janeiro de 2014 o Starchild confirmou em resposta a um fã no Twitter que faria sim um terceiro álbum solo, mas na mesma resposta já adicionou que não fazia ideia de quando. Será que sai?


Me lembra um leitor que uma vez comentou em um texto meu dizendo "Por trás da máscara há um grande cara", e esse cara é o Paul Stanley.

I've been lonely but I feel alright
You got another baby, hold him tight, you know
You been pushin' and you won't get me tonight
I've been your lover, but I'm not your fool
You wanna to teach me but I'm not in school, you know
You been pushin' and you won't get me tonight

You come a-crawlin', but you're much too late
You've got the key, but babe I locked the gate
I tried to call you when you were not home
Nobody likes to spend the nights alone

Wouldn't you like to know me?
And wouldn't you like to show me you care?
Wouldn't you like to take me?
And wouldn't you like to make me? Whoo yeah

You're good lookin' so you get your way
You been lucky, baby, not today, because
You been pushin' and you don't get me tonight

You come a-crawlin', but you're much too late
You've got the key, but babe I locked the gate
I tried to call you when you were not home
Nobody likes to spend the nights alone

Wouldn't you like to know me?
And wouldn't you like to show me you care?
Wouldn't you like to take me?
And wouldn't you like to make me? Whoo yeah

Lets' go!



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