quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

DIA DO PALHAÇO


Em exato um ano do post anterior, vem finalmente a constatação dessa obviedade que é o Ozymandias Realista. Para quem chega agora, quem é? É uma pessoa? Uma organização? Uma ideia? Uma equipe? Eu o definiria mais como um escapismo (palavra interessante, não?) de um pretenso semi-intelectual que protelou o ensino médio. Como alguma fantasia, ao serem digitados as letras e números que formam meu “capuz” em forma de acesso, ocorre uma suposta conversão de identidade. As interpretações exteriores mudam um pouco, Ozymandias pode ser visto – ao contrário de sua contraparte de carne e osso – como um “entendido” em algum assunto, alguém a quem você não sabe o rosto ou nome verdadeiro, mas se importa em certo grau com o que ele diz.

Quando tudo isso não passava de um esqueleto digital, eu o enxerguei como uma rocha semelhante a empurrada por Sísifo, porém crendo não sofrer o mesmo revés do mesmo, afinal deveria ser um empreendimento, e foi. Peguei um dos rostos de um dos vários quebra-cabeças compostos por Alan Moore. Um genocida, cruel, narcisista ser chamado Adrian Veidt. O mesmo, com tantas camadas, que em meio aos “bueiros transbordando” foi o único que conseguiu conter o apocalipse nuclear que levaria a todos. Entre todos, além do bem e do mal, ele foi realista. O rosto depressivo de Adrian, deu voz ao pensamento de que não era o que eu dizia que era errado, o problema era eu dizendo...

Mas... Sobre o que eu quero ler e escrever? Isso ainda faz diferença? Digo isso pela vaga constatação do cinema cada vez mais ser uma piada imediatista, de fraca nutrição intelectual. Livros serem objetos para um museu, quadrinhos só um esboço para virar adaptação, isso até a “moda” do gênero dos quadrinhos adaptado ceder a provável da adaptação de games. No tempo em que crítica e opinião são dois fatores jogados no mesmo liquidificador, eu não vejo onde me encaixo nisso tudo, mas continuo, até meu caderno um dia ficar pálido sobre ideias. Por enquanto, pode-se dizer que esse específico trecho do longa “Frost/Nixon” sintetiza o que eu penso:



“Os esnobes te desprezam, não? Claro que sim. Essa é a nossa tragédia, não, Sr. Frost? Não importa o quanto subimos, eles ainda nos menosprezam. Não importam quantos prêmios ou artigos que são escritos sobre você, ou a importância do cargo para qual fui eleito, não basta. Ainda assim nos sentimos como um homem insignificante, “o perdedor” foi como me chamaram várias vezes. Os espertalhões da faculdade, os superiores, os bem nascidos, as pessoas cujo respeito realmente queríamos, desejávamos.

E foi por isso que trabalhamos duro, que lutamos sem trégua, disputando para subir sem dignidade?! Se somos honestos por um minuto, se refletimos em privado por um momento, se nos permitimos um olhar no lugar sombrio que chamamos de alma... Não é por isso que estamos aqui? Nós dois? Buscando um lugar ao Sol, sob os refletores, no pódio? Porque sentimos a queda, estávamos fadados à lama! No lugar em que os esnobes disseram que terminaríamos, na lama, humilhados ainda mais por ter tentado com tanta gana. Para o inferno com tudo isso! Nós dois não vamos deixar que isso aconteça. Vamos calar esses malditos! Vamos fazê-los engolir nosso sucessos! Nossos prêmios, poder e glória! Vamos fazer esses filhos da mãe sufocarem! Estou certo?!!”

Continua...

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