Retrospectiva Melhores histórias do Flash (Era de Ouro)

 



Quem acompanha meus textos e comentários sabe que meu segundo super herói favorito é o Flash.

Eu curto o visual do herói, seus poderes de velocidade, sua família de velocistas, sua galeria de vilões carismáticos e as aventuras bem surreais que o personagem sempre se envolve.



Tal como Quarteto Fantástico e Superman, ele é um dos personagens que representa como o charme e a criatividade da Era de Prata, e a relevância que ela ainda possui mesmo nos dias de hoje, onde quadrinhos ficaram bem mais sérios e tentam ser próximos da realidade.



Isso não quer dizer que as histórias do Flash não podem ter momentos de seriedade e drama. Existem vários exemplos de histórias e momentos assim também. É o equilíbrio entre o drama humano e o fantasioso que define a atração desses quadrinhos para leitores.

Sendo um personagem que esteve 90 anos presente na cultura pop, existem milhares de histórias que compõe a mitologia do velocista escarlate e sua evolução nas hqs. Algumas boas, outras péssimas e umas que passam despercebida pelo conhecimento de alguns fãs.

Por isso nessa retrospectiva, irei falar sobre algumas das melhores histórias do Flash em cada uma de suas décadas e o significado que elas tiveram em moldar o herói que conhecemos hoje em dia.

 

História de criação

Como em outras retrospectivas, melhor começar falando sobre a criação do personagem em questão.

O Flash surgiu em Janeiro de 1940, sendo criado por Gardner Fox e o artista Harry Lampert. Os motivos por trás disso são desconhecidos, mas, olhando pelo visual do personagem, pode-se notar que uma de suas inspirações foi o deus grego Hermes (ou Mercúrio, na mitologia romana).




Pela imagem dá pra perceber que o personagem discutido nesse primeiro capitulo não é o Flash que a maioria conhece (Barry Allen ou Wally West), mas sim Jay Garrick, o primeiro velocista a carregar o nome do Flash.

Hoje em dia o povo deve lembrar dele por sua participação na série do Flash da CW, onde ele era personagem de suporte, agindo como um mentor e aliado para o Barry e seus amigos (algo refletido pelo fato dele ser interpretado pelo John Wesley Shipp, que viveu o Barry Allen nos anos 90).




No entanto, essa visão sobre o personagem está incompleta, pois, mesmo excluindo Barry ou Wally de sua vida, Jay continua sendo um personagem legal, com algumas histórias que valem pena serem lidas.

Eu irei falar de algumas delas em capítulos futuros, mas, no caso desse, irei dedicar as histórias da Era de Ouro e como elas estabeleceram aquilo que viria ser a ideia das histórias do Flash.

 

A origem do Flash



Leitura: Flash Comics nº01

Fazendo jus ao poder do personagem, sua primeira história não perde tempo, já mostrando a origem do velocista: Jay Garrick é apresentado como um universitário e assistente de laboratório. Um dia, enquanto estava sozinho, ele acidentalmente esbarrou num vidro contendo “água pesada”, uma substância que, ao ser inalada por ele, lhe concedeu super velocidade e reflexos.

No início Jay usa seus poderes para ser um astro de futebol americano. Porém, depois de se formar, ele decide dedicar suas habilidades para combater o crime. Sua primeira aventura envolveu ele tentando salvar o pai de sua namorada, Joan William, de um sindicato do crime, cujo lider se chama Senhor Satan (como é que alguém faz negócio com esse sindicato com um chefe com esse nome? kkkkk)

O que chama atenção nessa origem é como a origem do Jay é meio que uma versão menos trágica da origem do Homem Aranha, com a evolução dos protagonistas em heróis servindo como uma alegoria para maturidade. A diferença é que Jay se mostra sendo um cara sonhador, mas não arrogante, sabendo quando levar as situações a sério. Sua atitude inicial poderá surpreender quem cresceu com sua versão mais experiente dos quadrinhos atuais.

 

O homem que comandou a noite



Leitura: Flash Comics nº33

Comparado com os vilões dos outros Flashes, Jay Garrick pode não ter personagens tão icônicos. Mas isso não quer dizer que não tenham uma criatividade por trás deles.

O primeiro a se destacar foi o Sombra (que provavelmente o pessoal deve conhecer pelo desenho da Liga da Justiça e a série da Stargirl).

Embora essa versão seja mostrada apenas como um ladrão com controle sobre a sombras, ao invés do personagem de moralidade questionável que James Robinson viria apresentar na série do Starman, sua primeira aparição demonstra sua astúcia como um criminoso, usando seu poder para mergulhar Keystone City numa escuridão, permitindo ele possam saquear e escapar da lei.

Isso cria um cenário bem legal, que não só mostra Jay enfrentando um vilão esperto, mas também vários criminosos que tentam se aproveitar da confusão para cometer seus crimes.

 

Conto de uma caça ao tesouro



Leitura: Flash Comics nº36

Justo 2 edições após ter confrontado o Sombra, Jay veio conhecer outro vilão estranho, o Boneco de Pano.

Originalmente um contorcionista demitido, Pete Merkel veio a se tornar um criminoso, usando suas habilidades para se passar por um boneco de pano, se infiltrando em casas e roubar seus donos.

Em uma de suas operações, ele descobre sobre um plano da Joan William de fazer uma caça-ao tesouro para sua festa, envolvendo pistas que levariam a uma quantia em dinheiro. Não deixando essa oportunidade escapar, o vilão contorcionista começa a interferir, tentando obter as pistas antes dos convidados e do Flash (que suspeitou que a festa de sua namorada atrairia criminosos).

Embora a trama pareça inocente, o personagem do Boneco de Pano ganha momentos bem assustadores, que não deixam o leitor esquecer que ele continua sendo um criminoso perigoso.

 

Tombando em problema



Leitura: All Flash nº12

Se o Flash possui uma fraqueza é sua impulsividade. Por ter raciocínio acelerado, ele pode agir de forma apressada e não ficando atento a certas armadilhas, o que cria uma desvantagem que pode ser usada por seus inimigos contra ele.

Para o azar do corredor, ele é forçado a encarar esse seu defeito quando é desafiado por Clifford DeVoe, o Pensador.

Tendo sido originalmente um promotor público, Clifford ficou desiludido com o sistema após um corrupto escapar da punição. Julgando que era mais compensador ser um criminoso, ele passou a usar sua inteligência para auxiliar mafiosos, até, aos poucos, assumir o controle da gangue.

Quando o Flash começa a interferir nos negócios dos criminosos, o Pensador passa a ter uma obsessão em querer derrotar o velocista e se provar superior. Os dois possuem uma rivalidade bem semelhante a de Batman e Charada, com o vilão desafiando Jay em um duelo intelectual do que físico.

 

Um mundo com dois futuros



Leitura: All Flash nº23

Não podia falar das histórias do Flash sem citar uma envolvendo viagem no tempo, certo?

A aventura mais notável do Jay a usar esse conceito foi nessa edição, onde o herói é convocado por amigo do planeta Karma, que revela imagens que revelam um destino apocalíptico para seu mundo. Apesar de seus esforços em tentar impedir esse destino, suas ações apenas criavam futuros piores.

Em um estilo bem “De volta para o futuro”, o Flash viaja ao futuro, interferindo em vários pontos, tentando garantir a salvação de Karma e seus habitantes.

A trama é bem simples, porém tem conceitos criativos, incluindo Jay tendo uma luta contra um monstro pré-histórico. Essa história pode ser considerada pioneira das aventuras de viagem no tempo que viriam a influenciar a hq do Flash nas décadas seguintes.

 

Violino da vilania



Leitura: Flash Comics nº93

Como vimos com personagens como o Homem Aranha, ser super herói tá longe de ser o sonho que muitos de nós leitores achamos. É um trabalho difícil, compromete tempo e pode prejudicar relacionamentos. Por isso é comum ter momentos em que alguns heróis refletindo na possibilidade de desistir dessa vida sem recompensa.

Mas essa sendo a Era de Ouro, uma época conhecida por histórias simples, devem achar difícil ter uma história que aborde esse assunto, correto?

A verdade é que teve uma, sendo protagonizada pelo Jay Garrick. Em “Violino da vilania” o Flash acaba sofrendo críticas de sua namorada Joan, que está insatisfeita com Jay estar ocupado demais como Flash e não dedicando tempo pra ela. Esse argumento planta uma semente de duvida na mente de Jay, que vai crescendo conforme não só ele se depara em situações onde pessoas conseguem se virar sem sua ajuda, ou pior, suas ações acabam prejudicando as pessoas que ele quer ajudar.

Com Joan de mal-humor com ele  e sentindo que as pessoas não precisam de sua ajuda, Jay desiste de ser o Flash e desaparece. No entanto, com sua saída, Keystone City começa a sofrer uma onda de crimes, orquestrada pelo Violinista.

Jay só vem a retornar após Joan usar seu traje para tentar enganar o Violinista, demonstrando ter reconhecido seu erro e ela e o Jay reatam.

Essa é uma história que estava um pouco a frente de sua época, não só criando um drama relacionável para o Jay como também para seu relacionamento com a Joan, mostrando que relacionamentos não são perfeitos e os dois envolvidos passam por vários obstáculos e experiências.

 

O Rival do Flash



Leitura: Flash Comics nº104

Eobard Thawne, o Flash Reverso pode ser o vilão mais conhecido do Flash (Barry Allen). Mas, ele não foi o primeiro a representar o conceito de um “Flash do mal”.

Antecedendo ele, teve o Rival, um criminoso misterioso que também possui poderes similares a de Jay, porém as usa para cometer roubos e desafiar o velocista da Era de Ouro. Ele também possui sua própria gangue de criminosos, todos com super velocidade, que o ajudam a capturar o Flash e expô-lo a uma formula invertida da agua pesada, fazendo Jay se tornar, literalmente, o homem mais lento do mundo.

Em seu confronto final, é descoberto que o Rival é Edward Clariss, um professor de química da mesma universidade do Jay, que tentou recriar a formula de agua pesada que deu poderes ao Flash. Mas o fato da comunidade cientifica ter zombado de suas teorias o fez se revoltar, se tornando uma versão distorcida do herói.

Embora as motivações de Clariss sejam simples, elas mantém uma fidelidade com a essência do Flash Reverso e o contraste que ele representa com o Flash. Enquanto o herói é um homem que aprende a seguir em frente em vida, o vilão é um homem que se deixa influenciar por evento especifico e é consumido por seu ódio e obsessão. Pela própria admissão de Clariss, ele tinha obtido sucesso com outros trabalhos, mas foi o fato da pesquisa que ele mais queria fazer ser rejeitada que o fez ceder a sua arrogância e desejo de vingança.

Vale citar que o fato dele ser um professor da faculdade de Jay não só cria uma conexão entre o herói e vilão, como também é um detalhe bem apropriado para essa edição, visto que ela foi a última edição de Flash Comics, com o quadrinho sendo cancelado em fevereiro de 1949. Isso pode ter marcado um fim das histórias do Jay e deixado o personagem no limbo por um bom tempo, mas pelo menos ele teve uma conclusão razoável (e não intencional por parte dos escritores) para sua fase nessa época tão ignorada.

Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Flash da Era de Ouro? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo