A polêmica imbecil da semana foi a declaração da escritora da série Lanternas, Vanessa Bane Kelly, de que Hal Jordan, o maior de todos os Lanternas Verdes é um racista. Declaração esta que depois foi retificada pela apresentadora do podcast oficial da DC. Não sei o que a Warner tem na cabeça quando escala esses escritores que não conhecem nada das histórias dos personagens e só querem saber de denegri-los... Ops, não posso escrever “denegrir” porque é “racisme”... Enfim, não conhecem nada dos personagens e só querem saber de difamá-los.
Não que a série já
tivesse começado bem, desde o primeiro episódio que tenho achado a série uma
bela de uma bosta, com os personagens bem descaracterizados com relação a suas versões
das HQs. Hal Jordan (Kyle Chandler) virou um cuzão e John Stewart (Aaron
Pierre), um ex-militar bitolado comedor de casadas. Sempre gostei mais da
versão original de John Stewart nas HQs, em que era um civil arquiteto boa
praça. Na animação da Liga da Justiça, ele se tornou um militar casca grossa,
mas meio antipático.
O roteiro da série é
cheio de pérolas woke até o talo. No primeiro episódio, Hal e John estão
investigando atividade alienígena em uma cidadezinha no c* do Sul dos EUA e
entram em uma fazenda cheia de milicianos trumpistas xenófobos contra aliens. A
mulher do líder dos milicianos, que o John pegou, aparece com um papo de que
está com o cara porque ele é o “homem branco dela que pode proporcionar coisas
boas a ela” e que Hal é o “homem branco” do John. Ah, sim, Hal também morre no
primeiro episódio, e John é que é o Lanterna Verde titular. A despeito de a
narrativa da série ser não linear, com várias cenas com Hal ainda vivo.
No entanto, o terceiro
episódio até agora foi o pior, realmente. Neste, é revelado que os Guardiões
primeiro tentaram recrutar o pai de John, mas ele teve medo, e, por isso, foram
atrás de Hal. A Guardiã revela isso para a mãe de John, e ela vem com uma
conversa de que eles não conhecem os conflitos raciais da Terra e que não podem
pedir a um homem negro que não tenha medo. É claro que os Guardiões não
conhecem os conflitos raciais de nosso planeta porque são alienígenas. Todavia,
a mãe e o pai de John criam seu filho para não ter medo porque acham que “Hal é
privilegiado e roubou o anel deles”.
Voltemos, contudo, ao
tema do post. Hal Jordan seria racista? É uma questão meramente retórica.
Hal não é racista e nunca foi. Quem diz isso está falando merda. Entretanto, há
algumas histórias e posicionamentos de Hal ao longo dos quadrinhos que talvez
possam dar esse entendimento, sem o devido contexto. Nas primeiras histórias do
Lanterna Verde, Hal tinha um sidekick chamado Tom Kalmaku que era esquimó
e que ele chamava de “pieface” (“cara de torta”). Hoje, essa expressão seria
considerada racista, mas na época isso era normalizado. Aí é que está, Hal Jordan
é um personagem de ficção; alguns de seus comportamentos mais controversos são
reflexo de seus escritores na época. O personagem foi criado em 1959,
pós-Eisenhower, e representa um Estados Unidos mais conservador e até mesmo
mais inocente do que o de décadas posteriores.
Vamos então à fase de
Dennis o’Neil e Neal Adams, que é a mais política do personagem, na qual fez
parceria com o Arqueiro Verde; este era um esquerdista roxo que fazia contraste
com Hal, um conservador moderado. Na primeira história dessa fase, um negro
idoso cobra de Hal que ele trabalhava para “homens azuis” e que ajudou “pessoas
laranjas e roxas”, mas que nunca tinha ajudado os “negros”. E Hal agia assim
não porque era racista, mas em razão de que entendia que devia ajudar todas as
pessoas e não percebia que os negros estavam em situação social mais desfavorecida.
Saltemos para a
primeira história em que John Stewart é apresentado. Após Guy Gardner se machucar,
os Guardiões escolhem John para ser o Lanterna Verde reserva. Hal testemunha
John defender uns rapazes negros de abuso policial, ele não apenas reconhece sua bravura,
mas também diz que “sua arrogância é maior que o Estreito de Gibraltar”, ao que
o Guardião responde que “não está interessado em suas diferenças mesquinhas”. Hal
desaprova John não por racismo, mas pela sua postura e suas atitudes.
Enfim, por seu
histórico, não há nada em Hal que sustente a declaração de Kelly, a não ser
talvez o desejo de criar uma controvérsia vazia e agredir os fãs, a base que
sempre deu suporte aos personagens. A culpa maior recaí sobre a Warner e James
Gunn, que contratou esse tipo de roteirista militante que não conhece o material-fonte,
as HQs, e nutre um profundo desprezo pelos personagens. Lamentavelmente, tanto na
DC quanto na Marvel, atualmente, os escritores que lá estão são pessoas que
odeiam os personagens, e assim vai.
Mas e vocês? Estão achando
a série Lanternas um lixo radioativo verde ou estão gostando e consideram
as críticas exageradas? Escrevam nos comentários.
























