Feliz Dia do Batman!
Hoje é uma data dedicada ao cavaleiro das trevas da cultura pop. Até mesmo quem nunca leu hq na vida, conhece a história básica do Batman e sua rica mitologia. Isso demonstra como, mesmo com 80 anos de criação, com várias versões diferentes nas hqs e outras mídias, a imagem do Batman e seu mundo deixou sua marca na mente dos fãs.
No entanto, por ser um
personagem que pode ser interpretado de várias formas de diferentes, tiveram
pessoas que criaram ideias incorretas quanto ao personagem, o que,
infelizmente, acabou se popularizando para muitos fãs nos dias atuais e,
consequentemente, chegou a ser abordado por autores, com alguns reforçando
essas ideias enquanto outros tentavam desmenti-las.
Inspirado por uma
conversa que tive com o Ozymandias, decide fazer essa lista falando sobre essas
visões que considero erradas quanto ao Batman e explicar o motivo delas
falharem em entender a essência do personagem que o tornou esse ícone
atemporal.
5)
Batman deveria matar seus inimigos
Vamos começar com o
papo mais conhecido de todos quando se trata do Cruzado Encapuzado: Sua regra
de “não matar”.
Embora tenha começado
nos quadrinhos como um vigilante que mata vilões sem problema, o personagem do
Batman começou a apresentar um código moral, conforme os autores foram
percebendo que suas hqs estavam atraindo um público mais jovem. Desde então, o
homem morcego passou a ter, como uma de suas principais características, sua
recusa em matar seus inimigos, não importa o quão grave fossem suas ações.
É claro que tiveram
alguns autores que flertaram com ideia, o que gerou retcons e debates sobre essa moralidade do Batman.
Realisticamente, o
motivo dessa atitude do Batman é como os escritores evitam matar os vilões,
para que possam ser utilizados em futuras histórias.
Mas, quando se trata de
um motivo dentro do universo da hq, eu vejo esse comportamento como a qualidade
que torna um personagem tão interessante e distinto. Existem vários exemplos,
nos quadrinhos e literatura, de personagens que sofrem tragédias e saem em
busca de vingança contra os vilões. Como leitores, nós não nos importamos com
isso, com contexto das tramas nos fazendo torcer para os protagonistas punirem
os malfeitores.
Só que no caso das
histórias do Batman, elas não são apenas sobre um cara descontando sua raiva em
criminosos, mas também sobre um jovem aprendendo a encontrar compaixão em um
ambiente que rejeita tal emoção, com ele convertendo sua raiva em propósito
mais altruísta, além de sua própria satisfação. Isso significa respeitar o
direito das pessoas de viverem e poderem reconstruir suas vidas. Caso
contrário, ele estaria apenas se declarando acima desses direitos e dessas
pessoas ao invés de tentar ajuda-las, criando um furo que pode leva-lo a
corrupção (como demonstrado por figuras como Mr Freeze e Cara de Barro, que
tinham motivos compreensíveis por seus crimes, mas optaram por ações extremas).
Além disso, por que
Batman é o único que fica sofrendo cobrança para matar os vilões? E quanto as
pessoas que julgam os vilões quando são presos? Eles podem decretar pena de
morte, mas não fazem. E quanto aos policiais que escoltam os vilões para
prisão? Eles tem oportunidade para executar os vilões mas não fazem.
Melhor não culpar o único
personagem que se mantém fiel aos seus valores morais, quando tem muita gente
nessa história que também não decidem cruzar a linha.
4)
Batman não ajuda Gotham com seu dinheiro
Uma critica muito comum
que o Batman sofre tem haver com seu status como um bilionário. Por causa do
dinheiro infinito que ele demonstra ter, algumas pessoas questionam o motivo do
Bruce não usar seu dinheiro para melhorar as condições de Gotham. Alguns até
dizem que ele investir em ajudar os pobres e necessitados como um empresário
seria bem mais beneficente do que sair à noite para “bater em doentes mentais”
(palavras deles, não minhas).
Acontece que o Bruce
Wayne, tanto nas hqs quanto adaptações, usa seu dinheiros para ajudar o povo de
Gotham. Ele compra empresas para conseguir oferta de emprego, ele investe em
clínicas para oferecer melhor medicamentos, ele financia projetos para melhorar
as condições estruturais da cidade, etc....
O motivo pelo qual suas
ações não melhoram Gotham, além do fato de que os autores nunca deixaram a
cidade mudar, é que Bruce é apenas um homem vs uma cidade cheia de miséria
controlada sistema corrupto até a medula. Não importa quanto dinheiro ele
invista, nunca será o bastante para fazer Gotham virar um paraíso da noite pro
dia, ainda mais considerando o enorme número de pessoas que precisam de sua
ajuda.
O que Bruce faz então é ir devagar e sempre, ajudando as pessoas em seu alcance e tentando promover mudança na cidade como Bruce Wayne, enquanto usa sua identidade de Batman para confrontar criminosos e traze-los a justiça.
3)
Batman deve ser realista
Por ser um personagem que esteve presente na cultura desde os anos 40, as histórias do Batman tiveram uma variação de tons e estilos. Algumas eram bem mais fantásticas, com o personagem tendo aventuras ao lado de heróis, como Superman e a Liga da Justiça, e enfrentava super vilões. Outras eram mais urbanas, focando no lado detetive e mostrando Batman enfrentando mafiosos e psicopatas nas ruas de Gotham. Tinha também algumas que eram voltadas para terror, com Batman se deparam com vilões e ameaças sobrenaturais.
Por causa do sucesso da trilogia do Christopher Nolan, ocorreu a ascensão da ideia de que Batman deveria ser um personagem realista, com história sendo bem mais “pé no chão” e sem elementos mais fantásticos (ex: vilões como Mr Freeze, Cara de Barro, Hera Venenosa). Se aparecessem, eles deveriam ser modificados para se encaixar nesse cenário.
Quando se trata de
estilo para uma adaptação, eu não me incomodo com a direção que os produtores
decidam seguir ou mudanças que queriam fazer nos personagens, contando que eles
consigam entregar uma versão interessante, mas mantendo sua essência. No
entanto, eu vejo um problema, quando pessoas decidem tornar um estilo o único
que pode ser usado em adaptações, privando o Batman de uma variedade de
histórias e estilos que sua franquia poderia ter, enquanto fazendo a adaptação
atual parecer uma cópia do que veio antes, sem uma identidade única.
É importante considerar
também que, Batman, no final do dia, é uma história é sobre um homem vestido de
morcego que enfrenta vilões como um palhaço, um gangster com cartola e
guarda-chuva e um terrorista com uma banheira da imortalidade. Não importa o
quanto tentem torna-los realista, sempre vai ter algo surreal. Caso contrário, Batman
ficaria com seus ossos quebrados ao pular de telhado a outro.
2)
Batman é insano
Uma das dinâmicas mais
interessantes nas histórias do Batman é a relação do herói com seus inimigos.
De certo modo, cada um deles age como um reflexo de aspectos da personalidade
do Batman (ex: Duas Caras representa sua dualidade, Charada representa seu
intelecto. Espantalho representa o uso do medo, etc....). Pode-se dizer que
eles são meio que reflexos do que Bruce poderia ter se tornado se seguisse um
caminho diferente.
Mas essa semelhança é
um fator que leva certas pessoas assumirem que Batman é tão insano quanto seus
vilões, com a única que coisa que o mantém são é sua regra de não matar.
Isso tá muito longe da
verdade. Enquanto Batman e seus vilões compartilham o fato de serem vítimas de
tragédias no passado, isso não torna eles insanos, mas sim traumatizados por
essas lembranças.
A insanidade dos vilões
se materializa pela forma como buscam responder a esses sentimentos ligados aos
seus traumas, buscando vingança contra aqueles que os machucaram ou tentando
forçar o mundo a sua volta refletir sua visão distorcida da realidade, em ambos
casos sem consideração algumas pelos inocentes que seriam afetados no processo.
Já Bruce por outro
lado, pode não ter se recuperado de seu trauma, mas também não se deixou ser
consumido pelas emoções. Eles as converteu em novas: Sua raiva contra os
criminosos virou um senso de justiça e proteção pelos injustiçados; Seu medo
lhe tornou cauteloso quanto suas emoções para não se tornar como seus inimigos;
Sua tristeza virou uma empatia por outros que a apresentaram, permitindo Bruce
se conectar com o sofrimento e buscar ajuda-los.
1)
Batman treina crianças-soldados
Enquanto Batman possui
uma vasta galeria de vilões, ele também possui uma rede de aliados, como seu
mordomo Alfred, o inventor Lucius Fox, o comissário Gordon e, os mais icônicos,
sua bat-família, composta por jovens que ele adota e treina como heróis, como
os Robins e Batgirls.
No entanto, esse
conceito dos sidekicks do homem morcego acaba criando uma ideia incorreta
quanto a relação deles, com muitos acusando Batman de ser um manipulador de
jovens, que torna toda criança que vê em um soldado em sua guerra contra o
crime.
Essa visão é um
perfeito exemplo de julgar um livro pela imagem ao invés de ler o texto. Cada
Robin e Batgirl tem sua própria história com Batman, que mostra o que levou a
decidir treinar esses jovens e deixarem ser seus parceiros.
Com Dick Grayson, em
suas primeiras histórias, realmente Batman se encontrou com o acrobata órfão e
de cara lhe ofereceu a chance de ser seu sidekick, sem nenhum questionamento
moral.
No entanto, conforme essa origem foi mudando para encaixar em cenários modernos, autores foram dando mais contexto para essa origem: Ao invés de se encontrar com Dick em seu alter-ego mascarado, Batman o adota em sua identidade de Bruce Wayne.
Após isso, ele passa um tempo tentando caçar o assassino dos pais do Dick, evitando revelar seu segredo para o garoto. É apenas após ver que o garoto tem fugido da mansão e tentando caçar o gangster (demonstrando seus talentos) que Batman decide revelar seu segredo e treina-lo. Pode não ter sido uma atitude responsável, mas ele sabia que não tinha como convencer o Dick Grayson a deixar sua busca por justiça.
Se não fizesse nada, Dick acabaria sendo morto ou pior,
virando um assassino. Nessa situação, Batman tentou dar a ele não só
habilidades para sobreviver em Gotham, como também valores morais para que ele
não fosse corrompido.
Ao treinar Dick e
ajuda-lo capturar o responsável pela morte de seus pais, Batman não só deu ao
garoto uma conclusão para o caso de seus pais (algo que ele próprio nunca teve)
mas o ajudou a se tornar uma versão de si próprio, um jovem que sofreu uma
tragédia, mas, diferente de Bruce, Dick não é controlado por ela, sendo capaz
de se abrir e ter uma vida social mais saudável.
Coisa parecida com a
Batgirl (Barbara Gordon). Em sua primeira aparição, ela era apenas a filha do
Comissário, que se tornou combatente do crime por acidente, após salvar Bruce
Wayne (que no início, não aprovava sua ajuda inexperiente). Foi a determinação
de Barbara e seu desejo de querer usar sua identidade mascarada para fazer
diferença que levou Bruce a decidir treina-la e aceita-la.
Batman não escolheu
esses jovens aleatoriamente. Ele conheceu cada um deles em suas aventuras, viu
suas habilidades e, o mais importante, sua determinação e desejo genuíno de
querem trazer justiça para eles e outros.
É daí que surge o laço da bat-familia. Não se trata apenas de terem uma
tragédia no passado ou serem órfãos, mas sim o fato deles compartilharem o
desejo de tornar Gotham um lugar melhor para os outros. Batman apenas deu a
eles os meios e chance de poderem realizar esse objetivo, enquanto esses jovens
ajudaram a mostrar ao Batman que ele não está sozinho nessa cruzada e que
existem pessoas que acreditam nele e nos ideais que ele representa.
Então é isso! Qual a
opinião de vocês sobre essas visões do Batman que apresentei? Conhecem alguma
outra? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões nos comentários abaixo.









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