A provocação nunca deve ter como objetivo o nocaute



Tem uma mini que passou batida depois da época que saiu, fazia sentido lá com o universo Ultimate entre os eventos dos Supremos II. A mini era cheia de ação e divertida e é lembrada muito mais pela cena do Hulk partindo (literalmente) o Wolverine ao meio, dar mais contexto sobre, não vem ao caso agora. Mas, o que eu fiquei na mente sobre aquela mini é que no começo dela Bruce Banner está na busca de um sábio que habitava no topo de um templo budista. Ao chegar lá, para a surpresa do mesmo, o “sábio” era só um garoto, que brinca sobre aquela frase de “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha”, só que transpondo para o dilema que Bruce vivia. Ele se transformava no monstro ou era o monstro que se transformava nele?



Achei uma ótima provocação.

 

Embora esse título faça referência a uma frase que certa vez eu vi o Marcelo Tas falando nesse novo Provocações que está no ar nos últimos anos.

 


“Provocações” original com o Abu era um ótimo programa, vivo com um post dos melhores episódios engavetado nos rascunhos há anos. Em algum momento ele perguntava ao convidado “o que é a vida?”, antes disso ele tranquilizava de que podia falar qualquer coisa naquele programa, que ninguém assistia mesmo, e ao final “agora me dá um abraço que é a única coisa falsa nesse programa”.

 

A ideia do Abu nunca era se provar certo sobre algum assunto, instruir alguém ou chegar a alguma verdade. A ideia era puramente provocar, como o nome do show cravava. Fosse o convidado dele algum filósofo, autor de novela, apresentador de TV ou um desconhecido na rua. Um trecho de um poema, uma citação de uma peça, qualquer coisa podia ser sacada como uma provocação.


 

No cinema, quando eu penso em provocar, o filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. O professor provoca tanto os alunos o tempo inteiro que na metade do filme boa parte deles já estão contagiados por isso, ao ponto de que o Nuwanda acaba se tornando mais provocador do que o próprio John Keating e pagando caro por isso.


 

De volta ao Tas, acredito que ele que quando ele se refira ao “objetivo nunca ser o nocaute” ele falava de como a provocação tem que ser uma arte. Se você busca humilhar, atropelar, debochar, “lacrar” em cima do seu adversário toda a proposta minimante intelectual disso já foi perdida.

Já fui muito adepto de provocar por provocar. Gosto de ironizar, gosto de muitas vezes ver o limite das pessoas, qual o “calo” delas. Algumas vezes terminei até bloqueado, hoje em dia, eu tento seguir mais o que o Tas falou. Alguém me disse recentemente que eu me justificava demais. Na ânsia de não ser “mal interpretado”, vou sendo reativo e daí embarco em discursões que podem se tornar pura perda de tempo, ainda mais quando me mandam indiretas e eu mordo a isca com o “é comigo?” e logo vem a vontade de querer “mostrar quem tem razão”.

 


Não, não. Ultimamente eu ando aceitando sair calado, sair como o cara que ouviu por último, como quem não gritou de volta, como quem não se impôs. É difícil nas primeiras horas, em especial quando comento algo normalmente e recebo um coice e quem o deu comemora com algo como “..."Teve quem ficou mexido com a tirinha. Que bom que estou provocando as pessoas.”.

Provocou no sentido apenas de primeiro irritar, em seguida em conseguir desprezo e após esse texto, esquecimento. Ao contrário de uma provocação real. Mais uma bala reativa aplicada em algo mais produtivo com sucesso, e assim, encerro mais um dia.