A lei que criminaliza animes no Brasil é pior do que parece

 


E continua a cruzada do governo Lule contra os animes. O Ozymandias me pediu para escrever uma parte 2 daquele post sobre a polêmica da Lei no 15.487, que pode potencialmente criminalizar os animes no Brasil. E houve mais alguns desdobramentos desde então.

Na verdade, essa questão de criminalizar os animes por causa de representações sensuais de personagens menores de idade não é de hoje e nem exclusiva do Brasil. Há alguns anos, a ONU tentou obrigar o Japão a abolir mangás e animes com lolis, e o Japão simplesmente cagou para isso. Como resposta, a revista Vice fez uma reportagem que implicava animes e mangás à pedofilia.

https://www.televisa.com/canal5/anime/japon-se-opone-a-propuesta-de-la-onu-contra-el-lolicon

Já há algum tempo que algumas pessoas e setores do Ocidente têm se incomodado bastante com o crescimento da cultura otaku, de animes e mangás. O público mais jovem é um grande consumidor desse material, que tem ressonância entre crianças, adolescentes e jovens adultos. Mangás estão vendendo bem mais que as tradicionais HQs de super-heróis Marvel e DC. Então, já é de esperar essa reação.


A Lei no 15. 487 vem no rastro da tal Lei Felca, que teve em tese uma boa intenção, proteger crianças e adolescentes de pedófilos da internet, mas que está servindo como pretexto para censurar a internet de forma geral. E já houve uma vítima dessa lei. Uma autora brasileira já retirou seu mangá da internet com receio de ser prejudicada.

https://www.instagram.com/p/DcV1Qn1lfPr/

Os otakus, por sua vez, criaram um abaixo assinado que requeria mudanças na lei, mas em resposta o governo apagou a petição dizendo que não estava em conformidade com as normas. Coisa muito estranha.

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=234617&voto=favor


De tudo o que dá para concluir é que essa história ainda irá render bastante e pode ter consequência no meio otaku e talvez até na relação entre o Brasil e o Japão, uma vez que a nação nipônica já mostrou sem descontentamento com a lei, pois o anime é uma commoditiy cultural do Japão e rende bilhões de dólares para o país. A tendência é que o mal-estar aumente a níveis estratosféricos e tenha consequências diplomáticas e comerciais entre os dois países.