A franquia Todo Mundo em Pânico (Scary Movie) parecia definitivamente morta e enterrada, porém eis que levantou da tumba em uma inusitada ressureição do gênero comédia apelativa, ainda mais nestes tempos de politicamente correto extremo. E, assim, foi produzido o sexto filme da franquia, que causou certa polêmica na era do mi mi mi.
No enredo de Todo
Mundo em Pânico 6, Cindy, interpretada pela onipresente em todos os filmes
da franquia Anna Feris, vive reclusa após os confrontos com o Ghostface. Porém,
é forçada a voltar à ação quando sua filha mais nova, Tuesday (Savannah Lee
Nassif) é esfaqueada pelo Ghostface. Ela se junta à sua filha mais velha, Sara
(Olivia Rose Keegan) e a seu suspeito namorado Jack (Cameron Scott Roberts)
para o confronto final com o assassino. E ainda reencontra sua amiga Brenda
(Regina Hall), agora também mãe de Jermaine (Kenan Thompson) e DEI (Sydney
Park). Voltam também o irmão maconheiro de Brendan, Shortly (Marlon Wayans), que agora é um streamer, e
Ray (Shawn Wayans), o boiola enrustido.
Bom, não há muito mais
o que falar do enredo do filme, que é só um fiapo de roteiro mesmo. O que é
realmente importante no longa são as piadas, e a maioria delas funciona. No
entanto, o filme em si é mais do mesmo, mas requentado. Há muitas piadas de “preto
e branco”, piadas escatológicas, piadas de mau gosto, piadas sexuais, piadas de
rola, piadas de rola de borracha etc. A novidade são as piadas com a cultura woke,
as piadas com a lacração, mas é por causa do memento em que vivemos. A
personagem DEI, inclusive, é a paródia viva da cultura woke no filme. Há
também umas piadas internas, que só americanos vão entender, mas são poucas. E
também piada com k-pop.
As paródias também são
um destaque: há sátiras com, além de Pânico, Premonição, Corra!,
A Hora do Mal, Longlegs, A Substância, Pecadores, Bailarina
e muitos outros filmes. Esse filme também tem a volta dos irmãos Wayans à
franquia (eles tinham sido demitidos pela Miramax anteriormente), e há uma
homenagem a todos os filmes anteriores. Muita gente está de volta. Há muitos personagens
e fan services que a gente não esperava que veria de novo. E há também
uma passagem de bastão da “velha” para a “nova” geração. A direção de Michael
Tidds é competente, mas nada de extraordinário. Ele tem um bom timing
para cenas de comédia.
Todo Mundo em Pânico
6 é um filme que
promete o que cumpre e entrega o que todo mundo está esperando. Creio que é por
isso que está fazendo sucesso. Bateu Mestres do Universo na estreia nos
EUA. Supreendentemente, boa parte dos espectadores é formado por jovens com até
23 anos. É um filme que atinge a geração Z. Essa geração que é hipersensível e
que é alvo do filme. A geração que se ofende quando erram os pronomes, que acha
que “denegrir” é verbo racista e outras patacoadas. Em tempos politicamente
corretos, o longa destaca-se, a despeito de ser uma comédia apelativa como
outras do gênero. É irônico pensar que ela se torna peça de resistência. Nota 7,5
de 10.











