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Nos dias de hoje,
Batman continua a ser um dos personagens de maior sucesso da DC comics. Seu
quadrinhos estão entre os mais vendidos da editora. Isso sem falar nas várias
participações que o personagem tem nas revistas de outros personagens.
Essa quantidade de
revistas e participações, muitas vezes, age como uma espada de
dois gumes.
Por um lado, não só fãs
não tem paciência ou dinheiro pra ler tantas revistas, mas o tom das história
fica bastante inconsistente, fazendo o Batman parecer deslocado em algumas
aventuras (por exemplo: algumas vezes elas envolvem o Batman em casos urbanos,
em outras ele está tendo aventuras no espaço e multiverso).
Mas, olhando por outro ângulo, agora os fãs tinham o melhor de todos os mundos, tendo uma variedade de opções de histórias para escolher, dependendo de sua preferência, sejam elas dramas psicológicos, histórias emocionantes sobre família e relacionamentos, aventuras de fantasia e sci-fy, etc...
Podemos dizer que as
histórias atuais do Batman são uma fusão de todos os tipos de aventuras que o
personagem teve nas décadas passadas, demonstrando como ele evoluiu durante
esses anos para os fãs.
Sendo assim, concluirei
essa retrospectiva falando sobre algumas das melhores histórias que o Batman
teve recentemente e as diferentes abordagens que autores trouxeram para suas
aventuras e dramas.
Reis
do medo
Leitura:
Batman Kings of Fear nº 01 a 06
A razão pela qual o
Espantalho é um dos vilões mais populares do Batman é a forma como suas
histórias envolvem ele usando suas toxina do medo para abalar o psicológico do
Batman, fazendo questionar o real do imaginário.
Em “reis do medo”,
temos uma execução um pouco diferente dessa ideia, quando Crane, ao escapar do
Arkham, sequestra um refém para atrair o homem morcego. Quando o herói chega no
local esperado, o Espantalho lhe aplica uma de suas toxinas, fazendo Batman a
sofrer várias ilusões, enquanto o vilão age como um “terapeuta”, dizendo querer
curar o Batman de seu trauma.
É essa caracterização do Espantalho que ajuda essa minissérie se destacar dos outros conflitos dele com o Batman, com o vilão agindo como um “espirito do natal”, forçando Batman a encarar a possibilidade de que suas ações em Gotham são ineficientes e que sua presença apenas atrai mais vilões e problemas para os inocentes.
Mesmo no final, Batman
não supera essa experiência já de cara. É uma cicatriz que ele só consegue
curar com a ajuda de pessoas como o Alfred, que lembram que suas ações também
tiveram efeitos positivos, na vida das pessoas.
Destaque também é dado
para a arte de Kelly Jones, que dá a história um visual bem gótico e
distorcido, facilitando o leitor se conectar a sensação do Batman de estar sob
influência das ilusões de Crane.
Robin
e Batman & Robin e Batman: Jason Todd
Leitura:
Robin and Batman nº 01 a 03 & Robin e
Batman: Jason Todd nº01 a 03
Sem dúvida, uma das
melhores hqs atuais a explorar a relação do Batman com o Robin foi a trilogia
“Robin e Batman”.
Escrita pelo Jeff
Lemire e com a arte de Dustin Nguyen, essa pequena mostra um Dick Grayson
criando sua identidade de Robin e começando sua carreira como parceiro do
Batman.
Por essa descrição pode parecer uma copia de Robin Ano Um, porém a distinção se encontra no arco dado para a dupla dinâmica, com a história tendo um Batman que ainda é bem anti-social e tem dificuldade de se conectar com o garoto.
Em oposição a essa história, o segundo volume explora a relação do Batman com o Jason Todd. A trama parece seguir uma direção parecida, porém dessa vez a situação é o contrário, com Bruce tentando ser uma figura paterna para Jason, mesmo quando tantas pessoas duvidando que garoto possa ser um herói, devido a raiva que ele carrega dentro de si.
Devido as semelhanças
que Jason demonstra ter com Damian Wayne (o arco dele é bem similar ao” Nascido
para matar”) e o fato que até mesmo
Alfred demonstra dúvidas sobre o garoto poder ser um herói, tem leitores que
consideram o volume 2 inferior ao primeiro.
Embora entenda essa crítica,
eu acho que ambas histórias não só são boas como também exploram o Batman em
situações do mesmo spectrum: Enquanto volume 1 é sobre ele aprendendo a ser
menos exigente com o Dick Grayson, o volume 2
mostra ele, com esse novo jeito paterno, tentando ser um mentor melhor para
Jason, mas nisso ele fica cego aos defeitos do garoto, criando novas
dificuldades para se conectarem.
O
homem morcego de Gotham
Leitura:
Batman vol.3 nº131 a 135
Como um todo, a fase do
Chip Zdasrky é bem “mais ou menos”, com
maior parte das histórias sofrendo temáticas repetidas e conflitos do Batman
com antagonistas que ele mesmo criou, como Failsafe (um androide que ele criou
para elimina-lo, caso ele matasse alguém) e o Batman de Zur Em Ahr (ele foi reimaginado
como uma personalidade alternativa do Bruce, só que sem sua compaixão).
Mas, ironicamente,
quando o arco não envolve nenhum dos dois vilões, as histórias ficam bem
melhores. A primeira evidência disso foi no segundo arco de Zdarsky, que
envolve o Batman, após seus confronto com a Failsafe, sendo mandado para uma
Terra alternativa, que não possui um Batman e Gotham é uma cidade distópica,
onde ricos vivem em altas torres e as classes baixas são sujeitadas a ter que
respirar gases do medo exposto na atmosfera.
Como um “Retorno do
Cavaleiro das Trevas 2.0”, o arco envolve Batman navegando por essa dimensão,
conhecendo versões alternativas de seus aliados e inimigos (com a melhor sendo com o Alfred, visto que estava morto na continuidade principal), e tentando ajudar o
povo de Gotham, enquanto pensa em uma forma de voltar pra sua dimensão.
Além de uma história
que combina conceitos sci-fy de quadrinhos com tópicos bem reais como corrupção
e conflito de classes, a conclusão desse arco é um tributo a mitologia do
Batman, com o herói viajando pelo multiverso e encontrando várias versões de si
mesmo, incluindo Batman do Adam West e o Cavaleiro das Trevas do Frank Miller.
A reação do Batman a
eles serve como uma forte mensagem para os leitores, do quão flexível Batman é
como uma figura. Seu mundo e personalidade pode mudar, mas o personagem sempre
irá lutar pelos mesmo ideais de justiça.
O
cavaleiro
Leitura:
Batman The Knight nº01 a 10
A essa altura do
campeonato, a origem do Batman já tinha sido abordada, em várias histórias
passadas. Novos detalhes tinham sido revelados, novos personagens foram
introduzidos e alguns detalhes do passado foram retconizados.
Com base nessas
informações, O Cavaleiro, escrito por Chip Zdarsky, se trata de uma série, de
10 edições, situada durante o período de treinamento do Bruce. Seu foco é nas
viagens que o jovem bilionário faz pelo mundo, conhecendo vários seus mentores,
incluindo personagens como Zatara e Ra’s Al Ghul (uma boa referência aos filmes
do Nolan) e adquirindo as habilidades que viria a usar como Batman.
Em conjunto com as
participações especiais e referências, o auge do Cavaleiro é o desenvolvimento de Bruce,
com ele não só ganhando novas técnicas, mas também um senso critico quanto a moralidade de seus mentores, visto como muitos deles agem em uma área bem cinza, e usam suas habilidades de forma bem questionavel. Isso ensina ao futuro
Batman que não basta apenas ter tais habilidades,
e sim encontrar um propósito do que fazer com elas.
Essa direção pode tornar essa nova versão um contraste com o das hqs anteriores, onde Bruce já tinha seu objetivo e código desde a morte
dos pais, mas permite ele ter um crescimento mais natural ao invés de já ser
algo quase predestinado.
Misericórdia
do pai
Leitura:
Detective Comics nº1090 a 1095
Nos últimos anos,
algumas histórias do Batman tem explorado os pais do Bruce, revelando que a
família dele tava longe dessa imagem inocente que o protagonista. Isso foi um
tópico bem arriscado, podendo prejudicar a influência que os pais do Bruce
tiveram no rapaz. Mas, quando executado direito, era revelado uns detalhes que
tornavam os pais do Bruce tão complexos quanto ele.
Em “Misericórdia do pai”, temos o melhor exemplo disso. O enredo se trata de Batman e Robin (Damian Wayne) investigando o assassinato de jovens que eram fugitivos de um reformatório.
Porém,
conforme Batman vai estudando mais o caso, ele vai descobrindo que a assassina
possui uma ligação não só com seus pais, mas também com sua nova namorada e Joe
Chill.
No início, fiquei
preocupado que essa história iria levar a algum drama de novela envolvendo os
personagens. Felizmente, o roteiro de Tom Taylor entregou um mistério bem
interessante, que aborda temas como corrupção em instituições, relações
abusivas e, a principal de todas, o legado dos pais e a forma como isso
influencia outros membros da familia, em particular seus filhos. Seu desejo de
combater o crime pode ter vindo do luto pela perda dos pais, mas seu senso de
justiça e compaixão foi herdado da forma como eles o educaram.
Perdido
e achado
Leitura:
Detective Comics nº1100
Batman não resolve
apenas problemas envolvendo super vilões e ameaças a Gotham ou ao mundo. Como
visto em alguns exemplos anteriores, o homem morcego resolve casos menores,
como ajudar a proteger um bairro de uma gangue ou tentar convencer uns
delinquentes a rejeitarem o crime.
No caso de “Perdido e achado”, temos o Batman salvando, duas vezes, a vida de um garoto mudo. Ao perceber que o menino está procurando por seu cachorro, Batman se encarrega de encontra-lo.
A melhor parte da
história, além de Batman ajudando uma criança a encontrar seu bicho de estimação,
é que, pelo menino ser surdo, toda a história é contada através da arte e
língua de sinais, dando a narrativa um charme visual.
Várias
cores nas trevas
Leitura:
Batman vol.4 nº01
Um dos dilemas mais
recorrentes da história do Batman é ele tentando ser um herói compassivo em um
ambiente que parece rejeitar seus valores. Em muitos casos seus esforços
parecem não ter efeito algum, com vilões nunca apresentando sinais de melhoria
e a situação para ele e seus aliados apenas piora.
Em 2025, sua vida tinha
virado de ponta cabeça, com Alfred tendo sido morto por Bane, Gordon perdeu seu
posto de comissário para o Vandal Savage e Bruce estava sofrendo de uma crise
da meia-idade. A essa altura, é compreensível, ele demonstrar dificuldade de
manter esperança por seus inimigos ou Gotham.
Ciente dessas
situações, Matt Fraction dedicou a primeira história de sua fase a explorar
esse status quo, com Batman investigando uma nova fuga do Crocodilo. Durante
sua busca, ele descobre que Waylon está passando por um retrocesso mental,
voltando a ter a personalidade de uma criança no corpo de um homem réptil.
A história brinca com a
expectativa dos fãs quando Batman encontrar o Crocodilo. Quando o momento
finalmente chega, temos uma cena que fará qualquer leitor chorar de emoção.
Até
a morte....
Leitura:
Batman and Robin vol.3 nº11 a 13
A morte de Alfred não
teve impacto apenas no Batman, como também em vários membros da bat-familia,
que sentiram terem perdido um mentor e uma segunda figura paterna.
Um dos mais abalados
foi Damian Wayne, visto que, Bane matou Alfred em resposta ao garoto ter
tentado salva-lo. Isso levou o filho do
Batman a passar por uma fase depressiva, se afastando do seu pai e o resto da
familia, levando um tempo até ele se reconectar com eles.
Quando passou a
protagonizar com seu pai um novo título da dupla dinâmica, Damian começou a
reconstruir sua relação com Bruce, com os dois tendo uma relação bem mais
saudável, enquanto ele começava desenvolver sua vida como um jovem normal, indo
pra escola e fazendo amigos.
Entretanto, seu
confronto com seu trauma não viria acontecer até essa aventura, onde Bruce e
Damian fazem uma viagem a Ilha dos Dinossauros, procurando capturar Bane.
Essa busca se torna o
grande teste moral de Damian, com ele tendo que encarar não só um dos inimigos
mais fortes de seu pai, mas também seu desejo em querer vingar Alfred.
Alguns podem apontar que ver o Damian enfrentando esse dilema é uma repetição de história que já cansou. Porém, Joshua Williamson consegue diferenciar seu roteiro de outros, criando um paralelo entre Bane e Damian, visto como os dois foram criados em ambientes que os tornaram violentos. O que os separa seus caminhos é que Damian escolheu ser uma pessoa melhor e, no processo, ele vai encontrando pessoas que o amam e o aceitam (algo bem representando no ultimo quadrinho).
Esse paralelo também se
extende na relação do Batman com Damian
e a do Bane com sua própria filha, Vingança, que não entende o pai e, tenta,
convence-lo a seguir por um caminho mais extremo, demonstrando como as decisões
de Bane tornaram a filha em um reflexo de suas piores qualidades (uma clara
representação do ciclo de abuso).
Absolute
Batman
Leitura:
Absolute Batman nº01 a 18 (ainda em
progresso)
Assim como nas outras
retrospectivas dos heróis da DC, claro que eu iria falar do Absolute Batman,
uma hq que se passa no universo Absolute (para aqueles que não sabem, é um
universo criado pelo Darkseid).
Nessa nova
continuidade, Bruce Wayne não é bilionário, e sim filho de uma familia
trabalhadora, e cresceu ao lado de seus amigos, pessoas daqueles que viriam a
ser seus inimigos na Terra Principal, como Waylon Jones (Crocodilo), Oswald
Cobblepot (Pinguim), Eddie Nygma (Charada), Harvey Dent (Duas Caras) e Selina
Kyle (Mulher Gato).
Durante um passeio a um zoológico, aconteceu um tiroteio. Ao tentar proteger Bruce e seus colegas, Thomas Wayne (que era o professor) acaba sendo morto.
Essa perda leva Bruce, no
dias atuais, a se tornar um vigilante, tentando proteger as pessoas da
violência gerada pela gangue do Máscara Negra.
Conforme o desenrolar da hq, Batman vai descobrindo que a gangue do Máscara Negra é parte de um esquema maior, arquitetado pelo misterioso Coringa (que, nessa realidade, é um milionário) para criar em complexo, Ark M, onde seus cientistas realizam experimentos nos cidadãos, transformando-os em monstros.
Por meio dessa trama, Scott Snyder vai apresentando um roteiro que não hesita em tocar em assuntos bem sérios como corrupção de instituições, violência em protestos e abuso das elites sobre classes que consideram “inferiores”.
Mas, os arcos também possuem
uma jornada bem pessoal para o Absolute Batman que, apesar de seu visual passar
uma imagem dele como um edgelord, se revela ser um personagem bem cativante,
inspirado pelo apoio e suporte de seus amigos e de sua mãe (sim, a Martha está
viva e tem um papel na vida do Bruce).
Essa atitude do Bruce
em tentar ser um herói num ambiente que rejeita seu heroísmo (nesse caso um
universo) é um fator que contribui para atrair o desafio de vilões como Bane e
Hera Venenosa (que são figuras bem mais macabras e monstruosas do que suas
versões conhecidas) mas também lhe ajuda a inspirar a confiança de novos
aliados, como Alfred (que é reimaginado como um agente secreto, que se une ao
herói e sua causa).
No ponto em que posto
esse texto, os arcos da hq tem mostrado o Batman sofrendo as consequências de
suas ações, com seus amigos sendo vitimas de seus inimigos, sendo desfigurados
(Ozzy, Harvey e Nygma) ou transformados em mutantes (Waylon), fazendo Batman
considerar se isolar de seus entes queridos.
Posso não saber como
essa história irá concluir, mas, tendo visto a direção que o Scott Snyder tem
levado a hq até agora, tenho certeza que será um final surpreendente e
emocionante para um dos melhores títulos da linha Absolute.














