Confiram
também:
Retrospectiva Melhores histórias da Carol Danvers (Primeira era Ms Marvel)
Retrospectiva Melhores histórias da Carol Danvers (Era Binária)
Retrospectiva Melhores histórias da Carol Danvers (Segunda Era Miss Marvel)
Em 2012, pelas mãos da
roteirista Kelly SueDeconnick, Carol Danvers se tornou a Capitã Marvel. Ela
finalmente assumiu o manto do protagonista da hq que a introduziu, e se tornou
uma das heroínas principais da editora, com uma revista solo atrás da outra até
os dias de hoje.
No entanto esse
destaque foi também quando a personagem se tornou uma das mais divisivas entre
os fãs. Enquanto alguns gostaram da mudança e de suas histórias, outros
criticaram duramente, dizendo que a personagem tinha ficado uma mary sue chata
e garota propaganda de feminismo.
Mesmo antes de ler
essas histórias, eu não concordei com a maioria dessas críticas, com algumas
parecendo serem comentários ultra sexistas (ex: Carol não pode se chamar de
Capitã; Carol não tem uma aparência mais “feminina”) ou ignorantes não só as
histórias criticadas como a história da personagem em geral. O maior exemplo é
acusação da Marvel tentar dar um destaque a Carol como um ícone feminista,
quando, se vcs acompanharam a retrospectiva até agora, ela sempre foi uma
personagem representando esses ideais.
Isso quer dizer que a
fase da Carol como Capitã Marvel é perfeição e todos os críticos estão errados?
Nada disso. Como todo
personagem, ela tem seus altos e baixos. Tiveram histórias que não foram boas e
prejudicaram a imagem da personagem.
Mas tiveram várias
histórias divertidas e fantásticas, que desenvolveram Carol como uma
super-heroína, abraçando a fantasia e imaginação que as histórias são capazes
de ter.
Portanto, nesse último capítulo,
irei falar sobre essas aventuras e como elas ajudaram a criar versão atual da
Carol Danvers que os leitores de hqs conhecem.
Vamos lá...
Na busca do vôo
- Leitura: Captain Marvel vol.7 nº01 a 06
Uma das críticas que a
Capitã Marvel sofre é dela ser uma “personagem perfeita demais” e sem
“problemas relacionáveis”.
Esse argumento é de
cara desmentido pelo primeiro arco da Kelly SueDeconnick. Acontecendo logo após
Carol ter sido promovida ao Capitã Marvel, essa história mostra a ex-agente da
força aérea lidando com suas inseguranças quanto assumir o manto de seu velho
amigo, questionando se ela era boa o bastante para isso.
Suas dúvidas acabam
tendo que ser confrontadas quando, ao testar um avião de sua ídola, Helen Cobb,
Carol acaba sendo transportada para a América do Sul, nos anos 40, vendo um
grupo de mulheres lutando contra japoneses armados com tecnologia alienígenas.
Enquanto tenta
descobrir uma forma de voltar para casa, Carol vai, aos poucos, desvendando um
mistério sobre Helen e a conexão dela com sua origem.
Inimigo
interior
Quando se trata de
nível de poder, Carol Danvers é uma das heroínas mais fortes das hqs, tendo
encarado vários oponentes poderosos e desafios mortais. Mas o que acontece
quando esses poderes que a tornam tão poderosa se voltam contra ela?
Essa é a pergunta que
Carol faz no “Inimigo interior”, um arco épico onde ela, após sentir um
enfraquecimento em sua força, descobre que possui uma lesão em seu cérebro.
Sempre que ela usa seu poder de voar, ela piora sua condição, correndo o risco
de causar um dano cerebral.
Se lidar com a
ansiedade de não poder mais voar já não era o bastante, Carol acaba descobrindo
que um antigo inimigo retornou e está manipulando outros vilões para atacar a
ela e seus inimigos próximos.
No final, para salvar a
todos, Carol tem que realizar um ato muito ousado, que pode ter um alto custo
para ela em suas futuras histórias.
Sem
título
- Leitura: Captain Marvel vol.7 nº17
Se tem algo que curto
mais do que um super herói derrotando um vilão, é um super herói vencendo com a
ajuda dos civis que ele ou ela protegeu.
Finalizando o primeiro
volume de sua fase na personagem, SueDeconnick elaborou essa história sem título,
que foca na Carol lidando com as consequências de Inimigo Interior, enquanto
ela se prepara para participar de uma celebração na Time Square onde receberia
a chave da cidade. Entretanto, durante o discurso de Carol, o evento é
interrompido por Grace Valentine, uma empresária corrupta com inveja da Carol
por ter adquirido a atenção que ela julga que deveria ter sido dela
(basicamente Grace é a Lex Luthor para o Superman da Carol).
Querendo desacreditar a
heroína, Grace envia para elimina-la. No entanto, o que ela não contava era que
os cidadãos iriam auxiliar a heroína, distraindo os drones, permitindo que
Carol conseguisse desativa-los.
É uma trama curta porém
com um final bem tocante uma mensagem inspiradora sobre conexão de uma pessoa
com sua comunidade.
Mais
alto, mais longe e mais rápido
- Leitura: Captain Marvel vol.08 nº01 a 06
Enquanto a primeira
fase da Capitã Marvel da Kelly SueDeconnick focou-se em estabelecer Carol como
uma das maiores heroínas da Terra, a segunda fase a trouxe para o lado cósmico
do universo Marvel.
Nessa nova aventura,
Carol interceptou uma nave de cair na Terra, descobrindo ser um pod contendo
Tic, uma jovem de um grupo de refugiados, cujo mundo tinha sido destruido pelos
Construtores. Decidindo ajudar Tic a se reencontrar com seu povo, Carol adquire
uma nave espacial do Homem de Ferro, e viaja com a jovem até seu novo planeta,
Torfa.
Porém, ao chegar no
planeta elas se deparam com uma trama política, envolvendo tensões entre os
habitantes de Torfa e os Spartans.
A partir daí a história
se tornar um mix de drama político e aventura espacial, lembrando clássicos
como Jornada nas Estrelas, com Carol tendo aventuras pelo espaço, conhecendo
novos aliados e inimigos, ao mesmo tempo em que ela tenta encontrar um
equilíbrio entre seu papel como uma vingadora e uma representante da Terra.
Liberem
os Flerkens
- Leitura:Captain Marvel vol.08 nº07 e 08
Um coadjuvante presente
nas histórias da Carol, desde sua fase pelo Brian Reed, foi Chewie, o gato de
estimação da heroína.
Nas histórias
anteriores, ele parecia ser apenas um animal normal e uma referência divertida
ao personagem de Star Wars. Porém, nessa segunda fase de SueDeconnick, a heróina
e seus companheiros descobrem que um segredo do felino: Ele é um flerken, uma
criatura alienígena com aparência de gato. Além disso, Chewie é uma femêa,
tendo liberado vários ovos na nave de Carol.
Essa revelação acontece
em pior hora, pois a nave de Carol é atacada por criatura de gosma, fazendo com
que ela e seus amigos (Tic e Rocket Rackoon) tenham que libertar seu veículo
enquanto tentam proteger os ovos da Chewie.
Comparado com outras
histórias mais dramáticas nessa retrospectiva, essa é uma grande descontraída,
uma aventura espacial divertida que abraça a imaginação dos quadrinhos e o
humor dos personagens. O destaque com certeza vai para o Rocket Raccon, que
rouba todo quadrinho com sua dinâmica com a Carol e a Chewie.
A
próxima coisa certa
Como muitos super
heróis, Carol tá longe de ser invencível. Existem desafios que ela não consegue
lidar tão facilmente. No caso dessa história, ela tem que lidar com algo muito
mais pessoal e humano: Perda e luto.
Tendo retornado de suas
viagens no espaço, Carol vai se reencontrar com seus amigos, apenas para
receber deles a triste notícia do falecimento de sua amiga Tracy Burke.
Arrasada pela perda de sua amiga, Carol se pergunta o que ela fará agora, nesse
momento de luto.
Depois de várias
histórias cheias de ação, aventura e momentos épico, essa foi uma conclusão bem
melodramática para a fase de Kelly SueDeconnick, porém nunca a ponto de ser
depressiva. O roteiro dedica tempo para momentos bem emocionantes entre Carol e
seu elenco de apoio, culminando em um dos finais mais tocantes das histórias da
personagem.
A
ascensão da Tropa Alfa
- Leitura: Captain Marvel vol.09 nº01 a 06
Embora seja associada
aos Vingadores, Carol já fez parte de outros grupos da Marvel. Um deles foi a
Tropa Alfa. Originalmente composta heróis canadenses, essa equipe passou por
uma mudança no período pós-Guerras Secretas, se tornando a primeira linha de
defesa da Terra contra ameaças espaciais. Lógico que, nesse cenário, Carol foi
escolhida para ser sua líder de campo.
Não demora muito para o
grupo encarar sua primeira missão quando uma nave misteriosa surge próxima da
Terra. Com ela se conectando a estação espacial deles, a Tropa Alfa decide
investigar a nave, levando-os a se deparar com um mistério, com vários twists
que comprometem a confiança entre os membros do grupo.
Ao contrário de arcos
como “Mais alto, mais longe e mais rápido”, esse tem uma abordagem próxima de
filmes de terror, como “Alien Oitavo Passageiro”, com o foco sendo nos eventos
estranhos que vão acontecendo e a sensação de paranoia crescendo entre os
personagens envolvidos.
Apesar do grande
elenco, o destaque da história se mantém na Carol Danvers, que tem que lidar
com suas responsabilidades como líder, tentando manter a ordem na tropa, um
problema que ela não pode resolver com sua força física.
Re-entry
Desde seu primeiro encontro, Carol Danvers e Vampira tiveram uma relação bem complicada. Mesmo após ela ter se unido aos X-men e se redimido, Vampira nunca conquistou o perdão da Capitã Marvel, com as duas tolerando uma a outra do que se vendo como amigas.
Contudo, o destino
seguiria para uma nova direção em “Re-Entry”. Nesse arco, Carol e outras
heroínas são capturadas por Mahkizmo, o Homem Nuclear (não é o vilão do
Superman 4). Ele é soberano machista de um mundo pós-apocalíptico, que busca
criar uma raça de super-humanos em sua imagem, convencido de que Carol seria
sua “noiva ideal”.
Para que a Capitã possa
se provar digna, o vilão também captura e planta um colar de controle da mente
na Vampira, forçando as duas heroínas a lutarem uma com a outra. É apenas
quando as duas trabalham juntas, com Carol deixando Vampira absorver seus
poderes para se liberta, que elas conseguem derrotar o tirano.
Esse arco pode ser
visto como uma conclusão da história da Carol e da Vampira, com a Capitã Marvel
finalmente desenvolvendo um respeito pela integrante dos X-men, reconhecendo
como Vampira evoluiu. As duas finalmente fizeram as pazes.
A
última vingadora
- Leitura: Captain Marvel vol.11 nº 12 a 16
Carol não é chamada de
a heroína mais poderosa da Terra a toa. Ela é uma das integrantes mais
poderosas dos Vingadores, estando mesmo escalão que figuras como Thor e Magnum.
No entanto “a última
vingadora” revela como esse fato pode ser usado contra equipe.
Essa história tem a
Carol caindo numa armadilha de Vox Supreme. Tendo plantado bombas em vários
campos de refugiados Kree na Terra, o vilão ameaça destruir todos, a menos que
a Capitã Marvel elimine seus amigos.
Embora eu não seja fã
de histórias focadas em heróis lutando entre si, para torna um mais forte que o
outro, o cenário apresentado subverte esse conceito. A situação em que a Carol
sem encontra é cheia de suspense que prende a atenção dos leitores, fazendo-os
entenderem o motivo dela entrar em conflito com seus amigos, e se perguntarem
como ela irá escapar dessa armadilha mortal.
Sem dar spoiler, a
forma como a Capitã Marvel consegue derrotar Vox é algo que representa bem a
imaginação e bizarrice das hqs de super herói.
Acusado
- Leitura: Captain Marvel vol.11 nº18 a 21
Em 2020, Marvel lançou
o evento Empyre, um crossover onde os heróis se uniram a uma Aliança entre os
Kree e Skrulls (liderados pelo imperador Hulkling) para impedir que a Terra fosse
conquistada pelos Cotati, uma raça de aliens plantas.
Durante essa guerra,
Carol foi escolhida por Hulkling para ser a nova Acusadora, ficando encarregada
de punir aqueles que cometeram crimes contra o império Kree/Skrull. Como sua
primeira missão, ela é enviada para uma colônia que tinha sido destruída por,
supostamente, uma guerreira Kree, Lauri-Ell. Ao vir julgá-la, Carol percebe que
esse trabalho será mais difícil do que pensava, pois ela descobre que a acusada
é sua meia-irmã (obs: na época, tinha sido retconizado que a mãe de Carol era
uma guerreira kree).
Mesmo sabendo que suas
ações podem prejudicar a aliança entre os dois impérios, Carol decide manter
sua irmã sob sua custódia enquanto investiga o incidente, acreditando que outra
figura tenha sido responsável.
Apesar de ser um tie-in
para um evento cósmico, o arco é mais um mistério policial no espaço, com sendo
aspecto mais forte sendo o carisma da Laui-Ell e a dinâmica que ela desenvolve
com a Carol. O roteiro não deixa o leitor duvidar que as duas são irmãs e os
diálogos entre as duas, principalmente quando falam sobre a mãe delas (quem
Lauri nunca pode conhecer) são ne, profundas e emocionantes.
Normalmente revelações
de parentes perdidos em hqs de heróis pode parecer um artifíco genérico de
novela mexicana mas “Acusada” é um exemplo de como esse tipo de história pode
ser feita de forma cativante.
Ataque
ao Eden
Como explicado no item
anterior, o evento Empyre marcou uma mudança na rivalidade dos Kree e os Skrulls.
Os dois impérios que foram inimigos por gerações finalmente se unificaram em um
só governo nas mãos do Hulkling, tendo se tornado imperador e se casado com seu
interesse romântico principal, Billy Kaplan (o jovem vingador Wiccano). Juntos,
eles reconstruíram o planeta dos Kree, Hala, renomenando-o Throneworld II, onde
os dois povos poderiam conviver em paz
No entanto, algumas
rivalidades não podem ser resolvidas apenas por decisões políticas. Nessa
pequena história, o planeta do novo império é invadido por um exército de
Sentinelas Kree, que tem alvo não só o imperador Hulkling, como também as
crianças híbridas de ambos povos. Ao tentar resgatar Hulkling, Carol
descobriria que esse ataque foi orquestrado pela Suprema Inteligência, buscando
usar as crianças para ressucitar vários guerreiros kree mortos.
É mais uma história
simples porém divertida, com várias cenas de ação dinâmicas e uma trama que
estabelece a aliança Kree-Skrull como um novo status no lado cósmico da Marvel.
O Presságio
- Leitura: Captain Marvel vol.12 nº01 a 10
A última história da
Capitã Marvel a citar nessa retrospectiva, é sua minissérie recente, também
conhecida como o arco “O presságio”.
Escrita por Alyssa
Wong, esse arco gira em torno da Carol tendo que lidar com uma nova inimiga, Omen,
uma misteriosa vilã que está em busca dos Nega-braceletes, artefatos que
pertenciam ao Capitão Mar-Vell. Em seu primeiro combate, Carol acaba sendo
presa, pela vilã, na Zona Negativa.
Felizmente ela consegue
escapar graças a jovem ladra Yuna Yang, que conseguiu roubou os braceletes de
Genis-Vell (filho de Mar-Vell), permitindo que ela e Carol troquem de lugar.
Estando “algemadas” uma
a outra e sendo perseguidas pela Omen e um corrompido Genis-Vell, Carol e Yuna
começam a trabalhar juntas para se libertar e encontrar uma forma de derrotar
essa nova oponente.
Pelo resumo, dá pra
notar muita semelhança entre essa trama com a do filme Marvels, que lançou no
mesmo ano dessa hq. Entretanto, ao invés de seguir a mesma narrativa fraca da
adaptação cinematográfica, Alyssa Wong consegue entregar um roteiro muito
melhor, com destaque para dinâmica divertida da certinha da Carol com a jovem
rebelde que é Yuna. As duas são completos opostos, porém conseguem trabalhar
juntas muito bem, se tornando quase irmãs ao final da história.
Outro destaque é a
Omen, que começa como uma vilã misteriosa, porém aos poucos se revela ser
vítima das manipulações de um mal muito maior, elevando a aventura de Carol e
Yuna numa corrida contra o tempo para salvar todo universo.
Ao mesmo tempo que esse
arco introduz novos personagens e conceitos, ele também explora todo legado
Mar-Vell da qual a Carol faz parte, seja com a presença de personagens ligados
ao herói Kree (ex: Gennis-Vell, Phyla-Vell, Hulkling) ou homenagens a histórias
passadas (ex: a dinâmica da Carol e Yuna trocarem de lugar é baseado nas
histórias do Mar-Vell com o Rick Jones).
Enquanto histórias anteriores
mostraram a Carol se destacando como uma heróina solo e independente, essa a
destaca como parte de um legado muito maior, compartilhado por ela e seus
amigos.
Essa foi minha
retrospectiva das melhores histórias da Carol Danvers. O que acharam? Quais são
suas histórias favoritas dela ? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e
ideias nos comentários abaixo.



















