DIAS DO FUTURO ESQUECIDO – UM ARCO SIMPLES DOS X-MEN... E UM DOS MAIS IMPORTANTES!

 


DIAS DO FUTURO ESQUECIDO – UM ARCO SIMPLES DOS X-MEN... E UM DOS MAIS IMPORTANTE

 

Uma das minhas equipes favoritas  nas hqs (depois do Quarteto Fantástico) são os fabulosos X-men. 



Além da equipe ser composta por vários personagens bem carismáticos como Kitty Pryde, Ciclope, Vampira e, meu herói favorito, o Noturno, eles possuem histórias bem populares por tocarem em assuntos identificados na realidade, como preconceito e luta por igualdade racial.


De todas as histórias bem marcantes dos X-men, uma que considero uma das hqs mais importantes para mitologia dos mutantes quadrinhos é o arco icônico Dias do Futuro Esquecido. Escrita por Chris Claremont e com a arte de John Byrne, esse arco, publicado em Uncanny X-men 141 e 142, mostrou os Filhos do Átomo tentam impedir um assassinato que pode levar a um futuro apocalíptico.




Mas como uma história tão simples conseguiu ser tão importante para as histórias dos x-men?

Vou explicar...

TRAMA

A história se passa num futuro alternativo, onde os Estados Unidos estão sob controle dos Sentinelas e os mutantes são caçados e forçados a viver em campos de concentração. Com o mundo preste a entrar numa guerra nuclear, os membros sobreviventes dos x-men armam um plano para impedir essa catástrofe: Com a ajuda da telepata Rachel Grey (filha do Scott e da Jean) eles enviariam a mente de um deles ao passado e impedir os eventos que criaram esse mundo apocalíptico


A escolhida acaba sendo Kate Pryde, uma versão mais velha da Kitty, que tem sua mente enviada para o corpo de sua “eu” mais jovem. Reunida com seus colegas, Kate avisa sobre o futuro assassinato do Senador Kelly, causado pela Mistica e a Irmandade dos Mutantes, e como esse incidente levou o aumento de ódio dos humanos pelos mutantes e a ascensão dos Sentinelas ao poder.



Isso leva os x-men a uma nova aventura, onde não só eles tem que salvar a vida de Kelly mas também o futuro de toda humanidade.

INFLUÊNCIADOR NA CULTURA POP

Um dos primeiros pontos de destaque é o fato de ser uma das primeiras histórias dos x-men a introduzir conceitos sci-fy como viagem no tempo futuros alternativos. É um recurso bastante conhecido pelos fãs, mas na época era algo completamente novo. Pode-se dizer que esse arco dos x-men foi um pioneiro das várias histórias de viagem do tempo que marcariam a década como “De Volta para o Futuro” e “Exterminador do Futuro” do James Cameron (existem até discussões sobre essa hq ter inspirado Cameron ou vice versa).




Mas como a introdução de viagem no tempo muda as aventuras dos x-men comparado as outras histórias que utilizaram esse recurso?

A ETERNA BOMBA RELÓGIO

Na minha review do Surfista Prateado de Jim Starlin, eu falei sobre a Teoria da Bomba Relógio, um recurso criado pelo diretor Alfred Hitcock, onde o suspense de um filme ou cena é criado por meio do conhecimento do público sobre informação que os personagens não possuem (ex: Se num filme um personagem coloca-se uma bomba numa sala. O público assistindo o filme ficaria num suspense enquanto observam os personagens e suas ações, se questionando se eles vão perceber a bomba ou o que acontecerá quando ela explodir).



“Dias do Futuro Esquecido” utiliza o mesmo recurso com a introdução do futuro dos Sentinelas, dando aos leitores uma visão clara do que acontecerá caso os X-men falhem em proteger Kelly da Irmandade, criando ansiedade toda vez que os vilões chegam perto de eliminar sua vítima.



Claremont e Byrne astutamente levam o suspense da história para um novo nível, fazendo o foco ficar alterando entre os X-men e na Kate tentando impedir a morte de Kelly e os X-men do Futuro tentando um último ataque contra os Sentinelas e impedir uma guerra nuclear. Dessa forma a história passa ter duas bombas relógios, com a atenção dos fãs sendo não só nos X-men do passado tentando proteger o Kelly como também nos X-men do futuro enfrentando os Sentinelas, com cada momento onde a Irmandade chegando mais perto de matar Kelly enquanto os Sentinelas vão matando os X-men do futuro um por um, aumentando as dúvidas dos leitores de como esse conflito vai terminar.



No entanto o que torna o uso da “bomba relógio” nessa história tão diferente de outras é como ela não dura apenas nessa história específica. É uma bomba-relógio eterna. Embora a morte de Kelly tenha sido o estopim para chegada dos Sentinelas ao poder, o causador disso foi o ódio e preconceito dos humanos pelos mutantes, um aspecto que está sempre presente nas histórias dos X-men.



Como demonstrado no final da história, mesmo com os X-men tendo salvo a vida do Senador Kelly, não tem nada indicando que o futuro mudou para melhor, com a cena final do Senador Kelly e o Sebastian Shaw (que secretamente é um mutante) discutindo com o agente Gyrch forma para conter os mutantes deixando claro que aquele futuro não foi completamente impedido, mas apenas adiado.

Tendo mostrado esse futuro alternativo, Claremont e Byrne conseguiram dar muito mais importância para as histórias dos x-men e sua luta pela coexistência pacífica entre humanos e mutantes, porque agora os leitores sabem que qualquer fracasso deles pode levar aquele mundo apocalíptico.  

Contudo, a introdução desse futuro apocalíptico não só estabelece uma grande ameaça para o futuro dos x-men como também a possibilidade de um grande desenvolvimento para os heróis.

PISTAS PARA O FUTURO



A fase do Chris Claremont no título dos X-men é uma das fases mais importantes da equipe nas hqs. Em 3 décadas (final dos anos 70 e início dos anos 90) Claremont conseguiu redefinir as histórias dos mutantes, expandindo o mundo dos mutantes e introduzindo novos personagens e elementos para sua mitologia. Porém o grande trunfo da fase Claremont eram os arcos dos personagens, com cada um tendo um desenvolvimento através das histórias e diferentes hqs.


No caso do Dias do Futuro Esquecido, Claremont explora esses personagens por meio da introdução dos X-men do futuro e suas grandes diferenças em relação aos X-men do passado, como o fato do Magneto ser um aliado e mentor e a Kitty e Colossus serem casados.

Esses detalhes ajudam a diferenciar as duas versões e os leitores se conectar com os personagens e sua luta, como também estabelece histórias e sub-arcos que Claremont iria trabalhar nas hqs dos mutantes, como a redenção do Magneto, a revelação do Franklin Richards como um mutante e o relacionamento da Kitty com o Colossus.


No entanto, o arco mais importante estabelecido por Claremont e Byrne nesse arco foi o da Kitty Pryde. A personagem tinha sido introduzida poucas edições atrás, e era praticamente uma novata inexperiente na época em que essas hqs foram publicada. Porém, Kitty tava longe de ser uma “criança indefesa” tendo mostrado em sua primeira aparição potencial para evoluir numa heroína independente.




A presença de Kate Pryde dá aos leitores uma amostra da direção que Claremont levaria a personagem nas histórias seguintes, mostrando Kitty crescendo e evoluindo de uma jovem insegura para uma das integrantes mais badass e leais dos X-men, tendo vários momentos de destaque desde encarar um demônio dimensional sozinha a aprender arte ninja com Wolverine.



Tal como a presença dos Sentinelas e do preconceito dos humanos indicam a possibilidade do futuro dos x-men terminar naquele mundo apocalíptico, o crescimento de personagens demonstra o potencial deles evoluírem e se tornarem versões melhores de si mesmos no futuro.

Claro que outros roteiristas viriam trabalhar nas histórias dos X-men e dariam novos desenvolvimentos para os personagens, porém nenhum deles teria chegado senão fosse pela forma como Chris Claremont trabalhou e desenvolveu os heróis mutantes e suas histórias, tornando-as um dos maiores sucessos da Marvel.



A fase dele nos X-men é uma das mais icônicas de todas, com Dias do Futuro Esquecido sendo uma obra prima e uma histórias mais importantes de todas para os X-men e sua mitologia nas hqs.

Então é isso! Qual a opinião de vocês quanto ao arco do Dias do Futuro Esquecido? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões nos comentários abaixo.

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