A Bicharada se Revolta Contra a Escola de Samba Gayviões da Fiel

O Carnaval, o Carnaval dos bons, das antigas, dos tempos que não voltam mais (eu, no lugar deles, também não voltaria), o Carnaval com "C" maiúsculo, sempre foi pura esculhambação e transgressão.

Sempre foi chumbo grosso - e trocado - para todos os lados. Os velhos Carnavais não poupavam ninguém. E ninguém, na época, queria ser poupado, ou poupar alguém. Carnaval era, também, para isso, para lavar toda a roupa suja acumulada de um ano, impunemente. E um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chamava carnaval, o carnaval, o carnaval...

Políticos de então e todos os segmentos da sociedade eram achincalhados nas máscaras, nas fantasias e nas saudosas, inspiradas e pícaras marchinhas.
Carnaval é caricato, é burlesco. Não tem (e nem pode ter) nada de comportado, de coroinha, de, com desculpas da má expressão, politicamente correto. Carnaval politicamente correto é igual à atividade econômica autossustentável : não existe. E se existir, não é Carnaval.

Pois a honrar a tradição dos Carnavais de outrora, a de demolir com as tradições, e nos quais quem saía no bloco era pra queimar o filme, a escola de samba Gayviões da Fiel resolveu dar uma saudável e jocosa avacalhada para cima do Presidente da República, Jair Bolsonaro, machão das antigas, mais grosso do que cano de passar bosta.

Os carnavalescos da Gayviões combinaram, em certa altura do desfile, da evolução da escola, retratar o Cavalão como ele fosse uma eguinha pocotó! Decidiram levar um Bolsonaro bichona, bichíssima, à avenida.

O Bolsonaro gay será interpretado pelo desmunhecadíssimo cabelereiro Neandro Ferreiro, na ala Governantes e Generais.

– Vou vir como um Bolsonaro bem gay, bichíssima, dando muita pinta – disse Ferreira.

E a primeira-dama e gostosa Michele Bolsonaro também não escapará das presepadas dos foliões da Gayviões da Fiel. Haverá também uma imitação da esposa do Mito, interpretada pela também cabelereira Gisele Porto. Imitação pensada e orquestrada por Neandro Ferreira.

– Ela vai ser muito bem tratada, reverenciada e cortejada pelo presidente que vou interpretar. Vou fazer tudo exatamente ao contrário da maneira como ele faz. É realmente um manifesto contra o machismo, o fascismo e o preconceito – garantiu Neandro.

Um momento do desfile, convenhamos, com tudo para ser descontraído e hilário, certo? Uma divertida e até respeitosa brincadeira com o Messias, certo?
Depende. Mais ou menos.

Se fosse apenas da parte do Presidente, tenho certeza de que sim. Tenho certeza de que Bolsonaro levará numa boa e rirá às pampas, de que, em nenhum momento, se sentirá aviltado em sua macheza das antigas, quererá processar alguém etc etc.
O problema não é com o Jece Valadão do Palácio do Planalto, não é com o fascista, preconceituoso, homofóbico, genocida etc.

A polêmica, que já se avizinha antes mesmo do desfile acontecer, está a ser deflagrada pela própria bicharada!!! Não é Bolsonaro que está com algum tipo de resistência ou preconceito em se ver retratado em uma versão mais delicada e sem pregas. Mas sim a fauna cervídea, que está com discriminação e não quer Bolsonaro como boiola. É a fauna cervídea que não quer acolher Bolsonaro em sua irmandade.
A bicharada está acusando a Gayviões da Fiel e o cabelereiro de homofobia!!!!

Pããããããta que o pariu!!!!!

Vejamos as falas de algumas bichas, que tanto pedem por tolerância e o caralho a quatro (principalmente o caralho de quatro):

– Então, a Gaviões da Fiel acha que representar Bolsonaro gay é algo pejorativo? Achei isso bem homofóbico da parte deles - disse uma bichinha rançosa e ressentida.

– Gaviões da Fiel irá representar Bolsonaro gay no desfile desse ano. Não entendi, então a escola de samba acha pejorativo representar alguém como gay? Virou ofensa? - indignou-se outra.

Bons tempos em que, como cantou Caetano Veloso, índios e padres e bichas, negros e mulheres, faziam o Carnaval. Hoje, são os que mais tentam emperrá-lo, solapá-lo.

Querem proibir a fantasia de índio (dizem ser apropriação cultural) e a marchinha Índio quer Apito. Querem proibir a Cabeleira do Zezé, sem nem mesmo terem a certeza de que se ele é. Querem buzinar o Chacrinha e proibir a Maria Sapatão, sucesso dentro e fora do Brasil. Querem proibir a Mulata Assanhada e todas as demais mulatas de sambarem e de excitarem o macho, que é a prerrogativa da fêmea da espécie, e não a de castrá-lo. Até agora só não ouvi reclamações da padraiada, queixas contra algum tipo de clericofobia.

Esses, que fizeram os carnavais do Caetano, hoje, são os verdadeiros reaças, os fascistões da Folia de Momo, que, se bobear, deve estar também por aí a se lamentar de gordofobia.

O desfile com o Bolsonaro gay está marcado para o próximo sábado, dia 22/04. Não sei se a Gayviões e o cabelereiro - um verdadeiro luxo!!! - levarão a cabo o projeto original, ou se cederão à censura dos seus pares.

É a bicha proibindo a bicha de ser bicha no Carnaval!!!

É a cobra mordendo o próprio rabo!!!

Ainda se fosse entrando no próprio rabo - ui, ui,ui -, talvez houvessem menos reclamações.

Por que tão sério????
 


Conheça também: 

 

Postar um comentário

0 Comentários