Ele Era Um Dinossauro... No Natal


Link para a história original: https://ozymandiasrealista.blogspot.com/2020/04/ele-era-um-dinossauro-versao-completa.html


 Hou hou hou!


Jingle bells! Jingle bells!


O Natal é uma época mágica! Onde todos nós (você não?) nos unimos para celebrar o amor, a alegria e outras coisas que você considere bonitas e positivas. O foda é que zuaram com o Papai Noel.


Você não sabia que zuaram com o Papai Noel?



Bem, vamos lá então. Eu explico pra você. O Papai Noel é um cara que tem poderes quase infinitos. Ele foi reduzido a essa imagem infantil por companhias de marketing capitalistas que se aproveitaram de nossos ancestrais com poder saindo pelo cú pra gerar uma graninha. Não surpreende que hoje quase não os vemos mais e precisamos ficar inventando um monte de mentiras para as nossas crianças, só pra não perder o costume. 


ESSA É UMA DAS MAIORES SACANAGENS CONTEMPORÂNEAS! 


A simples existência verdadeira do Papai Noel, o fenômeno em toda sua verdadeira complexidade seria o bastante para desmoronar todo o status quo atual. Não é por nada que querem esconder isso a todo custo!



Você acha que eu estou exagerando? O Papai Noel não é um cara usual. E não estou nem falando dos poderes, você não vê pessoas que mantém a sabedoria dos seres místicos ancestrais como o Papai Noel por aí, em qualquer esquina. Pensa comigo, por que um ser com poder infinito ia escolher bem o visual de um velho gordo podendo tranquilamente usar seus poderes pra ficar todo gostosão? Exatamente. Você não tem como saber, você não compreende a profundidade do Papai Noel.



Com tanta besteira pós-moderna que enfiaram na existência real do Papai Noel, uma das poucas coisas que não se perdeu foi sua localização. O poderoso realmente vive lá no Pólo Norte, com os pinguins e experimentos secretos da C.I.A. Espera... Eu falei experimentos secretos da C.I.A.? Uh... Eles não devem ser mais tão secretos assim. Não é o caso do Noberto, o último dinossauro existente, que foi descongelado pelos Estados Unidos e mantido em uma casa escondida no Pólo Norte. Suas pontuais aparições foram oprimidas por distração em massa fornecida pela mídia e todas as provas de sua existência foram consideradas apenas fake news! Até que dá pra entender... Em tempos que dá pra fazer um dinossauro no photoshop...



Então o dinossauro Noberto aproveitou a oportunidade para ir ver o bom velhinho em sua própria moradia, levando junto em sua mão as únicas duas pessoas que ele conhecia. Essas eram o pobre jornalista pobre, nomeocultado, e o cientista maligno, Genio Sin.


- Não acredito que nós vamos mesmo ver o Papai Noel! - comentava nomeocultado sentado sobre a mão aberta do dinossauro, que se aproximava de uma fortaleza cheia de enfeites brilhantes.

- Ridículo. É óbvio que o Papai Noel não existe. Quem acredita nisso? - Resmungava, como sempre, Genio Sin.



O Papai Noel e seus escravos amigos já podiam sentir os terremotos indicando a chegada de Noberto há algum tempo, de forma que quando eles chegaram, ele já estava fora da casa olhando pra cima, de braços abertos para recebê-los.

- Hou, hou hou! - ele ria caracteristicamente. - Sejam bem vindos à minha casa, amigos! O que posso fazer para ajudá-los?


- Olá, Papai Noel... - rosnava lentamente o grande dinossauro. - Eu vim aqui com os meus... amigos... - Ele não sabe bem definir a relação com os dois - Ver se você não podia nos dar alguns presentes. Uns presentes de Natal!


- Mas é claro! Deixem só eu ir sentar no meu troninho e dou o que vocês quiserem se tiverem sido bons meninos! - ele falou como o velho afeminado que era.



Noberto deixou seus colegas humanos no chão, abraçando seus próprios corpos com frio, e foram avançando para perto da poltrona onde o velho gordo e mágico havia se sentado.


- Muito bem! Quem é o primeiro? - Disse o Papai Noel dando um tapinha na própria coxa. 

- Espera... Eu não vou ter que sentar no seu colo, vou? - Perguntou nomeocultado.

- Tá com medo de sentar no colo do velhinho? - Perguntou maliciosamente alguém na multidão de escravos amigos do Papai Noel.

- É sério isso? - custava a acreditar o friorento jornalista.

- Vai logo - falou Noberto com sua típica impaciência.


Então, como um milagre de Natal... Pela primeira vez em 37 anos... nomeocultado sentou no colinho de um velho gordo. O tal do Papai Noel...


O pedido de nomeocultado!


- Foi tão ruim sentar no colo do velhinho? Hou... hou... - Zuava o safado.

- Prefiro não comentar... - Ele se sentia ridículo.

- Conte pra mim, amiguinho! Você foi bonzinho esse ano? Se comportou bem?

- Acho que me comportei bem até demais. Devia ter dado um tiro no meu chefe!

- Hou! Hou! Hou! Nada mais bonzinho do que resistir aos seus instintos mais verdadeiros e selvagens! Você vai ganhar seu presente! Conte pro velhinho! O que você quer?

- Olha, Papai Noel... O que eu mais queria no momento... A única coisa que eu consigo pensar... É que passasse essa minha dor de cabeça.

- Ah! Hou hou hou! Podemos dar um jeito nisso! Espera aí.

- Ei! Onde é que você tá colocando a mão? - nomeocultado perguntava assustado no colo do Papai Noel.

- Relaxa, ow. Só vou pegar aqui no meu bolso... Pronto!

O Papai Noel tirou uma cartela de remédios e deu para o adoecido jornalista. - Tomou benegril, a dor sumiu!

- Ae, valeu. - Respondeu o presenteado saindo feliz do colo do velho e voltando pra multidão. - Alguém aí tem água?





O pedido do Genio Sin!


Foi exemplar a capacidade do Santa Claus de permanecer indiferente quando um sujeito medonho como o Genio Sin sentou seu corpo horrendo e biônico no seu colo.

- Olá, menininho. Tudo bem? Qual é o seu nome?

- Eu sou Genio Sin! Possuo a mente mais privilegiada do universo!

- Aliás, dá pra te considerar um menino mesmo ainda? Com tanta implementação tecnológica que você fez no próprio corpo... Sei lá, só procuro ser politicamente correto.

- É claro que eu sou um menino! - Gritou Genio Sin. - Está vendo isso aqui no meio das minhas pernas? Pode parecer um órgão normal, mas na verdade eu o complementei co--

- Eu dispenso os detalhes, por favor. - Papai Noel fez um momento de silêncio. - Hum... Usando meus poderes parece que você não foi exatamente um bom menino esse ano não...

- Como assim? O que quer dizer com isso?! Quem é você pra falar para mim, Genio Sin, a qualidade de minha conduta?! Você nem existe, @%$#@¨&*%!

- Bem... Além dos palavrões que acabou de falar, tem umas coisas até que bem pesadas que você fez, senhor Sin. Tentativa de assassinato, tráfico de tecnologia ilegal, traição do governo dos Estados Unidos, sabotagem, participou de situações de guerra, se masturbou pensando na sua própria prima!

- Velho, que cara mais doente! - Comentava um duendezinho.

- Também, esperar o quê? - Comentou outro. - Olha o visual maluco desse cara. Mó incell.

Genio Sin começou a dar um chilique nervoso sentado no colo do velho com poderes mágicos.

- Você não tem respeito! Não tem o direito de falar assim de mim! Meus estudos avançaram em um tempo incalculável o progresso da humanidade! Eu sou genial! Eu não preciso te dar nenhuma explicação! Não admito que venha com esse papo vir me negar um presente!



- Pelo amor de Deus... - Reclamava o dinossauro Noberto. - Dá um presente pra ele, por favor. Eu não aguento mais ouvir esse cara se gabar. De verdade. Só tem a gente de personagem mesmo.

- Bem... Tudo bem... Acho que posso abrir uma exceção. - O Papai Noel diz mudando de ideia. - O que você vai querer então... Genio Sin?

- Eu quero ser reconhecido como o maior gênio de toda a humanidade!

- Seu desejo é uma ordem. - Falou o Papai Noel estalando seus dedos simbolicamente.

- Já foi? - Genio Sin se levanta e sai saltitando animando. - Iupiiiiiiiiiiiiiii! Vou correndo esfregar na cara da minha ex-esposa pra ela ver que estava errada de ter terminado comigo.

E Genio Sin se afastou, ajudando a destruir a reputação dos intelectuais.





O pedido de Noberto!


- Bem, só falta você agora, amigão. - O Papai Noel disse para o último dinossauro da história. - Você não quer sentar no meu colo, não é? Ia matar o velhinho... Hou, hou, hou!

- Não... Está tudo bem... Eu não sei se você vai poder realizar meu pedido...

- Mas claro que eu posso, Senhor Dinossauro! Eu sou o Papai Noel... Eu posso realizar todos os pedidos... Hou hou hou...




- Mas você acha que o D-42 foi um bom menino, Papai Noel? - interrompe Genio Sin, ainda rancoroso. - Ele... Ele esmagou o técnico de informática com o pé quando estava na casa dele.

- Eu sei. - O Papai Noel diz com o canto da boca pro Genio Sin. - Exatamente por isso não vou contrariar ele.

- Então... O meu pedido... Papai Noel... - As pessoas ao redor tinham um mínimo de curiosidade para saber o que o último dinossauro da história ia pedir de presente, mas não entendiam porque ele demorava tanto. Após pensar mais um pouco, ele finalmente diz. - Eu não tenho dúvida nenhuma. Papai Noel... O meu pedido é que... Todos os dinossauros voltem à vida.


Todos que estavam entretidos com outras coisas, inclusive nomeocultado e Genio Sin, deram atenção para Noberto para ter certeza que haviam ouvido direito.

nomeocultado pergunta. - Papai Noel? O senhor não pode fazer isso, não é? Você não pode trazer todos os dinossauros de volta?

- Mas claro que eu posso. Eu sou o Papai Noel. Posso realizar qualquer desejo... - Como se fosse o Thanos, o Papai Noel estalou seus dedos mais uma vez...



Quando acontece algo dessa magnitude, as pessoas levam um tempo pra processar em suas mentes que é real. Que culpa elas têm? Não é sempre que o Papai Noel, despertando pela primeira vez em muito tempo o seu verdadeiro potencial, faz com que toda uma espécie que já havia dominado a Terra, de norte à sul, nos céus e nos mares, voltasse à vida em um mesmo instante.























Mas eles voltaram.



Saindo da terra, onde haviam estado pela última vez, todos os dinossauros da última geração estavam vivos de novo! Havia apenas um chamado que os unia... Um instinto em comum... A única coisa que seres extintos, tão distantes de seu tempo, viam sentido em fazer.



Eles marcharam para o Pólo Norte...


Foram para a casa do Papai Noel...




Todos no ambiente, como eu já te disse, não haviam realmente processado em suas cabeças que todos os dinossauros haviam retornado. Eles estavam pensando em outras coisas. O único que estava certo disso no mundo todo era o Papai Noel, pois sabia da subestimada extensão milenar de seus poderes. Isso foi há uns anos atrás. Você provavelmente não percebeu porque era Natal e estava distraído fazendo outras coisas em casa. Além de que foi um dia antes de informarem a morte do David Bowie, então acabou não passando nos jornais que os dinossauros tinham voltado e ninguém ficou sabendo.



O surgimento da silhueta dos dinossauros no horizonte glacial não ajudou nossos medonhos amigos a entenderem que aquilo realmente havia acontecido. Te explico o porquê. Em tantos e tantos anos, os dinossauros ilustraram estudos, entretenimento da cultura pop e ilustrações de todo tipo com seu visual criado a partir do que os humanos conheciam... E os ossos da falecida espécie que haviam encontrado, é claro.



Mas é só isso que eles eram... Apenas ossos!


Os homens sempre tiveram o costume de interpretar o universo ao seu redor baseado no que conheciam do seu microcosmo. E já haviam muitas vezes entrado em choque quando ficava explícito que isso não tinha nada a ver. Que eles não eram o centro do universo!


Seres e mundos completamente independentes... E completamente indiferentes à existência e a percepção do ser humano.


Mas nunca antes havia sido tanto quanto a primeira vez que aqueles poucos indivíduos no Pólo Norte viram os dinossauros.



Eles já conheciam Noberto, que era mais confortável à imaginação humana. O último dinossauro realmente lembrava um lagarto gigante, como os que crescemos vendo na TV e no cinema. Mas todo o resto da grande maioria... Nenhum homem na história chegou perto de conseguir imaginar.


Eram... SERES INOMINÁVEIS... Você poderia dizer que eles tinham uma aparência sombria... Mas precisaria admitir que não era "sombrio" que exatamente os descrevia.


Você poderia citar os olhares com violência e maldade... Mas aquilo que aqueles olhos expressavam... Estavam tão além de violência e maldade como entendemos... Que essa descrição não conseguia ser adequada.


Podia falar de suas cores estranhas... Ou melhor. A ausência delas! Etnias nunca vistas pelos olhos da humanidade em toda a diversidade da flora e da fauna! Mas não era bem isso o que você podia ver.


Após muito pensar, você chegaria a mesma conclusão que os poucos seres que vivenciaram aquele evento...



A conclusão de que na sua cabeça você ACHAVA que sabia o que eram dinossauros...


Mas na verdade...


Nunca havia tido a menor ideia...



Sensação muito diferente da que tinha Noberto... Que por um milagre natalino, pela primeira vez podia ver toda sua espécie extinta... Espécie que ele mesmo havia destruído...


Olhando a legião de dinossauros que se aproximavam dele em torno da casa do Papai Noel, Noberto com muita dificuldade procura por palavras...


- Vocês... Estão vivos! Eu consegui! O meu desejo foi realizado! Vocês todos voltaram! Só pode ser um sonho!


Os olhos dos dinossauros que estavam mortos o encaravam com indiferença.



- Eu... Tenho buscado... Por redenção. Todos os dias... Eu tento me perdoar. Perdoar a mim mesmo. Pelo o que eu fiz... Ajudando... Exterminando... Toda a minha espécie. Todos vocês, que são afinal, meus irmãos.

- Você... - Diz um dos gigantescos seres indescritíveis. - Você... Sabe o que vamos fazer?


Noberto não responde. É um mistério que deixo para você se ele não queria ou não podia emitir resposta.


Após um momento de silêncio, ele muda de assunto. - Minha mulher... E meu filhote... Devem estar entre vocês. Eu gostaria muito de vê-los... Nada seria mais importante para mim.



Genio Sin, nomeocultado e todos os outros observavam mudos e imóveis aqueles seres, sem saber como reagir.


- Você... Nas suas mãos... - Murmurava fantasmagoricamente a criatura ressuscitada. - Teve o poder... De tornar toda a existência... Em inexistência.



- Você... Foi o predador supremo... - A natureza daquelas criaturas era tão estranha para os padrões conhecidos que não tinha como definir o que eles sentiam ou expressavam. Fora suas palavras, todo o resto era puramente mistério. - Mas você... Predou tanto... Que predou... A sua própria espécie. E podemos ver que você... Saiu vitorioso no final.






Até agora.



- Eu... - Noberto volta a falar. - Peço desculpas... E me arrependo. Me arrependo profundamente. Profundamente e verdadeiramente. Tudo que eu queria... Tudo, tudo que eu queria... Era resolver tudo. Era acordar um dia e descobrir que nada daquilo havia acontecido. Que eu não era eu. Que eu... Eu não era... Um assassino... O maior assassino de todos os tempos. Acredite. Ninguém conhece mais sofrimento do que eu. Todos os dias... Vivendo com a minha culpa. Eu faria de tudo... Para poder mudar. Eu fantasiei... Fantasiei inumeráveis vezes... Com a magia... Com o milagre... Com impossível. Implorei e implorei para poder reverter tudo. Para que os erros que eu havia cometido não fossem verdade. Eu imploro... Para vocês. Me desculpem. Eu peço desculpas. Eu não queria ter que viver... Com meu erro. Na primeira oportunidade que tive... Trouxe vocês de volta. Eu espero que esteja tudo bem agora.


A ausência de resposta da legião de dinossauros deixou claro uma coisa: A definição de sofrimento e vingança....














Estava prestes a ser criada.



Dois seres pequenos tomaram a iniciativa de falar entre o último dinossauro... E todos aqueles outros. Genio Sin começou.


- Am... Nós... Tivemos a oportunidade de... Conhecer a história do Noberto... Recentemente... E sabemos que seus crimes talvez tenham sido... Sem iguais. E talvez indignos de perdão. Mas simplesmente assistir a essa condenação... Sem defesa... Sem.... Chances de... Perdão ou recuperação... Simplesmente me parece demais. Acho que... Vocês também devem pensar parecido... Vocês que estão vendo isso. Eu achei que devia dizer isso. Eu sou Genio Sin-- - Mas ele parou porque não se sentiu à vontade para se gabar mencionando seu status.

nomeocultado quis falar também. - Hoje é uma data de... Amor e... Bem... Fraternidade para nós humanos. Talvez não signifique muito para vocês... Mas eu sei que toda história tem mais de um lado. Com certeza toda história tem mais de um lado. E acho importante nos perguntarmos sempre... Se é sábio condenarmos? É sábio atacarmos ferozmente sem pensar em mais nada? Será que não podemos ser melhores do que isso? Se não hoje, algum dia... Nossas escolhas possam ser mais... Sensatas. Ou algo do tipo? Senão... Em que tipo de mundo nós vamos viver? Um mundo igual ao de agora? Nós gostamos do mundo em que vivemos?



- E eu gostaria de adicionar mais uma coisa. - Disse o jornalista cuja dor de cabeça finalmente havia passado. - Para refletirmos... Não foi esse tipo de atitude que levou o Noberto a extinguir toda a sua espécie? Não foi essa mesma atitude que vocês estão tendo agora? Hein? Que levou ao fim de todos os dinossauros? Que ao lado de aliens que ele considerava uma raça superior, substituiu tão imponentes e fascinantes criaturas por primatas minúsculos que ficam lendo historinhas de dinossauro no Natal?


Ninguém pegou a metalinguagem. É sempre assim...


- Eu... Sou muito agradecido... De estar entre vocês... Dinossauros. - Ele sentia um pouco de emoção. - Eu adoro vocês, puta merda. Desde pequeno, eu acho demais. Eu tenho até um blog, chamado "Jurassic Site: Tudo Que Você Gostaria de--

- Ninguém aqui está interessado nas suas nerdices, nomeocultado. - Interrompe Noberto.

- Desculpa.




- Aliens? - Pergunta uma das criaturas revividas. - Não sei que tipo de história você inventou sobre nossos dias finais, mas não me surpreende que criatura nenhuma teria a falta de dignidade para relatar o que você realmente fez.


nomeocultado e Genio Sin ficam surpresos. Não imaginavam que a história de Noberto pudesse ser mentira. Tudo que eles conheciam dele era a partir dela.


- Eu sei o que eu fiz. - Foram as últimas coisas que Noberto disse pontualmente.


- Nós também. - Concluiu um dos dinossauros.



O jornalista parecia ter razão quando dizia que havia dois lados para toda história. Mesmo que não da forma que ele quis dizer. No caso de Noberto, o último dinossauro e maior assassino da história, havia a história que ele contava. E havia sempre a história. A que havia acontecido e acontece independente de sua leitura ou narração. E essas histórias às vezes não conseguimos contar.


Eu não consigo contar.


O que foi feito pelos dinossauros com Noberto no alto do Pólo Norte não pode ser possivelmente narrado por mim. A minha mente é incapaz de processar aquelas coisas. Talvez como um mecanismo para proteger a minha própria sanidade.


Eu não posso entender aquilo.


E você não poderia também.


Afinal, somos humanos. Não somos dinossauros.


Sua espécie nunca foi destruída.


Não passamos por um genocídio dessa espécie.


Não sabemos o que é isso. Ainda não!


Não sabemos o que aqueles dinossauros todos sentiram pra ser movidos a fazer o que fizeram com Noberto.


Coisas... Que não posso nomear. Estão além...


E depois de terminarem eu não sei o que eles foram fazer.








Porque ainda não terminaram até hoje.





FELIZ NATAL


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