Segura na Mão de Deus, Segura na Mão de Deus...

Nunca fui um apreciador de futebol; logo, nunca fui um apreciador de Dom Diego Maradona, o futebolista. Mas sempre fui fã de carteirinha do Maradona, o mito. Do Maradona, o provocador, o gozador, o sacana, o peladeiro das antigas. Do Maradona, o Mão de Deus.

Maradona era o último remanescente do jogador macho das antigas, daqueles que xingavam o juiz na cara, coçavam o saco e cuspiam no gramado. Sujeito que veio dos campinhos de futebol de várzea e não das afrescalhadas escolinhas de futebol e dos anabolizados centros de treinamento.

Uma das histórias mais espirituosas e hilárias já acontecidas no futebol teve a mão de Maradona (e portanto a de Deus) por detrás. 

Vinte e quatro de junho de 1990. A Argentina bateu o Brasil por 1 a 0. Eliminou o Brasil já nas oitavas de final e se classificou para as quartas de final da Copa de 1990. Num lance do jogo, Ricardo Rocha derruba o argentinho Troglio no gramado. O lateral-esquerdo brasileiro Branco, sedento pelo calor que fazia, aproveitou para pedir água aos argentinos que entraram em campo para socorrer Troglio. Foi quando a genialidade de Maradona entrou em ação. Como todo goleador que se preza, Maradona estava ali só de olho, só na "banheira", esperando sua chance. Ao ouvir o pedido de Branco, reza a lenda que Maradona mandou o massagista Miguel di Lorenzo, o Galíndez, trocar as garrafas em que os argentinos estavam bebendo e dar uma diferente a Branco, uma com água "batizada". Com água que canarinho não bebe, mas se beber assovia o Hino Nacional de trás pra frente e de frente pra trás. A água dada a Branco por ordens de Maradona estava "batizada" com um calmante, um tranquilizante ou coisa que o valha. Daí em diante, Branco jogou o resto da partida grogue, grogue, trá-lá-lá de tudo. Foi a partida mais calma que Branco já jogou. Branco só ficou sabendo da pegadinha do Maradona três meses depois, pelo zagueiro argentino daquele jogo, Ruggieri. Depois, outros jogadores confirmaram a história. O próprio Maradona, décadas depois,  confirmou, às gargalhadas, a tramoia em entrevista a um programa argentino de esportes. Sacanagem do Maradona? Não! Burrice do Branco, porra, de pedir água pros argentinos!!! Sensacional, o Maradona! Um filho da puta das antigas.

Muitos creditam a decadência da carreira de Maradona aos seus problemas com drogas e mulheres. Problemas? Como disse Keith Richard, dos Rolling Stones, "eu nunca tive problemas com as drogas, sempre tive problemas foi com a polícia". É o caso de Maradona, porra! Maradona, feito o magnata norte-americano de quem eu me esqueci o nome, gastou grande parte de sua fortuna com drogas e mulheres; o resto, ele desperdiçou.

E hoje, morreu Maradona, o mito. O futebolista há muito já estava. Morreu de parada cardiorrespiratória, aos 60 muito bem vividos anos. Maradona havia passado por uma delicada cirurgia no início desse mês, para drenar um hematoma, um coágulo cerebral. E acho que foi isso que acabou provocando a morte a curto prazo do gênio da pelota. Dadas as proporções dos cérebros dos jogadores de futebol, o médico, ao tentar drenar o coágulo, acabou drenando foi o cérebro todo. Jogar futebol sem cérebro não só é possível como é praticamente um pré-requisito, mas respirar, manter os movimentos involuntários do músculo diafragma, não.

Morreu Maradona, o Mão de Deus.


Morreu Maradona, o mito. Agora, ele vai virar santo. Queira a Igreja Católica canonizá-lo ou não, logo, logo, São Dieguito estará a operar milagres e prodígios. Aliás, santo é o caralho! Que santo é o baixo clero do Céu. Maradona vai chegar no Céu e dizer que joga melhor que Deus.
Diego Armando Maradona
1960 - 2020



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               http://amarretadoazarao.blogspot.com/           

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