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segunda-feira, 29 de julho de 2019

10 HQs fora do Marvel/DC


Muitas pessoas fazem posts desse tipo sugerindo que é um pequeno passo para o homem mas um enorme salto para a humanidade deixar de ler uma HQ da Marvel/DC para ler qualquer outra coisa. Acho essa arrogância das mais bestas que já vi, considerando que eu sempre li de tudo mutuamente, desde criança quando lia Disney, Turma da Mônica e adaptações de filmes. E descobrindo Will Eisners, Moebius, Krigsteins, Druillets, Joe Saccos, Moons e Bás; eu continuei sentindo que muitas das HQs que mais me divertiram foram justamente do Demolidor, do Homem-Aranha, ou seja... foda-se, sinto muito. Justamente porque em um post das minhas 10 HQs favoritas umas 9 seriam da Marvel ou da DC, a única chance de eu elencar algumas outras seria justamente fazendo uma lista que já as exclui. Pra ficar mais desafiador exclui completamente o selo Vertigo (que muita gente finge que não é da DC), então não há Hellblazer, Preacher, 100 Balas e afins. Vamos lá!




10-A Saga do Tio Patinhas

Deve ter alguma coisa da consciência coletiva envolvida em como fãs de quadrinhos costumam gostar mais do Tio Patinhas do que a média das pessoas que o vê nos desenhos. É sério, é muita gente. Deve ter relação com os autores Dan Rosa e Carl Barks terem focado uma atenção especial ao pato mais rico do mundo. Sendo velho e quackilionário, ele se distingue dos outros personagens como o Mickey por já ficar sugerido que ele precisa ter toda uma história passada que trouxe suas conquistas, já que não mora em uma casa genérica e tem uma rotina genérica. Eis que a Saga do Tio Patinhas é um presente pra todos os fãs que gostam tanto do velho pato, contando toda sua jornada, desde jovem até se tornar ricaço. É criativo e sensível. Os desenhos fazem umas brincadeiras muito inteligentes e tem partes hilárias. Só acho que o final podia ter sido mais profundo e emocionante, uma oportunidade que deixaram passar.



9-Requiem
O desenhista se dedicou tanto nos peitões da mulher que o braço ficou parecendo uma camisinha usada.
O popular Pat Mills (Era Metalzóica, Marshall Law) com esse desenhista francês inacreditável de bom. É um dos raríssimos casos (se não for o único) de desenhista que eu compraria o trabalho independente do roteiro, acho que nem com o Alex Ross eu faço isso. É o senhor Oliver Ledroit! O roteiro do Mills não é ruim, é diferente e criativo na verdade, além de ter uma boa dose de insanidade. Mas não posso negar que em nenhum momento ele me causou fortes emoções ou surpresas, isso não. O que rouba a cena é a arte do Ledroit, a história toda parece uma sequência de capas de álbuns do Iron Maiden e do Megadeth.


Se trata de um soldado nazista que morreu e foi pro inferno, do qual o Mills recriou em uma mitologia insana, onde quanto pior melhor. Lá quanto mais mal for o cara, mais sofrimento ele tiver, mais forte ele fica. Tanto que as grandes celebridades são Vlad, o Empalador, Gengis Khan, Adolf Hitler, Aleister Crowley e afins, que fazem cameos surpreendentes. As referências à bandas de heavy metal são meio superficiais, de vez em quando eles usam palavras como "Black Sabbath" ou "Anthrax", mas a maior herança do movimento musical na revista mesmo é a parte estética, lotada de monstros, caveiras, góticas, é como se fosse um carnaval mortal de Heavy Metal.


Aqui no Brasil a Mythos publica nas Gold Editions, que são enormes e custam uns 100 reais, mas é bom que você fica mó tempão admirando os desenhos. Serão 3 volumes no total e já publicaram 2.


8-Saga

Pelo que vejo em comunidades da Internet, deve ser a série de quadrinhos mais popular do Ocidente, enquanto do Oriente é Berserk. No meu caso deixo em nono porque só li 7 edições, apesar de estar curtindo não deu pra subir tanto. É chamado de "Star Wars pra pervertidos", "Romeu e Julieta no espaço" e realmente essas definições colam. Há um casal apaixonado formado por seres de raças inimigas, a Alana e o Marko, caracterizados pelas asas e pelos chifres, respectivamente. Eles têm um bebê, que é o narrador de toda a história, uma ideia inteligente e curiosa do Vaughan que caracteriza a série. O resto... é tudo que pode dar errado na vida dos dois em uma salada de fantasia.


Temo que essa série nunca ficará mais popular no Brasil, pela mesma razão do Hellboy que era publicado pela Mythos em edições pequenas que tinham o valor de tijolões. Aqui no Brasil, Saga está sendo publicado em encadernados de luxo de formato grande, com capa dura, QUE CONTÉM APENAS SEIS HISTÓRIAS, E CUSTAM 72 REAIS! Essa é a mesma quantidade aproximada que costumam ter volumes padrões da Salvat, da Eaglemoss e de outras coletâneas de super-heróis, às vezes custando cerca de 20 reais. Eu não ligo pro volume luxuoso, não sou rico, é claro que eu prefiro, mas uma das minhas memórias mais preciosas como leitor de HQs foi o lançamento da Saga do Monstro do Pântano em capa cartão. Custava cerca de 23 reais, vinham às vezes até mais de seis histórias, foram seis volumes, eu sempre ficava muito feliz e me sentia recompensado. Tinha longos prefácios em todo volume e biografia dos artistas, eu realmente não sinto falta desses roteiros inteiros transcritos e rascunhos, que em alguns casos ocupam metade das edições.


Por essa razão só comprei o primeiro volume em inglês que estava mais acessível, mesmo tendo gostado não foi o suficiente pra me convencer a pagar quase 80 reais em seis histórias, por isso ainda não passei do início da série. Bem, se depois de tantos anos a Panini tá lançando uma coleção do Sandman pro leitor médio, quem sabe um dia role com o Saga...


7-Beasts of Burden

Boa publicação da Dark Horse, aqui no Brasil o Pipoca&Nanquim tem lançado, pegando promoções e pré-vendas dá pra conseguir por uns 40 mangos. São as aventuras paranormais desse grupo de animais. A série faz bastante sucesso, eles são muito carismáticos, os roteiros surpreendem e é muito divertido. Você se impressiona quando as histórias mostram coisas realmente pesadas de violência e ocultismo, em contraste aos simpáticos protagonistas.


6-Hellboy

Projeto do Mike Mignola, originalmente ia ser lançado na DC, mas como ele não ia ter direitos sobre o personagem, mandou pra Dark Horse. Foi bom que o personagem pôde ter seu próprio universo, senão ele estaria sempre no mundo da DC. O personagem tem algumas histórias repetitivas, mas no geral a personalidade dele diverte bastante. Além do próprio Mignola houveram grandes artistas que passaram pela revista, como o Corben e o Fegredo, que são excelentes. A série principal terminou há uns anos atrás com "No Inferno", mas parece que sempre há títulos secundários saindo, cujos quais eu não acompanho. Se você não conhece, aqui vão algumas dicas das minhas favoritas:

-Lobos de Santo Augusto
-O Cadáver
-Gigante Infernal
-O Vigarista
-Makoma
-No México
-O Terceiro Desejo



5-Murder Falcon

Acredito que seja a série mais recente do post, e fico muito feliz de colocá-la aqui, porque cara, como me diverti acompanhando. Jake é um metaleiro gordinho e deprimido,  um dia descobre que tocando sua guitarra pode invocar o Murder Falcon, que é esse falcão marombado com um braço mecânico, e conforme mais irado o que ele toca, melhor o Falcon luta contra monstros de outra dimensão (a dimensão Heavy) que estão invadindo a nossa para condená-la. Tudo é desenhado de forma perfeitamente divertida. Eles têm um humor nonsense e juvenil que é perfeito, sempre priorizando tudo que parece irado nas cenas de ação. Eu podia ficar muito mais tempo escrevendo sobre Murder Falcon, por isso vou cortar logo. Só gostaria de adicionar também que, apesar de tantas partes bobonas, a revista surpreende com momentos de profundidade exemplares. O final da história (são apenas 8 edições) eu li inteiro sentindo arrepios.


4-Do Inferno

Melhor publicação que o Alan Moore fez pra revista Taboo, com o desenhista Eddie Campbell. Se trata da época dos assassinatos das prostitutas na Inglaterra pelo assassino que ficou apelidado de Jack, o Estripador. Assim como em Watchmen, aqui não se trata de descobrir "quem fez?", até porque os assassinatos são mostrados explicitamente com a presença do próprio assassino. O que Moore descreve são pontos de vista de como vários fatores influenciaram tudo, em várias camadas da sociedade, e como os assassinatos teriam levado ao nascimento do século XX, no sentido cultural, uma certa obsessão do Alan, que pode ser conferida na Liga Extraordinária também. Não é a leitura mais fácil do mundo, mas quando a "curva de aprendizagem" passa e você se adapta, pode apreciar a quantidade de ideias e informações que foram unidas em um único trabalho artístico, de maneira singular. Como de costume, Moore foge do óbvio que poderia até dar certo e mira muito mais longe.




3-Sin City

Experiência sem igual. Miller dá umas assopradas que ainda vai soltar mais alguns volumes. Na época Miller era um superstar na nona arte, tendo feito algumas das melhores histórias já lidas com Batman, Demolidor e Wolverine. Então ele teve a oportunidade de na Dark Horse fazer o que quisesse, assim surgiu um clássico das HQs noire. Infelizmente a série decaiu de qualidade, como todo o trabalho do Miller, mas os primeiros 4 volumes são muito bons. Os filmes do Robert Rodriguez foram fieis à narrativa exagerada e única dele, conseguindo transmitir a mesma sensação, mas com som e movimento também. No segundo filme há sequências das HQs que foram melhores do que as últimas partes. Recomendo:

-A Cidade do Pecado
-A Grande Matança
-A Dama Fatal
-O Assassino Amarelo

Reviews: https://ozymandiasrealista.blogspot.com/2017/01/analise-colecao-frank-miller.html



2-Scott Pilgrim Contra o Mundo

Insanamente divertido. Foi a primeira vez na minha vida que senti que minha cultura, meu estilo de vida, as pessoas com quem eu andava e conhecia estavam sendo representados em uma obra de fantasia/aventura. Scott consegue começar a namorar uma garota descolada de cabelo colorido, a Ramona Flowers. Porém... não será tão fácil! Para ficar com ela, ele precisa derrotar os sete ex-namorados do mal dela para poder ficar com a moça em paz! O melhor da cultura pop é misturado por Bryan 'o Malley, que masteriza humor e ritmo da narrativa, tudo com uma identidade única. O que me fazia curtir infinitamente essa série, era como todos os personagens me lembravam alguém que eu conhecia.


1-Lobo Solitário

Melhor série que já li. Se eu não tivesse crescido com personagens como o Batman a vida toda e gerado um carinho inevitável por eles, conseguiria colocar Lobo Solitário como minha história favorita. Mas não posso negar que é a melhor. Itto Ogami é traído pelo estado feudal japonês corrupto e se torna um samurai que vive na meifumadô, a estrada daqueles que vivem apenas pela sua vingança. Há vários fatores que fazem Lobo Solitário ser tão genial. Você tem a diversidade enorme de necessidades dramáticas inteligentes dos personagens secundários, mostrando pontos de vista inesperados que enriquecem muito a saga. E tem o Daigoro, filho do samurai que compartilha a jornada com ele, fazendo contraste com sua infantilidade. Não preciso entrar em mais detalhes, porque essa série eu realmente me dediquei a fazer um post grande comentando logo quando terminei: 



Valeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu!!! Até a próxima!

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