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sábado, 9 de fevereiro de 2019

A Cachaça da Ministra Damares


Não sei se a ministra Damares, titular da pasta do "importantíssimo" Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (quer dizer que a mulher é um ser celestial, que não faz parte, ou está além, da família e do gênero humano?) é chegada numa cachacinha, naquela que "matou o guarda".
Provavelmente, não; uma vez que evangélica. Se bem que isso de evangélico não tomar bebida alcoólica, para mim, é puro mis-en-scène, pura fachada. É bem verdade que em suas festas e celebrações, quando é o evangélico quem está bancando o aniversário, o casamento etc, realmente não há birita, eles economizam uma boa grana em nome de Jesus; e depois dão tudo pro pastor. Mas já vi muito "irmão" entornar bem, quando a festa é patrocinada por outrem.
Mas tenho a certeza de que a ministra Damares, mesmo que não seja adepta de uma "branquinha", recomendaria, veementemente, feito aquelas atrizes que fazem publicidade de produtos que, notadamente, não consomem, a cachaça abaixo, fabricada em Aracaju, Sergipe : a CURABICHA.

E farei aqui algo que os leitores do Marreta não estão acostumados a ver : elogiarei a inteligência do brasileiro. Alguns pensarão : ora, Azarão, por certo perdeste o senso. E eu vos direi, no entanto : meu elogio não é bem à inteligência em si do brasileiro, sim ao tipo da inteligência brazuca. Que, sabemos, não é das mais profundas, dedicadas e pujantes. Não é inteligência de cátedras acadêmicas, de, um dia, abiscoitar um Prêmio Nobel, a não ser, quem sabe?, a picaretagem do Nobel da Paz. Porém, no quesito da irreverência, da galhofa e da gaiatice, não há quem nos bata. É a inteligência da sacada rápida, da tirada espirituosa, do chiste, feito a do gênio que batizou esta cachaça.
É inteligência de fôlego curto, de explosão, não de resistência : de curta distância. Numa Olimpíada de Inteligência, correríamos muito bem os 100 metros rasos e os 400 metros (sem barreiras); dos 800 metros em diante, só com revezamento. A maratona, jamais.
Não é inteligência de produzir novas tecnologias, de levar o homem a Marte, de curar o câncer e a paumolescência. É inteligência lenitiva e paliativa, de trazer uma fugaz alegria ao prosaico da vida. Feito o anão, a quem a única vingança possível é pisar na sombra do gigante.
Nossa inteligência é Phd em disciplinas e conteúdos não acadêmicos. Na modalidade apelidos, por exemplo. Como são os apelidos dos ingleses, dos estadunidenses? Thomas vira Tom; Franklin, Frank; Christopher, Chris; Robert, Bob; William, Bill; Antonhy, Tony; Nicholas, Nick... E a chatice prossegue infinitamente por essa linhas.
No Brasil, não. Por aqui, até tem destes apelidos diminutivos. Tem o Zé, o Tião, o Mané, mas a maioria das alcunhas tem inspiradíssima inspiração nos atributos físicos mal-acabados do sujeito. O narigudo vira "sequestrador de oxigênio"; o gordo, rolha de poça, pudim de banha, chupeta de elefante; o baixinho, gandula de pebolim, salva-vidas de aquário, jardineiro de bonsai, meia-foda, salário mínimo, piloto de hot wheels; o vesgo, um olho no peixe e outro no gato; o magro, tripa, vara de cutucar estrela, puro osso, chassi de grilo; o feio, espanta-bebê, manequim de funerária; o que usa óculos, quatro-olhos, Mr. Magoo, Steve Wonder.
Ou seja, o brasileiro inventou o bullying! O americano só o capitalizou - como sempre.
E na questão, então, da cachaça da Damares? Alguém suporia um escocês, ou um inglês, batizando um uísque de Virgin Pee (Xixi de Virgem)? Ou Cry on The Dick (Chora no Pau)? Um russo registrando uma vodka com o nome de за сумкой (Atrás do Saco)? Um italiano a nomear uma grappa de Domare o Cornuto (Amansa Corno)? Um alemão dar a uma cerveja o nome de  Thread Brennen (Queima Rosca)? Ou um japonês rotular um saquê de 暖かいセーター (Esquenta Xereca)? Só no Brasil!
Além do brilhantismo do nome, o rótulo traz informações de grande sutileza sobre o produto, praticamente uma bula. Como uma cachaça, alguém poderia perguntar, seria capaz de curar uma bicha? A resposta está no rótulo : aguardente de cana mole. Mas é lógico. Se toda cana fosse mole, o boiola desistia da profissão.
E o melhor : a cachaça da ministra Damares vem, é claro, com o rótulo impresso em azul.
Pãããããããta que o pariu!!!!! 

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