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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Os Dez Anos De Batman, O Cavaleiro Das Trevas



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Batman, O Cavaleiro Das Trevas, de Christopher Nolan, completou dez anos em 2018. Com um pouco de atraso e aproveitando as poucas horas que faltam para findar o corrente ano, escrevo este Artigo para, mais do que comemorar, exercer uma visão crítica da atualidade desta produção no mundo como um todo. Este é um filme que eu considero como um Clássico Cinematográfico que ultrapassou as linhas de suas origens diretamente inspiradas nos Quadrinhos. Se você, Ser Do Mundo, torce o nariz para “filmes que adaptam personagens e histórias em quadrinhos”, tratando este Gênero (Subgênero para alguns) Cinematográfico como perda de tempo, é melhor passar bem longe da leitura deste Artigo. Neste, está presente a visão de um Fã, um amante da película e não a de um crítico profissional acostumado a escrever sobre tudo que o agrada ou desagrada e aos outros. Como sempre irei afirmar, eu não escrevo para agradar ou desagradar a ninguém, nem a mim mesmo. O filme, também, não agrada ou desagrada a muitos exatamente porque alguns espectadores ainda possuem um distanciamento deste tipo de filme. Porém, na minha opinião, este segundo filme da Trilogia Batman do Nolanverse quebrou diversas barreiras se tornando, ao mesmo tempo, um filme cult, um Tratado Filosófico, um Trabalho Sociológico, um Estudo Político, um Estudo Psicanalítico, um Estudo da Contemporaneidade e uma ode à mais primordial premissa do Cinema Clássico: contar uma boa história que cative, envolva, transporte para dentro da mesma e permaneça n'alma de quem a assiste diversas vezes.
 

Não sei quantas vezes já revi o filme, cada vez ganhando mais informações sobre o que o mesmo diz nas entrelinhas, no não-óbvio, no que submerge no oceano narrativo além das imagens e mensagens diretas dadas ao público. Objetivamente, se poder dizer com bastante simplicidade que é um Filme Policial mesclado com tons de Thriller Político que foi muito bem executado. Subjetivamente, o incômodo causado pelo ritmo nervoso e intrigante de todo o filme prontifica a análises que nada possuem de simplista. Análises pessoais, afirmo, pois o que a impessoalidade e a imparcialidade podem produzir de eficiente ou positivo no mundo daqueles que escrevem sobre obras da Cultura Humana? Em todo Ensaio ou Crítica, o humano elemento da interioridade, necessária para a execução de uma escrita centrada na racionalidade, jaz na necessidade própria do cais do coração que interpreta o que o Ser passa a identificar como parte da construção de sua Identidade. Este filme faz parte de minha existência, sendo um dos meus preferidos, uma jóia entre tantas jóias nas minhas afinidades em relação ao que gosto de encontrar na Arte Cinematográfica. Cada personagem de O Cavaleiro Das Trevas é um arquétipo que tal Arte faz com que reflita cada espectador mais atento à essência da história e à história da essência de um filme. Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman e Christian Bale, cada um a seu modo inteligente de interpretar seus respectivos personagens, foram a tônica principal de um simbolismo que nunca se equivoca ou mente: O Caos.



Caos é uma interpretação direta do que nos cerca e delimita, enfraquece e faz desistir de maiores sonhos. Se no âmbito político se exerce uma conduta sempre a nos delimitar e explorar, é necessário se opor mesmo que tal oposição descambe para o enfrentamento direto. Mas, o Coringa não estabeleceu planos, não se interessou em agir como os “planejadores”, decidindo aleatoriamente se jogar contra o sistema a fim de enviar determinadas mensagens a todos. Sufocando nossa alma hoje em dia temos o Terrorismo e a questão da Violência e do Crime em si mesmos como os motores que movimentam toda a Política no mundo inteiro. Reverter tudo isso a favor de um jogo não planejado, emaranhar tudo em um sistema indeterminado de consequências foi um dos mais geniais planos arquitetados por um vilão no Cinema.

E neste ponto, o filme ultrapassou os limites da Quarta Parede e segue dialogando com a nossa realidade. Harvey Dent, representante do sistema estabelecido de tudo politicamente correto, limpo e decente, faz ecoar a presença dos raríssimos interessados em verdadeiramente modificar o status político que hoje é mero mercado de doação e troca com múltiplas vantagens para ambos os lados. Um herói para tempos sombriamente marcados por Mentira e Corrupção elevadas, um emblema e um símbolo maior de nuances anunciando um amanhã dourado para o microcosmo de sua área de influência. Dentro da cidade doente de Gotham, espelho da nossa Doente Civilização Contemporânea, a Deusa Esperança estampada estava no semblante de Dent.



Junto ao Cavaleiro Branco de Gotham está James Gordon, um dos raros policiais honestos da cidade adoentada. Um exemplo a ser seguido de homem que vê o sistema ao qual pertence como uma cancerosa anomalia que precisa ser extirpada. Um guardião da Lei em um ambiente hostil à livre expressão da mesma e que tem em seu redor mais inimigos que amigos. Há que se ver Gordon como uma Penélope a aguardar pelo seu Ulisses cercada por pretendentes interessados mais no Poder do trono vago do Rei do que em qualquer outra coisa. E cada policial corrupto de Gotham é como um sonhador que ambiciona um cargo mais alto a fim de melhor dominar o esquema corrupto vigente. Gordon, então, vê em Dent o seu Ulisses, um herói viajante por águas perigosíssimas habitadas por monstros dos mais variáveis.

Monstros como os marginais de Gotham, o Coringa e o próprio Batman. Este, somente ao se destacar, autoproclamando-se como “Paladino da Justiça”, adjudicou para sua própria razão de existir eventos dentro de elementos de um anti-sistema próximo de um justiceiro que a nada e a ninguém responde. A consequência de sua existência é o Coringa e todo o encadeamento de fatos que acompanham a presença de tal Ser dentro da trama. Ele atraiu e criou todo o ambiente de tensão e ultraviolência, seja esta física ou amoral ou sentimental, transbordando como turbilhões insanos de fatos. Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) foi a maior vítima do Batman e de toda a caótica histeria proporcionada por sua existência, uma Andrômeda sacrificada por um suposto herói que admitiu sua preferência por um caminho que solucionaria tudo em Gotham.



Duas Caras é outro filho do Batman, mais um resultado da presença de um homem que se julga acima das humanas leis apenas por envergar os punhos contra marginais de rua ou de colarinho branco. Todo o filme é uma expansão da influência do Batman na cidade, uma figura evocando malefícios e benefícios ao mesmo tempo dentro das caóticas correntes por ele mesmo edificadas no painel de circunstâncias diretas de suas ações.
Não vemos no Batman de Nolan a figura mítica e invencível que certos roteiristas deram ao personagem nos Quadrinhos com o passar dos anos. Vemos no Cinema um homem quebrado, solitário, frágil e atormentado que se veste de morcego para combater a Criminalidade Urbana como um Zorro Pós-Moderno adepto de uma Vigilância muito mais contundente e irresponsável.

Irresponsável porque o gatilho da loucura inteira vista no filme, não somente o desequilíbrio organizado do Coringa, é culpa dele. Mas, o que fazer se o Governo, a Polícia ou a Alta Sociedade não se unem para determinar a extinção de toda Corrupção e Crime na cidade? Se formos analisar esta pergunta dentro do universo realista de Nolan, veremos que a mais óbvia e direta resposta seria esta: a solução seria manipular o Caos a favor da Lei e não ampliá-lo dando a um Vigilante o livre direito de sair esmurrando criminosos por toda a cidade. Ao trazer para si a responsabilidade por toda uma cidade refém do Caos, Bruce Wayne e seu Ego, encarnado pelo capuz que enverga, construiu a própria ruptura com a civilidade, o bom senso e a Razão nos níveis que presenciamos no filme. E quando reis de duvidosa autoridade são posicionados em tronos de pó, todo um reino apodrecido por dentro se destrói com apenas um “empurrãozinho”... E tudo cai como um castelo de cartas deprimente, uma casa de areia em praia convulsionada por um arrastão ou um tsunami consumindo milhares de vidas.



O Coringa nadou nessas fissuras do Caos gerado pela presença do Morcego Vigilante apenas como alguém que sobre o próprio Caos trabalhou a fim de provar que nenhuma solução arbitrária ou planejada a fim de se aproximar de um absurdo autoritarismo, seja este o da Lei ou da Vigilância Mascarada, é senhora de eficiência e resultados eficazes para o fim daquele. Ele foi muito além de provar que todo homem pode ser corrompido; ao estrangular toda Gotham com sua atividade terrorista, ele provou algo que não está longe da realidade deste filme em particular ou de cada tentativa fora do Mundo Cinematográfico de praticar uma Justiça fora dos limites do que a Civilização Mundial preconiza como ideal para a sobrevivência harmônica da Espécie Humana.

Se você precisa de mais detalhes para poder perceber a verdadeira intenção do diretor ao conduzir esta Trilogia, é melhor assistir mais vezes com bastante atenção este filme, enfocando muito que indiretamente é repassado. Muito da influência direta dele pode ser visto na série Arrow, ambientada igualmente em uma cidade submetida aos ditames do Puro Caos com um Arqueiro Vigilante que iniciou uma onda de Loucura Vigilantista que caminha de mãos dadas com uma altíssima criminalidade. Muito do que é discutido no filme pode ser notado bem dentro da realidade brasileira, onde daqui a quarenta e oito horas um Presidente da República, que prometeu lutar pelo armamento da população a fim de que o nosso Diário Caos na forma do cada vez mais preciso crescimento do Crime seja combatido diretamente por aqueles que mais sofrem dentro Daquele, tomará posse do cargo. Nolan provou também algo em seu universo, em sua visão humana do Mascarado Guerreiro de Gotham: o Verdadeiro Vilão do filme é o Batman. Levem esta minha afirmação para os dois exemplos acima dados e verão quem também são os respectivos Verdadeiros Vilões dos mesmos.


Daqui a um ano posso ter uma visão diferente deste filme. Daqui a dez anos posso ter uma outra visão. Por causa disso é que a  Sétima Arte nunca morrerá, já que nos dá a oportunidade de estudar os filmes que amamos através de diversas facetas, sentidos e ângulos. Eu amo os Quadrinhos, uma parte do Caos Ficcional de onde surgiu o Batman. Eu amo Batman, O Cavaleiro Das Trevas, tanto a versão de Frank Miller quanto a de Nolan. Eu amo o Cinema, este ramo da Ordem dentro do Caos de nossa terrestre realidade.

E aqui há um amante da Arte De Contar Inesquecíveis Histórias como a do filme que aqui foi neste blog uma vez mais discutido.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!

Texto escrito por: Inominável Ser
Publicado originalmente em:

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