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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

ENTREVISTANDO #03: Rafael Oliveira Andrade de Souza



Ele tem 18 anos, e acabou de ganhar seu primeiro estadual da LBX nas categorias “clássico” e “Blitz”. É um adepto do genuíno xadrez romântico e arriscado (deixado de lado por boa parte da elite atual do xadrez, que luta por posições mais sólidas e igualadas), e todo esse progresso em apenas quase 3 anos! Entrevisto hoje um jovem campeão que tem inspirado vários jogadores a melhorarem ainda mais!




1 – Fale um pouco sobre si, e claro, uma pergunta que não pode faltar, como começou sua carreira no xadrez? E o que lhe impulso a competir em clubes, chegando a esse ponto alto de vencer um estadual, que mesmo não lhe fazendo um “GM”, lhe põe indiscutivelmente em um nível acima da maioria dos jogadores de clubes.

Tal: O Mago de Riga. Provável que o jogador de ataque que já existiu na história do xadrez.


Bom, meu nome é Rafael Oliveira Andrade de Souza. Tenho 18 anos e moro na capital do estado do Espírito Santo. Nasci em Barra mansa, Rio de Janeiro. Mas logo minha família se mudou para Volta redonda. Sempre viajei muito, já morei em Curitiba. Porém a maior parte da minha vida, desde então, foi no Espírito Santo. Minha infância foi boa, mas infelizmente não conheci o xadrez naquela época. O xadrez chegou a minha vida no final de 2015, meio sem querer. Um amigo meu entediado resolveu pegar o xadrez da escola e me convidou para uma partida. Lembro que aprendi os movimentos de 2 ou 3 peças em Curitiba, no computador. Ele me venceu com facilidade, éramos dois capivaras jogando no meio de uma aula vaga, mas ele sabia mais do que eu. Até que surgiram espectadores. E eu perdi todas. E ele saiu como o “gênio”. Até que aquilo ficou no meu subconsciente e resolvi ver algumas partidas ao chegar em casa. Quando fui ver, EU ESTAVA VICIADO no xadrez. E fui gravando jogadas... Até que eu o venci, e como ele era supercompetitivo, começou a estudar também. E quando a gente foi ver, estávamos em um ótimo nível de xadrez.

"Quando escuto alguém dizendo que o Romantismo morreu.. xdd
#Chess #agressivo"


2 – Como consistiu seu treinamento para chegar forte no estadual? (lógico, sem dar detalhes chaves que possam lhe comprometer com seus adversários mais assíduos). Haviam exercícios físicos? Treinador ou parceiro de treino? Livros? Vídeos? Exercícios táticos e pura jogatina de horas?

Fischer: Referencial de gerações, e imortal aos 13 anos!
 Eu sempre fui um “Bobby Fischer” quando o assunto é treinamento. Sempre fui eu e o tabuleiro. Petrosian disse uma vez: “O melhor treinador do enxadrista é ele mesmo”. E confesso que estou bem, assim. Óbvio que não se trata de orgulho ou otimismo excessivo, isso é questão de gosto. Há daqueles que preferem treinar com um bom professor, outros com amigos... Mas no meu caso, somos eu e eu mesmo! Meu treinamento se baseia em leitura, treino de tática, treino de aberturas, treino de finais e muita análises de partidas... E claro... Teoria se torna inútil sem a prática, portanto eu jogo online diariamente.




Quais livros já leu recomendaria? (E é um bom ponto de vista o treino sozinho, já tive ilusão de treinar por pessoas, e acabou não tendo muito progresso.)

Confesso que não li muitos, mas gosto muito dos livros: Gigantes do xadrez agressivo; Minhas 60 Melhores Partidas (Bobby Fischer);The Life and Games of Mikhail Tal (Tal) e é claro os livros de Nimzowitsch.

3 – Quais jogadores brasileiros lhe inspiraram a melhorar? Além é claro dos demais jogadores da história do xadrez? Ouve algo em especial sobre algum que lhe fez entrar mais de cabeça no xadrez? E, entretanto, há jogadores que não tenha gostado, seja pelo “estilo” que eles tinham, ou mesmo personalidade?

Eu cresci dentro do xadrez mais vendo vídeos e pesquisando do que com o treinamento propriamente dito. Sempre adorei saber a história de cada jogador, sempre quis saber o que se passava na mente de cada um. Há muitos jogadores talentosos no país, mas nunca tive nenhum jogador que me chamava atenção aqui no Brasil.  Estudei todas as eras do xadrez. Mas, em particular, a Era Romântica é minha favorita! O estilo agressivo e sem cuidado é algo que me fez se apaixonar pelo xadrez desesperadamente. Quando li sobre Paul Morphy eu não parava de imaginar como seria o cotidiano dele... Enfim, eu venero os jogadores de ataque no xadrez, seja ele bom ou ruim.  Gosto de enxadristas sem medo, sem apego as peças, aquele que bota tudo a perder. Não há nenhum jogador que eu não goste e nem estilo.

Paul Morphy!


4- Há planos para buscar titulações chegando a ser GM? Na sua visão, porque temos tão poucos GMs no Brasil? Há chances de uma termos o xadrez na escola de forma tão presente quanto o futebol?



Há 2 certezas na vida: A morte e que me tornarei GM! Infelizmente o xadrez é muito mal valorizado no Brasil, as pessoas crescem com a mentalidade que é jogo de velho, ou monótono demais. É por isso que temos poucos GMs, porque há poucos jogadores. Infelizmente, acho que o xadrez nunca será devidamente valorizado no país.



5- O que recomendaria aos leitores e jogadores (incluindo a mim) para ultrapassarem em 2 anos a barreira dos 2000 de rating e entrarem para o top das federações estaduais onde jogam?

Responderei com um pouco de analogia. Eu vejo o xadrez como uma mulher de beleza adormecida. Uma mulher que se deixou levar pelo tempo por não ser devidamente valorizada. Uma mulher difícil de compreender. Uma mulher que as vezes é calma e outras vezes uma fera. Uma mulher que se amada e valorizada corretamente, aos poucos se torna a mulher mais linda do mundo. Você passará a compreendê-la, a admirá-la e entenderá todos os seus problemas. Irá resolvê-los juntos e mesmo que pareça impossível, lembre-se: Com amor tudo se torna possível! Portanto, se você amar o xadrez com todo o seu coração e valoriza-lo devidamente... Logo, logo serás um forte jogador! Esse é a peça chave para ser o bom jogador. Nunca se esqueça do xadrez e não o deixe de lado. Tire alguns minutos do seu dia para jogar ou ler se quiser ser um bom jogador, mas se quiser ser o melhor: Viva-o.

Sua declaração é parecida com uma frase do Fine, "Uma partida de Xadrez se assemelha a uma mulher: cada qual a superestima ou menospreza, mas ninguém é capaz de julgá-la fria e objetivamente." Muito obrigado pelo seu tempo, espero que possamos jogar em breve, além de tê-lo aqui no blog escrevendo quando puder sobre o xadrez.


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